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Ciência e fi losofi a

No documento Fundamentos Da Filosofia (páginas 32-35)

Vemos então que, embora hoje em dia a filoso- fia e a ciência sejam entendidas como duas áreas de estudo muito distintas e separadas, nem sem- pre foi assim. Desde a Grécia antiga, o saber filo- sófico reunia o conjunto dos conhecimentos racio- nais desenvolvidos pelo ser humano: matemática, astronomia, física, biologia, lógica, ética, política etc. Não havia separação entre filosofia e ciência. Elas estavam fusionadas, eram a mesma coisa. Até mesmo a investigação sobre Deus (a teologia) fazia parte das especulações dos filósofos.

Senso comum Universo de afirmações Verdade Conhecimento (stricto sensu) Afirmações verdadeiras Afirmações falsas

Essa visão integradora perdurou até o fim da Idade Média. A partir da Idade Moderna, com o de- senvolvimento do método científico, aplicado pri- meiro pela física, a realidade a ser conhecida pas- sou a ser progressivamente dividida, recortada, atomizada em setores independentes. Desse modo, surgiram as diversas áreas de investigação científi- ca que conhecemos hoje, como a matemática, a fí- sica, a química, a biologia, a geografia, a antropolo- gia, a psicologia, a sociologia, entre outras. Acaba- va, assim, a antiga unidade do conhecimento.

Observação

Tenha em conta que a fi losofi a ocidental não é a única forma de pensar refl exivo sobre a realida- de, embora alguns estudiosos reivindiquem que o termo fi losofi a deve ser aplicado apenas à pro- dução fi losófi ca do Ocidente. Diversas culturas

da Ásia e do Oriente Médio também desenvolveram pensamentos ricos e abrangentes sobre os diversos aspectos do universo e da existência – e até mesmo crítico, conforme assinalam alguns estudiosos –, po- dendo perfeitamente ser denominados “fi losofi as”.

MAURO T

AKESHI

MAURO T

11. Que tipo(s) de consciência(s) se destaca(m) na fi -

losofi a e no fi losofar? Justifi que.

12. Algumas noções do senso comum escondem

ideias falsas, parciais ou preconceituosas, en- quanto outras revelam profunda refl exão sobre a vida. Como você explica essa contradição?

13. Identifi que, entre as afi rmações a seguir, aque-

las que podem ser consideradas noções do senso comum e as que constituem meras opiniões ou crenças pessoais. Justifi que.

I. Toda criança deve receber educação escolar.

II. Os dias de chuva são belos.

III. O cão é o melhor amigo do ser humano. IV. Quanto maior a velocidade, maior o risco de acidente.

V. Os sorvetes de morango são os mais gostosos. VI. Domingo é dia santo.

14. De que depende o desenvolvimento da consciên-

cia crítica?

15. Destaque as semelhanças e as diferenças entre o

saber da ciência e o saber da fi losofi a.

5. Crescimento contínuo

Nunca se protele o fi losofar quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de fi losofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não

chegou ou já passou a hora de ser feliz. (EPICURO,

Antologia de textos, p.13.)

Medite sobre essa recomendação de Epicuro. Segundo ele, quando deve ser praticada a refle- xão filosófica e que papel ela pode ter na vida de uma pessoa? Ele acredita que a filosofia traz um crescimento contínuo da consciência? Depois, reúna-se com seus colegas e debata com eles sobre o tema.

6. Filosofi a e sociedade

Essa nova empreitada [da fi losofi a] tem dois eixos importantes: a rua e a vida. A fi losofi a que se requer hoje é a que se propõe ocupar as ruas, voltar à praça, aos espaços públicos de congregação dos cidadãos. A fi losofi a deve deixar de ser um reduto de poucos ini- ciados que falam uma linguagem que os demais não são capazes de entender e muito menos de seguir. A fi losofi a precisa recuperar a rua que perdeu há mui- to tempo. Ela nasceu na rua e a ela tem que retornar. Deve estar nas marchas, nas manifestações. Deve ser parte dos grandes carnavais. (ECHEVERRÍA, Por la senda

del pensar ontológico, p. 9. Tradução dos autores.)

