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4 SISTEMAS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

4.3 VANTAGENS E MODELOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Em um país continental como o nosso há muitas vantagens em se optar por um curso a distancia, principalmente quando se pretende incluir digitalmente e capacitar um grande número de pessoas como por exemplo: os profissionais da educação pertencentes as redes públicas estaduais do ensino fundamental e médio no país. Isso, no entanto, só acontece com uma educação a distancia comprometida com qualidade. E qualidade em EAD segundo Neves (2005), é como uma rede de pesca: vários nós que se unem para alcançar um objetivo. A fragilidade em um dos nós pode comprometer o resultado final.

Tal qual Moran (2009), considera-se que a EAD ainda é vista por muitos como oportunidade de educar pessoas adultas que moram em cidades distantes ou aquelas que precisam de flexibilidade nos horários. Nos últimos anos essa visão vem se modificando e hoje percebe-se que as atividades a distancia são essenciais para a aprendizagem visando atender as diferentes situações de uma sociedade complexa como a que vivemos. A EAD é fundamental para modificar processos insuficientes e caros de ensinar para muitas pessoas ao longo da vida.

O avanço e uso das TIC descortina novas perspectivas para a educação a distancia com suporte em ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), acessados via Internet.

É importante ressaltar, que em EAD os AVA funcionam como instrumentos de informação e comunicação e que são constituídas de interfaces digitais que fazem a mediação entre os sistemas computacionais ou entre estes sistemas e as pessoas ou ainda entre as pessoas por meio desses sistemas (ALMEIDA;PRADO,2008). Por essa razão, são muito utilizados atualmente pelas Instituições de Ensino Superior (IES) em diferentes cursos como por exemplo: os cursos de graduação a distância e os cursos de formação continuada a distancia para professores da rede pública brasileira. Cursos dessa natureza vêm sendo ministrados pelos Núcleos de Tecnologia Educacionais (NTE), através do Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (Proinfo) em parceria com as Secretarias de Educação de cada estado. Os NTE utilizam os ambientes virtuais de aprendizagem nos cursos de formação continuada, visando o desenvolvimento de competências através das novas formas de aprender. Mais adiante teceremos considerações sobre o programa Proinfo, os NTE e a utilização de AVA nos cursos de formação continuada para professores.

Assim, a EAD através da internet apresenta como vantagens:

a) Facilitar o acesso. O curso a distancia exime o cursista de sua presença física constante na sala de aula, portanto alcança as pessoas em diferentes locais, atendendo-as sem a necessidade de deslocamentos ou horários fixos, isto economiza tempo e a redução de gastos ao mesmo tempo em que possibilita a inclusão de pessoas impossibilitadas de estudar por diversas razões . Assim como, permite atender a um público maior e mais variado que os cursos tradicionais.

b) Autonomia e flexibilidade. Ao cursista é dada grande flexibilidade, permitindo- lhe escolher como, quanto, onde e quando estudar. Desse modo, a EAD estimula a autonomia no processo ensino-aprendizagem. As possibilidades tecnológicas da Internet garantem a comunicação imediata entre professores e alunos. O tempo de resposta é quase simultâneo. Ainda que as aulas on line possam ter uma periodicidade determinada, a interação entre os participantes é permanente. A assincronicidade das redes possibilita que um aluno coloque suas questões e respostas aos exercícios no final da noite, antes de dormir, e que um outro, de manhã cedo, esteja dando continuidade e respondendo, logo ao acordar. Professores e tutores precisam ficar sempre atentos e participantes para responder rapidamente aos questionamentos, e garantir a presença e motivação dos estudantes (KENSKI, 2008).

c) Integração currículo/tecnologias e desenvolvimento de competências. A integração tecnologia/currículo permite que o conteúdo seja assimilado ao mesmo tempo em que o cursista se apropria da tecnologia disponibilizada. Esta integração promove o desenvolvimento de habilidades e competências para trabalhar usando as tecnologias.

d) Interação com a tecnologia, alunos e professores. As ferramentas de comunicação: fórum, chat, portfólio, etc, utilizadas nos cursos a distância estimulam a autoria, a produção colaborativa e a interação entre os alunos e os colegas e entre os professores e os alunos.

