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5. Resultados e discussão

5.8. Categorias a posteriori

5.8.1 Categoria ―Rompimento‖ e suas subcategorias

Figura 12: Teia ATLAS Ti com as categorias e subcategorias “Rompimento”

Quando os sujeitos romperam com a proposta inicial de busca na web apresentada pela professora, o fizeram por vários motivos. Então, subcategorizamos de acordo com os motivos que levaram os alunos a romperem a programação inicial, mesmo tendo receio da desaprovação da professora, como mostraremos na categoria mais adiante. Porém, todos os sujeitos romperam com o projeto inicial de busca.

Alguns alunos dizem não estar satisfeitos com o que receberam de informação no site apresentado. Acreditam que a informação contida no site não é válida, então fazem um movimento de busca em outros portais. Temos a argumentação do sujeito nesse sentido, que diz:

S2: aí eu vou procurar, procurar de novo e depois eu sempre encontro S3: eu mudo o de lugar e vou pesquisar em outro canto

A essa subcategoria nomeamos ―Rompimento-insatisfação‖. A insatisfação com a programação proposta traz uma situação propícia para o rompimento com essa programação. Elas se relacionam nos nós da teia também de forma causal: a insatisfação com a busca faz com que o aluno rompa com o programado.

Outro motivo de rompimento com a busca inicial foi o desejo de ir além nas pesquisas (subcategoria “Rompimento-ir além”). Foram os sujeitos que relataram estarem satisfeitos com a informação contida no portal, mas desejavam sabem mais a respeito do assunto em questão, fazendo as buscas não num movimento dispersivo, mas num movimento de aprofundamento de conhecimentos. A sua curiosidade os levou a aprofundar, digamos, suas buscas. Sobre essa questão, podemos observar as falas dos sujeitos a seguir:

S3: Depois eu fui ver o labirinto... aí acabou!

S4: Foi... eu queria saber se a Grécia é muito longe... se ela ainda existe... S2: Eu fui ver o que era um Minotauro... aí descobri...

Essas falas foram relacionadas à pesquisa proposta pela professora a respeito do ―Sonho de Ícaro‖. Após lerem sobre o que seria a lenda de Ícaro, deram- se por satisfeitos na busca, mas desejaram aprofundar: procuraram conhecer o Minotauro da mesma lenda, o seu labirinto nas pesquisas de imagens e a Grécia. Os três relatam que finalizaram as buscas por causa do tempo, o que nos leva a concluir que é de superior importância repensar o laptop educacional guardado na escola, o tempo inteiro, quando as crianças poderiam ter acesso em casa. Os nós da teia se relacionam por associação: acreditamos que esse tipo de rompimento está associado com o fato de se quebrar a programação sugerida pela professora a partir do momento que se interessam pelo que foi proposto e desejam aprofundar seus conhecimentos. Isso só não aconteceria se o aluno, por qualquer razão que fosse, encerrasse a pesquisa no momento exato em que a professora previu, fazendo os encaminhamentos sugeridos por ela.

Ainda dentro dos episódios de rompimento com o programado em sala de aula, vimos que outro fator levou os alunos a romper com a programação: o fato de eles já terem seus sites de preferência para pesquisa. Essa relação com os nós da

teia também é de causa: as preferências dos alunos por seus sites de busca causam uma quebra na programação de pesquisa sugerida pela professora. Preferiram ficar com o site de sua própria escolha do que fazer a mesma pesquisa nos sites indicados pela professora. A essa subcategoria nomeamos ―Rompimento-

preferências‖.

De certa forma, alguns desejaram complementar a informação que lhes foi fornecida. Então, movimentaram-se apenas para ver uma foto de Ícaro ou ver o vídeo da música. Essa relação dentro da teia é de um objeto sendo parte do outro e, apesar de não estar na programação inicial, consideramos que essa busca ainda está dentro do que solicitou a professora. A essa subcategoria nomeamos ―Rompimento-complementação‖.

O último motivo de rompimento foi o aluno que sai completamente da pesquisa e do tema abordados para, por exemplo, entrar em sites de jogos ou de entretenimentos, como observado no histórico. Aqui, há uma quebra completa com a programação estabelecida pela professora e na teia isso aparece no nó de relação como ―quebra‖. A essa subcategoria nomeamos ―Rompimento-outras buscas‖. A esse respeito, temos a fala bastante significativa de um dos sujeitos:

S2:Aí eu vou pesquisar o que eu quero saber de verdade... porque tem sempre umas coisas que a gente quer saber mais...

Apesar da subcategoria acima ter sido até certo ponto esperada, foi surpreendente o modo como apareceu tão menos frequentemente do que o previsto, revelando que talvez haja uma dinâmica maior por trás do envolvimento dos alunos com as pesquisas na sala de aula. Sobre essas questões podemos ler em Halpern (1998):

A natureza evolutiva da tecnologia não só nos forneceu mais e melhores artefatos pedagógicos em geral, mas também aumentou a necessidade de habilidades de pensamento crítico. A abundância e facilidade, com apenas algumas teclas, de quantidades maciças de informações fez a habilidade de avaliar e classificar informação mais importante do que nunca. Além disso, grande parte das informações disponíveis na internet não é confiável, e parte dela é deliberadamente e perigosamente enganosa (como em sites que prometem curas milagrosas para doenças graves ou oferecem deliberadamente versões tendenciosas da história ou os eventos atuais). Assim, a capacidade de julgar a credibilidade de uma fonte de informação tornou-se uma habilidade indispensável. O ―pensar crítico‖ precisa ser cultivado e estimulado desde os anos iniciais até a faculdade. (HALPERN, 1998, pág. 453)

seria algo esperado de um pensador crítico da Era Digital. Entretanto, sabemos que as habilidades aqui demonstradas são ainda bem incipientes, mesmo que tenham como objetivo naquele momento o aprofundamento de conteúdos. O julgamento que esses alunos apresentam, por exemplo, de determinadas fontes de informação mostra que já percebem, ainda que intuitivamente, a importância de não se desprender esforço numa pesquisa na web sem que essa venha a lhe render positivamente.