4 SISTEMAS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
5.1 CENÁRIO NACIONAL
As primeiras iniciativas à cultura da informática educativa no Brasil ocorreram na década de setenta quando o governo brasileiro estabeleceu políticas públicas voltadas para a informatização da sociedade que garantissem autonomia tecnológica e preservasse a soberania nacional.
Neste cenário, foi criada a Comissão Coordenadora das Atividades em Processamento Eletrônico (Capre), a Empresa Digital Brasileira (Digibras) e a Secretaria Especial de Informática (SEI) diretamente ligada ao Conselho de Segurança Nacional (CSN) e a Presidência da República (PR), para regulamentar, supervisionar e fomentar o desenvolvimento e a transição tecnológica do setor, (MORAES, 1997, p.1).
A SEI foi a responsável pela coordenação e execução da Política Nacional de Informática e segundo Moraes (1997, p.8):
Buscava fomentar e estimular a informatização da sociedade brasileira, voltada para a capacitação cientifica e tecnológica capaz de promover a autonomia nacional, baseada em princípios e diretrizes fundamentados na realidade brasileira e decorrentes das atividades de pesquisas e da consolidação da indústria nacional.
Diversos setores e atividades da sociedade foram envolvidos para dar conta do programa de informatização nacional, entretanto coube ao setor da Educação, apesar de reconhecermos as resistências para aceitar as inovações que lhe acompanha a décadas, a responsabilidade de articular o avanço cientifico e tecnológico as demandas da sociedade brasileira. Diante disto, o Ministério da Educação (MEC), assumiu o compromisso de implementar projetos e desenvolver estudos para informatizar a sociedade brasileira.
De acordo com Moraes (1997, p.2), em 1982, foram elaboradas as primeiras diretrizes ministeriais estabelecidas no III Plano Setorial de Educação e Cultura (III PSEC), no período de 1980/1985 que apontava e enfatizava o uso das tecnologias educacionais para a melhoria da qualidade educacional expressas no II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), no período de 1975-1979.
Ainda de acordo com a autora, os registros do livro Projeto EDUCOM apontam as universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Estadual de Campinas
(UNICAMP) e a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como precursoras do uso dos computadores na educação. A UFRJ foi a primeira a iniciar suas atividades acadêmicas utilizando o computador como objeto de estudo e pesquisa através do Núcleo de Computação Eletrônica (NCE), voltado para o ensino da matemática. A UNICAMP destacou-se através de investigações sobre o uso dos computadores utilizando a linguagem LOGO (linguagem de programação baseada nas teorias de aprendizagem de Piaget) desenvolvida por Seymour Papert e Marvin Minsky pesquisadores do MEDIA-LAB do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT) dos Estados Unidos da America (USA), ( laboratório criado em 1980, pelo professor Nicholas Negromonte com a finalidade de investigar e desenvolver tecnologias para o bem estar da humanidade) e fundamentada na teoria construtivista de Piaget, e da criação do Núcleo Interdisciplinar de Informática Aplicada à Educação (NIED/UNICAMP) que teve o projeto LOGO como referencial de sua pesquisa. A UFRGS inicialmente, utilizou o computador como recurso auxiliar do professor para o ensino e avaliação. Em 1973, foi fundado o Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC), no departamento de Psicologia, apoiado nas teorias de Piaget e Papert, que investiga os processos cognitivos dos estudantes em situações de aprendizagem que fazem uso de interações com o computador, tomando como referencial o cognitivismo baseado na epistemologia genética. Esses trabalhos exploram ainda hoje, a potencialidade do computador usando a linguagem LOGO e são desenvolvidos com crianças da escola pública que apresentam dificuldades de aprendizagem .
Os estudos e a aplicabilidade da informática na educação se intensificaram na década de oitenta com a formação de uma equipe intersetorial composta por representantes da SEI, MEC, Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que promoveram na Universidade de Brasília (UnB), em agosto de 1981, o I Seminário Nacional de Informática na Educação que destacou a importância de se pesquisar o uso do computador como ferramenta auxiliar do processo de ensino-aprendizagem, recomendou prioridade nas questões pedagógicas sobre as tecnológicas no planejamento de ações para a Política Nacional de Informatização da Educação e sugeriu a criação de projetos piloto que seriam desenvolvidos por universidades brasileiras nas áreas de educação, psicologia e informática. É importante ressaltar
que as recomendações deste evento continuam influenciando a condução de políticas públicas para a informatização da sociedade no Brasil.
