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Cotejando as trajetórias empreendidas pelos autores analisados nessa dissertação é possível observar semelhanças que vão além do momento no qual alcançaram a publicação de seus primeiros livros. Tais semelhanças são decisivas não apenas para justificar o corpus da análise empreendida, mas evidenciam um pequeno painel da vida literária brasileira nos primeiros anos da década de 2000, principalmente no que se refere ao surgimento de novos autores no campo literário contemporâneo. Além do mais, não são excluídas as distinções, quando houver, ao examinar os recursos e estratégias empregadas por Clara Averbuck e Santiago Nazarian tanto para as suas respectivas inserções na cena literária brasileira quanto para a construção de suas figuras autorais. Bem como, observar-se-á os resultados obtidos por eles a partir daqueles recursos e estratégias adotados.

À primeira vista, a busca por similitudes entre Clara Averbuck e Santiago Nazarian pode parecer incerta e duvidosa, uma vez que os escritores integram um momento da produção literária brasileira no qual a de ideia de grupo ou geração parece ter sido abolida e o senso de uma produção coletiva que compartilhe formas e temas já não é uma característica essencial vislumbrada no conjunto de produções literárias recentes. E, de modo geral, a dita “Geração 00” seria marcada pela multiplicidade temática e formal.58 Além disso, como observado por Schollhammer (2009), não é

possível observar nenhuma “ruptura mais significativa” (SCHOLLHAMMER, 2009, p. 147) entre os autores que despontaram na década de 1990 e aqueles que surgiram na década posterior, o que tornaria problemático o uso do termo geração, se entendido em seu sentido tradicional, alinhado à ideia de coletividade desde a modernidade literária. Consequentemente, o que se vislumbra nas produções literárias deste período bastante recente é a maior liberdade de criação como um traço comum de suas múltiplas produções, assim, “os autores da última década, ainda que se mostrem conscientes de suas preferências, aceitam melhor um certo ecletismo que cruza fronteiras, línguas e tradições literárias” (SCHOLLHAMMER, 2009, p. 147). Contudo, isso não impede que se

58 Além dos autores aqui analisados, integrariam o grupo dos “00” nomes como Daniel Galera, Joca Reiners

Terron, João Paulo Cuenca, Cecília Gianetti, Ana Paula Maia, Andréa del Fuego, Paulo Scott, Veronica Stigger, Michel Laub, Carola Saavedra e Paloma Vidal, entre outros.

identifique, como se faz nesse estudo, tendências em comum compartilhadas por aqueles que formariam esse grupo livre das imposições de uma geração ou movimento literário. A princípio, uma primeira distinção, que merece ser destacada, evidencia-se na produção literária dos autores. Nas obras analisadas de Averbuck constata-se a exploração da subjetividade feminina deste início de século XXI, já que Camila Chirivino, a narradora-protagonista dos romances Máquina de pinball e Vida de gato, é marcada pela a maioria das conquistas do movimento feminista ao longo do século XX. Em tom confessional, a narradora deixa entrever as angústias, os anseios, as conquistas, a força e a fragilidade de uma jovem mulher radicada em uma megalópole como São Paulo e consciente de que, como mulher, ainda tem muito espaço a conquistar; tendo ainda o desejo de se tornar uma escritora com livros publicados, como pano de fundo para as suas aventuras e enrascadas. Como já assinalado anteriormente, toda essa temática contém um forte viés autobiográfico, sendo possível reconhecer, nos romances anteriormente mencionados, dados e episódios autobiográficos, os quais a escritora tornou público tanto através de seu blog quanto em entrevistas ou aparições públicas. Formalmente, os capítulos curtos, narrados linearmente em primeira pessoa, fazem lembrar, principalmente em Máquina de Pinball, a escrita de diários íntimos; a linguagem coloquial e “suja”, contendo gírias e palavrões em voga naquele período, também tende a ser uma constante.