Desse modo, é inegável a contribuição das tecnologias no uso educativo. Este uso traz contribuições significativas à aprendizagem quando se apresenta integrado a propostas cujas metodologias de trabalho estejam articuladas ao currículo, a mediação docente e a exploração das características da tecnologia digital de busca, seleção, articulação e produção de novas informações, comunicação multidirecional, representação e a produção colaborativa de conhecimento.

Por outro lado, observa-se que a distância geográfica existente entre os participantes de cursos a distância ainda dificulta a garantia da interação entre os mesmos. Além disso, a não exposição física, principalmente nos cursos oferecidos totalmente a distancia, provoca, muitas vezes, a falta de compromisso tanto por parte dos alunos como do professor. Esses dois fatores, geralmente, promovem o desligamento ou conclusão antecipada do curso pelos envolvidos.

Neste sentido, percebe-se que a garantia da integração entre alunos/professores e curso está diretamente relacionada às atividades propostas. Através das atividades sugeridas pode-se estimular o uso das informações distribuídas em diferentes locais do ambiente de aprendizagem, motivar o trabalho colaborativo, promover maior interatividade e a produção e compartilhamento do conhecimento entre os participantes do curso.

De acordo com Moran (2009), são três os modelos de EAD que são utilizados pelas IES no ensino superior no Brasil e por instituições educacionais e corporativas são eles: o modelo teleaula, o modelo vídeoaula e o modelo web.

O Modelo teleaula consiste na transmissão de aulas por um docente ao vivo, geralmente uma ou duas vezes por semana. Os alunos são reunidos em tele-salas ou pólos para assistir as aulas e a interação com o (a) professor (a) ocorre através de um (a) mediador (a) denominado (a) tutor local, cuja função é discutir e aprofundar com os alunos os assuntos tratados e enviar as questões formuladas pelos alunos (as) sobre o (s) tema (s) abordado(s) para o (a) professor (a) responder. O docente recebe as perguntas e seleciona as mais relevantes para responder. Existe também um tutor on line que acompanha os alunos orientando nas atividades contidas no material que os alunos recebem, que pode ser impresso, em CD ou DVD ou estar disponível na internet.

No formato vídeo aula, observa-se que o projeto pedagógico de algumas IES enfatiza a produção audiovisual e impressa pronta, não ao vivo. As aulas geralmente são produzidas em estúdio (nem sempre profissional), onde a vídeo aula pode ser utilizada de duas formas: semi presencial ou on line.

O modelo mais usual é o de telesalas, onde o aluno vai presencialmente uma ou várias vezes por semana e um tutor supervisiona a exibição do vídeo e as atividades relacionadas ao conteúdo da disciplina. Este modelo é muito útil principalmente para cidades pequenas, sem condições para a instalação de uma instituição de ensino superior presencia.l (Moran, 2008).

Outro modelo é com vídeo aulas que os alunos acessam via web ou recebem por CD ou DVD. Os alunos assistem as vídeo aulas em casa ou no trabalho, lêem o material impresso e fazem as atividades que são entregues a um tutor on line, num ambiente de aprendizagem digital, como o Moodle. Os alunos só vão a um pólo para

a avaliação que pode ser presencial e on line. Os modelos de vídeo aula que utilizam mais a web como ambiente de aprendizagem e interação, precisam rever o seu projeto pedagógico à luz das normas atuais legais, focando muito mais o apoio local ao longo do curso e não só na avaliação.

As exigências atuais de infraestrutura do MEC de pólos com muito mais recursos, dificultam o atendimento a essas pequenas populações. Os alunos terão que se deslocar muito mais do que antes.

