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CIDADES ANGOLANAS E RELAÇÃO COM A COOPERAÇÃO

No documento tesedefesa doc2 (páginas 167-182)

Há mais de duas décadas que as cidades estão presentes nos dossiers das Organizações internacionais quer pela sua caracterização demográfica, quer pelos fluxos económicos, culturais e sociais que a elas afluem, e sobretudo por serem palco dos principais desafios da globalização. Estruturaram-se redes interdependentes e hierarquias entre cidades grandes, médias e pequenas. Com o aperfeiçoamento das tecnologias assegura-se a interação do intercâmbio do conhecimento para uma cooperação saudável na área da urbanização.

Numa análise sobre a cooperação em África no seu todo Bu Ytre (Milando, 2005), estabelece paradigmas sobre as balizas pré estabelecidas para o efeito, apelando ser fundamental que se compreenda as mutações que estão a ocorrer nas sociedades africanas. Abre algumas excepções, assegurando que para que a maioria possa ser constituída por países desenvolvidos é necessário que a elite do poder participe independentemente do seu contributo no processo de produção deste desenvolvimento. Sem refutar a opinião atrás citada necessitamos saber a priori o que este filósofo chama de desenvolvimento e desenvolvimento induzido, quando é evidente não só pelos documentos, filmes e constatações que a maior parte dos países subsarianos se debatem com o flagelo da escassez. Esta debilidade pode não atingir

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 168 os recursos minerais, que a maioria dos afectados tem, mas não dominam a tecnologia, o analfabetismo, disseminação de doenças básicas e endémicas que reduzem à vitalidade da população economicamente activa, o elevado número de mortalidade infantil, a falta de salubridade e os tantos inúmeros flagelos que o continente vive.

Afirmar que é incerto que a cooperação traga desenvolvimento como refere Bu Ytre no trabalho de Milando (2005), seria ser tendencioso e corroborar com outros estudiosos que elaboram drafts de causas negativas sobre as cidades africanas, omitindo o que de valioso há, não seria de todo um bom exercício académico, porquanto aceitamos que a produção científica desta temática em África ainda é complexa no conjunto de «complexos» existentes que impedem a criação de interface capazes de mobilizarem recursos externos para o desenvolvimento. É notório que as elites locais do poder criaram organizações e sistemas de desenvolvimento induzido através da estratégia de cooperação Sul-Sul para embelezar o insucesso do seu método complexado de actuar, da imputabilidade jurídica na má gestão encoberta nos vários interesses políticos e económicos.

Referir que a cooperação para a África a União Europeia, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional diferem na sua forma de investimento, insinuando que as quatro décadas de acções destas instituições financeiras internacionais se resumem num fracasso para os beneficiários (Milando, 2005, p. 29). Esta análise é utópica quando o próprio articulista não focaliza o campo de análise. Por todo o pressuposto apontado, é ainda mais incorreto retratar a África como o símbolo da pobreza, da miséria e calamidades. O continente negro passou a ser muito mais do que isso, porque sempre foi uma região de futuro, rica em matérias-primas, com vastos recursos naturais e uma população jovem.

A questão do desenvolvimento ou não depende do foco da análise, porquanto esta África que os académicos, investigadores retratam começou antes de aparecer a Universidade. A região que se quer dar a conhecer é a do pós conferência de Berlim, concomitantemente é necessário explanar que ela existe antes dos exploradores europeus irromperem-se pelo Sertão, antes da colonização. Milando (2005) sugere que o insucesso e o inconveniente na cooperação se deve aos elevados gastos em que se incorrem na fase de peritagem, nas concessões técnicas, nos mecanismos de mobilidade do pessoal afecto para materializar os projectos.

