CRIADOUROS COMERCIAIS Capivara
Registro 05 Clube Paranense dos Criadores de Curió – CPCC
Rua: Prof. Ângelo Lopes, 1536 CEP: 80040-240 – Curitiba/PR Fone: 041-262 7126
Presidente:
CGC: 78 743 457/001-83 Entrevista: 07/08/03
O Clube Paranaense de Criadores de Curió é formado por 700 sócios. Destes, 200 são criadores e os outros 500 são portadores de curiós.
É necessário fazer uma distinção na modalidade dos registros feitos nos clubes ou associações, separando os que estão registrados e que criam aves daqueles que estão registrados para poder legalizar os pássaros que possuem em seu poder.
Aqueles sócios que fazem suas criações deveriam receber, portanto, registro de criador e aqueles que só tem o registro para legalizar as suas aves deveriam receber o registro de portador de aves e não de criadores como ocorre atualmente. Hoje, aquele que tem um curió para apreciar o seu canto e filia-se a um clube ou associação recebe o registro de criador e que é um erro porque na verdade ele não esta criando e sim portando um espécime da fauna silvestre.
A criação de curió é muito demorada. A fêmea leva 13 dias para chocar os ovos e mais 35 dias para criar os filhotes e depois leva mais 10 dias para iniciar uma nova postura. Nesse espaço, essa fêmea gastou entre uma postura e outra 60 dias, dois meses. É muito tempo. O período de postura vai de outubro até janeiro do ano seguinte, o que forma um período de, no máximo, quatro meses. Então uma boa fêmea nesse período vai fazer apenas duas posturas pelas razões alegadas anteriormente.
Os filhotes que nascem com um ou outro defeito físico eu sacrifico para que os filhotes de meu criadouro tenham qualidade elevada.
A fêmea mais velha de meu plantel nasceu no ano de 1996. Não mantenho, portanto, animais velhos no criadouro. Além de manter um criadouro com animais não muito velhos, o proprietário deve estar atento para observar qualquer aspecto no comportamento das aves, principalmente os excrementos, para que se não estão com problemas de infecções. Observar a cor do bosteado, que deve ser preto e branco. O preto é as fezes da ave e o branco é a urina. Ainda deve observar se não tem sangue nas fezes para iniciar tratamento. Deve fazer exame das fezes de seis em seis meses.
Para evitar doenças, deve fazer limpeza da gaiola diariamente para evitar focos de propagação de doenças e contaminar as aves. Uma coisa muito importante é dar água limpa para que os pássaros tomem banho todos os dias
Outro fato interessante é ensinar as fêmeas a criar os filhotes. Pega-se uma fêmea velha e colocam-se próximo dela três ou quatro fêmeas novas para que elas observem a maneira de criar e tratar os filhotes, a comida que ela oferece e como são alimentados. Isso é muito importante na criação, a escolinha de criação de filhotes. Nós mesmos precisamos aprender a cuidar de nossos filhos, imagine um pássaro que foi tirado da mata onde vivia em grupos e foi colocado na gaiola em sistema isolado. É preciso ensinar e educar as aves como lidar com os filhotes. Pássaros vindos da mata não pegam tenébrios ou larva de mosca de jeito nenhum. Só pegam aqueles que foram ensinados.
É bem verdade que o curió, depois que cria coloca os filhotes para fora de seu território, mas esses animais vão formar bandos e viver em grupos, e aí surge o aprendizado para sobreviver no ambiente natural. É um ensinando e aprendendo com o outro. Por isso precisamos estar muito atentos com os curiós novos que não aprenderam ainda a cuidar de seus filhos.
Presenciei um bando de curiós, não voando, mas se movimentando na capoeira, faz uns 30 anos, na região de Antonina e Quaraqueçaba. Nessa época do ano, no outono, quase todos os pássaros formam bandos, canários, caboclinho, e outros pássaros para se deslocarem e se alimentarem. Só na época da reprodução é que vão criar os seus territórios, e os pássaros mais jovens, que ainda não estão na fase reprodutiva, vão estar vivendo e se deslocando em bandos.
Crio minhas aves em gaiolão (70X40X50) porque é mais higiênico. No viveiro, não é tão higiênico e não dá para fazer a limpeza necessária para evitar as doenças.
A primeira criação de curió se deu por acaso. Tinha uma fêmea em um viveiro e ela estava chocando. Mas como o viveiro era meio velho, surgiu um buraco e a fêmea começou a sair pelo buraco e buscar larvas fora do viveiro para tratar os filhotes. Foi ai que se aprendeu que tinha de dar larvas para as criações dessas aves quando nasciam e nas primeiras semanas.
Uso dois macho para cobrir as fêmeas de meu plantel. De manhã, vou observando quais as fêmeas que aceitam o macho e daí eu introduzo o macho na gaiola da fêmea. Para que o macho faça nova cobertura, espero que o macho descanse uma hora para ele cobrir outra fêmea.
Foi o primeiro criador do Paraná e iniciei a minha criação em 1956. Comecei com os canários- do-reino em 1954 e dois anos depois começava a criar curió.
No começo, eu não sabia e dei cupim velho para as minhas aves e um cupim mordeu uma fêmea de curió na parte debaixo do bico e ela se bateu tanto que dava dó. Nunca mais quis saber de cupim. Era só ver um que ela se assustava. O cupim, se dá os pequenos os novos, nunca os velhos. Eu não sabia. Pode-se usar para alimentar a criação tenébrio, tatuzinho (tem curió que gosta), capim-papuam
A produção de tenébrio não pode ser feita com alimento que se estraga fácil: pão, ração. Eu uso a farinha de biju porque dura 240 dias e não estraga. Uso ainda farelo de chorand (um trigo mais granulado). Ponho uma folha de couve por cima e troco de dois em dois para facilitar a criação.
O IBAMA atrapalha muito o desenvolvimento da criação. Não entendem e nada fazem para ajudar. “São todos uns incapazes que não conhecem passarinho, apesar de ter o ttulo de biólogo´, e que estão atrás das escrivaninhas e por nós considerados pessoas um mau caráter. É o fim do caos”.