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Caso clínico IV “Boa tarde! Tenho pequenos derrames nas pernas!”

Projeto 3 – casos clínicos

5. Caso clínico IV “Boa tarde! Tenho pequenos derrames nas pernas!”

5.1. Contextualização

As varizes são veias dilatadas e tortuosas, facilmente identificáveis por se localizarem debaixo da pele. As veias têm válvulas unidirecionais que abrem e fecham para ajudar o retorno do sangue ao coração. Quando as válvulas ficam danificadas ou frágeis, o sangue pode voltar e fazer com que as veias dilatem, levando assim à formação das varizes. Geralmente, podem causar dor, desconforto ou problemas mais sérios como coágulos sanguíneos ou úlceras. [51]

Fazem parte do espetro da doença venosa crónica (DVC) e incluem telangiectasias (derrames “em aranha”), veias reticulares (microvarizes) e varicosidades (pequenas varizes e derrames com impacto essencialmente estético). Estima-se que 20% da população portuguesa adulta apresente a doença e, geralmente, ocorre mais em mulheres do que em homens, devido à vertente hormonal e ao elevado nível de estrogénios, sendo um dos fatores de risco associados. Outros fatores de risco poderão ser: idade (entre os 40 e os 60), história familiar, sedentarismo, ortostatismo prolongado, fumar, excesso de peso, gravidez, estatura alta, excesso de calor e presença de alterações congénitas da composição estrutural das paredes das veias. Hipertensão venosa, incapacidade valvular venosa, alterações estruturais na parede venosa e alterações na velocidade de fluxo do sangue são os principais mecanismos fisiopatológicos que poderão dar origem a varizes. [52]

O tratamento deve ter em conta os sintomas, a localização, a gravidade e a causa das varizes. Passa primariamente por alterações no estilo de vida e que podem ser suficientes. Dependendo de caso para caso, o médico poderá recomentar terapia com meias de compressão, farmacoterapia flebotómica e terapêuticas mais invasivas como cirurgia clássica e cirurgia de ablação endovenosa, para casos mais graves. [51, 52]

5.2. Aconselhamento

Quando confrontado com esta situação, o farmacêutico deverá, inicialmente, tentar perceber a gravidade da situação: se se tratam de pequenos derrames ou se já tem varizes formadas. Deve perguntar se toma a pílula, se passa muito tempo na mesma posição, se é fator genético, quais os hábitos tabágicos e quais os sintomas que sente: cansaço, sobretudo ao final do dia; sensação de pernas pesadas; dor; prurido ao redor das veias, entre outros. Após esta primeira abordagem, o farmacêutico recomendará alterações no estilo de vida: manter um peso saudável, cessar o tabaco e as bebidas alcoólicas, evitar estar muito tempo na mesma posição, fazer exercício regularmente, evitar roupa muito justa, hidratar o corpo diariamente, elevar as pernas e evitar o calor. O farmacêutico poderá também recomendar um gel para o alívio dos sintomas, uma vez que os géis são facilmente absorvidos:

• Thrombocid®: ação anticoagulante, anti-inflamatória, analgésica e fibrinolítica;

• Antistax®: efeito reconfortante, refrescante, calmante e estimulante da microcirculação; • Venex®: ação flebotómica, venoprotetora e adstringente.

Por último, o farmacêutico aconselhará mudanças no estilo de vida que poderão ser eficazes no alívio dos sintomas e a consulta do médico especialista, caso se verifique um agravamento dos sintomas, bem como abordá-lo à cerca do uso das meias de compressão.

6. Conclusões

O atendimento deverá sempre salvaguardar o bem-estar do utente, a todos os níveis. Vender por vender não deverá ser nunca a tese procurada por um farmacêutico. Muitas são as vezes em que os pacientes se automedicam porque “tinha este medicamento lá em casa que o médico receitou ao meu marido” ou porque “a minha amiga disse que era muito bom”, e cabe ao farmacêutico lutar contra a automedicação inconsciente.