Ao juntar sinergias, Poder Político e Sociedade Civil - organizações não- governamentais, e actores internacionais, cria-se uma rede de desenvolvimento que Milando

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 169 (2005, p. 55) chama de Operadores de desenvolvimento, que operam os seus projectos utilizando na maior parte dos casos os “financiamentos da cooperação internacional”. Os operadores do desenvolvimento estão divididos em três grupos: os teóricos do desenvolvimento - neste grupo enquadram-se os cientistas, investigadores universitários que pela natureza do seu trabalho teorizam os processos de mudança social para os países cujos desenvolvimentos necessita da sua prestação, idealizam e estruturam abordagens transversais, estabelecem parâmetros de desenvolvimento multidisciplinar, geralmente são grupos constituídos por universitários que programam como enfoque principal da sua acção; o processo de crescimento económico e de mudança social, procurando enquadra-lo no slogan «pensar global e agir localmente» para a diversificação dos Estados-nação; efectuar estudos sobre as ligações existentes entre processos sociais dos subsistemas dependentes e os subsistemas dos grupos dominantes.

Os teóricos operacionais do desenvolvimento, formado por funcionários públicos, e outros pertencentes a agências nacionais e internacionais, participantes activos desta acção, preparam e executam as políticas e projectos de desenvolvimento. E os, operacionais ou práticos do desenvolvimento, aqui encontram-se os experts que trabalham para o impacto dos programas junto dos grupos sociais, parceiros do Estado, colaboram e realizam funções que interferem no desenvolvimento, numa acção de cooperação para propiciar e dar impulso ao bem-estar da sociedade. O acto de cooperação compreende o conjunto de acções de parceria quer pública como privada de uma nação com outra ou uma cidade com outra cidade, inclusive por grupos ou instituições que trabalham de forma convergente para o mesmo âmbito ou não.

Milando ao sugerir que o desenvolvimento pressupõe uma lógica de determinação de causalidades entre acções planeadas e os resultados esperados, e se nos focalizar-mos nesta ideia, verificamos que este autor vaticina a necessidade em adequar-se o tal desenvolvimento as sociedades africanas pela complexidade dos problemas e características próprias do continente. Se o desenvolvimento é feito pelo conjunto de “estruturas dissipativas” (Milando, 2005), que requerem a mobilização de recursos externos com essência “autopoiéticos”, seguramente para o caso de Luanda a cooperação trouxe desenvolvimento, uma vez que a

priori foram estabelecidas as necessidades, constituíram-se os grupos alvos e se vem

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 170 6.1. - Cidades e Cooperação Internacional

O crescimento de 7,2% das economias em desenvolvimento mostra como os problemas políticos internos de países outrora adormecidos pelas guerras, golpes de Estado e terrorismo já não conseguem imobilizar o mercado. As economias em desenvolvimento, sobretudo as asiáticas, passaram a produzir mais de 50% do output mundial. E é bom recordar que a emergência asiática é um regresso ao passado, até ao século XIX, a Índia e a China detinham as maiores economias mundiais.

Zacarias (2008, p. 26) adianta que o boom económico emergente já tinha acontecido na passagem do século nas décadas de 1890 e de 1900, tendo-se depois verificado um outro

boom no pós guerra, na década de 1950 e no início da década de 1960, onde embora tenha

havido uma turbulência política se registou um grande crescimento económico. A semelhança do pós-guerra no século XX, e a actualidade não reside apenas no boom económico mas sim no surgimento de novos países grandes a entrarem para a economia mundial transformando-a.

Grande parte dos países como o Brasil e Argentina conseguiram estancar a inflacção, adoptando uma disciplina monetária e fiscal. O crescimento global já faz parte da história do século XXI e, os aumentos de liquidez, as crescentes quantidades de dinheiro movem-se por todo o mundo onde o crédito é barato e os activos caros. Entretanto as novas tecnologias tornaram o mundo mais ligado entre si com a expansão das comunicações. O mundo tornou- se plano como refere Friedman (Zacarias, 2008, p.32). Em 1990 os capitais tornaram-se móveis. Hoje deparamo-nos com a mobilidade dos empregos uma vez que as grandes empresas industriais se deslocaram da Europa ocidental para o leste e para a Ásia. A gestão das empresas com a modernização das tecnologias já é feita a distância, o que permite que países como a Turquia e o Brasil considerados em desenvolvimento sejam hoje países bem geridos.

