Opiniões sobre o programa de coleta seletiva da UNESP-Bauru
RECICLADO industrial
6. central de triagem
-Imagens do lixo sendo separado e lavado
-Entrevista com o responsável: quanto é coletado por dia? Quantos membros têm a Associação?
7. Reciclagem
- Processo de transformação do lixo em matéria-prima. - Matéria-prima voltando para a indústria.
O pré-roteiro, como relatou uma das alunas do jornalismo, é por onde são iniciadas as buscas pelas imagens. Conforme a equipe consegue as entrevistas, as autorizações para filmar os locais predeterminados e as imagens, o roteiro definitivo vai sendo construído. Não necessariamente o grupo consegue cumprir todo o roteiro pré-escrito.
A parceria entre o GERe e os alunos do curso de jornalismo foi firmada, porém, no início de janeiro recebemos a notícia de que muitos dos integrantes desse grupo não cumpriram suas responsabilidades, e pelo fato de terem dividido tarefas para a produção do documentário, a execução desse estava seriamente comprometida, apesar de ser uma atividade obrigatória da disciplina. Porém, restabeleci contato com algumas integrantes do grupo e elas me informaram que estavam retornando as filmagens, que havia grande chance do documentário ser realizado e que a parceria entre os dois grupos ainda continuava. Nesse período, Reinaldo me enviou um roteiro mais completo (anexo 10) e informou que estavam captando imagens para o vídeo e utilizando as que haviam filmado para a reportagem sobre a coleta seletiva, realizada para a disciplina Jornalismo Televisado I.
O roteiro elaborado por Reinaldo, partiu das idéias e das pesquisas sobre os resíduos realizada pelos alunos de jornalismo e das informações entregues pelo GERe sobre a problemática em sua complexidade e a coleta seletiva do campus. O roteiro é ambientado na cidade de Bauru e apresenta a vida cotidiana de uma aluna universitária em paralelo com a vida de um catador de lixo que trabalha na Associação de Catadores de Resíduos Recicláveis, ambos personagens fictícios. Os cotidianos dos dois se misturam no enredo e são apresentados de acordo com suas realidades sociais. A menina, com uma melhor condição econômica do que o catador, que recebe pela venda dos resíduos e sustenta seus filhos com menos dinheiro do que a estudante recebe de “mesada”. Embora ela seja aluna universitária, não tem consciência do problema ambiental dos resíduos, relatado pelo seu comportamento frente a importância que dá para a questão diante do significado dos resíduos para o catador. Durante a narrativa dos personagens, são apresentadas informações sobre os resíduos em Bauru: a quantidade de resíduos descartados, o aterro sanitário, a coleta seletiva, a quantidade de resíduos coletados pela Associação. Junto desses dados, é mostrado o processo de decomposição dos resíduos nos aterros em paralelo com o processo de reciclagem. Ainda são apresentadas informações sobre o Programa de Coleta Seletiva da UNESP-Bauru, onde a menina estuda. O roteiro procurou explorar a questão dos resíduos a partir do consumo, mostrando a rota que pode realizar se for descartado no aterro como lixo ou como resíduo para a reciclagem. A idéia central era apresentar para alunos universitários que a problemática deve ser pensada e resolvida por todos, mesmo aqueles que, embora não tenham a formação de biólogo e, provavelmente, não conheçam os problemas ambientais, são pessoas que possuem acesso a informação e podem ser capazes de se apropriar dos conhecimentos sobre a questão de forma que esse conhecimento seja revertido em ações.
O roteiro não foi elaborado em conjunto com o GERe, porém a discussão que tivemos sobre a questão contribuiu com o conhecimento que os alunos do jornalismo já tinham sobre a problemática. Camila disse que a nossa parceria poderia ter sido mais consistente para a elaboração do roteiro, já que
eles, devido à formação, destacaram mais ação humana sobre a problemática do que a questão ecológica. Ela destaca ainda que, embora a nossa parceria tenha sido efêmera, ela foi importante para a estruturação deste roteiro. Esta foi importante para que houvesse no enredo a intencionalidade em passar a informação de forma a fazer o telespectador refletir sobre as suas próprias ações em relação a essa problemática ambiental.
