5. ETAPAS E TRATAMENTO DE DADOS 131
5.3. CATEGORIAS ANALÍTICAS VINDAS DO CAMPO 140
Os registros das categorias qualitativas emergiram do campo. A síntese foi produzida através da verificação dos achados, destacando as repetições, semelhanças, diferenças e consenso do que era realmente importante (COTRIM- CARLINI, 1996).
As passagens produzidas no discurso, os sentidos e os efeitos de sentidos mostravam-me, no papel de pesquisadora, como eram constituídas as vozes que foram significativas para o entendimento do fenômeno pesquisado. A presença das diferentes vozes nos discursos trouxe a possibilidade da criação das categorias analíticas para os dois ambientes pesquisados. Finalizada a fase das diversas leituras dos dados coletados, pelas diferentes técnicas/instrumentos de coleta foi elaborada, para cada ambiente, uma base de análise com categorias e indicadores. Esse formato surgiu porque foi verificado pelos dados que, embora algumas categorias se repetissem nas duas ambiências, outras eram específicas a cada local pesquisado.
5.3.1. Ambiência I - Hemocentro
As categorias criadas bem como os seus indicadores, foram construídos à
posteriori, os quais estão relacionados no quadro que segue e foram descritos logo
em seguida.
Quadro 15. Categorias 01 e seus indicadores
1-Invisibilidade da doença
a) Conhecimento do diagnóstico
b) Acesso a informações extras sobre a doença c) Notificação para a escola
d) Práticas educativas para a saúde
1-Invisibilidade da doença: incompreensão do diagnóstico recebido.
Por meio dos discursos produzidos ficou verificado que as famílias não tinham o real entendimento do que é a AF. Essa lacuna foi percebida pela fragilidade no conhecimento do diagnóstico, pela ausência de informações extras sobre a doença bem como ausência de notificação de forma clara para as escolas e da ausência de práticas educativas no sentido de prevenção de crises.
É importante esclarecer que essa categoria surgiu da vivência realizada nos espaços de saúde e educação. Foi possível perceber que a realização das ações pedagógicas muitas vezes ficava comprometida porque falta ao professor
informação a respeito das implicações da AF na vida do sujeito. Essa ausência de informação se visualiza na própria família que sai da instituição de saúde sem os devidos esclarecimentos. Isso porque o espaço de saúde não se constitui como espaço de educação para a convivência com a doença fortalecendo assim a invisibilidade da doença no contexto escolar.
Quadro 16. Categorias 02 e seus indicadores
2-Impactos da doença na vida escolar
a) Absenteísmo escolar
b) Apagamento de fases da vida c) Dificuldades de aprendizagem d) Reprovação e evasão escolar
2- Impactos da doença na vida escolar
Por meio do discurso das famílias foi possível verificar quais eram os principais impactos da AF na vida escolar do aluno. Estando em primeiro plano o absenteísmo escolar caraterizado pela ausência na escola, devido as crises, impossibilitando a vivência da rotina escolar; apagamento de fases da vida, ou seja, a não vivência de aspectos e atividades específicas à fase da infância e da adolescência, por conta das crises, e dos itinerários terapêuticos; a vivência de dificuldades de aprendizagem, isto é, dificuldades na apropriação dos conteúdos relativos à área de linguagem e das operações matemáticas gerando a baixa autoestima percebida pela atitude da criança e do adolescente em não querer participar das atividades, por vergonha ou medo de ser rejeitado.
Essa categoria foi criada porque foi possível observar que a percepção da família sobre os impactos da AF na vida escolar pode contribuir sobremaneira para a (não) realização de ações pedagógicas. Dizendo de outra maneira, foi percebido que quando a família tem amplo conhecimento desses impactos, passa a ter e a cobrar da escola posturas diferenciadas no que se refere às ações pedagógicas.
Nas unidades escolares, as categorias foram também construídas à
posterioi. O quadro abaixo expõe as categorias e os respectivos indicadores. A
seguir, tem-se a descrição de cada categoria e indicadores.
Quadro 16. Descrição de cada categoria e respectivos indicadores
(In)visibilidad e Percepção do professor sobre o aluno. Ação pedagógica Relação família/ escola Formação docente Ambiente arquitetônico Normal/Anormal Racionalidad e comunicativa / Racionalidad e instrumental Transferênci a de responsabilid ade Perspectiva pedagocêntric a Conhecimento do diagnóstico
Doente / Sadio Ação
dialógica/açã o antidialógica Culpabilizaçã o Presa à certificação Notificações Produtivo/Improd utivo Mediação /Imposição Orientações sobre a doença Ausência de auto formação
a) (In) visibilidade da doença: na busca por compreender como a escola/professor visualizava o aluno com DF e, consequentemente, o que fazia quando do seu retorno após crise dolorosa. Nessa direção, procurei verificar nos atos e nas ações explícitas e implícitas pistas que marcassem o discurso dessa instituição frente a doença. Essa categoria emergiu fosse pela forma como os professores tratavam informação colhida no ato da matrícula, fosse pelo trato dado aos documentos que traziam o diagnóstico, ou ainda pela maneira como (não) registravam as ausências. O ambiente físico arquitetônico foi outro elemento destacado.
b) Percepção do professor sobre o aluno: esta categoria surgiu por meio do efeito de sentido nas enunciações feitas pelos professores, que embora não trouxessem nominalizados os rótulos, acabavam dando pistas sobre que imagem tinham do aluno. Portanto, se tornaram indicadores dessa categoria os pares opositores: normal X anormal; doente X sadio; produtivo X improdutivo.
c) Relação família-escola: os efeitos de sentidos produzidos nos discursos possibilitaram a compreensão das formações discursivas reveladas nas falas dos sujeitos, as quais iam se modificando a partir do papel social desempenhado por cada sujeito, ou seja, de um lado a voz da mãe, do outro lado, a voz dos
docentes, destacando a importância da família e a aprendizagem do filho. Esses aspectos fragilizavam a relação socioafetivo entre família e escola.
d) Formação docente: esta categoria surgiu a partir dos discursos dos professores, nos quais foi possível perceber as lacunas referentes à contribuição da formação docente para o atendimento e entendimento das especificidades dos alunos. e) Ação pedagógica: essa categoria foi central para o estudo sendo verificado o tipo
de ação que era dirigido ao aluno no momento do retorno ao espaço escolar.