Os mercados emergentes como a China, Índia, Brasil, Rússia e México estão com uma produção superior à do G7 “grupo constituído pelos sete países que dominaram os assuntos globais durante séculos” (Zacarias, 2008 p.33). A China e a Índia são vistas como duas máquinas globais de deflação pelo baixo custo da sua mão-de-obra, tornam o preço final dos produtos - bens e serviços, mais baixos do que os preços praticados no ocidente.

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 171 O petróleo, que deu origem as últimas instabilidades político-militares, em que países como o Irão, no Médio Oriente, a Venezuela, na América Latina e, a Rússia, na Eurásia, assentavam as suas economias deixou de produzir os altos rendimentos de outrora.

Segundo a Goldman Sachs, verifica-se hoje uma alteração no equilíbrio de poderes, em meados deste século, apenas os EUA e o Japão continuarão a pertencer ao grupo das sete maiores economias, a Índia será a terceira maior economia do mundo, atrás dos EUA e da China.

A cooperação internacional em Angola teve o seu início em meados dos anos 70, num período conturbado da conjuntura internacional e, a correlação de forças quer externas como internas quase nada contribuíam para a afirmação da nova República surgida no âmbito da determinação política e económica no mundo.

Do conjunto de passos dados nos acordos de cooperação firmados com os diferentes países por razões de política internacional, num período em que dominavam as «Teorias da Globalização», voltadas para a livre circulação dos capitais financeiros e aperfeiçoamento dos meios de comunicação global graças ao desenvolvimento das tecnologias de informação. Os políticos apelam a prudência e á necessidade de austeridade das finanças públicas em pleno século XXI, enquanto vemos, em algumas zonas do globo, o poder político ser desafiado em praça pública por consequência da redução do espaço “Estado-nação” derivado de medidas incorretas na gestão dos sofisticados fluxos de serviços financeiros e económicos (Conde, 2009, p. 25). Os laços internacionais estreitaram-se e os mercados evoluíram com sistemas de produção e transações económicas mais flexíveis. A crescente interdependência da economia mundial e as políticas agora adoptadas nas questões do desenvolvimento e ajuda, focalizam-se no sentido do controlo e da transparência dos actos. Alinharam novos desafios para o bem- estar, económico e social dos cidadãos a nível de todo o mundo por onde a cooperação internacional tem incidência para a racionalização dos “Bens Públicos Globais.”

As ajudas ao desenvolvimento passaram a ser feitas tendo em conta os interesses nacionais e a geoestratégia, permitindo ter sob o controlo as situações anómalas, embora exista o temor que isto venha a aumentar a pobreza. Na perspectiva de criar medidas de segurança quanto aos efeitos contrários das acções e estimular a política de cooperação Conde (2009), propõe o seguinte: que as ajudas concedidas sejam priorizadas nos sectores da educação e infraestruturas básicas; os apoios a serem prestados sejam para além dos

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 172 objectivos do Milénio; apela a melhor coordenação na aplicação dos fundos e uma harmonização nos processos.

Em clima de paz a República de Angola iniciou um programa de reformas económicas e sociais para relançar a economia desenvolvendo a agricultura, a indústria, a construção civil, recuperação das estruturas rodoviárias, ferroviárias e portuárias e, outras áreas administrativas importantes na gestão dos fundos recebidos da cooperação internacional sino-angolana e o seu direccionamento. Foi criada a Associação Nacional do Investimento Privado seguido da elaboração da lei nº 17/03 sobre os incentivos fiscais ao Investimento Privado que dividiu o pais em três zonas de desenvolvimento A, B e C, que compreendiam o litoral, o interior médio e o interior profundo como o Huambo, Bié, Lundas e Moxico atribuindo como estimulo ao empreendedorismo nestas zonas a isenção do pagamento de imposto industrial em períodos de 8, 12 e 15 anos respectivamente, numa taxa normal de 35% (Conde, 2009, p. 76), com condições fiscais vantajosas diferentes umas das outras.

Foram revistos e acelerados os métodos de criação de empresas e negócios para massificar a actividade empresarial do país, tendo ainda encetado esforços na desminagem das áreas cultiváveis e outras para a mobilidade das pessoas e dos meios.