Retornei a conversar com Camila e ela relatou que o vídeo não foi concluído, apesar da disciplina ter sido finalizada. Durante a disciplina, os alunos entregam relatórios sobre todas as atividades desenvolvidas, como por exemplo, a elaboração do roteiro e a captação de imagens. A avaliação que é feita baseia-se nas técnicas aprendidas pelos alunos, ou seja, como eles compreenderem as fases de elaboração de um vídeo, o manuseio de câmeras e como foi construído o roteiro. Pelo fato de existir na UNESP-Bauru apenas duas ilhas de edição das imagens e estas serem utilizadas por todos os cursos de comunicação e dos alunos terem alcançado menção suficiente para serem aprovados, a maioria dos alunos não se interessou em finalizar o vídeo, mesmo que a professora tenha dito que a média aumentaria se isso ocorresse. Sendo assim, até a realização desta análise o trabalho não foi concluído e esse não foi usado nas atividades educativas do GERe, como havia sido planejado entre os dois grupos. Apesar disso, a parceria foi positiva no sentido de ter proporcionado a aproximação entre cursos tão distintos e o diálogo entre pessoas de formações diferentes para realizar uma ação com um objetivo comum, cada qual utilizando as ferramentas aprendidas em seus cursos. De um lado os alunos da biologia e da pós- graduação em educação para as ciências, preocupados em como a problemática dos resíduos poderiam ser explorada para que fosse compreendida em sua complexidade. De outro, os alunos do jornalismo, também preocupados em como apresentar a problemática de posse de técnicas que a tornam mais acessíveis e atraentes para quem as vê.
5.1 Avaliação do processo educativo
Visando uma maior compreensão do processo educativo pelo qual os alunos que se envolveram direta ou indiretamente do GERe passaram, após a primeira compilação feita por mim dos resultados da pesquisa-ação relacionados ao processo educativo, propus uma avaliação coletiva.
Devido as atividades curriculares, tais como provas, entrega de trabalhos de disciplinas e de conclusão de curso, os integrantes deram prioridade para seus cursos e optaram por não mais participar do GERe. Eu também não os reuni mais, pois me dediquei aos meus compromissos acadêmicos, ou seja, a elaboração desta dissertação de mestrado. Nesse contexto, estabelecemos a finalização dos encontros do GERe no término do ano letivo e, desde então, a maior parte dos integrantes não mais se comunicou
comigo, principalmente os alunos que se graduaram. Porém, precisávamos realizar uma avaliação coletiva, tendo como finalidade principal a análise dos resultados da pesquisa-ação a partir, também, da avaliação dos outros integrantes. Solicitei aos integrantes que participaram do processo, um encontro para realizarmos a avaliação coletiva. Não foi uma proposta, fiz uma convocação justificada pela necessidade de incluí-la na dissertação e, principalmente, por ser um momento onde deveríamos decidir qual seria o futuro do GERe. Dos sete alunos convocados, quatro se comunicaram e apenas dois compareceram. Dos outros dois, um se formou, voltou para a sua cidade de origem e o segundo não pôde comparecer no dia proposto. Aos outros alunos que não compareceram ao encontro, eu enviei por e-mail um questionário de avaliação, o qual foi respondido por um aluno.
Diante dessa realidade, a avaliação que se seguirá foi feita por parte dos integrantes e será apresentada em duas etapas: a primeira, a partir da transcrição do encontro realizado com os alunos, Matheus, do curso de Ciências Biológicas, e Rafael, do curso de Jornalismo e do questionário entregue por César, também do curso de biologia. A segunda, feita por mim, a partir desses relatos e da reflexão sobre todo o processo educativo.
Avaliação coletiva
A avaliação foi realizada em forma de entrevista-estruturada, a qual foi gravada e transcrita (anexo