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Rica, no art. 8, 1, prevê:

Toda pessoa tem o direito a ser ouvida com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem os seus

164 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 10. ed., São Paulo: Saraiva, 1985. v. 2, p. 367

165 BRASIL. Lei no 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2015/Lei/L13105.htm. Acesso em: 29 de ago. de 2020.

166 SANTOS, Marisa Ferreira dos. Juizados especiais cíveis e criminais: estaduais e federais. 13. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. p. 136-141. E-book. Acesso restrito via Minha Biblioteca.

direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.167

Tendo em vista que a República Federativa do Brasil é signatária desse Pacto e, uma vez a Constituição brasileira recepciona os direitos enunciados em tratados internacionais de que o Brasil é parte, conferindo-lhes hierarquia de norma constitucional, os direitos constantes na Convenção Americana de Direito Humanos passaram a integrar e complementar o catálogo das prerrogativas constitucionalmente previstas.168

Dessa forma, o ordenamento jurídico brasileiro estava diante de norma constitucional, que impunha a decisão judicial em prazo razoável. A Emenda Constitucional n. 45/2004, que reformou constitucionalmente o Poder judiciário, incluiu o inciso LXXVIII no art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação".169.170

Nesse sentido, o Código de Processo Civil, por seu turno, prevê (no art. 4º) que essa garantia de duração razoável do processo aplica-se ao tempo de obtenção da solução integral do mérito, que compreende não apenas o prazo para pronunciamento da sentença, mas também para a ultimação da atividade satisfativa. Dessa forma, a função jurisdicional compreende tanto a certificação do direito da parte, como sua efetiva realização, devendo ocorrer dentro de um prazo razoável, tendo em vista as peculiaridades de cada caso concreto.171,172

Do art. 4º do Código de Processo Civil não decorre apenas a necessidade de tramitação célere e sem embaraços, mas especialmente um compromisso com a primazia da resolução de mérito, cuja concretização se dá em conjugação com os arts.

167 ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS. Convenção Americana de Direitos Humanos (“Pacto de San José de Costa Rica”), 1969.

168 PIOVESAN, Flavia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. 4. ed. São Paulo: Max Limonad, 2000. p. 79·80.

169 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 27 mar. 2019. 170 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil,

parte geral e processo de conhecimento. 19. ed. Salvador: Jus Podivm, 2017. p. 110-111. 171 BRASIL. Lei no 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF:

Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2015/Lei/L13105.htm. Acesso em: 29 ago. 2020.

172 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil: teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. Rio de Janeiro: Forense, 2014. v. 1, p. 108.

317 e 488 do mesmo Diploma Legal. Em suma, estabelecem ao juiz evitar a extinção da relação processual sem análise da pretensão, se a solução de mérito favorecer a parte a quem aproveitaria a invalidação do processo.173

Cabe salientar que o princípio da celeridade e o princípio da duração razoável do processo são distintos, apesar de ambos versarem sobre o mesmo tema: o tempo processual. O princípio da duração razoável do processo é mais amplo, uma vez que determina que a atividade judicial, do início até o fim, seja realizada no menor tempo possível, atendendo aos interesses expostos no litígio e promovendo uma solução justa para a causa. Por sua vez, a celeridade é aferida de forma permanente, ao longo do procedimento judicial, em relação ao tempo em que os atos processuais produzem seus efeitos. Dessa forma, um mesmo processo pode tramitar por momentos de celeridade e morosidade, conforme os seus atos são praticados.174

Vários fatores incidem na duração razoável do processo, tais como a natureza e a complexidade da causa, o comportamento das partes e das autoridades judiciárias, além da necessidade de respeitar prazos para atos necessários à efetivação do contraditório e ampla defesa.175 Nesse sentido, para que o processo se submeta às regras da duração razoável e da utilização de meios apropriados à ágil solução do litígio, a exigência é que a lide seja conduzida de maneira a respeitar as regras de procedimento definidas pela legislação vigente.176

Para o colendo Supremo Tribunal Federal, da observância do prazo razoável previsto para a duração do litígio decorre a necessidade do “julgamento sem dilações indevidas”, o que, por conseguinte, “constitui projeção do princípio do devido processo legal”177. Por sua vez, o colendo Superior Tribunal de Justiça estabelece que “o magistrado deve velar pela rápida solução do litígio e buscar suprir entraves que

173 CÂMARA, Alexandre Freitas; RODRIGUES, Marco Antônio. A reunião de execuções fiscais e o NCPC: por uma filtragem à luz das normas fundamentais. Revista de Processo, São Paulo, v. 263, p. 113, jan., 2017.

174 ROCHA, Felippe Borring. Manual dos juizados especiais cíveis estaduais: teoria e prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2019. p. 68.

175 NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios do processo na constituição federal. 10. ed. São Paulo: RT, 2010. p. 320.

176 CIANCI, Mirna. A razoável duração do processo: alcance e significado: uma leitura constitucional da efetividade no direito processual civil. Revista de Processo, n. 225, nov., 2013. p. 48. 177 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. 2ª Turma, HC 98.878/MS. Relator: Min. Celso de Mello, ac.

contribuem para a morosidade processual, e inviabilizam a prestação jurisdicional em prazo razoável” .178

Dentre os dispositivos da Lei 9.099/95179 que permitem a agilização dos litígios, merecem destaque os seguintes:

No caso de o juizado possuir estrutura capaz de absorver a demanda, é possível que sessão de conciliação seja instaurada imediatamente, na hipótese de ambas as partes comparecerem perante o juízo, dispensados o registro prévio do pedido e a citação (art. 17 da Lei n. 9.099). O dispositivo permite, por exemplo, que situações como as de acidentes de trânsito sejam encaminhadas diretamente aos Juizados Especiais Cíveis, sem a necessidade da prévia elaboração do boletim de ocorrência na esfera policial, nos casos em que não haja vítimas.180

Por força do princípio da concentração dos atos em audiência, a apresentação da defesa, a produção de provas, a manifestação sobre os documentos apresentados, a resolução dos incidentes e a prolação de sentença, sempre que possíveis, devem ser realizadas em uma única solenidade (arts. 28 e 29 da Lei n. 9.099).181 Ademais, a Lei 9.099/95 veda a intervenção de terceiros e a assistência, a fim de que as relações jurídicas que não estejam imediatamente vinculadas à ocorrência sejam afastadas do processo. Ainda, cabe ressaltar que é admitido o litisconsórcio, por força do art. 10 do referido Diploma Legal.182

Com essas asserções, o tópico a seguir trata da possibilidade, ou não, do julgamento antecipado do mérito, no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis, caracterizar cerceamento de defesa.

4.3 JULGAMENTO ANTECIPADO DO MÉRITO E O CERCEAMENTO DE DEFESA

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