Perante a escassez de recursos financeiros, o governo intensificou a cooperação económica com os EUA, com base no petróleo e bens de consumo, com a Noruega na área da saúde, água e desminagem e com o Reino Unido onde a cooperação se constituiu também para a desminagem e no combate á pobreza. Inúmeros países como Portugal, Suécia, Espanha, França, Holanda e Suíça emprestaram o seu contributo na assistência ao desenvolvimento ao que Conde acrescenta a Índia e o Japão na área dos transportes ferroviários e portuários respectivamente (Conde, 2009, p. 76).

É de referir ainda, que de entre todos os programas para a recuperação económica, o mais importante foi o “Anel Estratégico de Transportes” que a partida dependeria do financiamento de doadores ocidentais, uma vez que fracassaram as negociações entre o FMI e o governo, surgiu então a hipótese do investimento chinês, sem imposição de condições políticas e sem questionar os assuntos internos de Angola. Simultaneamente o governo angolano continuava as suas negociações com outros financiadores através do Banco Mundial.

Nos programas de estabilização macro económica com o FMI, no desenvolvimento rural, no aperfeiçoamento dos serviços públicos, formação e adequação dos recursos humanos

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 173 e, recuperação das actividades agrícolas, alargamento da acção educacional, das pescas e na assistência hospitalar com o Banco Africano de Desenvolvimento. Outro parceiro interessante foi o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, para o cumprimento dos objectivos do Milénio esteve envolvido nas reformas, privatização, descentralização da Administração Pública e materialização do processo eleitoral (Conde 2009, p. 77), o PAM na reconstrução das pontes, com a União Europeia para além da reconstrução urgente envolveu- se na ajuda alimentar, na saúde, e na educação, tendo o programa de erradicação da pobreza, o desenvolvimento sustentável recebido financiamentos pelo Banco Sul- Africano de Desenvolvimento e do NEPAD.

Esta nova fase de cooperação entre o governo de Angola e os parceiros atrás referenciados abrangia o país de Cabinda ao Cunene tendo sido fraccionadas em “185 intervenções” a aplicação das verbas por duas fases, I e II (Conde 2009, p. 76-78). Entretanto, é de ressaltar a reabilitação do Caminho de Ferro de Benguela e do Porto do Lobito, sendo o primeiro que mais beneficiou com o empréstimo de dois milhões de dólares da cooperação chinesa financiado pela EximBank, numa visão política e económica para fazer frente “aos portos concorrentes da Costa Oriental” e entrar na competitividade internacional (Conde 2009, p. 2-13).

A importância económica dos transportes e das vias de comunicação para a rentabilização da economia e afirmação política dos países africanos é tida como um dos paradigmas para vencer a pobreza. Outros sectores como a saúde, a educação, a segurança interna, a agricultura e as infraestruturas dependem do investimento a fazer-se na simplificação da mobilidade e aproximação dos meios humanos ou materiais junto dos cidadãos. Por especificidades inerentes ao estatuto que adquiriram a cidade de Luanda e a cidade de Benguela, ambas se veem envolvidas com muita acutilância no processo de cooperação de desenvolvimento induzido, saltando a vista o grande número de força de trabalho expatriada na construção civil e na reabilitação das linhas férreas de Luanda, Benguela, Namibe, Huambo Bié e Moxico.

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 174 Ao apontar o perigo galopante do crescimento das áreas urbanas, nota-se que a população rural tende a reduzir nos países desenvolvidos num percentual de 16,5%, o crescimento das cidades provocado pela sua desuniformização, diferenças estatísticas, diferenças sociais e culturais muito acentuadas, tendem a criar um elitismo nos traços que separam uns e outros na tipologia de urbanização.

Especificamente em África, foco do nosso estudo, Seixas (2006, p. 4) tece um paralelo com a Ásia “Cidade e o mato” ou “Cidade e a montanha”, surgindo o elitismo na inserção dos grupos sociais de ethnoscape idênticas, convivendo em redes transnacionais de cidades globais.

