CAPÍTULO II – PROBLEMÁTICA DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
2.2 Causas e Efeitos das Alterações Climáticas
Tendo em conta que, atualmente, a discussão sobre o tema se reveste de uma certeza, assinalada por provas científicas, outras considerações devem ser feitas, nomeadamente identificar quem sofre ou poderá sofrer com a mudança do clima. No global, todo o planeta é afetado, no entanto, a maior vulnerabilidade das diferentes sociedades ou nichos sociais faz com que este tema se revista de uma importância fundamental.
Um dos efeitos das alterações climáticas são os impactos físicos que decorrem dos eventos climáticos, impactos que de forma determinante se devem quantificar, controlar e essencialmente prever, com base num maior conhecimento. Estes impactos podem ser diretos, funcionando como "choques", como são exemplo as tempestades, furacões, ondas de calor entre outros; ou podem ocorrer sob a forma de impactos indiretos, que se processam de forma gradual ao longo do tempo, sendo exemplo o aumento do nível da água do mar, da temperatura, dos padrões de precipitação e outros padrões climáticos (Silva et al., 2012).
O conhecimento dos impactos é essencial para permitir analisar e projetar as suas consequências sociais e económicas. Os principais problemas sociais que se devem considerar referem-se essencialmente à vulnerabilidade das sociedades mais pobres, economicamente emergentes e em rápida urbanização, onde existe uma falta de planeamento e fracas estruturas institucionais com défices relevantes em infraestruturas básicas (Satterthwaite et al., 2007). Os impactos das alterações climáticas são mais sentidos nas comunidades afetadas pela pobreza generalizada, devido à sua maior exposição a riscos e às suas próprias limitações de capacidade de resposta (Satterthwaite et al., 2007; Bicknell et al., 2009). As medidas para melhorar a capacidade de adaptação das populações urbanas mais vulneráveis devem concentrar-se na redução da pobreza e no aumento da sua capacidade adaptativa e de recuperação, que lhe forneçam atributos que possibilitem a manutenção das suas funções essenciais, após o impacto, e que sustentem o bem-estar dos cidadãos e da sua economia. Assim sendo, a ação é necessária nos diversos níveis, tanto no seio das comunidades trabalhadoras, por meio de organizações da sociedade civil, como por Organizações Não Governamentais (ONGs) e organizações comunitárias, devendo ocorrer simultaneamente ao nível do governo local, que deve ser integrado nos processos formais de planeamento e decisões de investimento através das políticas nacionais (Silva et al., 2012).
No desenvolvimento de políticas, deve existir uma ética em atenuar a diferença entre pessoas ricas e pobres, ainda mais porque as populações mais ricas são mais consumidoras de bens, e por isso, contribuem com maiores emissões de GEE do que as comunidades pobres. De igual modo é necessário zelar por aqueles que nasceram em diferentes épocas, assim como pelas gerações futuras (Stern e Taylor, 2007).
Apontados como fatores de risco primário no nível de exposição a impactos diretos, referem-se as localizações em assentamentos de alto risco, como as zonas inundáveis, zonas costeiras e encostas com declives acentuados e suscetíveis a deslizamentos de terra, bem como a
construção de má qualidade e a falta de infraestruturas. Neste contexto, a mudança climática poderá afetar indiretamente as redes de transporte, energia, abastecimento de água potável, distribuição de alimentos, instalações de resíduos e sistemas de telecomunicações (Silva et al., 2012).
Embora atualmente as emissões dos países em desenvolvimento sejam superiores às dos países desenvolvidos, a questão que se coloca é quem deve ser responsabilizado por essas emissões, uma vez que os países desenvolvidos são historicamente responsáveis pela crise climática e pelo excesso de GEE que hoje em dia se registam na atmosfera. Neste contexto, os países desenvolvidos devem auxiliar aqueles em desenvolvimento na procura de soluções de combate às alterações climáticas, devendo assumir a liderança na redução das emissões de GEE e prestar assistência à mitigação nos países em desenvolvimento (Stern, 2006), que devem tomar medidas de forma voluntária (Qi, 2011).
Desta forma, os países em desenvolvimento defendem uma abordagem equitativa e exigem que o combate às alterações climáticas não prejudique o seu crescimento e a redução da pobreza. Neste sentido, todos os estados vão querer compreender como podem os custos de combate às emissões de GEE, impedir as suas perspetivas de crescimento.
Um dos problemas apontado ao estudo e tratamento científico da mudança climática está relacionado com as diversas ideias pré-concebidas sobre um tema complexo e que funcionam como barreiras à sua correta comunicação. Assim, as ideias de que a mudança climática é abstrata, que é um tema amplo de base científica igualmente ampla; que é tecnicamente dependente de cálculos e previsões, sendo necessário um conhecimento superior para o abordar, é um dos motivos que leva ao desenvolvimento de equívocos em torno desta questão (Filho, 2008). Neste contexto, dos equívocos enunciados podem resultar comportamentos e conceções erradas face à mudança climática, que têm como consequência:
1) Abstração - um número substancial de pessoas vê a mudança climática como um problema abstrato, não ligado à realidade do seu quotidiano, levando-as a pensar que não podem agir contra a mudança climática e, por isso, ficam relutantes ao envolvimento na maioria das iniciativas promovidas;
2) Falta de pessoas qualificadas - a maioria das instituições do ensino superior não conseguiu dar ênfase à mudança climática fora das áreas tradicionais da física ou meteorologia. Como resultado, as oportunidades para informar e educar alunos de outras áreas, como a biologia, a sociologia ou a economia, podem ter sido adiadas ou mesmo perdidas;
3) Falta de informação - a falta de promoção e documentação da maioria das boas iniciativas e estudos que se encontram implementados ou em fase de implementação, perdendo-se frequentemente fontes que poderiam informar o público e outros investigadores.
Deste modo, o tema das alterações climáticas deve envolver uma visão holística para enfrentar os problemas que lhe estão associados, podendo ser divulgados em larga escala e em diferentes âmbitos.