Em agosto de 1982, o MEC, a SEI e o CNPq, realizaram na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o II Seminário Nacional de Informática na Educação que, visou angariar subsídios para criação dos projetos piloto e que de acordo com Moraes (1997, p.4) recomendou que: a) o computador fosse utilizado na escola como um recurso auxiliar ao processo educacional e jamais como um fim em si mesmo; b) o computador deveria se submeter aos fins da educação e não determiná-lo; c) o uso do computador deveria auxiliar o desenvolvimento da inteligência do aluno e possibilitar o desenvolvimento de habilidades e competências requeridas pelos diferentes conteúdos; d) o computador fosse utilizado em todos os níveis de ensino de modo interdisciplinar. Essa recomendação é reforçada pelo Livro Verde (2000, p. 45), ao dizer que:
A atração que as novas tecnologias exercem sobre todos – de formuladores de políticas e implementadores de infra-estrutura e aplicações de tecnologias de informação e comunicação até usuários de todas as classes e idades – pode levar a uma visão perigosamente reducionista acerca do papel da educação na sociedade da informação, enfatizando a capacitação tecnológica em detrimento de aspectos mais relevantes.
A realização destes encontros resultou em diretrizes para a implantação dos centros-piloto do Projeto EDUCOM, voltado para a criação de núcleos interdisciplinares de pesquisa e formação de recursos humanos nas universidades federais: UFRGS, UFRJ, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na UNICAMP. Para Moraes (1997, p.6), a adoção dos enfoques interdisciplinar e humanista assim como, a participação da comunidade cientifica nas tomadas de decisão merecem destaque porque as ações e diretrizes para a informatizar a sociedade brasileira se originaram no período do governo Militar, que tinha por tradição adotar procedimentos autoritários para a implantação de programas e projetos governamentais.
Em julho de 1984 o MEC assumiu a administração do processo de informatização da educação brasileira e coube ao seu Centro de Informática (Cenifor), subordinado à Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa (Funteve), a implementação, coordenação e supervisão técnica do projeto EDUCOM. Nesta
época começaram os problemas administrativos e financeiros que prejudicaram o andamento do projeto.
Com a finalização do governo militar em 1985, ocorreram mudanças na política e na administração do país assim como, nos interesses do sistema para implantar o programa de informatização nacional. Assim, iniciou-se uma nova fase com a extinção do Ceninfor e a criação do Comitê Assessor de Informática na Educação- CAIE/MEC que aprovou o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º e 2º graus. Este programa foi criado para dar suporte as secretarias estaduais de educação para capacitar os professores, incentivar a produção descentralizada de software educativo e integrar as pesquisas que estavam sendo desenvolvidas pelas universidades brasileiras.
Em maio de 1987 o projeto EDUCOM foi transferido para a Secretaria de Informática (Seinf), do MEC. Neste período foi lançado o primeiro Concurso Nacional de Software Educativo e implementado o PROJETO FORMAR que, através da UNICAMP realizou dois cursos de especialização em informática na educação direcionados aos professores das escolas publicas e técnicas do país. Este projeto possibilitou a implantação dos Centros de Informática Educativa, Cied, voltados para o ensino fundamental e médio, dos Centros de Informática na Educação Tecnológica (Ciet), nas escolas técnicas federais e os Centros de Informática na Educação Superior (Cies), nas universidades. Competia a cada secretaria de educação e a cada instituição de ensino técnico ou superior definir pedagogicamente sua proposta.
Foram implantados em vários estados da Federação 17 Cieds no período de 1988 a 1989. De acordo com Moraes (1997, p.8), o objetivo dos Cieds era atender a alunos e professores de 1º e 2º graus e de educação especial, além de possibilitar o atendimento à comunidade em geral constituindo-se num centro disseminador e multiplicador da tecnologia da informática para as escolas públicas brasileiras, o principal responsável pela preparação de uma significativa parcela da sociedade brasileira rumo a uma sociedade informatizada.
