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2 CONFIGURAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

2.2 ESCALA DE TEMPO, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CLIMA

2.2.5 Clima Regional

É sabido que toda a conjuntura global exposta acima influenciou e influencia o estabelecimento da atual morfologia encontrada no Maciço Estrutural de Água Branca, entretanto, a dinâmica climática atual também exerce sua contribuição. O clima de qualquer região é determinado em grande parte pela circulação geral da atmosfera, e essa resulta, em última instância, do aquecimento diferencial do globo pela radiação solar, da distribuição assimétrica de oceanos e terras emersas, além das características topográficas sobre os continentes. Padrões de circulação gerados na atmosfera redistribuem calor, umidade e momentum (quantidade de movimento) por todo o globo. No entanto, essa redistribuição não é homogênea, agindo algumas vezes no sentido de diminuir as variações regionais dos elementos climáticos, tais como, temperatura e precipitação, as quais, têm enorme influência nas atividades humanas (BOLETIM DE MONITORAMENTO E ANÁLISE CLIMÁTICA – CLIMA ANÁLISE – NÚMERO ESPECIAL, 1986).

Mecanismos geradores de chuva derivados dos vários sistemas meteorológicos observados na região tropical, atuam sobre o Nordeste. Tal premissa não se mostra diferente para o estado de Alagoas, que tem seu período de chuvoso entre os meses de abril a julho (Pontes da Silva et al, 2008), decorrente da atuação de diversos Sistemas Sinóticos que provocam direta, ou indiretamente, precipitações, sendo estes:

Os Sistemas Frontais (SF) ou suas extremidades, que são caracterizados por uma região de limite entre duas massas de ar que possuem características diferentes, como temperatura, umidade e instabilidade (KOUSKY, 1979; SOUZA E COSTA, 1994; GEMIACKI, 2005; CRUZ, 2008).

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) consiste em um sistema de atuação global, onde ocorre a convergência de ventos alísios de sudeste vindos do Hemisfério Sul, e os ventos alísios de nordeste oriundos do Hemisfério Norte, em baixos níveis atmosféricos, atuando nos trópicos. É importante ressaltar, que para a região Nordeste, a ZCIT demonstra uma variabilidade interanual em seu movimento, de acordo com o seu deslocamento norte – sul. Em anos de seca, a ZCIT inicia sua migração para norte em fins de fevereiro ou início de março, enquanto que, em anos chuvosos, a ZCIT somente inicia sua migração para posições mais ao norte em fins de abril ou início de maio (CAVALCANTI ET AL, 2009). Em alguns casos, a ZCIT consegue influenciar o tempo em Alagoas, muitas vezes indiretamente, isto é, via “pulsos” de nebulosidade que se desprendem de sua área de maior atuação e se dirigem para sul, atingindo o Estado (HUBERT ET AL., 1969; UVO E NOBRE, 1989; FERREIRA, 1996; XAVIER ET AL., 2000; COELHO-ZANOTTI ET AL., 2004).

É importante destacar que a variabilidade interanual de precipitação no Nordeste do Brasil é fortemente dependente da fase do Dipolo do Atlântico (DA), tendo em vista que as anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Atlântico Norte e anomalias negativas no Atlântico Sul, ao sul do equador, estão associadas a condições mais secas no Nordeste do Brasil (Moura e Shukla, 1981). Contudo, Condições de chuva são observadas quando as anomalias de TSM opostas estão presentes.

Também devem ser mencionados os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN), circulação ciclônica situada nos altos níveis da troposfera, cujos efeitos são bem evidentes nas chuvas do Nordeste, principalmente quando este se origina sobre o continente. Assim, parte da região experimenta chuva (na periferia), e parte apresenta céu claro decorrentes dos movimentos verticais subsidentes existentes no centro do VCAN. É interessante ressaltar a associação deste sistema com outros dois que atuam na América do Sul: a Alta da Bolívia e a Zona de Convergência do Atlântico Sul. Essa relação de sistemas é importante para se entender o clima do continente (CAVALCANTI ET AL, 2009). Ao introduzir a variante geomorfológica neste sistema, é possível visualizar que esta é pouco significativa, visto que, a atuação do VCAN está relacionada à formação de nuvens no seu centro e precipitação em suas bordas. (GAN E KOUSKY, 1986; KOUSKY E GAN, 1981; RAO E BONATTI, 1987; MISHRA ET AL., 2007). Além dos VCANs, também podem atuar na área de estudo os Vórtices

