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Caso 6 Lentes de Contacto Progressivas

No documento Relatório de atividade profissional (páginas 43-49)

Introdução:

As LC para correção da presbiopia são pouco utilizadas em todo o mundo. Existem várias opções disponíveis, incluindo LC mono visão, híper correção para perto, LC multifocais, rígidas permeáveis aos gases (RPG) multifocais, etc.14

Atualmente, as duas opções para a correção da presbiopia com LC mais utilizadas são a mono visão e LC multifocais. As vantagens e desvantagens foram examinadas por muitos estudos. No entanto, os grandes avanços no desenho das lentes, juntamente com melhorias nas técnicas de adaptação levam a pensar que a adaptação de LC multifocais sofrerá um incremento considerável nos próximos anos. 15

Dados clínicos.

Senhora, 48 anos, Bancária.

Motivo da consulta: 06/2014

Utilizadora de LC descartável mensal hidrófila tórica, começa a ter dificuldade na visão de perto. Quer continuar a usar LC, e não gosta de óculos.

Os resultados dos exames efetuados nesta consulta são apresentados na tabela 2.19.

Tabela ‎2.19 Caso 6. Dados clínicos obtidos na consulta.

OD OE AO

Exame subjetivo (D) -5,00 -1,75x 90 -5,25 -1,25 x 110

AV VL csx 09/10 09/10 10/10

Curvatura corneal (raio central) mm

7,60/7,85x90 7,65/7,80x100

Biomicroscopia Normal Normal

Realizada a consulta, foi proposto efetuar o pedido de blisters de LC para testar posteriormente. Nesta fase foi efetuado teste de dominância sensorial para definir

qual o tipo de lente a utilizar em cada um dos olhos. Não foram realizados muitos exames em virtude do paciente já ser portador de LC há vários anos.

Na tabela 2.20 apresentam-se características das lentes de contacto pedidas para teste, seguidos dos resultados obtidos após testar as lentes.

Tabela ‎2.20 Caso 6. Características das lentes pedidas e resultados do exame com as lentes.

OD OE

Lente de contacto Proclear Multifocal Toric D Proclear Multifocal Toric N

LC teste (D) -4,25 -1,75 x 90 -4,50 -1,25 x 110

Diâmetro (mm) 14,40 1,40

Curva base (mm) 8,70 8,70

AV VLcc 09/10 07/10

AV VPcc 07/10 10/10

Sistema de manutenção Solução Única Optifree Solução Única Optifree

Rx Final LC (D) -4,00 -1,75 x 90 -4,00 -1,25 x 110

A consulta para testar as lentes foi efetuada um mês depois, na qual se obteve resultados satisfatórios quer de acuidade visual ao longe quer ao perto.

De salientar que, tal como era de esperar na adaptação de LC multifocais a AV do olho dominante (geometria da lente D) apresenta uma AV boa para longe, mas um pouco diminuída para perto, por outro lado o olho não dominante (geometria da lente N) apresenta uma AV excelente para perto e mais reduzida para longe. Binocularmente temos uma AV excelente quer para longe quer para perto, daí a satisfação do paciente no final da adaptação.

Tratamento:

Prescrição LC multifocais, descartáveis mensais.

Discussão:

utilização deste tipo de lentes relativamente às LC unifocais, mas também devemos ressalvar que a AV binocular deverá ser muito satisfatória ou até muito boa.

A adaptação de LC multifocais, em especial das LC multifocais tóricas, para ser bem-sucedida, deverá ser regida pelo guia de adaptação do fabricante.

Como foi referido anteriormente, estima-se que o número de utilizadores de LC multifocais irá aumentar significativamente nos próximos anos, mas também é certo que uma percentagem muito significativa de utilizadores de LC multifocais desiste da sua utilização em função da incorreta adaptação das lentes.