Ao realizar estes casos clínicos, penso que consegui melhorar em muito o meu aconselhamento ao balcão. Ajudou-me a pôr em prática tudo o que aprendi ao longo dos cinco anos de curso e durante os primeiros meses de estágio. É muito importante ter uma conversa clara e concisa com o utente, perceber quais os sintomas, se já se automedicou ou se já foi ao médico. Por norma, os utentes procuram a “solução eficaz” e acreditam que se não for farmacológica, não terá efeito e, por conseguinte, foi do meu interesse procurar medidas não farmacológicas

Penso que este projeto foi uma mais valia para mim e para a farmácia, na medida em que, na dúvida, podemos rapidamente consultar as tabelas com as medidas não farmacológicas que podemos aconselhar, melhorando o atendimento.

Bibliografia

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9. Infarmed. Boletim de farmacovigilância. Acessível em: http://www.infarmed.pt. [acedido em 25 de março de 2018]

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11. Infarmed. Normas relativas à prescrição de medicamentos e produtos de saúde. Acedido em http://www.infarmed.pt. [acedido em 2 da abril de 2018]

12. Infarmed. Normas relativas à dispensa de medicamentos e produtos de saúde. Acedido em http://www.infarmed.pt. [acedido em 2 da abril de 2018]

13. Infarmed. Decreto-Lei n.º 106-A/2010, de 1 de outubro. Acedido em: http://www.infarmed.pt. [acedido em 10 de maio de 2018]

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15. Valormed. Quem somos. Acedido em: http://www.valormed.pt/paginas/2/quem-somos/. [acedido em 10 de abril de 2018]

16. Banco farmacêutico. Quem somos. Acedido em: https://bancofarmaceutico.pt/quem-somos. [acedido em 10 de abril de 2018]

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51. Varicose Veins. Nursing 2015, 45 (6), 50

Anexo I – cronograma das atividades realizadas durante o estágio

Tarefas Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro

Back-office* Atendimento Serviços farmacêuticos Manipulados Formações Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3

*Back-office: Receção de encomendas, armazenamento de produtos, reposição de stocks, regularização de

Anexo II – Preparação de medicamentos manipulados

Álcool a 60º saturado com ácido bórico

Preparação de álcool a 60º saturado com ácido bórico

Anexo IIIA – Equipamento utilizado nos testes bioquímicos: Callegari

CR3000

Anexo IIIB – Cartões distribuídos para anotação dos resultados dos

testes bioquímicos

Anexo IV – Formações realizadas ao longo do estágio

Formação Local Data Nº horas Entidade responsável Uriáge®

Hotel “As

Américas”, Aveiro 19/10/2017 3h Uriáge® Caudalie® Yeatman”, Porto Hotel “The 30/01/2018 4h Caudalie® Portugal “Ser cabeleireiro por

um dia” ANC*, Porto 22/11/2017 6h René Furterer® Novalac® e Nuk® Farmácia 12/10/2017 30 min Novalac® e Nuk®

Ecophane® Farmácia 14/09/2017 30 min Ecophane Biorga® Vichy® Farmácia 30 min L’ Óreal Paris® La Roche Posay® Farmácia 30 min L’ Óreal Paris®

Curaprox® Farmácia 30 min Curaprox ® *ANC: Associação Nacional de Cabeleireiros

Parte de fora do panfleto

Anexo VI – Casos clínicos

“Quero qualquer coisa para a gripe!”

Perguntas a fazer

“Já tomou alguma coisa?”; “Quais os sintomas?”; “Tem febre?”; “É asmático?”; “Tem

algum problema de saúde”?

Medidas não farmacológicas

Descansar e beber muitos líquidos; tomar banho em água morna e usar roupas ligeiras, caso

tenha febre; ter uma alimentação particularmente nutritiva

“Quero qualquer coisa para a tosse! É seca!”

Perguntas a fazer

“Tem a certeza que é mesmo seca? Não sente nenhuma expetoração? Sente que é aquela tosse

alérgica?”; “Tem asma?”; “É hipertenso?”; “É fumador?”

