2.5 RESÍDUOS SÓLIDOS
2.5.5 Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos
São considerados EEE aqueles que dependem de corrente elétrica (i) em Ampere, onde (i) = (V) / (R), em que (V) é diferença de potencial elétrico em unidade Volts e R é a resistência em unidade Ohm. De acordo com a Diretiva 2002/95/CE, Parlamento Europeu no artigo 3º, os Equipamentos Eletroeletrônicos, podem ser definidos como:
Os equipamentos cujo funcionamento depende de correntes elétricas ou campos eletromagnéticos, bem como os equipamentos para geração, transferência e medição dessas correntes destinados à utilização com uma tensão nominal não superior a 1.000 V para corrente alternada e 1.500 V para corrente contínua. (Parlamento Europeu, 2003)
A gestão de RS assume prioridades sequenciais como: não gerar resíduo, reduzir sua quantidade, reutilizar, reciclar assim como o de realizar seu tratamento e por fim realizar a disposição final ambiental correta. É estimado que cerca de 1,3 bilhão de toneladas de RS são coletados em todo o mundo, uma quantidade que deverá aumentar para 2,2 bilhões de toneladas até 2025 (PNUMA, 2013). (Figura 18, Figura19 e Figura 20).
Figura 18. Celulares sem bateria Fonte: Reciclo Inteligência Ambiental
Figura 19. Processadores Sintéticos/Cerâmicos Fonte: Reciclo Inteligência Ambiental
Figura 20. Yokes: Conjunto que forma o CRT Fonte: Reciclo Inteligência Ambiental
A gestão de REEE constitui internacionalmente uma área de grande interesse científico e político. Tanto o valor econômico dos materiais que estão contidos em tais REEE assim como a toxicidade de alguns desses materiais, reforçam a necessidade de uma boa gestão ambiental dos REEE. (NICOLAS MOUSSIOPOULOS, 2010).
Em meio à enorme quantidade de resíduos sólidos gerados, um tipo específico merece um foco especial pela sua característica de periculosidade ao meio ambiente que são os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos, também denominados Resíduos Eletroeletrônicos (REEE), do inglês Waste Electronic and Electrical Equipment (WEEE), ou resíduos tecnológicos (RT), ou E-resíduos ou popularmente lixo eletrônico.
Os avanços tecnológicos, com o surgimento constante de produtos cada vez mais sofisticados, geram uma demanda cada vez maior por acessórios, periféricos e componentes. Sendo assim, a obsolescência programada com uma vida útil mais curta leva o consumidor a descartar seus EEE em tempo cada vez menor, resultando na produção de REEE cada vez mais acelerada.
O site Step Initiative2 apresenta o Mapa-múndi onde o usuário pode clicar no país desejado e consultar a estimativa de geração de REEE nesse país. (Huisman, 2008). No presente trabalho, selecionou-se alguns países para extração de dados de geração de REEE em kg/hab./ano.
A indústria de Equipamento Eletroeletrônicos (EEE) ampliou sua produção devido às mudanças tecnológicas, aumento do poder aquisitivo da população e da menor vida útil de aparelhos (taxa de obsolescência alta).
De acordo com o relatório “The Global E-Waste Monitor (2017), todos os países geraram 44,7 milhões de toneladas, equivalente a 6,1 quilogramas por habitante (kg/hab.) de REEE em 2016, sendo superior ao ano de 2014 que foi de 42,0 milhões de toneladas, cerca de 5,8 kg/hab., o equivalente a 4.500 torres Eiffel para efeito de comparação. É estimado a geração de 52,2 milhões de REEE alcançando a marca de 6,8 kg/hab. até 2021. BALDÉ, et
al., 2017.Dos 44,7 milhões de toneladas geradas de REEE, apenas 20% é documentado para
ser coletado e devidamente reciclado. (GLOBAL WASTE MONITOR,2017) (Figura 21).
Figura 21 - Quantidade de REEE em milhões de toneladas gerado no mundo em 2016 Fonte: Elaborado pelo autor.