O modelo semipresencial é muito utilizado nos cursos de pedagogia e licenciaturas. Ele precisa adaptar-se também, às normas vigentes. A infraestrutura de apoio administrativo, tecnológico e acadêmica, costuma ser precária, com poucos computadores, biblioteca diminuta, o tutor sozinho com os alunos.

Atualmente a maioria dos cursos superiores a distância utiliza a internet em algum momento, mas existem instituições que têm na internet o principal suporte. Os cursos de curta duração podem ser realizados inteiramente on line, já nos superiores, principalmente de graduação, há hoje uma forte pressão pelo modelo semi presencial.

O modelo web enfatiza o conteúdo disponibilizado pela Internet e por CD ou DVD também. Além do material na web, os alunos costumam receber material impresso por disciplina ou módulo. Os principais ambientes virtuais de aprendizagem utilizados são o Moodle, o E-Proinfo e o Teleduc. Em seus estudos Moran apresenta o AVA Blackboard como um dos mais utilizados. Cabe ressaltar, que algumas instituições desenvolvem seus próprios ambientes de aprendizagem.

Em seus estudos Moran (2009) chama atenção para o predomínio de apenas dois modelos diferentes de ensino superior a distancia via web no Brasil, são eles: o modelo virtual e o modelo semi presencial. No modelo virtual, a orientação dos alunos é feita a distancia pela Internet ou telefone. Os alunos se reportam ao professor e ao tutor, durante o semestre, e geralmente, se encontram presencialmente só para fazer as avaliações. Neste modelo, tudo acontece na internet e os encontros presenciais são mais espaçados, porque não existem pólos para o apoio semanal. No modelo semi presencial, predominante entre as universidades e organizações educacionais os alunos tem pólos perto de onde moram e, além do tutor on line, tem tutor presencial no pólo, com quem podem tirar

dúvidas e participar das atividades solicitadas e dos laboratórios de informática e específicos do curso.

Almeida (2003) afirma que nessa abordagem de EAD, conta-se com a presença do professor para elaborar os materiais instrucionais e planejar as estratégias de ensino e, na maioria das situações, com um tutor encarregado de responder as dúvidas dos alunos. Entretanto, quando o professor não se envolve nas interações com os alunos, o que é muito freqüente, cabe ao tutor fazê-lo. Porém, caso esse tutor não compreenda a concepção do curso ou não tenha sido devidamente preparado para orientar o aluno, corre-se o risco de um atendimento inadequado que pode levar o aluno a abandonar a única possibilidade de interação com o tutor, passando a trabalhar sozinho sem ter com quem dialogar a respeito de suas dificuldades ou elaborações.

Corroborando com esse pensamento questiona-se porque devemos centrar- nos apenas no modelo semi presencial? Se em outros países com mais tradição em EAD como a Inglaterra, a Espanha e a Austrália há diversos modelos cujos resultados são satisfatórios e não há exigência de avaliação presencial para o reconhecimento legal dos cursos. Um exemplo disto é a Open University que oferece cursos totalmente a distancia e seus alunos estão classificados entre os melhores nas instituições inglesas.

Observa-se que há uma preocupação do MEC com a qualidade dos cursos devido a expansão de instituições com mais preocupação mercadológica do que pedagógica. Isto é importante, mas o que preocupa é a insistência no modelo semi presencial, apoiado por pólos locais, com freqüência semanal dos alunos, como o único valido atualmente.

É possível aprender a distancia de várias formas. No Brasil, estamos ainda numa fase de mudanças profundas na EAD, pela evolução rápida das tecnologias em rede, das tecnologias móveis e pela necessidade de incluir o maior número de alunos possível ao ensino técnico e no superior. (Moran, 2008). Num país com tantas necessidades e diversidade, é importante poder ter projetos consistentes com propostas diferentes, que sejam bem acompanhados e avaliados.