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Casos verídicos de modalidades de Eutanásia

3.1 Países que legalizaram a Eutanásia

3.1.1 Casos verídicos de modalidades de Eutanásia

Neste subtítulo será possível observar quatro casos diferentes, no qual, foram analisadas na obra “Domínio da Vida: aborto, eutanásia e liberdades individuais” do autor Ronald Dworkin (2009, p. 259) é possível analisar formas diversificadas de prática de eutanásia, conforme segue:

Em uma importante decisão tomada pelo Canadá em 1992 o juiz Dufour, de Quebec, determinou que as pessoas têm o direito de exigir a retirada do suporte vital mesmo quando não estão morrendo, mas acham que suas vidas serão intoleráveis do modo como terão de vivê-las. Nancy B., de vinte e cinco anos, sofria de uma rara doença neurológica chamada síndrome de Guillain-Barre que a deixara paralisada do pescoço para baixo, e pediu ao juiz que autorizasse o médico a desligar o aparelho de respiração artificial que a mantinha viva. O médico lhe disse que, ligada a esse aparelho, poderia continuar viva por muitos anos ainda, mas ela preferia morrer. “As únicas coisas que restam na vida são assistir à televisão e ficar olhando para as paredes. Para mim, chega. Já estou ligada ao respirador há dois anos e meio, e acho que já fiz minha parte”. O juiz disse que ficaria muito feliz se Nancy mudasse de opinião, mas que compreendia e concordaria com seu pedido. O respirador foi desligado, e Nanci B. Morreu em fevereiro de 1992.

Verificamos a diferença normativa de cada país, bem como, o ponto de vista de cada ordenamento jurídico. Conforme demonstra o primeiro caso, o desligamento dos aparelhos pôde ser realizado mesmo que a paciente teria chances de vida, ou seja, ela viveria anos, mas possuiria algumas limitações. O que no nosso ordenamento jurídico brasileiro isso não é permitido. Neste sentido podemos relembrar o que foi descrito no primeiro capítulo referente às modalidades de eutanásia e suas distinções que afirma que a pratica da Eutanásia, deve ser quando o paciente encontra-se em estado terminal, sendo que é desclassificada a conduta da Eutanásia quando não está com alguma doença terminal. Não é o que configurou neste caso apresentado anteriormente.

Em 1991, os Estados Unidos, um caso parecido foi tratado de modo bem diferente pelo público e pela profissão médica. O médico de Patricia Trumbll, Timothy Quill, de Rochester, Nova York, declarou ao New England Journal of Medicine que, por solicitação de Trumbull, receitara-lhe uma quantidade de barbitúricos suficiente para matá-la e lhe dissera quantos devia tomar para consumar seu objetivo. Quando se sentiu preparada, ela tomou os comprimidos e morreu em seu sofá. Um promotor público do estado de Nova York solicitou a formação de um grande júri para decidir se o dr. Quill devia ou não ser processado por suicídio assistido, um crime que

naquele estado resulta em pena de cinco a quinze anos de prisão. O grande júri decidiu que a acusação não procedia. O Departamento de Saúde do estado de Nova York então pediu que seu Conselho de Conduta Médica Profissional decidisse se a licença do dr. Quill deveria ser cassada, ou se bastaria votar uma moção de censura contra ele. O conselho decidiu, por unanimidade, que “Nada justificava a acusação de má conduta”. (DWORKIN, 2009, 261-262).

Neste segundo caso abordado, é o típico auxílio ao suicídio por piedade, ou seja, não caracteriza o interesse do terceiro na morte do paciente, apenas auxilia por possuir compaixão aquela pessoa. O que permite visualizar sobre a decisão tomada pelo Conselho de Conduta Médica Profissional, é que na verdade diversos casos de auxílio ao suicídio são praticados nos hospitais e ninguém sabe dessas condutas.