O e-lixo produzido no mundo varia de acordo com a riqueza e a consciência ambiental de cada país, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. (ONUDI, 2016).
De acordo com Andrade et al., (2010), o aumento do uso de equipamentos e as constantes trocas de versões geram um montante de resíduos colossal e praticamente imensurável. As estatísticas relacionadas ao E-Waste não são somente relevantes quanto ao impacto ambiental, mas também do valor de todas as matérias-primas presentes nesses resíduos tem o custo aproximado de € 55 Bilhões em 2016.
O REEE é um dos principais problemas ambientais do século XXI, isto porque, há mais de uma década a produção de dispositivos eletrônicos teve uma grande aceleração,
8,9
35,8
REEE (Mt)
acompanhando a expansão crescente do mercado consumidor e os ciclos de inovação cada vez menores, a obsolescência programada. (WEEE, 2012).
O lixo eletrônico é o nome dado aos resíduos da rápida obsolescência de equipamentos eletrônicos tais como: monitores, telefones celulares, câmeras fotográficas, impressoras, impressoras de rede, no break, motores elétricos, notebook, computadores, teclados, mouses, roteadores, laptops, smartphones entre outros. Os produtos elétricos e eletrônicos possuem módulos básicos comuns como conjuntos/placas de circuitos impressos, cabos, cordões e fios, plásticos, comutadores, telas de tubos catódicos e telas de cristais líquidos, pilhas e acumuladores, meios de armazenamento de dados, dispositivos luminosos, condensadores, resistências e relês, sensores e conectores. Esses produtos, principalmente as placas de circuito impresso de computadores contêm grande quantidade de materiais pesados e substâncias tóxicas que causam danos irreversíveis ao meio ambiente e a saúde humana (SEO e FINGERMAN, 2011; GERBASE e OLIVEIRA, 2012). De acordo com os autores, no Brasil, a maioria desses resíduos tem como destino os aterros sanitários.
A falta de controle sobre este descarte pode viabilizar o aterramento ou a incineração sem tratamento prévio dos resíduos eletroeletrônicos resultando em contaminação da água, do solo ou do ar, devido à emissão de substâncias prejudiciais ao meio ambiente.
O descarte incorreto de REEE é um grande problema principalmente em centros urbanos devido à falta de infraestrutura para a coleta e destinação dos resíduos aliada à desinformação dos cidadãos. Diversos países exportam seus REEE para os países em desenvolvimento agravando ainda mais os problemas desses países receptores como por exemplo, em Gana, na África. (Figura 22)
Figura 22 - Descarte ilegal de REEE em Gana, na África Fonte: www.coletivoverde.com.br (acessada em 03/09/17)
Tais resíduos, descartados em lixões, constituem-se num sério risco para o meio ambiente, pois possuem em sua composição metais pesados altamente tóxicos, como mercúrio, cádmio, berílio e chumbo, que em contato com o solo estes metais contaminam o lençol freático e, se queimados, poluem o ar e prejudicam a saúde dos catadores que sobrevivem da venda de materiais coletados em lixões. (GUERIN, 2008, p. 1).
Em 2016, o continente asiático foi a região que gerou a maior quantidade de E-Waste cerca de 18.2 Mt, seguido da Europa com 12,3 Mt, das Américas com 11,3 Mt, da África com 2,2 Mt e por último a Oceania com 0,7 Mt.
Segundo Rodrigues (2015), de acordo com cálculos da ONU, o mercado global de resíduos eletrônicos, desde a coleta até a reciclagem, movimenta em torno de US$ 400 bi (GEA, 2015).
Em relação ao cenário nacional, o país gerou 1,37613 Mt de REEE em 2016 e com estimativa de gerar 1,24941 Mt de toneladas de REEE até 2020 (ABINEE,2016). O Gráfico 11 apresenta a evolução da geração de REEE.
Gráfico 11 - Estimativa de geração de REEE no Brasil de 2017 a 2020 Fonte: Análise Inventta (2017)
Em função do país ter gerado cerca de 1,37613 Mt em 2016, e segundo Baldé et al., a geração de REEE no mundo nesse mesmo ano foi de 44,7 Mt, conclui-se que o Brasil contribui com 3,078% na geração de resíduos no mundo.