Já Nazarian busca dar conta de tramas mais complexas, com narrativas bem construídas, enredos e personagens bem elaborados. Ele explora os mecanismos da escrita ficcional e afasta-se do viés confessional. Como destacado anteriormente, chama atenção na prosa do autor a recorrência de temas e elementos da literatura fantástica, sendo um dos poucos responsáveis pela atualização do fantástico no cenário contemporâneo da literatura brasileira. Aliada a esta recorrência, também é evidente em suas narrativas a influência tanto do cinema quanto da literatura de horror, traduzida em episódios bizarros, nos quais suas personagens acabam se envolvendo. Entre os temas presentes em sua obra, a morte tem papel de destaque; envolta em uma série de acontecimentos inexplicáveis, ela permeia as primeiras narrativas de Nazarian através dos episódios de suicídio presentes em seus dois primeiros livros e do homicídio em Feriado de mim mesmo.

São também divergentes as estratégias utilizadas pelos autores para as suas respectivas inserções no campo literário contemporâneo. De um lado, Averbuck se torna

expoente do grupo de escritores que se utilizaram da internet para promover tanto as suas narrativas quanto a sua figura autoral. Como analisado no primeiro capítulo desse estudo, a intrínseca relação da autora com diferentes veículos on-line – como o e-zine, o site

Dexedrina e especialmente o blog Brazileira!Preta – alavancou a sua carreira e resultou

ainda na publicação de Das coisas esquecidas atrás da estante, a primeira coletânea de textos procedentes de um blog no formato livro da literatura brasileira. Na época, ela chegou a defender a ideia de que o blog era só mais um meio de publicação, o que, portanto, justificaria a transposição de suas postagens para uma antologia:

Coletânea de um bloooog?

Sim, amiguinhos, coletânea de um blog.

Existem livros de contos. De poesia. De crônicas. Por que não uma coletânea de textos publicados em um blog? Afinal, como eu estou cansada de dizer mas continuo repetindo porque nunca param de perguntar, blog é apenas um meio de publicação para o que quer que o autor, dono e soberano do blog, queira escrever. Receita de bolo, resenha de disco, resmungos malamados, [sic] histórias, realidades, mentiras. No caso do meu livro, só não tem receita de bolo. Um livro, uma coletânea de um blog, que é apenas um meio de publicação para que os escritores não precisem de intermediários entre ele e os leitores. Não existe literatura de blog, só blog como meio de publicação para escritores e seus textos. Que podem perfeitamente ser publicados também em livro. (AVERBUCK, 10 set. 2003, on-line).

Como já salientado, suas outras obras também mantinham uma importante ligação com os seus blogs. Assim, em seus dois primeiros romances, trechos e episódios relatados no blog foram incorporados às obras publicadas.59 Mais recentemente, em

Cidade Grande no escuro (2012), Averbuck repete a fórmula, reunindo nele textos

publicados em jornais, revista e principalmente na internet, em blogs mantidos após o encerramento de Brazileira!Preta, como o Adiós longe, escrito entre 2006 e 2009 e o

Clara Averbuck, mantido de 2009 a 2014.

Nazarian, por sua vez, valeu-se de um concurso literário para alcançar a sua primeira publicação. O autor foi um dos vencedores do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura em 2002, ao lado de Maria Filomena Bouissou Lepecki e Noêmia Sartori Ponzeto.60 Nessa primeira edição, os autores inéditos agraciados com o prêmio tinham o livro inscrito no concurso publicado pela editora Talento. Nos anos posteriores o prêmio passou a ser uma quantia em dinheiro, além de um troféu, concedidos a escritores já célebres, como Lya Luft e Ferreira Gullar, pelo reconhecimento de seu trabalho; em 2006,

59 Ver subitem 1.3. Do virtual ao literário – percursos e procedimentos de escrita.

60 Ao contrário de Nazarian que acabou se consolidando no cenário literário, as outras duas ganhadoras só

publicaram até o momento o livro contemplado pelo prêmio, sendo eles: Cunhatai - Um Romance da Guerra do Paraguai, de Lepecki, e Sonhos de Galinheiro, de Ponzeto.

o prêmio foi concedido a Ruth Rocha, sendo essa a última edição da categoria literatura.61 Segundo relato posterior de Nazarian, o seu livro de estreia, que fora escrito em três meses, já tinha sido concluído cerca de dois anos antes de sua inscrição no concurso literário.62

Vale ressaltar ainda que, naquele momento, os concursos literários voltados para novos escritores estavam em voga no cenário literário brasileiro. Tanto que um ano após a instituição do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura, ocorria a primeira edição do Prêmio Sesc de Literatura, um dos poucos ainda existente, e que acabou se consolidando como meio para a divulgação de autores inéditos; tendo, ao longo desses quinze anos, revelado nomes como André de Leones e Luisa Geisler.