Medidas não farmacológicas

Beber muita água; evitar ambientes demasiado secos; rebuçados de mentol para acalmar a tosse; pomadas para o peito (ex. Vicks®)

“Ando com o nariz entupido”

Perguntas a fazer

“Tem alergia a algo com que tenha estado em contacto recentemente?”; “Tem mais algum sintoma?”; “Tem algum problema de saúde?” (descongestionantes nasais não são aconselhados a

hipertensos ou a quem toma anti-hipertensores!)

Medidas não farmacológicas

Beber muitos liquídos; evitar bebidas alcoólicas; evitar fumar; descansar muito; inalações

com água salgada; evitar assoar com demasiada pressão para que a infeção não se propague para o

ouvido

“Estou com diarreia!”

Perguntas a fazer

“Viajou recentemente?”; “Há quantos dias está com diarreia?”; “Quantas evacuações +/-, por dia?”;

“Há mais alguém, na sua casa, na mesma situação?”; “Tem febre?”; “Comeu alguma coisa

diferente do normal?”

Medidas não farmacológicas

Beber muitos líquidos; evitar álcool e produtos lácteos; evitar refeições pesadas, molhos e condimentos; diminuir na quantidade de sal; reforçar medidas de higiene; pode fazer probióticos e sais de

reidratação oral

“Torci um pé!”

Medidas não farmacológicas

Colocar gelo nas primeiras 72h, 20 em 20 minutos, com descanso; ir ao médico caso a dor continue; repouso; pé elástico; pomadas como:

thrombocid®, voltaren®

“Tenho pequenos derrames nas pernas!”

Perguntas a fazer

“Toma a pílula?”; “Está muito tempo na mesma posição?”; “O cansaço é mais ao final do dia?”; “É

fator genético?”

Medidas não farmacológicas

Poderá usar meias de compressão; elevar as pernas; evitar estar muito tempo de pé ou na mesma

posição; evitar roupa justa; evitar cruzar as pernas; fazer exercício físico

“Dores nas articulações!”

Perguntas a fazer “Faz algum suplemento?”; “Tem artroses?”; “É alérgico ao marisco?”

Medidas não farmacológicas Fazer exercício físico (caminhadas); fazer

exame ao ácido úrico; manter peso saudável

“Comi demais no Natal!”

Perguntas a fazer “Tem azia?”; “Tem vómitos ou náuseas?” “O que é que sente?”; “Sente-se inchado?”;

Medidas não farmacológicas

Manter estilo de vida saudável: não fumar, evitar bebidas alcoólicas, fazer exercício físico, evitar

alimentos ácidos, fazer refeições ligeiras; evitar roupas apertadas

“Micose na unha!”

Perguntas a fazer

“Já tratou de alguma forma?”; “Há quanto tempo apareceram os primeiros sinais?”; “Está

“farinhenta”?”; “Sente dor e prurido?”; “Está inflamado?”

Medidas não farmacológicas

Lavar diariamente a área infetada; secar muito bem (usar pó); cortas as unhas envolvidas; trocar de meias diariamente (caso seja no pé); evitar manicure

“Pele atópica/muito seca em bebé!”

Perguntas a fazer “Tem greta ou pus?”; “Já falou com o pediatra?”

Medidas não farmacológicas

Hidratar e higienizar muito bem a pele com produtos apropriados; roupa de algodão hipoalergénica; lavar a roupa com detergente

“Queda de cabelo!”

Perguntas a fazer “É sazonal ou reativa?”

Medidas não farmacológicas

Evitar lavar o cabelo todos os dias; evitar andar com o cabelo preso; usar ampolas e champôs

específicos para o caso; evitar stress; evitar tratamentos agressivos no cabeleireiro

“Dor de garganta!”

Perguntas a fazer

“Sente dor ou irritação?”; “Tem febre?”; “Já tomou alguma coisa?”; “Dói a engolir?”; “É

hipertenso ou asmático?”

