2.5 RESÍDUOS SÓLIDOS
2.5.4 Classificação dos resíduos sólidos
Um aspecto importante dos SLR é a classificação dos resíduos que tem implicações diretas na definição de ações de prevenção e controle dos impactos à saúde de população e ao meio ambiente.
Conforme SCHALCH (2002), BIDONE e POVINELLI (1999), CASTRO NETO e GUIMARÃES (2000), MARTINS (2004) pode-se classificar os resíduos sólidos, quanto à fonte geradora, em três categorias:
1. Resíduos urbanos
2. Resíduos sólidos industriais 3. Resíduos especiais.
Os RSU podem ser classificados como de residências (domiciliar ou doméstico), de serviços de saúde, de construção civil, de poda e capina, de portos, de aeroportos, de terminais rodoviários e ferroviários, de serviços e de varrição, conforme descrição:
a. Resíduo residencial (doméstico ou domiciliar): Constituído principalmente por
restos de alimentos, papéis, papelão, vidros, metais ferrosos e não ferrosos, plásticos, madeira, trapos, couros, entre outras substâncias.
b. Resíduo de serviços de saúde (RSS): Proveniente de hospitais, clínicas médicas e
veterinárias, laboratórios de análises clínicas, farmácias, centros de saúde, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos afins, que exige atenção especial, quanto ao correto acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final, devido ao potencial risco à saúde pública.
c. Resíduo da construção civil ou resíduos de construção e demolição (RCD): São
rejeitos provenientes de construções, reformas, demolições de obras de construção civil, restos de obras e os da preparação e da escavação de terrenos e outros.
d. Poda e capina: são produzidos esporadicamente e em quantidade variada. Como
exemplos têm-se a folhagem de limpeza de jardins, os restos de poda, dentre outros; e. Resíduo de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários: Constituem
os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos nos materiais de higiene e de uso pessoal.
f. Resíduo de serviço comercial: abrange os resíduos resultantes dos diversos
estabelecimentos comerciais, tais como escritórios, lojas, hotéis, restaurantes, supermercados, quitandas, dentre outros.
g. Resíduo de varrição e feiras: abrangem os resíduos advindos da limpeza pública
urbana, ou seja, são resultantes da varrição regular de ruas, da limpeza e a conservação de galerias, limpeza de feiras, dos córregos, das praias e feiras, dentre outros.
h. Resíduos sólidos industriais (RSI): Provenientes da manufatura em diversos
segmentos industriais como o lixo atômico que emitem radiações acima dos limites permitidos e de competência exclusiva da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e os resíduos agrícolas como defensivos agrícolas, ração e esterco animal. i. Resíduos especiais: Provenientes da manufatura que são descartados após o seu
consumo ou fim da vida útil, que podemos citar pilhas e baterias, pneus e lâmpadas.
O diagrama de RS (Figura 17) foi adaptado em função da PNRS/2010, onde foi inserido na coluna de resíduos especiais, os EEE
Figura 17 - Classificação dos RS de acordo com a fonte geradora Fonte: Adaptado pelo autor, Cabral (2007)
Em relação à classificação de resíduos potencialmente perigosos ao meio ambiente e à saúde humana, a NBR 10.004/04 é amplamente utilizada e tem por definição:
Resíduos sólidos são resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição, lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.
A NBR n° 10.004 especifica a classificação dos resíduos como:
Classe I ou Perigosos: possuem inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade;
Classe IIB ou não inerte: possuem constituintes que são solubilizados em concentrações (mg/L) superiores ao representado na Tabela 5 que tem como propriedades a biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água e permitem a classificação de “contaminação” de uma determinada área ou material
Classe IIB ou inerte: possuem constituintes que não são solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, executando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.
A Tabela 5 destaca o limite máximo de solubilização (mg/L) de substâncias como cádmio e mercúrio presente nas lâmpadas compactas utilizadas em residências e que possuem elevado potencial tóxico.
Tabela 5 - Padrões para ensaio de solubilização
Parâmetro Limite Máximo Permitido (mg/L)
Mercúrio 0,001 Cádmio 0,005 Arsênio 0,01 Chumbo 0,01 Selênio 0,01 Cromo 0,05 Prata 0,05 Cianeto 0,07 Alumínio 0,2 Bário 0,7 Fluoreto 1,5 Cobre 2,0
Fonte: Adaptado pelo autor, Ministério do Meio Ambiente (2018)
De modo geral, a composição do custo das operações logísticas é sensível à classificação de risco. A NBR n° 13.221/2002 é a principal norma que estabelece os requisitos para o transporte terrestre de resíduos no país, incluindo materiais que possam ser reaproveitados, reciclados e/ou reprocessados e resíduos perigosos (segundo a definição da Convenção de Basiléia).
Além de verificar os aspectos mencionados nas leis e normas apresentadas, o responsável pelo transporte de ainda deve providenciar o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR).
A classificação de produtos perigosos segundo de acordo com as recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos das Nações Unidas (ONU, 2011):
Classe 1 – Explosivos
Classe 2 – Gases
Classe 3 – Líquidos inflamáveis
Classe 4 – Sólidos inflamáveis; substâncias sujeitas a combustão espontânea;
substâncias que, em contato com água, emitem gases inflamáveis
a) Subclasse 4.1 – Sólidos inflamáveis; substâncias auto reagentes e explosivos sólidos insensibilizados;
b) Subclasse 4.2 – substâncias sujeitas a combustão espontânea;
c) Subclasse 4.3 – substâncias que emitem gases inflamáveis quando em contato com água.
Classe 5 – Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos
a) Subclasse 5.1 – Substâncias oxidantes; b) Subclasse 5.2 – Peróxidos orgânicos.
Classe 6 – Substâncias tóxicas e substâncias infectantes
a) Subclasse 6.1 – Substâncias tóxicas; b) Subclasse 6.2 – Substâncias infectantes. Classe 7 – Materiais radioativos
Classe 8 – Corrosivos
Classe 9 – Substâncias perigosas diversas, inclusive substâncias ambientalmente
perigosas.
Quanto as embalagens, as substâncias das classes 3, 4, 8, 9 e as subdivisões 5.1 (substâncias oxidantes), 6.1 (substâncias tóxicas) são agrupadas nas seguintes categorias, de acordo com o grau de perigo que apresentam:
Grupo de embalagem I – alto risco;
Grupo de embalagem II – risco médio; e