MEDICINA DO!fESTICA
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que não teve maiores conseqüências, tnas que fulminou seu velho e cansado coraçâõ.
No dia seguinte, uma segunda0feira, o Jornal elo Comércio publicava êste convite f Únebre:
Dona Helena Augusta da Gama Cochralie e stlas filhas, Dr. Ignacio Wallace da Gama Cochrane e sua senhora, Conselheiro Antonio José Duarte de Araujo Gondim e sua senhora (ausentes), o Conse-lheiro José Martiniano de Alencar e sua senhora, e José Ignacio Ewerton de Almeida e sua senhora, convidão a seus amigos e aos do finado seu ·marido, pae e sogro,
Dr. THOMAZ CocHRANE,
a se reunirem, hoje, 27 do corrente, no Cemiterio da Gambôa, ao meio-dia, afim de assistirem ao enterro do mesmo, podendo aquelles que desejarem, acompanhar o cortejo desde Andarahy até o dito cemiterio; e esperiío merecer-lhes este acto de ca-ridade.
Não fazem convites por cartns.
E, por volta do meio-dia daquele 27 de janeiro, foi o Dr.
Thomas Cochrane sepultado, no Cemitério dos Inglêses, na presença de membros da família e de amigos. Dentro do ritual anglicano, foi celebrante o Rev.0 G. H. Preston( 4).
Em outubro de 1890, sua filha primogênita - Dona Geor-giana Cochrane de Alencar, viúva de José de Alencar, adqui-riu o jazigo n.0 29-F, no Cemitério de São João Batista, para ali fazendo transladar as cinzas do finado. Hoje, logo à entrada dêsse cemitério, um túmulo de linhas sóbrias lembra aos pas-santes a figura do pioneiro das estradas de ferro no Brasil, do criador das "maxambombas" e do médico homeopata afa-mado em sua época ( 5).
(4) JAMES FLETCHER, em O Brasil e os Brasileiros (Vol. 'r, p. 231, Comp. Editora Nnciohal, São Paulo, 1941), refere-se no Rev. Preston, afirmando que, depois de sua chegadn no Brasil, n freqüência aumentou às cerimônias do cu_lto, na Igreja Inglêsa, situada à Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), próximo no Largo da lllãe do Dispo, num e<lifício construído em 1823.
( 5) Entre as peças constantes do processo de inventário do Dr, Thomas Cochranc consta o recibo do entêrro: saiu do .. Castelo", na Tíjuca, e~-o carro fúnebre foi "puxado por bêstas e, nüo, por cavalos, por causa do lugar".
Dr. Thomas Cochrane
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Vítima de um grande amor
A morte repentina do Dr. Thomas Cochranc feriu pro-fundamente sua espôsa - Dona Helena Augusta; e a levou ao leito, gravemente enfêrma.
Tudo indica que, mais do que simples afeição, um grande amor os unia. Da parte do marido, há um testemunho incoh-teste do quanto a considerava; é o seguinte trecho de seu testamento, por êle próprio escrito e assinado, a 24 de janeiro de 1866:
"Reconhecendo em minha mulher Dona Helena Augusta da Gama Cochrnne o maior zelo e dedicação por nossas filhas e toda a capaci-dade •para administrar meus bens: por isso tenho a mais illimitacla con-fiança nas suas altas virtudes, intelligencia e prudencía para dirigir a educação das nossas filhas, nomeio tutora dellas."
Em relação a Dona Helena Augusta, coube ao filho pri-mogênito testemunhar os sentimentos que a prendiam ao ma-rido, seu padrasto. Em versos datados de agôsto de 1873, depois de relatar que
escreveu:
"Morrer-me nos braços via :Êsse Pai de adoção",
"A Mãe querida em seguida Tombava em leito de dor I Vendo quebrar-se-lhe o elo, Que a prendia ao protetor, Essa espôs,1, M[íe modêlo, Sentiu fugir-lhe o vigor, E pra sempre se finou Vítima de tanto amor!"
Com efeito, menos de dois meses após a morte do Dr.
Cochrane, no dia 24 de março de 1873, "em São Domingos", faleceu Dona Helena Augusta da Gama Cochrane. Tinha, então, 55 anós incompletos; e poderia ter vivido alguns anos mais, não fôra o golpe que a feriu, fazendo-a tombar, vítima de um grande amor.
Dr. Thomas Cochrane e sua espôsa ( 1872)
últimas fotografias do casal Cochrnne, tiradas no Rio de Janeiro, em dezembro de 1872. O lidador incansável já era, então, um homem alquebrado, com 67 anos de idade. No mês seguinte, janeiro de 1873, viria a falecer; em março do mesmo ano, "vítimn de um grande amor", morreu Dona Helena Augustn, sua dedicada
espôsa e companheira.
Dr. Thomas C och
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Excerptos de um inventário
A morte quase simultânea do casal Thomas Cochrane levou a família a fazer um só processo de inventário de seus bens, para a indispensável partilha.
Foi-nos dado o privilégio de poder compulsar, urna à
uma, as peças dêsse processo. Por isso mesmo, não podemos fugir ao dever de analisá-lo, em alguns de seus aspectos.
A petição inicial constitui um documento capaz de encher da mais justa cobiça os caçadores de autógrafos. Foi escrito pelo próprio punho do criador de "Iracerna" e diz o seguinte:
"Illmo. Exmo. Snr. Dr. Juiz Provedor.
Diz José ;\lartiniano de Alencar, que tendo falecido seu sogro Dr. Thomaz Cochrane, nesta corte a 26 de janeiro passado, e sua sogra D. Helena Augusta da Gama Cochrane em 24 de março ultimo, em S. Domingos, a qual era a testamcnteira de seu marido; e sendo neces-sário proceder a inventario dos dois espolias, na falta de outro herdeiro que se queira incumbir do cargo, requer o Suplicante para assignar ter.no de inventariante, prestando o juramento do estylo, e proseguin-do-se nos mais termos até final partilha.
·P. e R. ;\ke.
Rio de Janeiro em 8 de abril de 1873 (a) José Martiniano de Alencar" ( Fls. 2).
Coube a José de Alencar, corno se vê, dar início ao pro-cesso; e, corno inventariante, ficou até o dia 13 de junho, quan-do solicitou a nomeação de seu cunhado - Dr. Ignacio Wa!lace da Gama Cochrane corno testamenteiro e inventariante, por-que pretendia retirar-se da Côrte, por encontrar-se enfêrmo.
Os herdeiros e os bens
Em petição datada de 7 de abril de 1873, "o advogado José Martiniano de Alencar" declarou que seu sogro deixara
... "quatro herdeiros nomeados em seu testamento, que são suas filhas D. Georgiana Cochrane de Alencar, casada com o supplicante, D. Helena Carolina da Gama Cochrane, solteira, D. Francisca Eugenia da Gama Cochrane, solteira, e D. Eugenia Evangelina Cochrane de Almeida, casada com J é. Ignacio Ewcrton de Almeida; alem da terça que deixou cm legado a sua mulher D. Helena Augusta da Gama Cochrane, já fallecida" ( Fls. 4).