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5. CRENÇAS DOCENTES QUANTO À PROMOÇÃO E A PREVENÇÃO EM

5.3 Eixo 3: Crenças de prevenção pelo cuidado

5.3.1 Classe verde: O cuidado, a família e o adoecimento

Esta classe, diretamente relacionada à classe lilás que será discutida ao final deste capítulo, retratou as crenças relacionadas ao cuidado à criança e sua influência na saúde. Aqui os professores enfatizaram a questão do cuidado tanto na prevenção em saúde, quanto nas situações de adoecimento já instalado e sua abordagem adequada tanto na escola quanto no domicílio.

Estas crenças estão embasadas numa visão biológica do processo-saúde doença, o que foi evidenciado aqui pela preocupação dos professores com os hábitos de higiene entre as crianças, trabalhando também a conscientização das crianças quanto à prevenção.

P.14: “não só a higiene corporal a higiene pessoal, mas também e a higiene todo o cuidados primeiros socorros também né que a gente trabalha com eles ensinando pra eles que eles não podem estar pegando próximo de do fogão no caso né”.

5 O cuidado e a prevenção em saúde na

creche

3 O cuidado, a família e o adoecimento EIXO 3 Crenças

de prevenção pelo cuidado CRENÇAS DOCENTES SOBRE

PROMOÇÃO E PREVENÇÃO EM SAÚDE

P.15: “mas isso nos lutamos porque todas as crianças pegam e enfiam na boca e eles tinham isso e eu gosto de bater na tecla de não levar a mão suja na boca e eu sempre converso”.

P.17: “tomar banho adequadamente e o professor na rotina dele vai ensinando a criança a fazer a troca de roupa ter sua própria independência de fazer a troca de roupa ter o cuidado com a escovação dos dentes”.

P.38: “e a gente também começar a entender de que a criança apesar de ser criança ela consegue entender todo esse universo de cuidar; É claro que tem algumas coisas que ela não entende complexamente, mas se trabalhado desde cedo ela consegue aprender isso desde cedo”.

Esta visão estritamente biológica foi observada nas crenças dos (as) profissionais da educação de vários estudos revisados nesta pesquisa, sendo raramente atribuído ao modo como o cuidado é ofertado, prevalecendo à relação da saúde com hábitos de higiene física, o repasse de informações sobre esse assunto ou a crença da ação curativa, como a de maior relevância (CARDOSO, REIS &

IERVOLINO, 2008; LONGO-SILVA & TADDEI, 2013; MARANHÃO, 2000;

MENDONÇA & LEMOS, 2011; VIEIRA et al., 2009).

Porém, na visão dos professores deste estudo, a implantação destes hábitos de higiene minimiza o adoecimento no âmbito da creche, mas não evita de fato que este ocorra. Neste sentido, pais e professores precisam lidar com este adoecimento.

Nos trechos a seguir foi possível observar aspectos como a relação da escola com os pais quando se trata da saúde das crianças, onde os professores enfatizaram ações de conscientização e sensibilização dos pais quanto à prestação de cuidados às crianças em casa.

P.04: quando o aluno adoece a gente geralmente ou afasta ele da escola pede pros pais não trazerem ele naquele período né só retornar quando a criança tiver boa né

P.07: “a gente teria que ter principalmente apoio dos pais que infelizmente às vezes a gente tem paizinho que não compreende às vezes a criança esta doente, mas acaba trazendo mesmo estando doente e isso acaba transmitindo pra outras crianças não e".

P.10: “esse ano a gente teve um uma infestação que a gente teve ate que paralisar por alguns dias poder a mãe cuidar em casa então tudo isso a gente também conversa né”.

P.18: “eu acho que e umas das coisas que a gente precisa, por exemplo,

tem criança que esta resfriadinha,

a gente percebe na sala né começa espirrar e tal, a gente ate fala para os pais: olha pai, hoje ele espirrou muito ele estava com uma tosse assim, então essas coisas a gente geralmente diz para o pai para já dar um encaminhamento”.

Na visão destes professores, este cuidado no domicílio protege não só a criança doente, mas também as outras crianças da classe, que estariam expostas à transmissão dos agentes patógenos, reforçando a visão biologista do adoecimento.

