SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
1.1 PROBLEMA DE PESQUISA
1.2.2 Objetivos Específicos
Para que o objetivo geral da pesquisa seja atingido, os seguintes objetivos específicos são propostos:
a) averiguar os fatores que influenciam a probabilidade de as empresas reconhecerem perdas por impairment em ativos de longo prazo; e
b) examinar os fatores que influenciam a magnitude das perdas por impairment em ativos de longo prazo.
1.3 JUSTIFICATIVA
Com base na literatura, é possível observar que o impairment, além de ser um assunto complexo, é controverso. Diante das práticas contempladas nas normas internacionais de contabilidade, o ajuste ao valor recuperável de ativos está entre os cinco desafios mais difíceis de serem implementados com a harmonização (HOOGENDOORN, 2006).
Duh, Lee e Lin (2009), AbuGhazaleh, Al-Hares e Roberts (2011) e Majid (2015) acreditam que o reconhecimento e a reversão das perdas, pela sua discricionariedade, possibilitam o gerenciamento de resultados. O risco de perdas indesejadas é controlado quando se alteram valores passíveis de serem modificados nas DCs. Assim, o referido teste pode ser utilizado para aumentar ou reduzir o resultado do período de acordo com os interesses dos gestores (ABUGHAZALEH; AL-HARES; ROBERTS, 2011). Nessa abordagem, estudos que buscam motivos para o reconhecimento de perdas, e se eles estão atrelados à manipulação de resultados, podem contribuir na compreensão do fenômeno e na melhora da qualidade regulatória.
Quanto à regulação, Carlin e Flinch (2008) criticam os métodos sugeridos nas normas internacionais. Conquanto em teoria ambos possam ser adotados, uma série de considerações, tais como a ausência de informações comparáveis, dificultam a praticabilidade da utilização do VJ e, em consequência, resultam na aplicação mais frequente do VU (CARLIN; FLINCH, 2008).
As falhas presentes nas normas, na concepção de Lonergan (2010), são evidentes e requerem reformas. A suscetibilidade a diferentes formas de julgamento viabiliza o não reconhecimento de parte das perdas e a dificuldade em sua compreensão não é apenas um problema acadêmico, mas de implementação prática (LONERGAN, 2010). Por seu turno, Husmann e Schmidt (2008) acreditam que os modelos trazidos pela IAS 36 no tocante às taxas de desconto são teoricamente diferentes, ou seja, não são equivalentes. Desse modo, a norma não deveria sugeri-los como opções no cálculo do valor recuperável (HUSMANN; SCHMIDT, 2008).
Não obstante as críticas, pesquisas também levantam aspectos positivos na discricionariedade das perdas. AbuGhazaleh, Al-Hares e Roberts (2011) demonstraram evidências de que os gestores, ao reconhecerem impairment no goodwill, podem não estar agindo oportunisticamente, mas utilizando das perdas para transmitir informações privadas e expectativas acerca do desempenho das
empresas. Da mesma forma, eles inferem que as normas internacionais melhoraram a qualidade das informações apresentadas. Kvaal (2010) defende que as opções de taxas de desconto da IAS 36, criticadas por Husmann e Schmidt (2008), podem ser uma boa alternativa na escolha daquelas que melhor representam o valor em uso dos ativos.
Em vista do exposto, observam-se lacunas de pesquisas que verifiquem se as explicações no reconhecimento e na variação do impairment são motivadas pela oportunidade de modificar resultados, ou se a perda realmente representa o ajuste econômico dos ativos. Respostas a esse problema contribuem no entendimento do fenômeno e na verificação da qualidade das normas contábeis praticadas.
Ademais, Comiskey e Mulford (2010) apontam uma série de fatores que fazem da implementação do teste um desafio, tais quais a baixa conformidade na seleção de taxas de desconto. Os autores observaram o exercício do julgamento nas estimativas e a possibilidade de que estas sejam gerenciadas com vistas a se alterar ou evitar perdas, uma vez que as companhias tendem a não evidenciar as taxas utilizadas, tampouco sua metodologia de apuração. Tal julgamento tem fundamental importância e deveria ser divulgado, uma vez que influencia diretamente os valores atribuídos aos ativos, bem como a probabilidade no reconhecimento de perdas (CARLIN; FLINCH, 2009).
Por sua vez, Carlin e Flinch (2009; 2010) averiguaram o uso frequente de uma única taxa de desconto para todos os ativos e unidades geradoras de caixa (UGCs) nas empresas. Tal conduta é criticada pelos autores, os quais acreditam que a seleção de taxas inapropriadamente mais baixas (ou mais altas) pode ser determinada por uma conduta oportunista. Adicionalmente, eles questionam a validade da utilização de uma única taxa que represente fidedignamente o valor e os riscos de ativos diferentes por natureza. Têm-se, novamente, indícios de gerenciamento de resultados.
Se há viés na seleção das taxas de desconto, conforme sugerem os estudos Carlin e Flinch (2009; 2010), Husmann e Schmidt (2008), Lonergan (2010), Comiskey e Mulford (2010) e Avallone e Quagli (2015), alguns questionamentos devem ser levantados a fim de se discutir a qualidade das informações reportadas e a validade das avaliações atribuídas aos ativos mediante as normas internacionais de contabilidade. Da mesma forma, isso deve ser motivo de séria preocupação para reguladores, auditores e usuários das demonstrações financeiras (CARLIN; FLINCH, 2010).
Portanto, pesquisas são necessárias a fim de investigar se e como as taxas de desconto estão sendo mensuradas para gerenciar a magnitude
das perdas por impairment reconhecidas. O estudo de Avallone e Quagli (2015) se destaca nesse aspecto, uma vez que eles propuseram que tanto as taxas de desconto como as taxas de crescimento de longo prazo explicavam o reconhecimento e a variação das perdas por impairment. Todavia, os autores não obtiveram conclusões que sustentassem tais inferências e sugerem que estudos continuem investigando a influência de taxas, pois eles acreditam que elas podem ser o principal meio pelo qual os gestores buscam evitar perdas.
Nessa concepção, a presente pesquisa contribui com evidências acerca da análise de taxas de juros e sua influência sobre o valor recuperável de ativos, com enfoque nas TJCP. Se elas influenciam o impairment, têm-se evidências de que elas possam estar sendo utilizadas como variáveis no cálculo das taxas de desconto, em detrimento de taxas maiores (TJLP). Uma vez que a teoria econômica coloca que as TJCP são menores que TJLP devido ao risco inerente à diferença de períodos (FRANK; BERNANKE, 2012), o uso de TJCP na valoração de ativos de longo prazo pode não ser o mais adequado. Tal conduta afeta diretamente a fidedignidade das informações contábeis apresentadas.
Os resultados podem, ainda, ser de interesse de reguladores, que podem considerar a exigência de divulgação de informações adicionais acerca da metodologia utilizada no levantamento das taxas de desconto, bem como do impacto que o momento econômico exerceu sobre o uso e a gestão dos ativos pelas empresas. Adicionalmente, eles podem fornecer subsídios para o desenvolvimento de pesquisas que relacionem o ambiente econômico com o reconhecimento de perdas em ativos de longo prazo, vistas por Riedl (2004) e Prakash (2010) como incipientes e necessárias.