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Nesse momento, cabem aqui os dizeres de Schrickel (1998, p. 45): “O negócio de um banco implica assumir riscos de banqueiro e jamais riscos de empresário”. E continua: “consoante sua vocação e função, um banco comercial almeja financiar o empresário, e não necessariamente tornar-se seu sócio”.

Em julho de 1993 o G30 publicou o estudo Derivatives: practices na principles2 no qual divide o risco global em quatro grandes grupos: mercado, crédito, operacional e legal (SILVA NETO, 1999).

Segundo Duarte Júnior (2005), tal classificação é importante, pois, desta forma, os riscos são classificados pelos tipos de fatores que geram a incerteza sobre cada um deles.

4.2.1 Risco de Mercado

Duarte Jr. (1999) define o risco de mercado como uma medida da incerteza relacionada aos retornos esperados de um investimento em decorrência de variações em fatores de mercado como taxas de juro, taxas de câmbio, preços de commodities e ações. E o exemplo que Duarte Jr. (1999, p. 53) utiliza facilita a compreensão da definição: “um joalheiro que mantém grande quantidade de ouro, prata e platina para seu trabalho diário; as variações dos preços destes metais preciosos no mercado internacional causam variações no patrimônio de sua joalheria”.

4.2.2 Risco Operacional

O comitê da Basiléia (BIS, 1997) define risco operacional como o risco de perdas resultantes de processos, pessoas e sistemas internos inadequados ou falhos, ou de eventos externos. Duarte Jr. (1999, p. 54) define risco operacional como “uma medida das possíveis perdas em uma instituição caso seus sistemas, práticas e medidas de controle não sejam capazes de resistir a falhas humanas ou situações adversas de mercado”.

4.2.3 Risco Legal

Quanto a esse risco, Brito (2003, p. 17) apresenta a seguinte definição:

O risco legal decorre de questionamentos jurídicos referentes às transações efetuadas, contrariando as expectativas da instituição e tornando-se potencial fonte de perdas ou perturbações que podem afetar negativamente a organização. A área jurídica das instituições financeiras é a responsável pela avaliação da ocorrência desse tipo de risco.

4.2.4 Risco de Crédito

Como o assunto do presente trabalho é o risco de crédito, uma análise mais profunda desse tipo de risco se faz necessária.

Crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém de destacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente depois de decorrido o tempo estipulado (SHRICKEL, 1998, p. 25). Integralmente pode ser interpretado como o montante do principal adicionado aos custos de utilização deste capital.

Segundo Santos (2000, p. 15), “o crédito inclui duas noções fundamentais: confiança, expressa na promessa de pagamento; e o tempo, que se refere ao período fixado entre a aquisição e a liquidação da dívida”. Portanto, nesse contexto, tem-se Silva (1988, p. 34) que afirma ser o risco de crédito caracterizado pelos “diversos fatores que poderão contribuir para que aquele que concedeu o crédito não receba do devedor o pagamento na época acordada”.

Duarte Jr. define risco de crédito da seguinte forma: “uma medida das perdas potenciais de um fundo de investimento decorrentes de uma obrigação não honrada, ou da capacidade modificada de uma contraparte em honrar seus compromissos, resultando em perda financeira”.

Schrickel (1998, p. 45) completa dizendo que “O risco sempre estará presente em qualquer empréstimo. Não há empréstimo sem risco. Porém, o risco deve ser razoável e compatível ao negócio do banco e à sua margem mínima almejada (receita)”.

A partir dos conceitos apresentados, pode-se destacar duas principais dimensões do risco de crédito: a expectativa de recebimento da importância integral dos pagamentos e o prazo estipulado. Portanto, o risco de crédito é a possibilidade de frustração do recebimento integral no prazo estipulado.

De uma forma geral, o risco deve ser compreendido como o grau de incerteza que envolve uma operação de crédito por parte dos agentes econômicos. Logo, ele é visto como um mensurador que pode transferir ao decisor de uma concessão de crédito a informação para fundamentar sua decisão de realizar ou não o crédito, além de dar conhecimento de seu custo agregado aliado à quantidade de incertezas presentes na operação a ser concretizada.

Percebe-se que a cada concessão de financiamento, o futuro credor assume o risco de não-recebimento, ou seja, o tomador pode não honrar o compromisso de pagar por várias razões. Os motivos que levam o tomador a não pagar sua dívida podem estar relacionados ao seu caráter, à sua capacidade de gestão dos negócios, fatores externos adversos, incapacidade de geração de caixa, dentre outros.

Os motivos, descritos anteriormente, possuem características de riscos próprias e que deverão ser levantadas ao instante da concessão do empréstimo, podendo ser sumarizadas em

fraca estrutura tecnológica que não dá suporte operacional e poder de competição, estratégia de identificação inadequada das oportunidades de negócios oferecidas pelo mercado.

Duarte Jr. (2005, p. 5-6) mostra que o risco de crédito abrange vários riscos: risco de inadimplência, risco de degradação, risco de garantia, risco soberano e risco de concentração de crédito. Duarte Jr. ainda define da seguinte forma cada um desses tipos de risco de crédito:

 risco de inadimplência: “perdas potenciais decorrentes de uma contraparte não poder fazer os pagamentos devidos de juros ou principal no vencimento destes”;

 risco de degradação: “perdas potenciais devido à redução de rating de uma contraparte”;

 risco de garantia: “perdas potenciais devido à redução do valor de mercado das garantias de um empréstimo”;

 risco soberano: “perdas potencias decorrentes de uma mudança na política nacional de um país que afete sua capacidade de honrar seus compromissos”;

 risco de concentração de crédito: “perdas potenciais diante da concentração da exposição de crédito em poucas contrapartes”.

O risco de crédito pode ser estudado sob diferentes pontos de vista:

 ótica do tomador;

 ótica do emprestador.

 O risco de crédito pode ser estudado sob diferentes abordagens:

 abordagem de operação (tomador individual: uma pessoa física ou uma organização);

 abordagem de carteira.

Esse trabalho pretende estudar o risco de crédito, na forma de risco de inadimplência, sob a ótica do emprestador para uma abordagem de carteira.

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