Após a boa recepção de seu primeiro livro, Nazarian se tornou um escritor bastante atuante naqueles primeiros anos do novo milênio. A participação no projeto editorial Parati para mim, da editora Planeta, que buscava reunir talentosos e promissores escritores da nova geração, assim como a célere publicação de suas obras posteriores (em 2004 e 2005) por aquela editora sinalizam a predisposição do escritor em busca da afirmação de seu nome na cena literária do período. Nessa tentativa, ele ainda pôde se beneficiar das participações em eventos, palestras, feiras literárias e programas de TV.

Desde a sua estreia e principalmente nos primeiros anos de sua carreira, aqui analisados, foi possível notar que o escritor buscou construir uma figura autoral marcada pela polêmica e excentricidade, bem como, por uma pretensa distinção em relação a outros escritores da literatura brasileira recente. Para isso, ele se valeu da exploração de suas experiências biográficas inusitadas, da elaboração quase teatral que envolvia suas aparições públicas, assim como da divulgação de fotografias que registravam algum tipo de body art e compunham seus livros ou circulavam na internet.

A internet serviu ainda como um veículo para a atuação pública de Nazarian. O que aconteceu a partir da criação de seu blog Jardim Bizarro em 2004 e do uso das principais redes sociais em voga no país. Como destacado no segundo capítulo, ao se

61 O prêmio ainda possuiu edições em categorias como cultura, ensaio fotográfico, fotografia publicitária,

ciência e medicina.

62 Sobre o início da carreira, ele relatou em seu blog: “tenho 27 anos, 3 livros publicados e não passei pele

maratona de bater em porta de editora. Não me esqueço de quantos romances escrevi apenas por prazer (e depois os joguei fora). Não me esqueço que escrevi "A Morte Sem Nome", depois "Olívio", sem pretensões de publicar, e os deixei quietinhos na gaveta por dois anos, até experimentar me inscrever no Prêmio Fundação Conrado Wessel.” (NAZARIAN, 24 fev. 2005, on-line).

utilizar do blog como uma ferramenta que o aproximasse de seus leitores (ou leitores em potencial), Nazarian não se restringiu a divulgação de sua extimidade (prática bastante comum na era dos blogs e redes sociais), mas procurou fazer do blog um veículo no qual pudesse divulgar a sua opinião, problematizar questões em destaque no momento, indicar objetos culturais, divulgar a sua obra ou informar sobre o processo de escrita e publicação de novos livros.

Também foi possível constatar a adesão do autor, desde o início da sua carreira, a atividades profissionais ligadas à literatura. Desse modo, além da publicação de seus textos, Nazarian tem exercido a função de tradutor e resenhista, ocupações as quais se dedica ainda hoje.

Destarte, pode-se assinalar como a internet acabou sendo utilizada de maneiras distintas por esses escritores. No caso de Averbuck, a internet foi utilizada como vitrine de sua persona e de seus textos, o que possibilitou a publicação de seu primeiro livro por uma editora. Além disso, foi possível notar, nos diferentes blogs que ela escreveu entre 2001 e 2014, a recorrência com a qual a escritora divulgou a sua extimidade em textos bastantes passionais e que abordavam suas vivências cotidianas e emoções dispares. Enquanto Nazarian só passou a utilizar o blog após a sua estreia na literatura, como uma ferramenta que o aproximasse de seu público-leitor. Além disso, o uso do blog do autor se mostra como algo pensando e planejado a fim de atingir o seu objetivo. Dessa forma, na sua página virtual é possível saber mais sobre o universo (bastante particular) de referências que o cercam, conhecer suas opiniões, acompanhar a sua carreira e até mesmo as suas viagens e experiências inusitadas. Porém, o leitor-internauta pouco teve acesso, ao longo dos últimos quatorze anos, às experiências diárias vividas por ele, nota- se que há uma esfera íntima que não foi exposta abruptamente, pois no seu caso o blog aproxima-se mais da crônica do que do diário.

