Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a Assistência Social é firmada como política pública não-contributiva integrante da seguridade social, que deve atender a todos que dela necessitar, configurando-se como direito do cidadão e dever do Estado. Tal direito é ratificado pela Lei nº 8.742 de 1993 (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS) e pelo Sistema Único de Assistência Social – SUAS (2005), que por meio de um sistema descentralizado e participativo contribuem na criação de medidas que assistem e defendem os cidadãos que se encontram em situação de vulnerabilidade social.
Amparada nos estatutos legais, em 2004 é instituída, sob novas bases e diretrizes, a Política Nacional de Assistência Social – PNAS (a última datava de 1998), que como política pública de direito social é assegurada pela Constituição, sistematizada e aprovada a partir do SUAS, e normatizada pela LOAS, a qual garante a universalidade dos direitos sociais e o acesso aos serviços socioassistenciais.
Conforme estabelecido na PNAS, a Política Pública de Assistência Social objetiva: prover serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica e, ou, especial para famílias, indivíduos e grupos que deles necessitarem; contribuir com a inclusão e a equidade dos usuários e grupos específicos, ampliando o acesso aos bens e serviços socioassistenciais básicos e especiais, em áreas urbana e rural; assegurar que as ações no âmbito da assistência social tenham centralidade na família, e que garantam a convivência familiar e comunitária (BRASIL, 2005a, p. 33).
Os Centros de Convivência, em consonância com a PNAS (2004), fazem parte dos serviços de proteção básica de assistência social, que são aqueles que potencializam a família como unidade de referência, fortalecendo seus vínculos internos e externos de solidariedade, através do protagonismo de seus membros e da oferta de um conjunto de serviços locais que visam a convivência, a socialização e o acolhimento, em famílias cujos vínculos familiar e comunitário não foram rompidos, bem como a promoção da integração ao mercado de trabalho (BRASIL, 2005a, p. 36).
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Conforme Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, o serviço a ser oferecido nos Centros de Convivência encontra-se tipificado como Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (Res. CNAS nº 109/2009, p. 8):
Serviço realizado em grupos, organizado a partir de percursos, de modo a garantir aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com o seu ciclo de vida, a fim de complementar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de situações de risco social. Forma de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território. Organiza-se de modo a ampliar trocas culturais e de vivências, desenvolver o sentimento de pertença e de identidade, fortalecer vínculos familiares e incentivar a socialização e a convivência comunitária. Possui caráter preventivo e proativo, pautado na defesa e afirmação dos direitos e no desenvolvimento de capacidades e potencialidades, com vistas ao alcance de alternativas emancipatórias para o enfrentamento da vulnerabilidade social. Deve prever o desenvolvimento de ações intergeracionais e a heterogeneidade na composição dos grupos por sexo, presença de pessoas com deficiência, etnia, raça entre outros (BRASIL, 2009c).
O serviço ofertado nos Centros de Convivência deve garantir aos usuários a segurança de acolhida, a segurança do desenvolvimento da autonomia individual e a segurança de convívio familiar e comunitário, e tem como objetivos gerais:
Complementar o trabalho social com família, prevenindo a ocorrência de situações de risco social e fortalecendo a convivência familiar e comunitária;
Prevenir a institucionalização e a segregação de crianças, adolescentes, jovens e idosos, em especial, das pessoas com deficiência, assegurando o direito à convivência familiar e comunitária; Promover acessos a benefícios e serviços socioassistenciais, fortalecendo a rede de proteção social de assistência social nos territórios;
Promover acessos a serviços setoriais, em especial das políticas de educação, saúde, cultura, esporte e lazer existentes no território, contribuindo para o usufruto dos usuários aos demais direitos;
Oportunizar o acesso às informações sobre direitos e sobre participação cidadã, estimulando o desenvolvimento do protagonismo dos usuários;
Possibilitar acessos a experiências e manifestações artísticas, culturais, esportivas e de lazer, com vistas ao desenvolvimento de novas sociabilidades;
Favorecer o desenvolvimento de atividades intergeracionais, propiciando trocas de experiências e vivências, fortalecendo o respeito, a solidariedade e os vínculos familiares e comunitários (BRASIL, 2009c).
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No Amazonas, a Lei nº 2.887/2004, que dispõe sobre a Política Estadual do Idoso, estabeleceu ser competência dos órgãos e entidades públicas estimular e incentivar a criação de alternativas de atendimento ao idoso, entre as quais os centros e grupos de convivência. Essa lei teve como parâmetro as diretrizes da Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842/1994) e do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), e a orientação da Política Nacional de Assistência Social.
Efetivamente, a implantação do primeiro Centro Estadual de Convivência no Amazonas concretizou-se em 2007, durante o segundo mandato do Governador Eduardo Braga (2007-2010), como produto da vontade política do Governo do Estado em concretizar condições de inclusão social e de desenvolvimento humano e econômico, tendo como objetivo contribuir para o desenvolvimento das funções básicas da família, valorizando suas heterogeneidades, particularidades e diversidades, para a promoção do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, como preconiza o Sistema Único da Assistência Social.
Instituído pelo Decreto nº 27.342, de 20 de dezembro de 2007, o Centro Estadual de Convivência da Família Padre Pedro Vignola resultou da ação governamental intitulada “Implementação e Funcionamento de Centros de Convivência da Família” (Profamília), que por sua vez integrava o Programa “Vivendo com Dignidade”, cujo intuito era promover a inclusão social das famílias em situação de vulnerabilidade social e pessoal no Amazonas.
O recém-criado Centro de Convivência passou a integrar a estrutura organizacional da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania – SEAS (hoje chamada Secretaria de Estado de Assistência Social), que exerceria a gestão compartilhada e participativa do Centro juntamente com a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL), Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Secretaria de Estado da Saúde (SUSAM) e Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM).
De 2007 a 2011 foram implementados seis Centros Estaduais de Convivência da Família e dois Centros Estaduais de Convivência do Idoso, confirmando o compromisso do Estado do Amazonas com o desenvolvimento de políticas públicas sociais, nas quais a promoção do desporto de participação desempenhava papel de grande relevância para a sociedade.
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III METODOLOGIA ______________________________________
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