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Segundo Krogh, Ichijo e Nonaka (2000), a criação de conhecimento depende do ba, porque, sendo o conhecimento dinâmico relacional, e fundado na ação humana, ele é dependente do contexto e dos atores envolvidos. Na visão desses três autores, ao revisitar o modelo proposto anteriormente por Nonaka e Takeuchi (1997), a criação de conhecimento envolve cinco etapas, que serão detalhadas adiante: (i) compartilhamento de conhecimento tácito; (ii) criação de conceitos; (iii) justificação de conceitos; (iv) construção de protótipos; e (v) difusão interativa de conhecimento (KROGH; ICHIJO; NONAKA, 2000; NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

A primeira delas é o compartilhamento de conhecimento tácito – conhecimento que, conforme Nonaka e Takeuchi (1997), é a base para a criação de conhecimento em uma organização. Como não pode ser compartilhado de forma simples, já que é adquirido por meio da experiência e de difícil tradução em palavras, o compartilhamento entre pessoas com diferentes perspectivas é crítico para a construção de conhecimento, necessitando que “emoções sentimentos e modelos mentais dos indivíduos têm de ser compartilhados para permitir o desenvolvimento de confiança mútua” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 97).

A segunda etapa é a criação de conceitos, pela qual indivíduos desenvolvem ideias de forma cooperativa pelo diálogo. De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), a autonomia ajuda a repensar as premissas existentes e a intencionalidade serve como instrumento para concentrar o pensamento na direção desejada.

A terceira fase diz respeito à justificação de conceitos. Como conhecimento é abordado como crença verdadeira justificada (NONAKA; TAKEUCHI, 1997; KROGH; ICHIJO; NONAKA, 2000), novos conceitos precisam ser fundamentados, o que envolve um processo de filtragem e justificação, com o objetivo de verificar se a intenção da organização “continua intacta e ter certeza de que os conceitos que estão sendo gerados atendem às necessidades da sociedade” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.99). Isso porque, segundo esses autores, a alta gerência de empresas criadoras do conhecimento possui, entre suas principais atribuições, a de “formular os critérios de justificação de acordo com a intenção organizacional, que é expressa em termos de estratégia ou visão” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.99).

Na quarta etapa ocorre a construção de um arquétipo. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997) o novo conceito criado e previamente justificado passa por um processo de transformação para se tornar em algo tangível – um arquétipo, frequentemente um protótipo, quando se trata de produto, ou um modelo de mecanismo operacional, quando se trata de um serviço. Essa fase, explicam os autores, é semelhante à combinação, descrita anteriormente no tópico em que se tratou da espiral do conhecimento, já que opera por meio de conceitos justificados (explícitos) que são transformados em arquétipos (explícitos).

Por fim, a quinta etapa se refere à difusão interativa de conhecimento. Nessa fase o conceito criado, justificado e transformado em arquétipo, segue para um novo ciclo de criação de conhecimento, em espiral (FIGURA 2), que é denominado de difusão interativa do conhecimento, e pelo qual é disseminado dentro da organização ou entre organizações (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Figura 2 – As cinco fases de compartilhamento de conhecimento

CONDIÇŐES CAPACITADORAS Intençăo

Autonomia Flutuaçăo / Caos criativo

Redundância Variedade de Requisitos ConhecimentoTácito na organizaçao Conhecimento Explícito na organização

Socialização Externalização Combinação

Internalização

Mercado

Internalização pelos usuários Conhecimento Tácito De organizaçoes colaboradoras De usuários Conhecimento Explícito como anúncios, patentes, produto e/ou serviço

1 2 3 4 5 Empresa Parceira Membros do LIT Placa MMA Publicações Correlatas FASES 1- Montagem da Equipe Interaçao Externa 2- Criação do conceito: Placa MMA 3- Justificação: Otimização do espaço, custo e funções 4- Protótipo 5- Entrega do Produto Comparti- lhamento

Fonte: Strauhs (2003, p. 117), adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 97).

Importante apresentar o ponto de vista de Wilson (2002), pelo qual a gestão de conhecimento não pode ser encarada como um ideal utópico, sob o risco de ter fracos resultados. Esse autor critica a ideia de Nonaka e Takeuchi (1997), de que o conhecimento tácito pode ser apreendido. Para Wilson, aqueles dois autores entenderam mal Polanyi (1966), porque se o conhecimento é tácito não poderia ser expresso em palavras, de modo que, em síntese, o modelo de conversão de conhecimento não faria sentido, sendo apenas fruto de um modismo surgido em 2002 no âmbito das consultorias, que desapareceria com o tempo (WILSON, 2002).

Esse autor argumenta que o conhecimento tácito de Nonaka é, na verdade, conhecimento, e o conhecimento explícito, informação (WILSON, 2002). Isso porque, no entendimento de Wilson (2002) conhecimento envolve processos mentais de compreensão e aprendizado que somente ocorrem na mente e a expressão dele se faz por alguma forma de mensagem, que é constituída apenas de informação. E essa informação, para Wilson (2002) irá se tornar conhecimento na

mente do indivíduo que poderá assimilar a informação, compreendê-la e incorporar na própria estrutura de conhecimento.

Não se propugna, neste estudo, que seja o caso. Em primeiro ponto, a gestão de conhecimento é um campo que evoluiu ao longo dos anos, não parecendo ser um modismo do âmbito das consultorias. Uma rápida pesquisa bibliométrica realizada na Web of Science – apenas em áreas referentes à gestão, economia, e ciências sociais interdisciplinares – mostra que nos últimos cinco anos só com o termo gestão de conhecimento aparece o resultado de 10.699 artigos. Além disso, Alvarenga Neto e Choo (2011) asseveram que o interesse em gestão do conhecimento tem sido crescente nas últimas duas décadas.

De outro lado, Wilson (2002) tem uma concepção sobre conhecimento que diverge de Krogh, Ichjijo e Nonaka (2000) e que é a adotada neste trabalho. Nesta pesquisa, conhecimento é compreendido como crença verdadeira justificada, dependente da perspectiva individual e do contexto em que é construído (KROGH; ICHIJO; NONAKA, 2000). Diferentemente de Wilson (2000), conhecimento não é algo que dependa somente da mente conhecedora, pois, além da perspectiva individual, está vinculado ao contexto e à ação (KROGH; ICHIJO; NONAKA, 2000). E informação, neste estudo, é entendida como o contexto dos dados, que dão sustentação para o conhecimento. Na visão do pesquisador, a concepção de Wilson (2002) limita a compreensão sobre como o conhecimento pode ser construído, ao negligenciar o ambiente e a interação dos indivíduos para a sua criação.

No próximo tópico serão analisados cinco conjuntos de atividades que causam impacto positivo na criação de conhecimento, conforme proposto por Krogh, Ichijo e Nonaka (2000). Esse conjunto é denominado por esses três autores como capacitadores de conhecimento.