Quanto à construção de suas figuras autorais foi possível notar que Clara Averbuck e Santiago Nazarian utilizaram-se, de maneiras distintas, de toda exposição que cerca os escritores contemporâneos; a princípio obtiveram resultados semelhantes, a saber, despertaram o interesse não só por suas figuras, mas também por suas obras, conquistaram leituras para essas e ainda se tornaram escritores com destaque nacional na primeira década desse século. Contudo, as maneiras diversas como os escritores se valeram da autoexposição no início de suas carreiras influenciaram também nas posições

que atualmente, quinze anos após as suas respectivas estreias, eles ocupam no cenário literário brasileiro.

Como visto no primeiro capítulo, a construção da figura autoral de Averbuck é indissociável de sua atuação nos ambientes virtuais. A partir disso, a exploração e divulgação da extimidade da escritora contribuiu não apenas para alavancar a sua carreira, como também a aproximou de seu público-leitor, provocando nesse último a falsa ideia de que tudo o que era divulgado nos seus blogs pudesse corresponder à realidade vivida por ela. Esse descompasso entre o que os leitores-internautas buscavam ao acessar a página virtual da escritora e o que ela pretendia expor naquele veículo, ou até mesmo em seus textos literários, parece percorrer a carreira de Averbuck desde antes do lançamento de seu primeiro livro. Desse modo, em um texto que focaliza justamente os problemas que os leitores do blog lhe trouxeram, Averbuck afirma:

Parece também difícil para alguns leitores separar o autor do personagem que ele automaticamente se torna quando expõe parte de sua vida. O leitor de blog tende a achar que sabe tudo sobre o autor e que tem o direito de responder com a mesma intimidade que sente quando lê. Sempre achei curiosas as reações exacerbadas de amor, ódio ou repulsa que ouvia sobre o brazileira!preta. Afinal, era uma página que precisava ser acessada por livre e espontânea vontade, um espaço público, mas meu, o que é diferente de abrir uma revista ou jornal e encontrar algo que não seja do seu gosto. (AVERBUCK, 2008).

O sucesso do blog Brazileira!Preta alimentou tanto o destaque obtido pela então jovem escritora quanto a confusão entre ficção e realidade por parte de seus leitores. Acresce-se, ainda, a sobreposição entre gêneros ficcionais e não-ficcionais, borrando as suas fronteiras e permitindo que se insira seus primeiros romances no domínio da autoficção. Sobre a indistinção dos limites entre ficção e realidade, Averbuck chegou a afirmar em entrevista a Ramon Mello:

Sou eu. [...] Sou eu e é uma ficção. A partir do momento que está escrito não interessa se é verdade ou não. As pessoas se preocupam muito com isso. Aconteceu ou não? As pessoas sabem o que eu deixo elas saberem. Eu só quero escrever e que não me incomodem muito. Elas deviam ler e não se importar tanto. (AVERBUCK, s.d., on-line)

A sua resposta, além de confirmar o que a escritora defendeu diversas vezes, a saber, que a sua vida é matéria-prima para as suas obras e que, no entanto, a partir do momento em que foi escrito se transformaria em ficção, não cabendo ao leitor o papel de duvidar ou questionar se foi inventado ou não, serve ainda para reforçar a evidente tentativa de controle sobre a recepção de sua obra. Isso revela um apego à tradicional autoridade do autor, como se ainda coubesse à escritora determinar ou orientar a maneira

como o seu público-leitor deveria ler e interpretar o seu texto, o que, no entanto, não se mostra de todo possível, uma vez que tal autoridade, como se sabe, foi bastante problematizada e desconstruída desde as teorias sobre a morte do autor.