Na Bahia, o Cied foi implantado no Colégio Estadual da Bahia (Central), em 1992, e enfrentou problemas de estrutura física, incerteza quanto a disponibilidade de recursos e a falta de integração entre as unidades escolares, que refletiram na qualidade e na quantidade de alunos do ensino médio atendidos, cerca de 300
pertencentes ao próprio Central. Segundo Maciel (1993), esses alunos foram atendidos em 35 turmas nos turnos matutino e vespertino e o trabalho pedagógico foi desenvolvido utilizando a linguagem LOGO e o processador de texto WORDSTAR. Percebe-se ai, que o Cied neste estado, não cumpriu o objetivo de disseminar o uso do computador nas escolas da rede pública estadual.
Em 1988, a Organização dos Estados Americanos (OEA), convidou o MEC para avaliar o projeto de Informática Aplicada a Educação Básica do México - Coeeba. Isso fez o MEC e a OEA formularem um projeto multinacional de cooperação técnica e financeira envolvendo oito países americanos que vigorou entre 1990 e 1995. Entretanto, o projeto foi interrompido após 1992, por falta de pagamento da cota anual brasileira, que condicionava a participação do Brasil, isto impossibilitou a realização das atividades previstas e acordadas com os demais países e prejudicou a liderança conquistada pelo Brasil, o que foi muito lamentado pelos países integrantes do Acordo de Cooperação Técnica firmado.
Amparado por documentos gerados dos encontros nacionais e internacionais que recomendaram e sugeriram como implantar a informática educativa no país, o MEC instituiu através da portaria Ministerial nº 549/GM, o Programa Nacional de Informática na Educação (Proninfe) com o objetivo de “[...] desenvolver a informática educativa no Brasil, através de atividades e projetos articulados e convergentes, apoiados em fundamentação pedagógica, sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e científica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos.” (MORAES,1997,p.9). Apoiado em referências constitucionais, capítulos III e IV da atual constituição brasileira, referentes às áreas de educação, ciência e tecnologia, o programa visava apoiar o desenvolvimento e a utilização da informática por meio da criação dos Cies, Ciet, Cied e Centros de Informática na Educação do Ensino Especial (Cieee), promovendo a infra estrutura de suporte, solidificando a integração das pesquisas assim como possibilitando a capacitação continuada e constante de professores. (PENHA, 2008, p.16).
Em 1990, após a integração do Proninfe à Secretaria Nacional de Educação Tecnológica (Senete/MEC) e aprovadas e asseguradas as ações no 1º Plano de Ação Integrada (Planinfe), o Plano Nacional de Informática na Educação, efetivamente, passa a constar do orçamento da União (Penha, 2008, p.22). Esta foi uma luta batalhada por mais de cinco anos pela coordenação do programa, que
acreditava em sua importância para a consolidação das atividades planejadas na área, para que não ficassem á mercê de possíveis injunções políticas, como de fato ocorreram.
Em 1995, o Proninfe foi vinculado informalmente a Secretaria do Desenvolvimento, Inovação e Avaliação Educacional (Sediae), e em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância (Seed) e na III Reunião Extraordinária do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) foi apresentado o documento básico do Programa de Informática na Educação. Ainda em 1996, os representantes do Consed participaram do Workshop: Informática na Educação, realizado pelo MEC/Seed nas cidades de Fortaleza, Manaus e Brasilia, para analisar e discutir as diretrizes iniciais do Proinfo, futuro Programa Nacional de Informática na Educação destinado as escolas públicas.
Deste modo, em abril de 1997 foi criado o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo), através da Portaria nº 522/ 09/04/97 do MEC e em julho do mesmo ano foi divulgada as diretrizes do referido programa que de acordo com o
site oficial do MEC, tem como objetivos melhorar a qualidade do processo de ensino
e aprendizagem, possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares, mediante a incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas, propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico tecnológico e educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida .
O Proinfo, programa que permanece até os dias atuais, foi desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais e cada estado criou uma coordenação estadual do Proinfo, cuja função é administrar as ações dos Núcleos de Tecnologias Educacionais (NTE), criados para descentralizar o atendimento das Secretarias de Educação e para desenvolver programas de capacitação dos professores no uso das TIC como ferramenta de apoio ao processo ensino-aprendizagem e formação continuada.
Em 2007, de acordo com o site oficial da casa civil da presidência da Republica, a Seed, no contexto do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), elaborou a revisão do Proinfo e a nova versão do programa, instituído pelo decreto nº 6.300, de 12 de dezembro de 2007, intitula-se Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) e postula a integração e articulação de três componentes:
a) a instalação de ambientes tecnológicos nas escolas (laboratórios de informática com computadores, impressoras e outros equipamentos e acesso a Internet banda larga);
b) a formação continuada dos professores e outros agentes educacionais para o uso pedagógico das TIC;
c) a disponibilização de conteúdos e recursos educacionais multimídia e digitais, soluções e sistemas de informação disponibilizados pela Seed/MEC nos próprios computadores, por meio do Portal do Professor, da TV/DVD Escola, etc.
O objetivo principal do Programa Nacional de Tecnologia Educacional é inserir as TIC nas escolas públicas brasileiras visando promover a inclusão digital dos professores, gestores e toda a comunidade escolar. E dinamizar e qualificar os processos de ensino e de aprendizagem com vistas a melhoria da qualidade da educação básica (BASTOS et al, 2008).
Nesse contexto, surge o Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (Proinfo Integrado), que congrega um conjunto de processos formativos, dentre eles o curso Introdução à Educação Digital, o curso semi presencial, Tecnologias na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC e a complementação local através de projetos educacionais.
É importante ressaltar que a nova versão do Proinfo pode ser implementada tanto na zona rural (Proinfo Rural) quanto na zona urbana (Proinfo Urbano), mediante uma parceria estabelecida entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e uma estrutura operacional descentralizada.
A parceria é firmada por meio da assinatura de um Termo, onde encontram-se detalhadas as responsabilidades de cada instancia. Este Termo está disponível para download no site do MEC no endereço http://www.proinfo.mec.gov.br. A assinatura do Termo e o envio de documentos são da responsabilidade do prefeito em exercício.
O Proinfo Urbano se ramifica em: Urbano Municipal, Urbano Estadual e Up Grade. O Proinfo Rural se ramifica em : Municipal Urbano, Municipal Rural e Up Grade.
As coordenações estaduais do Proinfo e as prefeituras obedecem aos critérios estabelecidos pelo MEC para beneficiar as escolas estaduais e municipais que desejam aderir ao programa, isto é possível se observar no Quadro 2.
Proinfo Estadual RURAL URBANO UP GRADE Critérios Escolas de Educação Básica (1ª a 9ª do Ensino Fundamental e Ensino Médio) ; • Escolas com mais
de 30 alunos; • Escolas sem laboratório de informática; • Com energia Escolas de Educação Básica (1ª a 9ª do Ensino Fundamental e Ensino Médio) ; • Escolas com mais
de 30 alunos; • Escolas sem laboratório de informática; • Com energia. Escolas de Educação Básica (1ª a 9ª do Ensino Fundamental e Ensino Médio) ; • Ter laboratórios ProInfo recebidos até o ano de 2005.
Quadro 2 Criterios para adesão das escolas ao Proinfo
Fonte:http://sip.proinfo.mec.gov.br/upload/manuais/passoapassoprefeituras.pdf
Percebe-se na tabela que o programa visa atender as escolas da educação básica, da 1ª a 9ª série, e o ensino médio, que possuam mais de trinta alunos matriculados, que não possuam laboratório de informática e que a região onde está instalada possua energia elétrica. Estes critérios são comuns para o Proinfo Urbano e o Rural.
O Up Grade, contempla as unidades escolares que aderiram a primeira etapa do programa e que receberam computadores até o ano de 2005, instalados com o sistema operacional Windows.
Justifica-se a apresentação desta tabela para que se possa conhecer a constituição dos laboratórios de informática das escolas do ensino básico, pois a existência, funcionamento e conservação dos equipamentos está diretamente relacionada ao sucesso no desenvolvimento de competências através dos cursos de formação continuada ministrados aos professores. Além disso, o Proinfo não é um programa novo e em sua primeira etapa tinha como meta adquirir cem mil computadores, formar vinte e cinco mil professores e atender a seis milhões e meio de alunos.