Ciclônicos de Médios Níveis (VCMN); circulação ciclônica dos ventos observada somente em médios níveis da atmosfera (FEDOROVA ET AL., 2006)

A Alta ou Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) tem um papel importante no regime de chuvas no leste do Estado, pois é observado que no período chuvoso dessa região, sua circulação advecta umidade do oceano em direção ao continente sul-americano, ajudando no processo de convergência do fluxo de umidade na costa nordestina, o que reforça a instabilidade na região (BASTOS E FERREIRA, 2000).

Outro sistema importante são as Ondas ou Distúrbios Ondulatórios de Leste (OL), perturbações associadas a cavados (prolongamentos de uma área de baixa pressão na atmosfera), mais bem configurados em médios níveis da troposfera (700, 500 hPa), e à temperatura elevada na superfície do mar, onde sua nebulosidade é caracterizada por nuvens convectivas que se deslocam de leste para oeste nos oceanos, atingindo áreas continentais da costa leste do Estado (ESPINOZA, 1996; VAREJÃO SILVA, 2005; COUTINHO E FRITSCH, 2007).

Sistemas meteorológicos de escala menor que a dos anteriormente citados (Sistemas de Mesoescala) ainda devem ser mencionados como, por exemplo, os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM), que são aglomerados de nuvens de forte desenvolvimento vertical, produtoras de precipitações intensas (MADDOX, 1980, 1983; VELASCO E FRITSCH, 1987; SILVA DIAS 1987; REEDER E SMITH, 1998; ALVES ET AL., 2001). Ainda de grande importância no regime de chuvas em Alagoas são as Perturbações Ondulatórias no Campo dos Ventos Alísios (POAs) (MOLION E BERNARDO, 2002). Esses distúrbios são formados pela convergência dos ventos que acompanham os Sistemas Frontais com os ventos alísios. Dão origem à grande nebulosidade ao se aproximarem de áreas costeiras, devido à convergência do fluxo de umidade e contraste de temperatura entre oceano e continente. Também sistemas mais localizados, como as brisas de terra e mar e a convecção local, não podem ser descartados como mecanismos contribuidores nos totais pluviométricos observados no Estado.

O avanço das Frentes Frias (FF) até às latitudes tropicais, entre os meses de novembro e janeiro, é outro mecanismo indutor de chuvas. As frentes frias são bandas

de nuvens organizadas que se formam na região de encontro entre duas massas de ar (quente e fria). Se houver umidade suficiente, a passagem da frente forma nebulosidade e causa chuvas intensas.

Torna-se ainda importante destacar uma corrente de ventos fortes, em níveis superiores, atuante no Nordeste, chamada de Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB), que foi investigada por Gomes (2003). Este observou uma atuação maior da CJNEB no inverno austral. Em muitos casos, esses sistemas são vistos através de imagens de satélite, apresentando nebulosidade predominantemente cirriforme (VALOVCIN, 1968; DOSWELL E SCHAEFER, 1976; RAO ET. AL., 1990). Posteriormente, ao estudar a influência da CJNEB, particularmente em Alagoas, Campos e Fedorova (2006) encontraram 73 dias de ocorrência do fenômeno no ano de 2004, onde os valores da velocidade máxima do vento no seu eixo chegaram a 60 m/s. Também observou-se a ligação da CJNEB com VCANs, VCMNs e correntes de Jato de Baixos Níveis (CJBN), sendo que alguns sistemas sofreram mudança na sua estrutura em razão das circulações transversais da CJNEB. Quanto aos fenômenos meteorológicos gerados pela CJNEB em Alagoas, Campos e Fedorova (2006) destacam a formação de névoa úmida e seca, chuva leve intermitente, nevoeiro e pancadas de chuva. As distribuições espaciais típicas da CJNEB observadas foram: de norte para o sul, nordeste para sudoeste, sudeste para nordeste, noroeste para sudeste e zonal.

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