Fato é que todos esses recursos contribuíram para a construção de uma figura autoral polêmica, sempre eloquente e disposta a escrever ou falar sobre tudo, inclusive sobre questões pessoais e a princípio íntimas, mas que a escritora não se preocupou em manter na esfera privada, como as dificuldades enfrentadas nos seus primeiros anos em São Paulo ou as suas paixões e envolvimentos afetivos. Muito em virtude disso a sua produção literária, marcada por traços autobiográficos e confessionais, foi relacionada ao “umbiguismo” contemporâneo de só falar de si mesma, ocupando assim um lugar ainda à margem, se comparada a outras produções literárias melhor aceitas pelo crivo literário. Tanto que, ainda hoje, a escritora não chegou a ser publicada por uma grande editora e nenhuma de suas obras foi lançada no exterior, além disso, elas ficaram durantes alguns anos fora do mercado brasileiro, até serem relançadas pela 7Letras em 2012. Assim sendo, a sua obra enfrenta a falta de reconhecimento da crítica, que se não questiona o seu status de literatura “séria”, ignora as suas produções literárias, o que fica evidente pelo escasso número de teses, ensaios e artigos sobre ela, até mesmo em coletâneas que têm como recorte a literatura brasileira contemporânea.63

Olhando para a história literária recente, é possível destacar que Averbuck se construiu a partir da atualização de figuras autorais comuns à geração beat e à poesia marginal da década de 1970. Do movimento norte-americano, Averbuck herdou o estilo visceral, a criatividade espontânea e a exploração de uma linguagem informal; e, assim como os poetas brasileiros, ela sempre demonstrou estar disposta a escrever e “compartilhar” os seus textos a partir dos recursos que tinha em mãos. No entanto, ao fazer isso na era da internet, deparou-se com uma exposição avassaladora de sua persona e grande interesse em torno de sua figura.

Por sua vez, Nazarian, como visto no segundo capítulo, também soube explorar experiências que contradizem as expectativas que o público-leitor brasileiro costuma ter da imagem do escritor. Ele construiu visualmente a imagem de enfant terrible da literatura brasileira, a partir da divulgação de sua persona: um jovem escritor de

63 Entre os volumes sobre a literatura contemporânea consultados, a autora não tem nenhum de seus livros

analisados, sendo apenas mencionada em poucos parágrafos das introduções feitas por Resende (2008) e Schollhammer (2009).

aparência juvenil, normalmente trajado seguindo a estética gótica, que revestia cada uma de suas aparições tanto em fotos quanto ao vivo com ares de encenação teatral. O que contribuiu para a construção da figura autoral marcada pela excentricidade. Os temas abordados pelo autor em seus livros – a morte, o suicídio, a solidão –, assim como a evidente filiação a uma estética do terror e do suspense, aliados a elementos do gênero fantástico, também subsidiaram uma certa distinção de Nazarian no cenário literário brasileiro recente.

Outro instrumento que serviu não só para a construção das figuras autorais desses dois escritores, assim como de muitos outros, foram as diversas entrevistas concedidas por ele, em jornais, revistas, sites ou programas de televisão, que se converteram em importantes espaços para que os autores performassem suas figuras autorais. Atuando a partir de uma concepção mercadológica, que visava promover o interesse pelos seus livros por meio da divulgação de suas personas, Averbuck e Nazarian acabaram se transformando em figuras extremamente midiáticas,64 sempre envoltas em polêmicas e com opiniões contundentes a serem dadas. Assim, não foi à toa o interesse e a curiosidade despertados por suas figuras autorais, o que poderia conduzir posteriormente ao interesse por suas obras.

Segundo Arfuch (2010), as transformações midiáticas e tecnológicas estenderam as funções e características dos gêneros biográficos canônicos para novos gêneros, como as entrevistas, que passaram a integrar o “espaço biográfico/tecnológico contemporâneo” (ARFUCH, 2010, p. 169, grifo da autora). Se a princípio as entrevistas serviam para o conhecimento de pessoas e personalidades ilustres e suas histórias de vida, recentemente elas se desenvolvem segundo o “efeito de celebridade”, transformando-se