2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3 MATURIDADE DA INOVAÇÃO
2.3.2 Ciclo de vida da inovação e do conhecimento
A abordagem clássica dada ao ciclo de vida de inovação é introduzida por Abernathy e Utterback (1978) ao discutir os caminhos da inovação sobre o ciclo de vida de produto, segundo estratégias de desenvolvimento e a inovação propriamente dita.
O entendimento do ciclo de vida da inovação passa pela compreensão de estágios evolutivos que conduzem uma organização a criar sua vantagem competitiva, avaliando estratégias clássicas da inovação em três fases definidas. A primeira fase ou período inicial do
ciclo de vida é descrito pela flexibilidade da empresa em identificar suas fontes de vantagens competitivas. A segunda fase é descrita como período de transição em que os produtos são amplamente utilizados e a terceira fase de plena maturidade é assegurada pela liderança de alguns produtos ou tecnologias (ABERNATHY; UTTERBACK, 1978) representadas na Figura 5.
Figura 5 - O ciclo de vida da inovação
Fonte: Abernathy e Utterback (1978).
Embora Abernathy e Utterback (1978) descrevam a melhoria incremental propícia ao fortalecimento de economias de escala, os próprios autores defendem a visão de uma economia evolucionária e mais fluída, promovida pela redução de custos e a criação de produtos inovadores como um caminho para o desenvolvimento industrial.
Neste contexto, o papel do ciclo de vida da inovação está em orientar o desenvolvimento de potenciais inovações sob uma visão mais integrativa e holística que prescritiva, principalmente em ambientes turbulentos de negócio em que o cenário é dinâmico e imprevisível (HERRMANN; BERGMANN; THIEDE, 2007).
Em meio a incertezas, o próprio ciclo de vida da indústria é afetado por estratégias de inovação aberta, propondo meios para explorar as distâncias entre as fontes de conhecimento em sua fase
inicial, que viabilizam criar modularidade dos produtos em sua fase mais tardia (OZMAN, 2011).
Na visão do ciclo de vida da inovação em que a dinâmica mercadológica seleciona padrões dominantes de design, as empresas com desenvolvimentos de inovações tecnológicas, orientadas a este ambiente passam a empregar sinais estratégicos que influenciam os participantes na competição baseada na inovação (DAO, ZMUD, 2013). São estes sinais que influenciam os determinantes da inovação, baseados em dois conjuntos: a propensão para inovar relacionada à capacidade inovadora, medida pelo perfil inovador e, a propensão à inovação medida em termos de venda (TAVASSOLI, 2015).
Seja pelos determinantes da inovação ou pelo ambiente que a indústria é analisada, as pequenas empresas apresentam, em cada estágio do ciclo de vida organizacional, a necessidade de distintos tipos de conhecimento, envolvendo desde a demanda de conhecimentos especializados até os conhecimentos relacionados aos tipos de atividades utilizadas (ANDRIANI et al, 2015).
Sob a ótica do ciclo de vida Birkinshaw e Sheehan (2002) descrevem que uma parcela significativa de executivos reconhece a efetividade do conhecimento na organização tanto quanto os desafios associados ao desenvolvimento de habilidades relacionadas ao tema. A crítica remete aos modelos desenvolvidos e apresentados como soluções adaptáveis a qualquer situação e a qualquer perfil organizacional, gerando incompreensões e equívocos na sua aplicação (BIRKINSHAW; SHEEHAN, 2002).
De forma idêntica aos modelos de inovação, os modelos de gestão do conhecimento passam a ser confrontados com uma nova realidade que requer abordagem distinta aos modelos tradicionais, caracterizando estágios evolutivos de maturidade, descritos segundo o ciclo de vida em que se encontram. A proposta do ciclo de vida do conhecimento é apresentada com a lógica da curva de maturidade da inovação, incorporando estágios bem definidos como criação, mobilização, difusão e comoditização (BIRKINSHAW; SHEEHAN, 2002) como pode ser visto na Figura 6.
Figura 6 - O ciclo de vida do conhecimento
Fonte: Birkinshaw; Sheehan (2002).
É na fase de criação que o corpo de conhecimento é formado em torno de ideias geradas sem metodologias formais com prazo definido. A visão apresentada nesta fase inicial é descrita como um processo nebuloso, predominando a estratégia de avaliar a ideia para viabilidade comercial.
A fase seguinte de mobilização descreve o momento em que as ideias criadas são avaliadas e testadas continuamente, levando à extinção de algumas ideias e à ampliação de valor de outras ideias sobreviventes. Nesta fase os proponentes das ideias compartilham seus conhecimentos numa comunidade de confiança, provando que é robusta em termos de princípios e passa, então, a ser difundida.
A difusão da ideia possibilita que se fortaleçam os conhecimentos existentes que a tornam diferenciada, bem como, cria novos conhecimentos que passam a ser reconhecidos em determinados mercados. É neste estágio que o corpo de conhecimento materializado na ideia pode ser acessado e testado virtualmente por qualquer pessoa.
À medida que a ideia passa a ser difundida e se torna bem conhecida, passando a ser um conhecimento comum facilmente encontrado nos meios virtuais, escolas e publicamente utilizada, caracteriza-se a fase da comoditização. Nesta fase encontram-se inúmeras oportunidades de agregação de valor sobre a ideia inicial, levando à incorporação de novas tecnologias, pessoas e relacionamento externo, capazes de tornar o conhecimento comoditizado em uma nova fonte de vantagem competitiva (BIRKINSHAW; SHEEHAN, 2002).
Neste cenário de mudanças, os novos paradigmas para criação do conhecimento como estratégia organizacional de valor requerem novos modelos que compreendam o papel da gestão do conhecimento das
organizações. A lógica do ciclo de vida do conhecimento é introduzida como forma de criar estágios evolutivos de indivíduos, grupos e organizações para gerar vantagem competitiva estratégica por meio de estágios definidos de introdução, maturação, consolidação e declínio do conhecimento com posterior renovação (TORRES et al, 2014).
Assim a visão de uma nova gestão do conhecimento é introduzida quando associada ao ciclo de vida do conhecimento, permitindo avaliar os atuais quadros da gestão do conhecimento, segundo as diversas abordagens (DE BARROS CAMPOS, 2007).
Embora a visão do ciclo de vida do conhecimento esteja intrinsecamente associada ao próprio ciclo de vida da inovação, os modelos de maturidade da gestão do conhecimento ainda são normalmente utilizados nas organizações para implementar e evoluir a gestão do conhecimento como ferramenta, definindo níveis de maturidade em cada estágio do ciclo de vida, evoluindo o próprio modelo (YANG; YU, 2013).
Para os processos produtivos, a gestão do conhecimento baseada no seu ciclo de vida é observada na relação entre os estágios do ciclo de vida e as etapas da gestão do conhecimento. Dessa forma, a relação é evidenciada associando o estágio de aquisição à descoberta do conhecimento, o estágio de armazenamento à organização do conhecimento, e o estágio de aplicação ao compartilhamento do conhecimento, evolução e inovação (QIFENG, 2008).
Embora a eficácia da gestão do conhecimento seja reconhecida em várias empresas de fabricação é necessário intensificar o uso de ferramentas de gestão do conhecimento que atendam os desafios relacionados à prática de gestão da indústria de transformação. O ciclo de vida do conhecimento orienta a seleção dos tipos de ferramentas em todas as suas fases, desde a aquisição do conhecimento, seu compartilhamento até a utilização, tanto no processo produtivo quanto no desenvolvimento de novos produtos (KURNIAWAN, 2013).