Debata com colegas a proposta contida nessa cita- ção. Tenha em conta a seguinte questão: “Como o fi losofar pode contribuir para a coletividade?”. Mas esse processo de especialização não pa-

rou aí, pois cada uma dessas grandes áreas cien- tíficas também se subdividiu em outras mais es- pecíficas, sobretudo a partir do século XX. Por isso se diz hoje que vivemos a “era dos especialistas”.

No contexto dessa separação, a filosofia não abandonou seus vínculos com o campo hoje deno- minado científico, mas passou a relacionar-se com ele de outro modo. Ela realiza atualmente – notada- mente o setor da filosofia da ciência – o trabalho de reflexão sobre os conhecimentos alcançados pelas diversas áreas científicas, questionando a validade de seus métodos, critérios e resultados. Nesse sentido, ela fornece uma importante contribuição para os estudos epistemológicos de cada ciência.

Ao mesmo tempo, por sua abordagem abrangen- te, a filosofia ainda representa, em certo sentido, a possibilidade de integração de todos esses saberes.

Você poderá ter uma boa ideia da abrangência dos estudos filosóficos consultando o esquema e o qua- dro sinótico situados no final desta unidade:

• História da fi losofi a – com mais de 2,5 mil anos

de existência, a fi losofi a ocidental também pos- sui uma história. Assim, o esquema mostra que ela costuma estar dividida e organizada em quatro grandes épocas, seguindo mais ou menos a perio- dização tradicional da história do mundo ocidental (antiga, medieval, moderna e contemporânea).

• Grandes áreas do fi losofar – o quadro apresenta,

resumidamente, os pontos de vista pelos quais a problematização da realidade costuma ser feita pelos fi lósofos, de maneira que cada um deles constitui uma grande área do fi losofar, com ob- jetos específi cos de investigação (metafísica ou ontologia, epistemologia, lógica, ética, estética, fi losofi a política e fi losofi a da linguagem).

Freud – Além da alma (1962, EUA, direção de John Huston)

Filme sobre o pai da psicanálise, Sigmund Freud, que abarca um período que vai do fi nal de seus estudos na universidade até a formulação da teoria sobre a sexualidade infantil, inter-relacionando vida pessoal e desco- bertas.

Jornada da alma (2003, França, direção de Roberto Faenza)

Jovem russa com diagnóstico de histeria recebe tratamento em um hospital psiquiátrico de Zurique, na Suíça, tendo por médico o jovem Carl Gustav Jung. Este aplica pela primeira vez o método da associação livre de pa- lavras, obtendo bons resultados.

Sociedade dos poetas mortos (1989, EUA, direção de Peter Weir)

Professor de literatura chega a uma escola tradicional estado-unidense com método inovador, entrando em confl ito com a orientação ortodoxa da instituição. Provocador e criativo, incentiva os alunos a sair da passivida- de e a refl etir sobre o que querem para suas vidas.

Uma mente brilhante (2001, EUA, direção de Ron Howard)

Gênio da matemática passa a ter alucinações, precisando usar da força de sua mente brilhante e lógica para distinguir entre a realidade e a fantasia. Filme baseado na vida de John Forbes Nash, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 1994.

(UFMG) Leia este trecho:

“Eu quero dizer que o mal [...] não tem profundidade, e que por esta mesma razão é tão terrivelmente difícil pensarmos sobre ele [...] O mal é um fenômeno superfi cial [...] Nós resistimos ao mal em não nos deixando ser levados pela superfície das coisas, em parando e começando a pensar, ou seja, em alcançando uma outra dimensão que não o horizonte de cada dia. Em outras palavras, quanto mais superfi cial alguém for,

mais provável será que ele ceda ao mal.” (ARENDT, H. Carta a Grafton, apud ASSY, B. Eichmann, Banalidade

do Mal e Pensamento em Hannah Arendt. In: JARDIM, E.; BIGNOTTO , N. (org.). Hannah Arendt, diálogos, refl exões,

memórias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. p. 145.)

A partir da leitura desse trecho, redija um texto, argumentando a favor de ou contra esta afi rmativa: “Para se prevenir o mal, é preciso refl exão”.

UNID

ADE

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No documento Fundamentos Da Filosofia (páginas 32-35)

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