A avaliação para adaptar LC multifocais, deve incluir uma história completa, testes filme lacrimal, medidas anatômicas, avaliação da pálpebra, refração e avaliação da curvatura da córnea. Se o paciente é então considerado um bom candidato, as opções de LC devem ser apresentadas e discutidas, para que a motivação do paciente e a posterior adaptação seja bem-sucedida.14

Figura 7. LC multifocal esférica, dente D olho dominante e lente N olho não dominante

Quando se adapta lentes multifocais esféricas temos de ter em atenção a adição do paciente, se esta for inferior a 1,75D deve-se adaptar em ambos os olhos a lente de geometria D, mas se a adição for superior a 1,75D, então no olho dominante adapta-se a lente D e no olho não dominante adapta-se a lente N.

No que diz respeito às lentes multifocais tóricas adapta-se da mesma forma que as esférica em termos de adição, mas deve-se ter em atenção a estabilização da lente.

3 Conclusões

A realização do Mestrado em Optometria Avançada permitiu uma reciclagem dos conhecimentos e ajudou-me a melhor a abordagem de determinados casos.

No que diz respeito aos casos clínicos aqui apresentados, optei por apresentar casos que na sua maioria, são comuns na prática clinica de um optometrista que não integre uma equipa multidisciplinar, até porque na minha prática do dia-a-dia não faço parte de nenhuma equipa multidisciplinar.

Penso que na sua maioria são casos em que o diagnóstico e terapêutica estão perfeitamente ao alcance de um optometrista que exerça as suas funções de forma independente.

De salientar que a constante atualização de conhecimentos faz-nos melhorar e aperfeiçoar a forma com estruturamos, anotamos e referenciamos cada um dos casos clínicos que surgem na prática do dia-a-dia.

4 Referências Bibliográficas

1. Park DJJ, Congdon NG. Evidence for an “Epidemic” of Myopia. Ann Acad Med Singapore. 2004;33(1):21-26.

2. Aller T a. Clinical management of progressive myopia. Eye (Lond). 2014;28(2):147-153.

3. Smith MJ, Walline JJ. Controlling myopia progression in children and adolescents. Adolesc Health Med Ther. 2015:133-140.

4. Walline JJ, Lindsley K, Vedula SS, Cotter S a, Donald O, Twelker JD. NIH Public Access Interventions to slow progression of myopia in children. 2014;(12). 5. Oftalmologia en Atención Primaria. Medicina (B Aires).

6. Souza NV De, Souza NV De, Rodrigues MDLV, Rodrigues MDLV. Opacificações dos meios oculares. catarata. Medicina (B Aires). 1997:66-68.

7. Truscott RJW. Age-related nuclear cataract—oxidation is the key. Exp Eye Res. 2005;80(5):709-725.

8. Asbell P a, Dualan I, Mindel J, Brocks D, Ahmad M, Epstein S. Age-related cataract. Lancet. 2005;365(9459):599-609.

9. Borràs García MR. Visión binocular : diagnóstico y tratamiento. 1996. http://upcommons.upc.edu/handle/2099.3/36218. Accessed October 27, 2015. 10. Pascual M, Huang J, Maguire MG, Kulp MT, Graham E. Risk Factors for

Amblyopia in the Vision In Preschoolers Study. Ophthalmology. 2014;121(3):622-629.

12. Ribeiro GDB, Diniz CM, Paula ST De, Almeida HC De. Evolução da hipermetropia na infância. Oftalmol - Optom. 2004;(8):83-86.

13. Oftalmopediatria SBDE. Astigmatismo. 2001;(13):271-272.

14. Morgan PB, Efron N. Contact lens correction of presbyopia. Cont Lens Anterior Eye. 2009;32(May):191-192.

15. Madrid-Costa D, Tomás E, Ferrer-Blasco T, García-Lázaro S, Montés-Micó R. Visual performance of a multifocal toric soft contact lens. Optom Vis Sci. 2012;89(11):1627-1635.

No documento Relatório de atividade profissional (páginas 43-49)

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