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Vantagens e Constrangimentos do Planeamento Territorial

CAPÍTULO V – O PLANEAMENTO URBANO E A MUDANÇA DO CLIMA

5.3 Importância do Planeamento no Combate às Alterações Climáticas

5.3.1 Vantagens e Constrangimentos do Planeamento Territorial

Uma das limitações frequentemente apontadas ao Planeamento do Território refere-se ao modo tradicional, mais “estático” do que pró-ativo, como ainda se processa, na maioria dos contextos urbanos internacionais. As novas metodologias a aplicar devem ir além da abordagem comum de reunir, inspirar-se e integrar as políticas individuais, devendo introduzir as estratégias de adaptação urbana no planeamento do uso do solo (Storch e Downes, 2011).

A transformação para um sistema de Planeamento Territorial que forneça a este processo ferramentas de combate à mudança climática, leva a uma alteração “revolucionária” das políticas (De Vries, 2006). Tendo em conta a experiência de planear num contexto como o das cidades Holandesas, em constante risco de inundação, de Vries (2006) refere que a nova abordagem ao planeamento deve ser pró-ativa para o desenvolvimento e incorporação de objetivos ambientais.

Acrescenta ainda que no passado, o planeamento era frequentemente orientado para restringir ou mesmo impedir o desenvolvimento, a fim de proteger o meio ambiente.

Neste contexto, o planeamento de ação climática é um campo de estudo relativamente novo e representa desafios para os governos locais que o tentam diferenciar do planeamento tradicional (Baynham e Stevens, 2013). Como primeiro fator de diferenciação está o necessário exercício de inventariação e previsão das emissões de GEE, bem como o estudo da evolução das projeções de impactos climáticos locais, o que requer técnicos de planeamento com um considerável conhecimento técnico-científico e baseado no risco (Bassett e Shandas, 2010; Boswell et al., 2012). O segundo fator está relacionado com o desafio de comunicar e informar os cidadãos quando estes não se identificam com os resultados relativamente intangíveis das alterações climáticas, em que o objetivo final é abordar uma questão global. As populações têm que considerar agora um processo diferente do tradicional, onde constam cenários de planeamento do uso do solo e dos transportes, em que as preocupações são palpáveis e influenciam a vida dos cidadãos de forma imediata como a habitação, o tráfego e a própria economia local (Bassett e Shandas 2010; Millard-Ball, 2012).

Os prazos e horizontes políticos, na maioria de curto prazo, são também um constrangimento a esta mudança de paradigma, que deverá ser imediata quando se pretende abraçar a causa da mudança climática e, mesmo que as autoridades do Planeamento estejam envolvidas no planeamento de longo prazo, parecem limitar-se por horizontes políticos de prazo mais reduzido, quando se trata de mudança climática.

Assim, no Planeamento, a fraca rapidez de ação é uma das fraquezas apresentadas e apontadas como limitadoras do desenvolvimento de estratégias de combate climático. É necessário que a visão estática da cidade ou a forma demasiadamente protetora dos planos passe a ser encarada como uma não solução, mas sim um problema acrescido, quando se pretende desenvolver uma ação imediata. "A nova prática de Planeamento assume riscos, acomoda diferenças e incentiva a inovação e criatividade, ao mesmo tempo que constrói uma cidade que é constantemente adaptável e resistente" (Roggema, 2013).

Para se proceder a um planeamento de adaptação às alterações do clima, novos e diferentes desafios surgem para os decisores. São desafios que exigem o desenvolvimento de uma série de informações geradas em diferentes escalas, envolvendo uma gama diversificada de atores que traduzam estas informações em opções de adaptação, que se configurem social e politicamente aceites, apesar dos significativos graus de incerteza (Fünfgeld e Mcevoy, 2012). Proposto por Bulkeley (2006), o processo de planeamento, para ser eficaz no combate às alterações climáticas, deve incluir três momentos que passam por, alterar os horizontes temporais da decisão política para o futuro; criar uma linguagem mais robusta e específica que promova a proteção do clima face a alguns conflitos sobre o sistema de Planeamento; promover

uma forma de lidar com as controvérsias que surgem na procura de solucionar um problema coletivo e global, embora de ação localizada e específica (Bulkeley, 2006).

Na tentativa de apresentar argumentos de reforço para a defesa de que o Planeamento do Território terá capacidades relevantes para efetivar o combate climático, Hurlimann e March, (2012) apresentaram uma reflexão sobre a prática de planeamento evidenciando:

(1) Capacidade de agir e coordenar questões de interesse coletivo e bem público, da cidadania e responsabilidade para os outros, considerando sempre, as necessidades das gerações futuras.

(2) Capacidade de gerir e facilitar o conflito de interesses, melhorando as reivindicações, o rigor e a imparcialidade.

(3) Oportunidade de considerar, avaliar e decidir sobre os cenários futuros alternativos, ao mesmo tempo que dirige a ação para diferentes escalas espaciais, temporais e de governação, compreendendo e agindo sobre as circunstâncias e particularidades do local, facilitando tomadas de decisão.

(4) Capacidade de reduzir a incerteza que ocorre, mesmo na informação científica, ou para fornecer e modificar novos mecanismos para lidar com a mudança de circunstâncias, nomeadamente sociais, como a vulnerabilidade.

(5) Capacidade de ser um repositório de conhecimentos espaciais, muito embora seja necessária informação de escala local, e não apenas global, contribuindo para a criação de uma base de dados.

(6) Orientação para o futuro, com o potencial de coordenar as atividades dos diferentes atores para alcançar benefícios a longo prazo. Uma das vantagens mais relevantes do planeamento é a capacidade de este trabalhar em todos os sistemas naturais e culturais, aspeto fundamental para a mudança climática. Desta forma, a mudança climática veio reforçar a dimensão ambiental do Planeamento do Território.

Convém ainda referir que a dimensão espacial que reúne as alterações climáticas com o planeamento, requer a capacidade de fazer planos e implementá-los e, por isso, dependeu de uma "força" legal, que lhes proporciona poder de decisão (Stein, 1974). Esses poderes de tomada de decisão permitem que as instituições de planeamento estabeleçam visões e cenários para o futuro, realizem projetos urbanos, desenvolvam políticas e estratégias para lidar com as oportunidades e com os problemas que emergem da alteração do clima (Hopkins, 2001; Hurlimann, 2012).