Medidas não farmacológicas Rebuçados de mentol para amaciar a

garganta; hidratação (água, chás, mel); evitar o frio

Tratamento oral para a acne.

Cuidados a ter

Explicar que o tratamento diminui a gravidade acne. Explicar que o tratamento seca a pele e as mucosas e, por isso, deve-se hidratar muito bem a

pele, os lábios e a boca. Não deve interromper o tratamento! Evitar a exposição solar e usar protetor.

Ter uma alimentação saudável.

“Quero a pílula do dia seguinte!”

Perguntas a fazer

“Que idade tem?”; “Toma a pílula?”; “Já tomou alguma vez a pílula do dia seguinte?”;

“Quantas horas passaram desde a relação desprotegida?”

Medidas não farmacológicas

Usar preservativo/método de barreira nas próximas relações; falar com o médico sobre o método contracetivo mais adequado; tomar a pílula

normalmente

“Dores de cabeça!”

Perguntas a fazer

“Qual a intensidade da dor?”; “Costumam ser dores frequentes?”; “Já tomou alguma coisa?”;“É

uma dor localizada ou geral?”; “Tem tonturas?”

Medidas não farmacológicas

Exercício físico regular; deixar de fumar; aplicação local de frio; banhos de água quente; descansar; evitar stress; alguns chás poderão

ajudar (gengibre, hortelã)

“Obstipação!”

Perguntas a fazer

“Há quantos dias não vai à casa de banho?”; “sente desconforto abdominal?”; “Comeu alguma

Medidas não farmacológicas Beber muitos líquidos; dieta rica em fibras;

praticar exercício físico; massagem abdominal

“Dores menstruais”

Perguntas a fazer menstruada?”; “Onde sente a dor?” “Que idade tem?”; “É habitual?”; “Está

Medidas não farmacológicas

Banhos de água quente; calor local na região da dor; exercícios de relaxamento abdominal;

exercício físico regular; repouso

“Herpes labial!”

Perguntas a fazer “É recorrente?”; “Sente dor ou prurido?”; “Já tem vesículas formadas?”

Medidas não farmacológicas

Evitar tocar nas lesões com as mãos sem luvas; evitar partilhar copos; não romper as vesículas para evitar a propagação do vírus

“Úlceras de pressão!”

Perguntas a fazer “Tem estado muito tempo na mesma posição?” “Tem infeção (pus)?”; “Está em feridas?”;

Medidas não farmacológicas

Hidratar e higienizar muito bem a zona afetada; evitar estar sempre na mesma

posição; fazer uma dieta equilibrada

“Escaldões!”

Perguntas a fazer

“A pele está a escamar?”; “Tem dor?”; “Tem febre, vómitos ou diarreia (sintomas de

insolação)?”

Medidas não farmacológicas

Evitar a exposição solar na zona afetada; hidratar a pele com cremes pós-solares; beber

muitos líquidos; banhos de água fria

“Varicela (crianças)!”

Perguntas a fazer

“Há quantos dias apareceu?”; “Já foi ao pediatra?”; “Que idade tem?”; “Tem febre?”; “Está numa fase inicial (pontos vermelhos) ou

já tem vesículas?”

Medidas não farmacológicas

Evitar coçar e cortar as unhas à criança; evitar o contacto com outras crianças; banhos recorrentes e aplicação de creme para acalmar

o prurido; deixar a criança brincar para a distrair

“Produtos para emagrecer!”

Perguntas a fazer

“É hipertensa?”; “Está grávida ou a amamentar?”; “Qual a alimentação que faz?”;

“Já recorreu a algum suplemento?”; “Toma a pílula?”; “Já consultou um nutricionista?”

Medidas não farmacológicas

Fazer exercício físico; reduzir a quantidade de açúcar e hidratos de carbono;

aconselhar o aconselhamento por um nutricionista

“Dores de dentes!”

Perguntas a fazer “Há quantos dias tem dor?”; “Fez alguma extração?”; “Tem febre?”

Medidas não farmacológicas

Aplicar gelo com compressas frias; higiene oral; aconselhar a ida ao médico

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