De acordo com o site oficial do programa, a expansão do Proinfo prevê a entrega de vinte e seis mil laboratórios que beneficiarão cerca de dez milhões de alunos até o ano de 2010. Sendo que as escolas urbanas serão contempladas com dezenove mil laboratórios de informática e as escolas rurais com sete mil laboratórios.
Os laboratórios das escolas urbanas serão compostos de um servidor multimídia, sete mini computadores, dezesseis terminais de acesso, nove estabilizadores, uma impressora a laser, um roteador wireless (internet sem fio), também está previsto um computador para a administração das escolas.
Nas escolas urbanas, o laboratório é composto de um computador e cinco terminais de acesso compostos por um monitor, um teclado, fones de ouvido, uma entrada Universal Serial Bus (USB) ( que possibilita a conexão de diversos periféricos por exemplo: impressora, máquina fotográfica, etc, sem a necessidade de desligar o computador), um estabilizador e uma impressora. Ainda conforme o site oficial do Proinfo, os computadores serão entregues e instalados na Unidades Educacionais (UE) e todos deverão ser compatíveis com a nova versão do sistema operacional LINUX EDUCACIONAL 3, software livre desenvolvido pelos técnicos do MEC para atender as escolas brasileiras com conteúdos pedagógicos pré selecionados.
Na Bahia, mas precisamente em Salvador, os computadores com LINUX chegaram em 2007. A substituição do sistema operacional Windows pelo LINUX, provocou enorme inquietação nos docentes lotados nas escolas contempladas com o Up Grade, porque nestas unidades, apesar das dificuldades, já havia se criado uma cultura de informatização baseada no Windows e a nova proposta congregou um conjunto de processos formativos para o manejo do computador no ambiente Linux Educacional. Isto teve como conseqüência a antecipação do curso Tecnologias na Educação: aprendendo e ensinando com as TIC, para que os multiplicadores do NTE desenvolvessem competencias digitais para lidar com o Linux e seus aplicativos, e disseminassem esse conhecimento num curto espaço de tempo. Isto gerou inquietação e descontentamento entre os docentes, pois urgência da determinação comprometeu a qualidade do curso.
No levantamento realizado por esta pesquisadora, observou-se que a cultura da informática educativa existente no país se deve primeiro a participação da comunidade acadêmica cientifica nacional na definição de políticas e estratégias adotadas. Segundo, a construção de conhecimento baseado na realização de algo concreto, de uma experiência concreta, vinculada a escola pública. Terceiro, aos esforços do MEC que desde de 1997, vem investindo recursos financeiros tanto para a formação e atualização permanente dos profissionais da educação em todo país como para a implantação das TIC nas escolas públicas brasileiras. Assim, vem
apoiando a adoção de novos paradigmas e a criação de novas metodologias educacionais, que possibilitem o desenvolvimento de competências e habilidades para buscar, acessar, organizar, recuperar e disseminar a informação, mediante a compreensão e a utilização das tecnologias.
Por outro lado, observou-se também que não basta ter planejamento e projetos bem elaborados se não houver vontade e decisão política. Este pensamento é corroborado por Moraes (1997, p.23) ao dizer que:
[...] não adianta termos um belo planejamento no papel, modelos sistêmicos bem elaborados, belas teorias fundamentando um projeto, rubrica orçamentária disponibilizando recursos, pois as mudanças e transformações dependem também de um campo individual e não material de energia viva [...] [...] vontade, decisões e compromissos políticos, envolvem aspectos imateriais, algo que está no individuo e são estas coisas que movimentam o mundo para que as mudanças realmente ocorram [...].
Diante desta afirmação pode-se inferir que o avanço no desenvolvimento das ações do Proinfo está diretamente ligado a vontade e decisão política dos estados e municípios.
Por fim, o MEC vem contando com a parceria dos Núcleos de Tecnologias Educacionais para executar as atividades e ações do Proinfo, através dos professores multiplicadores, conforme veremos a seguir.