A edificação das cidades angolanas enquadrara-se num âmbito plano de expansão do colonialismo e na estruturação do Portugal Insular em Angola, tal aconteceu também em outros locais de África sob domínio português. Da história pré-colonial de Angola, Vainfas e Souza (2011) adiantam mesmo que existe um mito envolvendo a descoberta por parte dos portugueses do antigo reino do Congo, por volta do ano de 1483, quando Diogo Cão chegou a Foz do rio Zaire e abordara o Mani Nsoyo - chefe da localidade. O navegador encontrara no novo território do Congo um reino forte e devidamente estruturado, que compreendia uma extensão enorme comprimida em parte da África Centro-Ocidental e tinha como províncias o Nsoyo, Mbata, Wandu e Nkusu. Com um chefe oriundo da nobreza local que se denominava Mani Congo. Era um território assolado por frequentes e intensas lutas pelo poder, onde se destacou um povo estrangeiro chefiados por Nimi a Lukeni que conseguiu subjugar as aldeias congolesas e impor a sua soberania através da força.

Neste território pré-colonial já existia uma divisão do espaço entre a cidade - Mbanza e a aldeia-Libata. Na Mbanza residiam os estrangeiros e membros da nobreza, eram governantes das províncias, gente da confiança do rei, ao contrário na Libata habitavam os nativos que se submetiam aos primeiros. A vida nas Libatas tinha um controle deficiente ou quase inexistente ao contrário da Mbanza onde se situava a estrutura de administração da produção que provinha dos trabalhos de cultivo da terra trabalhada pelos escravos. A história pré-colonial do continente demonstra como imperava o poder na região e a estruturação das sociedades africanas apresentava já fragilidades com um cunho discriminatório de linhagem.

As cidades diferenciavam-se das aldeias, possuíam para além da administração da produção, uma maior concentração da população, imperava aí um escravismo comercial ligado à produção agrícola. A capital política do Reino do Congo era Mbanza Congo e a Ilha

Rita António Neto - Ciência Política, Cidadania e Relações Internacionais | 175 de Luanda funcionava como o Banco emissor, onde eram recolhidas as conchas- nsimbu - que constituíam a unidade monetária. Das relações estabelecidas entre o Reino e a Coroa portuguesa, por volta do século XVI, surgiu um grande impulso da actividade comercial que aos poucos foi sendo controlada pelos portugueses que por ganância e desrespeito das regras estabelecidas com o rei congolês, violavam as regras do comércio e as rotas do comércio dos escravos, através de alianças com alguns membros da nobreza local.

A região do Ndongo, actual Angola, começou a atrair os comerciantes portugueses, com o propósito de desmantelar o monopólio do Rei do Congo no controlo do tráfico dos escravos. Expandiram o seu negócio de escravização das populações nativas através da guerra, impondo um controlo militar instalando os seus serviços administrativos. Apesar das relações diplomáticas entre o reino do Congo e a Coroa portuguesa se terem deteriorado a partir do reinado de Afonso I. Foi somente no século XVII, durante o reinado de Garcia Afonso II, 1641-1663, que Congo se viu obrigado a estabelecer uma aproximação com holandeses depois destes terem conquistado e tomado a cidade de Luanda. Curiosamente Vainfas e Souza (2011) elucidam que apesar das relações do rei de Portugal com o rei do Congo terem convergido numa hipocrisia sem precedentes onde os primeiros não respeitavam as regras de negócio e muito menos de convivência pacífica, o rei congolês deu concessões do território do Ndongo à Portugal.

A história colonial relata como o reino de Angola, antigo Ndongo, Benguela e outros territórios foram descobertos por Diogo Cão que, em 1491 iniciou a penetração dos portugueses pelo litoral (Menezes, 1848, p. 21). Em 1575 no tempo de El-Rei- D. Sebastião, chega a Ilha de Luanda uma armada de sete embarcações, com 700 homens entre os quais 350 militares, padres, mercadores e outros servidores, chefiadas por Paulo Dias de Novaes.

Em 1576 foi fundada a Vila de S. Paulo de Loanda e edificaram a igreja de São Sebastião, hoje transformada em museu central das forças armadas. Bap tizada em 1641 como

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