Assim, conforme ocorreu o caso do médico auxiliar o paciente em sua morte houve uma grande preocupação quanto a diferença entre o caso que será exposto a seguir:

Jack Kevorkian, um médico de Detroit que a imprensa apelidou de “Dr. Morte”. Esse médico construiu várias máquinas para o suicídio medicamente assistido, sobre as quais escreve e cujo funcionamento descreve na televisão, e pelo menos nove pessoas já usaram essas máquinas para suicidar-se. O dr. Kevorkian instalou uma delas na parte de trás de sua perua Volkswagen, e para usá-la os pacientes que desejavam morrer têm de apertar um botão que injeta veneno através de uma agulha que o médico introduz na veia. (O estado de Michigan, um dos poucos estados norte-americanos que não dispunha de legislação proibindo o suicídio assistido, promulgou uma lei nesse sentido em 1992, por um período limitado, com a esperança de impedir que o dr. Kevorkian voltasse a utilizar suas máquinas no estado. A lei entrou em vigor em março de 1993, e pelo menos uma pessoa, um paciente de cinquenta e três anos que sofria de câncer ósseo, usou a máquina de Kevorkian para matar-se depois da aprovação da lei, mas antes do limite de prazo). (DWORKIN, 2009, 262).

Neste sentido, o que foi possível visualizar é que o conselho de medicina entendeu que o dr. Quill não possuía conhecimento de sua paciente, se pretendia ou não tirar a própria vida, no entanto, Dworkin comenta que existe distinções entre os dois procedimentos médicos mencionados nos casos apresentados anteriormente, pelo fato de que o dr. Quill e sua paciente se conheciam com muito mais profundidade do que o dr. Kevorkian, na verdade conhecia superficialmente seus pacientes, por somente ter interesse de fornecer a máquina para aqueles que desejavam morrer.

Neste quarto e último caso ocorre o que diversas famílias passam, quando o hospital não quer manter os aparelhos do paciente ligados devido ao fato de existir muitos gastos para mantê-lo. No entanto as despesas não são arcadas pelo hospital, mas, sim por convênios de planos de saúde, sendo que estes gastos, não podem interferir na decisão para o desligamento

dos aparelhos e interromper com a vida, assim será demonstrado o caso que ocorreu em Minessota nos Estados Unidos, conforme diz:

Em 1989, Helga Wanglie, uma ativa mulher de oitenta e cinco anos, quebrou o quadril e sofreu várias paradas cardiopulmonares ao longo do tratamento a que foi submetida; acometida por uma grave anoxia em 1990, caiu em estado vegetativo persistente. Em 1991, o Hennepin County Medical Center, em Minnesota, onde a sra. Wanglie estava sendo tratada, sugeriu que o aparelho de respiração artificial fosse desligado para deixá-la morrer, alegando que dar continuidade ao tratamento seria inútil e inadequado. (O hospital não tinha nenhum interesse financeiro direto de interromper o tratamento; o enorme custo – cerca de quinhentos mil dólares – era bancado por um plano de saúde que deixou claro que tal custo não deveria ser levado em conta na tomada de decisão.) O sr. Wanglie, porém, recusou-se a dar seu consentimento; disse que, em sua opinião, a vida deveria ser mantida tanto quanto possível, não importa em que condições, e , embora tivesse anteriormente afirmado que nunca discutira o assunto com a esposa, acabou por lembrar-se que o havia feito em alguma ocasião e que ela compartilhava seus pontos de vista. Em 1º julho de 1991, a juíza Patricia Belois rejeitou o pedido do hospital, afirmando que este não oferecera razão alguma para se duvidar de que o sr. Wanglie era um competente guardião dos interesses de sua esposa. Ela morreu quatro dias depois, ainda ligada ao respirador. (DWORKIN, 2009, 266-267).

Neste caso, não foi aceito o desligamento dos aparelhos. Observamos que existem diversos interesses, dos envolvidos como no caso exposto anteriormente, o próprio hospital ingressou na justiça para solicitar o desligamento, sendo que a juíza entendeu negar o desligamento dos aparelhos, tendo em vista acreditar na decisão do esposo da paciente.

Existem diversos casos todos os dias no mundo inteiro de prática da Eutanásia, sendo que em alguns lugares já preveem no ordenamento jurídico a conduta e outros nem sequer manifestam por encontrar forte influência das religiões, conforme será exposto no próximo subtítulo.

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