917,67 976,19 1.002,61 1.100,66 1.247,76 1.376,13 1.367,69 1.300,91 1.231,53 1.249,41 y = 43,6x + 937,26 R² = 0,6313 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 x ( 1 0 0 0 ) ano
Geração de REEE
No Estudo de Caso, tendo somente a Fábrica Verde como Fonte Geradora de REEE para a COOPAMA, conclui-se os Inputs processados foram cerca de 2%. Um trabalho envolvendo mais cooperativa assim como aumentar a coleta de dados para 2 ano ou mais anos, permitirá um diagnóstico mais apurado.
O faturamento da indústria eletroeletrônica, no ano de 2016, atingiu R$ 129,4 bi, 9% inferior ao verificado no ano de 2015 no montante de R$ 142,5 bi, o que representou queda real de 13%. Já em 2017, houve uma leve recuperação alcançando 136,1bi e com projeção de 145,3bi em 2018, um aumento de 7% quando comparado a 2017.
A queda da renda da população, a alta e crescente taxa de desemprego, elevado endividamento e com taxa Selic elevada ao patamar de 14% em 2016 (BACEN,2017) são um dos fatores que resultaram na retração do setor. A taxa Selic atual, em sua reunião do Comitê de Política Monetária em 07 de fevereiro de 2018, reduziu a mesma para 6.75% a.a., sendo a menor em duas décadas, e com previsão de até 6,50% a.a. em 2018 (BACEN,2017), e a projeção do PIB de 2,64% para 2,68%. (BOLETIM FOCUS, 2017).
As exportações no setor de EEE em 2016 somaram US$ 5,615 bilhões e as importações 25,587 bilhões de US$, apresentando um déficit comercial de US$ 19,972 bilhões.
O número de empregados recuou para 232.800 em 2016 ante 248.100 referente ao ano de 2015. Um dado positivo se refere à utilização da capacidade produtiva que está em 72% em 2017 e que no ano anterior foi de 71%.
A Tabela 6 apresenta evolução dos indicadores desde 2014 a 2017.
Tabela 6 - Indicadores no setor da indústria eletroeletrônica no Brasil
Fonte: ABINEE, 2016.
Em função do cenário econômico do país, ocorreram queda significativa nas vendas, em unidades, de computadores, tanto de desktops (-35%) quanto de notebooks (-30%) e de
tablets (-32%), ocasionando uma retração do faturamento da área de informática de 30%, a
maior queda entre os segmentos que compõe a indústria eletroeletrônica. (Gráfico 12).
Gráfico 12 - Evolução do mercado de PCs e Tablets Fonte: adaptado pelo autor, ABINEE (2016).
O cenário de queda também reflete sobre o mercado de telefones celulares tradicionais assim como os Smartphones. (Gráfico 13)
Gráfico 13 - Mercado de Telefones Celulares
Fonte: Adaptado pelo autor, International Data Corporation (IDC)
Os televisores de telas planas, por exemplo, contêm ouro, platina e índio que tem alto valor de mercado. Em 8 de fevereiro de 2018, cotação do ouro é de US$ 1.320,50 a onça
2.990.048 4.120.681 4.345.320 5.082.364 4.899.795 4.155.085 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 12.000.000 Unid a des Meses
Mercado de Telefones Celulares
(https://br.investing.com/commodities/gold). Uma onça equivale 28,349523125 gramas. http://www.metric-conversions.org/pt-br/peso/oncas-em-quilogramas.htm.
Com esse valor, basta multiplicar pelo valor do dólar para obter a cotação em real que vale em 08 de fevereiro R$:3,2686 (BACEN,2018). O fato é que os REEE dão retorno financeiro visto que o ouro é uma commodity e tem valor internacional. Com treinamento visando à qualificação dos profissionais, a cooperativa não somente aumentará seu Market-
share, como também será mais rentável.