Os mecanismos de participação política das sociedades democráticas – centrados basicamente nos partidos políticos e nas eleições diretas periódicas – nem sempre dão conta de equacionar o abismo existente entre a pluralidade de suas populações e as instituições de governo dos Estados. Por isso, há quase sempre parcelas da sociedade civil que se veem de alguma maneira marginalizadas e não conse- guem ter representação política – às vezes são mesmo proibidas de tê-la.
É por isso que nascem os movimentos sociais, com o propósito de vencer as distâncias que separam certos grupos de cidadãos das instituições do Estado. Portanto, o que legitima esses movimentos é, de modo geral, a luta por direitos.
Esses grupos que se sentem socialmente excluídos, discriminados ou mal representados politica- mente são comumente chamados de minorias sociais. Distintas parcelas da população – como pobres, negros, mulheres, indígenas, homossexuais, ambientalistas, religiosos, estrangeiros, crianças – podem constituir determinada minoria em função da condição desfavorável que ocupem em uma sociedade.
É bom ter em mente, portanto, que os interesses dos movimentos sociais são tão heterogêneos quan- to os interesses, as demandas e as necessidades dos membros das sociedades civis. Suas reivindicações podem envolver desde alterações específi cas na legislação até mudanças nos valores e atitudes vigentes de uma sociedade.
De modo semelhante, os méto- dos empregados pelos movimen- tos sociais são bem diversos, va- riando desde o recurso extremo ao enfrentamento físico até a ênfase no discurso, na persuasão e no pa- cifi smo. E um mesmo movimento pode mudar de estratégia de ação ao longo de sua história.
Marcha das Margaridas por ruas de Brasília, em 2011. Movimento social que congrega mulheres do campo e da floresta em busca de visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena. O que as levou a formar esse movimento?
BRUNO PERES/CB/D. A. PRES
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Ditadura
Dizemos que o regime é uma ditadura quando o povo é proibido de participar da vida política do país. Ditadura é uma palavra de origem latina, deri- vada de dictare, “ditar ordens”. Na antiga República roma- na, ditador era o magistrado que detinha temporariamente plenos poderes, eleito para en- frentar situações excepcio- nais, como os casos de guerra. Seu mandato era limitado a seis meses, embora houvesse possibilidade de renovação, dependendo da gravidade das circunstâncias.
Comparado com suas ori- gens históricas, o conceito de ditadura conservou apenas esse caráter de poder excep- cional, concentrado nas mãos do governante.
Atualmente, um Estado costuma ser conside- rado ditatorial quando apresenta as seguintes características:
• eliminação da participação popular nas de-
cisões políticas – o povo não tem nenhuma participação no processo de escolha dos ocu- pantes do poder político. Não existem eleições periódicas (ou, quando existem, costumam ser fraudulentas) e são proibidas as manifestações públicas de caráter político;
• concentração do poder político – o poder po-
lítico fi ca centralizado nas mãos de um único governante (ditadura pessoal) ou de um órgão colegiado de governo (ditadura colegiada). Ge- ralmente, o ditador é membro do Poder Exe- cutivo. Os poderes Legislativo e Judiciário são aniquilados ou bastante enfraquecidos;
• inexistência do Estado de direito – o poder
ditatorial é exercido sem limitação jurídica, com leis que só valem para a sociedade. O di- tador coloca-se acima das leis e, nessa con- dição, costuma desrespeitar todos os direitos fundamentais do cidadão, principalmente o direito de livre expressão e a liberdade de as- sociação política.
Além das características anteriores, os regi- mes ditatoriais sustentam-se mediante dois fato- res essenciais:
Policiais reprimem manifestação de estudantes em São Paulo (julho de 1968) durante a ditadura militar no Brasil (1964-1984). Por que o mundo universitário costuma ser tão controlado e reprimido nos regimes autoritários?
• fortalecimento dos órgãos de repressão – as
ditaduras montam um forte mecanismo de repressão policial destinado a perseguir brutal- mente todos os cidadãos considerados adver- sários do regime. Esses órgãos de repressão espalham pânico na sociedade e implantam um verdadeiro terrorismo de Estado, utilizando métodos de tortura e morte;
• controle dos meios de comunicação de mas-
sa – as ditaduras procuram controlar todos os meios de comunicação de massa, como pro- gramas de rádio e de televisão, espetáculos de teatro, fi lmes exibidos pelo cinema, jornais e revistas etc. Monta-se um departamento au- toritário de censura ofi cial destinado a proibir tudo que for considerado subversivo. Somente são aprovadas as mensagens públicas julgadas favoráveis ao governo ditatorial.
Esses instrumentos de controle e opressão foram utilizados em diversos regimes ditatoriais no século passado. Alguns exemplos são: as di- taduras implantadas por Adolf Hitler (Alemanha nazista), Josef Stálin (União Soviética), Fidel Castro (Cuba), Augusto Pinochet (Chile), Getúlio Vargas (Brasil) e Francisco Franco (Espanha), além de regimes militares como os que vigora- ram na Argentina e no Brasil a partir dos anos 1960 e 1970.
4. Analise e comente o conceito de Estado para Max
Weber.
5. Em que sentido podemos falar de uma contraposi-
ção entre sociedade civil e Estado?
6. Qual deve ser a função dos partidos políticos em
relação à sociedade civil? Em sua opinião, eles
cumprem essa função no Brasil? Pesquise e justi- fi que sua resposta.
7. Regime político é o modo característico pelo qual o
Estado se relaciona com a sociedade civil. Como se relacionam com a sociedade civil os regimes políticos democrático e ditatorial? Detalhe suas características.
2. Função do Estado
Em sua opinião, qual tem sido a função do Esta- do brasileiro historicamente e nos últimos anos: a de um simples mediador dos confl itos entre os diversos grupos sociais, como propõe o liberalis- mo político, ou prioritariamente a de defensor dos
interesses das classes dominantes, como denun- cia de modo geral o marxismo? Pesquise sobre o assunto e forme uma opinião, baseada em exem- plos (fatos históricos) e argumentos sólidos. De- pois debata o tema com a classe.