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Bernstein (1997, p. 8) mostra o sentido da palavra risco, dizendo que a palavra deriva do italiano antigo risicare, que tem como significado: ousar. E completa dizendo que desta forma: “o risco é uma opção e não um destino”.

Uma noção ampla da palavra risco está sempre ligada a uma finalidade a ser alcançada a partir de meios que ofereçam ou possam oferecer algum tipo de perda ou perigo, ou seja, alguém normal só corre um risco com o intuito de obter algo ou alcançar um objetivo. Por exemplo, quando uma pessoa entra num carro, objetivando chegar em algum lugar, corre o risco de um acidente de trânsito. Um pai correria até um risco de morrer para salvar um filho. Um jovem corre risco de vida, correndo com uma motocicleta, para ganhar a admiração de seus colegas.

Na atividade financeira a finalidade a ser alcançada é o retorno e a possibilidade de perda para alcançar esse retorno é o risco.

Weston e Brigham (2000, p. 155) definem risco como sendo a possibilidade de que algum acontecimento desfavorável venha a acontecer.

Duarte Jr. (1999, p. 53) define risco como “uma medida da incerteza associada aos retornos esperados de investimentos”.

Observando os últimos conceitos: não se faz necessário que, para haver perda financeira, o retorno alcançado seja negativo, basta apenas que seja menor que o retorno esperado.

Apesar de o termo risco ser usado alternativamente como incerteza, em finanças é oportuno distinguir risco de incerteza. Neste sentido Bernstein (1997, p. 219) diz que o primeiro autor a lidar explicitamente com a tomada de decisões sob condições de incerteza é Frank H. Knight.

Knight (1921, tradução nossa) faz essa distinção entre risco e incerteza:

Mas incerteza deve ser compreendida de modo radicalmente distinto da noção familiar de Risco do qual nunca esteve corretamente separado. O termo “risco”, como incoerentemente usado em fala cotidiana e em discussão econômica, realmente cobre duas coisas que, ao menos funcionalmente, em suas relações causais para os fenômenos de organização econômica, é categoricamente diferente. [...] O fato essencial é que “risco” significa em alguns casos uma quantidade capaz de receber medida, enquanto que em outros momentos não é distinguível esse caráter; e há diferenças amplas e cruciais nas orientações do fenômeno que depende de qual dos dois está realmente presente e operante. Há outras ambigüidades no termo “risco” propriamente dito, que serão mostradas; mas esta é a mais importante. Percebe-se que uma incerteza mensurável, ou “risco” propriamente, como nós usaremos o termo, é tão diferente de algo imensurável que não seria de fato uma incerteza. Nós restringiremos o termo “verdadeira incerteza” para casos do tipo não quantitativo. É esta “verdadeira” incerteza, e não risco, como foi discutido, que forma a base de uma teoria válida de lucro e contas para a

divergência entre competição atual e teorética.1

Silva (1988, p. 34) também distingue risco e incerteza:

(a) Risco existe quando o tomador da decisão pode basear-se em probabilidades objetivas para estimar diferentes resultados, de modo que sua expectativa se baseia em dados históricos e, portanto, a decisão é tomada a partir de estimativas julgadas aceitáveis pelo tomador de decisões.

1

But Uncertainty must be taken in a sense radically distinct from the familiar notion of Risk, from which it has never been properly separated. The term "risk," as loosely used in everyday speech and in economic discussion, really covers two things which, functionally at least, in their causal relations to the phenomena of economic organization, are categorically different. [...] The essential fact is that "risk" means in some cases a quantity susceptible of measurement, while at other times it is something distinctly not of this character; and there are far-reaching and crucial differences in the bearings of the phenomenon depending on which of the two is really present and operating. There are other ambiguities in the term "risk" as well, which will be pointed out; but this is the most important. It will appear that a measurable uncertainty, or "risk" proper, as we shall use the term, is so far different from an unmeasurable one that it is not in effect an uncertainty at all. We shall accordingly restrict the term "uncertainty" to cases of the non-quantitive type. It is this "true" uncertainty, and not risk, as has been argued, which forms the basis of a valid theory of profit and accounts for the divergence between actual and theoretical competition.

