Para realização desta parte do diagnóstico, enviamos os questionários aos auditores que trabalham com a certificação orgânica. Vamos comparar com os dados sistematizados com a certificação pública do TECPAR no Paraná.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme as informações obtidas nos questionários aplicados aos auditores, o principal gargalo encontrado pela equipe do IMA para a execução do serviço de certificação com relação aos produtores rurais está na parte documental. Os produtores, em sua maioria, desconhecem as regulamentações que regem os sistemas orgânicos de produção. A maior dificuldade está no desenvolvimento e preenchimento caderno do plano de manejo orgânico da unidade produtiva e na manutenção de registros, essenciais para a rastreabilidade da produção, exigência legal do MAPA. O caderno do plano de manejo deve conter as informações técnicas da produção e da comercialização, bem como o seu planejamento para um ano.
Para Okuyama e colaboradores (2011), citados por Scofano (2014) ao analisar a certificação orgânica do INT, e, Macedo e colaboradores (2014), ao analisar as estratégias e dificuldades da certificação orgânica pública do TECPAR, os produtores possuem experiência vasta na prática da agricultura orgânica e trabalhavam com esse sistema produtivo antes de sua regulamentação legal. Entretanto, não estão habituados com a prática de manutenção de registro de informações e planejamento da produção. Os produtores questionam a obrigatoriedade dos registros ao adotar o sistema orgânico, já que há ausência dessa exigência nos sistemas convencionais.
Conforme observou Scofano (2014), o maior índice de não conformidade encontrada pelo INT nas inspeções/auditoria referem-se ao artigo 8º da IN n. 46 (BRASIL. MAPA, 2011), que remete a manutenção do caderno do plano de manejo atualizado da unidade produtiva, e descreve os itens mínimos que a unidade deve descrever no PMO. Outro item com maior índice de não conformidade encontra-se no Art. 7º sobre documentações e registros que a unidade de produção orgânica deverá possuir para os procedimentos de todas as operações envolvidas na produção, e a manutenção mínima dessa documentação por um período mínimo de 05 (cinco) anos. Os registros devem conter
118 as informações das culturas produzidas e comercializadas, além dos insumos comprados ou produzidos na própria unidade e utilizados na produção. Estes resultados também foram narrados por Macedo e colaboradores (2014), avaliando não conformidades em produtores do Paraná submetidos a certificação pública do TECPAR.
O IMA por ser um organismo de certificação de terceira parte não pode orientar os produtores na correção dessas irregularidades (não conformidades). Os produtores devem buscar sozinhos a solução para tal. O organismo apenas identifica claramente o ponto da não conformidade a ser corrigido, mas há necessidade de assistência técnica (ATER), em muitos casos. Por isso, a parceria com outras organizações públicas ou privadas, para desenvolvimento da agricultura orgânica é importante. Só a certificação não basta para qualificar a produção, há necessidade de ATER e formação (construção do conhecimento agroecológico).
Quanto aos gargalos internos do IMA para atender/fazer o processo de certificação e o credenciamento no MAPA como certificadora orgânica, observamos que a questão dos inspetores capacitados é a mais delicada. Tanto para os escopos já credenciados como possíveis extensões de escopo. Embora tenha-se inspetores para todos os escopos credenciados, o número é reduzido, apesar de que suficiente para atender a atual demanda de certificação do instituto. Entretanto, face a demanda futura, há que se investir nas parcerias e pensar em concurso público.
A responsabilidade de treinar inspetores é do IMA mas pelo fato de ser um órgão público, não há como realizar pagamento para os inspetores em capacitação. Contudo, há incentivo a capacitação de forma indireta, uma vez que a aumento salarial para a titulação de especialista, mestre e doutor é realidade, incorporada nos ganhos e para fins de aposentadoria, além de habilitar a organização para concorrer a recursos públicos (editais técnicos científicos). Os que estão em treinamento concordaram em fazê-lo sem receber. Outro fator negativo é a morosidade do processo de assinatura de contrato. Por ser instituição pública, todos os contratos assinados entre o IMA e seus clientes (produtores orgânicos, familiares ou não), devem passar pela Advocacia Geral do Estado - AGE, podendo levar dias para um parecer, frente a demanda do órgão.
Mas a mesma questão que é um fator negativo (a alegada demora no processo de certificação face a uma certificadora privada), é também seu ponto forte, por ser órgão público envolvido no processo de realização da certificação orgânica, embora não possuindo nenhum envolvimento financeiro com seu processo. Independente da realização
119 ou não de certificações, as remunerações dos auditores permanecem inalteráveis. Isso torna o processo mais transparente, pois o instituto não depende do lucro das certificações para sobreviver. Vantagem em relação as certificadoras privadas.
Com relação à acreditação no INMETRO e o credenciamento no MAPA, no IMA, esta qualificação da organização começou pela acreditação feita com a certificação da cachaça. Primeiramente o Instituto por ter maior afinidade com o setor produtivo da cachaça, obteve em 2009 a acreditação junto ao Inmetro para o escopo da cachaça, conforme a portaria Inmetro 276/2009 (BRASIL. INMETRO, 2009a) O processo de acreditação junto ao Inmetro habilita o Instituto a ser um OCP, posição em consonância com os requisitos normativos da ISO 17065:2013. Estes requisitos exigem que a rotina de certificação seja constantemente aprimorada, de acordo com a dinâmica dos processos e esquemas de certificação. Além de serem periodicamente auditados pelo próprio Inmetro.
No nível dos processos, atualmente, o IMA possui para a certificação de produtos, 01 manual da qualidade, 40 procedimentos e 51 formulários. Os documentos relacionados ao manual da qualidade são disponibilizados publicamente quando estes são aplicáveis ao publico interessado, conforme se encontra na página na internet (www.ima.mg.gov.br/certificacao/organicos), e a parte não aplicável é disponibilizada aos auditores na intranet do instituto, com aplicação de ID de identificação e senha de acesso. Estão disponíveis ao publico geral os documentos relacionados direta e indiretamente pelo contrato assinado entre as partes. Vale ressaltar que o Sistema de Gestão da Qualidade é algo dinâmico, sendo assim é uma estrutura revista e aprimorada constantemente, sobre tudo pela análise critica dos profissionais envolvidos para com o sistema, os clientes, as demandas estabelecidas pelo Inmetro e seus normativos correlatos e as determinações também demandas pelo MAPA.