Neste enfoque, muitos professores relataram trabalhar de forma a evitar o adoecimento, buscando ministrar um cuidado de qualidade às crianças de suas turmas. Segundo Maranhão (2010) As crianças aprendem a cuidar de si ao serem cuidadas. Neste enfoque, observou-se nos discursos que este cuidado é realizado pelos professores, já inserindo as crianças no ato de cuidar, num estímulo ao auto cuidado e independência.

P.07: “no caso da minha turma berçário a gente em questão a saúde a gente trabalha muito com eles e o cuidado com a roupinha deles o cuidado com o dentinho”.

P.11: “cuidar e uma forma [...] os lençóis eu comprei no início do ano mesmo com meu dinheiro [...] todo final de semana eu levo eu fervo eu jogo agua sanitária pra não contaminar né, [...] então isso olha um referencial da minha turma, que eles não têm quase micose entendeu?”.

P.23: “Nos temos aqui o acompanhamento com as crianças porque eles passam o dia inteiro aqui e aí às vezes não da tempo né, de ir no medico e aí a gente tem também uma parceria com o posto de saúde e sempre eles vêm aqui né dar vacina”.

P.43: “você tem que cuidar dele mesmo você tem que dar o banho você tem que prestar atenção nas calcinhas na roupa que vem suja [...]”.

Didonet (2001) relatou nas considerações de seu estudo que a creche deve objetivar-se em práticas de cuidado, devendo ter uma prática integradora requerida pelas funções do cuidar e do educar.

Porém, para os professores suas ações de cuidado são prejudicadas pela falta de cuidado dos pais em casa. Alguns professores até atribuem esta responsabilidade aos pais, afirmando que eles não costumam cumprir seu papel na promoção da saúde das suas crianças.

P.04: “a gente só aconselha trabalha com os pais; eles é que têm que fazer essa higiene em casa”.

P.10: “um dos fatores para ela ter uma boa saúde eu acho que os pais deveriam ter o máximo de cuidado principalmente com as crianças muito pequenas”.

P.05: “fatores externos, acho que e o cuidado que às vezes os pais não têm com as crianças né não tem esse cuidado diário falta de cuidado”.

Aqui surgiram também crenças relacionadas a cuidados específicos onde os pais também são atores coadjuvantes no processo, como por exemplo, os cuidados com a questão da higiene ou da alimentação.

P.09: “às vezes você observa que o pai e a mãe não têm cuidado com a alimentação da criança”.

P.10: “até porque a criança vem com roupa suja às vezes vem sem escovar- os dentes aí tudo a gente tenta dialogar com os pais”.

P.11: “eu cuido eu lavo aquela roupa pra eu poder chamar já conversar com o pai e depois de canto então eu já tenho aquela olha hoje eu precisei lavar a roupa dele porque ela veio tão suja e ele veio sem tomar banho então eu queria que você fizesse isso”.

Segundo os professores, muitos hábitos incorretos nestes aspectos específicos acabam sendo a causa principal deste adoecimento.

P.12: aqui no início do ano a gente tem assim muita dificuldade porque os pais querem trazer aquele chocolate, então a família às vezes ela e ate um fator assim, de barreira pra gente melhor ser trabalhada a prevenção.

P.18: "falta de cuidado influencia na saúde a falta de higiene causa isso também acredito que seja a responsabilidade que eu tenho enquanto pai e mãe ou responsável".

Porém este discurso não foi consenso, uma vez que alguns professores demonstraram compreender a impossibilidade dos pais de cuidar, principalmente por questões socioeconômicas e sociais que dificultam este processo.

P.19: “se a gente for pensar que tem mãe que trabalha o dia todo e que deixa seu filho com um filho menor que não tem a responsabilidade aquele cuidado de esta com aquela criança e uma coisa que um fator que realmente contribui para que a criança não tenha saúde, ou deixa na casa de vizinhos [...] não que eles não queiram (cuidar), mas que eles não podem, não conseguem”.

No item a seguir será discutida a última classe, relacionada a esta, e que revelou a importância para os professores dos cuidados direcionados às crianças no âmbito das UMEIs, sendo assim denominada como O cuidado e a prevenção em saúde na creche.