(b) Incerteza: ocorre quando não se dispõe de dados históricos acerca de um fato, o que poderá exigir que o tomador de decisões faça uma distribuição probabilística subjetiva, isto é, baseado em sua sensibilidade pessoal.

Portanto, simplificadamente: risco é uma possibilidade mensurável de se obter um retorno aquém do esperado. Caso seja inviável medir tal possibilidade, tem-se uma incerteza.

Steiner Neto (1998, p. 45) sintetiza essa discussão em três condições sobre o conhecimento do futuro de um resultado: de certeza, de incerteza e de risco:

 A condição de certeza existe quando o decisor sabe, com grau absoluto de certeza, que, se tomar certa decisão, certo e preciso ocorrerá. Esse resultado deverá ser perfeitamente determinado. Assim, não basta haver estimativa de dia quente. A condição de certeza implica determinar a temperatura correta que, com certeza, irá ocorrer. Por se tratar de situação muito complexa e difícil de prever, a condição de certeza é praticamente inexistente, exceto em situações simples;

 A condição de risco supõe que existe uma gama de situações ou resultados possíveis, todos eles sabidos de antemão e que é possível determinar para cada um a probabilidade de ocorrência; essa probabilidade pode ser obtida por conhecimento prévio, estimada por técnicas específicas ou estabelecida por critérios subjetivos. A soma de todos os resultados possíveis deve ser sempre igual a 1;

 A condição de incerteza consiste em não existir nenhuma possibilidade de prever a probabilidade de ocorrência de cada um dos resultados, embora estes sejam conhecidos. Não se trata de não ser possível prever um fato, ou um resultado. Isto é até possível. A condição de incerteza supõe que não é possível estabelecer a estimativa da probabilidade de ocorrência do resultado.

O Quadro 1 demonstra um resumo das condições citadas.

Condição de Resultados Possíveis Probabilidade de Ocorrência dos outcomes

Certeza Um 100%

Incerteza Vários Desconhecida ou impossível de determinar

Risco Vários Conhecida ou determinável

Quadro 1 - Quadro resumo de tipos de condições e resultados possíveis Fonte: Steiner Neto (1998, p. 48)

4.1.1 Definição Quantitativa do Risco

Securato (1996, p. 27) apresenta o risco de forma pragmática como uma probabilidade e como um desvio padrão.

Em algumas definições de risco mostradas anteriormente foram colocadas a idéia de probabilidade. No cálculo de probabilidades, o evento certo corresponde à probabilidade igual a 1. Sendo assim, o evento não certo pode ser expresso como uma probabilidade. Supondo que o conjunto de eventos possíveis na tentativa de atingir um determinado objetivo numa tomada de decisões seja de dois tipos: sucessos e fracassos. Os sucessos são os eventos que atingem os objetivos e os fracassos são os eventos que não permitem atingir os objetivos. Nessa situação, pode-se definir risco como a probabilidade de ocorrerem os fracassos (SECURATO, 1996, p. 28).

Quando se calcula uma média de uma distribuição de probabilidades, a grande questão é saber se esta média é uma boa representação da distribuição de probabilidades. A resposta a essa questão é o desvio padrão, pois ele informa o grau de concentração das probabilidades em torno da média. Quanto menor o desvio padrão, maior a concentração das de probabilidades em torno da média e mais representativa é a média. Dada uma variável objetivo, a decisão será tomada com base na média da distribuição dessa variável, nessa decisão corre-se o risco de que essa média não seja representativa da distribuição. Por definição, esse risco é o desvio padrão dessa variável objeto (SECURATO, 1996, p. 31).

O presente estudo utiliza a probabilidade como definição quantitativa de risco.

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