3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.3 PROCEDIMENTOS PARA COLETA DOS DADOS
3.3.2 Coleta das taxas de juros
Nesta etapa, foram coletadas as informações relativas às TJCP dos países de origem das companhias da amostra. Destaca-se, aqui, que as TJCP analisadas não são aquelas referentes aos países onde as companhias estão listadas, mas àqueles onde elas desenvolvem suas operações (países-sede).
As informações sobre os países-sede das companhias foram coletadas pela Thomson Reuters® juntamente com os demais dados da pesquisa. Com base no levantamento, obtiveram-se dados de empresas oriundas de 58 países, cujas TJCP foram procuradas em sítios eletrônicos governamentais. Buscou-se pelas taxas básicas de juros de cada economia, compreendidas como as taxas estabelecidas pelas autoridades monetárias para fins de política monetária. Elas também são conhecidas como taxas meta (target rate). Por exemplo, no Brasil, foram coletadas informações acerca da taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) anual, pois essa é a taxa geralmente utilizada como taxa de juros livre de risco (TJLR) no momento da mensuração do valor recuperável dos ativos (GARRÁN, 2006).
As taxas foram coletadas no período compreendido entre 14 de dezembro de 2016 e 22 de janeiro de 2017. Adicionalmente, foram coletadas taxas de juros de longo prazo (TJLP) relativas a rendimentos de títulos governamentais com maturidade de 10 anos. A referida busca tinha como objetivo verificar se estas taxas também influenciam o impairment se analisadas em conjunto com as TJCP, uma vez que elas são as mais recomendadas como TJLR (MCPHEE, 2012). Cumpre ressaltar que as companhias podem usar taxas de títulos com prazo superior ou inferior a este proposto na pesquisa, conforme expectativa de fluxos de caixa. Todavia, limitou-se a analisar as taxas de 10 anos pelo tempo decorrido na execução da pesquisa.
No tocante às TJCP, foi necessária a exclusão de seis países (e suas respectivas companhias): Singapura, Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Gibraltar, Mônaco e Curaçao. O primeiro país, Singapura, não possui política monetária e, por conseguinte, não institui taxas de curto prazo (MAS, 2016). Os demais países foram excluídos porque as informações relativas a suas TJCP não puderam ser coletadas com confiabilidade. Restaram, assim, 52 jurisdições na amostra da pesquisa.
Determinados países possuem equivalentes TJCP. Por exemplo, dentro da União Europeia (UE), países que fazem parte da zona do euro possuem a mesma taxa básica, instituída pela própria UE. O mesmo ocorre com o Reino Unido e as Ilhas do Canal (Jersey, Guernsey e Ilha de Man), que usam a taxa estipulada pelo Banco da Inglaterra (Bank of England), mesmo sendo nações independentes. Estados Unidos e Bermuda adotam a taxa instituída pela Federal Reserve e Dinamarca e Ilhas Feroé, do Banco Nacional da Dinamarca (Denmark Nacional Bank). O restante dos países possui taxa básica própria. A busca ocorreu no sítio eletrônico de cada Banco Central, cujo rol é apresentado no Apêndice C.
Quanto às TJLP, estende-se o número de países cujas taxas não foram encontradas de forma segura. São elas: Jersey, Guernsey, Ilha de Man, Emirados Árabes Unidos, Papua-Nova Guiné, Azerbaijão, Ucrânia, Barbados, Geórgia, Serra Leoa, Gabón e Zimbabwe. Dentre estas 12 nações, algumas não emitem estes tipos de títulos governamentais, e em outras tais informações não foram encontradas. Como esta não é a principal variável de interesse da pesquisa, mantiveram-se os países cujas TJLP não foram coletadas.
Para a coleta das TJLP, utilizou-se a base de dados disponibilizada pela Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) ou Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A base traz informações acerca dos juros de títulos governamentais de 10 anos dos países levantados. Adicionalmente, a coleta dos países pertencentes à amostra e não integrantes no levantamento da OECD ocorreu nos sítios eletrônicos das principais autoridades monetárias de cada país. O Apêndice D apresenta estas fontes.
No tocante às taxas coletadas, destaca-se que tanto os métodos de apuração como a frequência com que são instituídas se diferem em cada país. Na Austrália, por exemplo, o órgão responsável pela instauração das TJCP (Reserve Bank of Australia) se reúne onze vezes ao ano, determinando as taxas em cada reunião. No Canadá, tal como no Brasil, elas são instituídas oito vezes ao ano. Na presente pesquisa, as taxas utilizadas na análise estatística foram as lançadas no último período de cada ano. Tal escolha se justifica pela pouca ou inexistente variabilidade entre a taxa meta do último período e dos anteriores.
As TJLP corresponde a rendimentos de títulos governamentais dentro de um período de 10 anos, conforme comentado. Sua metodologia também se distingue dentro dos países da pesquisa. Por exemplo, no Brasil, foram coletadas as taxas relativas ao título NTN-F (tesouro prefixado com juros semestrais). Sua maturidade é de 10 anos, ou seja, os títulos lançados em anos de 2010 vencem em 2020. Suas taxas são, contudo, atualizadas diariamente. Para a pesquisa, primeiramente calculou-se as médias entre as taxas diárias de compra e venda (que são próximas, sendo as de venda relativamente maiores), e na sequência obteve-se uma média com base nesta estimação. Destaca- se que elas não apresentaram variações expressivas, ou seja, se mantiveram próximas entre um dia e outro.
Por sua vez, as TJCP coletadas para a China, Hong Kong, Malásia, Vietnã, Bulgária, Índia e Botswana também são diárias e correspondem à média das cotações negociadas ao longo do dia. As
taxas para esses países, na pesquisa, representam a média destas cotações diárias para cada ano. Quanto à base da OCDE, as TJLP foram coletadas nos Bancos Mundiais dos países indicados no Apêndice D. Na base, os dados coletados foram anuais.