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CAPÍTULO 4 – MÉTODOS DE PESQUISA

4.5 DESENVOLVIMENTO DO INSTRUMENTO DE COLETA

4.5.1 Coleta de dados para mapeamento da amostra

Tem-se a elaboração de um banco de dados para posterior consulta e um questionário para coleta de dados. A coleta de dados tem como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno, na qual tem como principais meios a observação, análise e descrição objetiva, formulário, entrevistas e questionário (BOAVENTURA, 2007). Nesse sentido, a coleta de dados foi realizada de duas formas:

 Coleta de dados via sistema online de gestão de informação (SIGAA); e  Coleta de dados a partir da aplicação de questionários (Escala de Likert).

4.5.1.1 Coleta de dados

A coleta de dados via sistema online de gestão de informação ocorreu por meio do sistema próprio da UFRN denominado SIG em seu modelo SIGAA. O sistema permite, ainda que de forma deficiente, o acesso de dados das disciplinas que contenham como descrição ou

objetivo na ementa o empreendedorismo, o número de alunos e a quantidade de turmas por professor. No entanto, tal acesso é apenas disponibilizado para alunos ou servidores, mas que provisoriamente é possível ser estendido para outras pessoas, a critério da administração, conforme revela a Figura 9.

Figura 9 – Acesso ao SIGAA

Fonte: Base de dados do Sigaa (UFRN, 2016).

Os parâmetros utilizados para coleta de informações sobre as disciplinas que abordem o empreendedorismo são disponibilizados após o login no sistema e executando as seguintes etapas: Ensino  Consultas Gerais  Consultar Turma. Acessando a tela demonstrada na Figura 10, se faz necessário incluir as informações que serão pertinentes para a coleta. Neste caso, foi selecionado o nível – graduação; Ano – Período de 2016.2 a 2014.1, e, por fim, o nome do componente – compreende o radical “EMPREEN”, para conseguir coletar, também, as disciplinas que não tenham somente como descrição o empreendedorismo, como por exemplo, Projetos de Empreendimento.

Fonte: SIGAA (UFRN, 2016)

Os dados foram coletados, como discriminado anteriormente, no período de 2014- 2016, tendo como população amostral 3.401 alunos matriculados, escolhidos de forma sistemática. O período abordado está relacionado ao fato de que muitos alunos que cursaram disciplinas envolvendo empreendedorismo, as fizeram da metade para o final do seu respectivo curso de graduação, dessa forma, muitos que cursaram nos anos anteriores a 2014 já se encontram devidamente graduados.

Nesse contexto, foram utilizados 2 critérios para restrição da população amostral: 1) As disciplinas não poderiam ser de estudo individualizado, e; 2) Duplicidade de alunos que cursaram mais de uma disciplina que abordasse o empreendedorismo.

O Quadro 8 apresenta de forma explicita, o procedimento adotado para elaboração do banco de dados de modo detalhado mediante consulta no sistema online de gestão de informação – SIG (SIGAA). A extração dos dados foi subdividida em três etapas: coleta, análise e estruturação dos dados.

Quadro 8 - Procedimento adotado para extração de dados

Etapas da extração dos dados

1° Fase – Coleta

Manual Realizada diretamente pelo pesquisador através de consulta manual no sistema - SIGAA.

Prévia Definição das informações a serem coletadas nas amostras como, por exemplo, semestres das disciplinas oferecidas.

Posterior

Exclusão dos alunos em duplicidade após a formação do banco de dados de alunos por semestre; e os que se encontravam matriculados em turmas de estudo individualizado.

3° Fase – Estruturação dos dados

Banco de dados Validação e formação de um único banco de dados para a população amostral.

Fonte: Elaboração Própria

Conforme observa-se no Quadro 8, a primeira etapa da coleta foi realizada adotando o procedimento da consulta manual. O método de coleta adotado tem por objetivo captar o maior número de disciplinas que contemplem o empreendedorismo na Universidade Federal do Rio Grande do norte e informações fidedignas para a análise do estudo de caso. Obteve-se a coleta manual com a execução de 2 procedimentos conforme descritas no Quadro 9 a seguir:

Quadro 9 - Etapas da coleta de dados manual

Etapas Descrição

1ª etapa

Extração de dados a partir da execução dos seguintes filtros no módulo SIGAA (Consulta de Turmas): Nível (Graduação); Ano - Período (2014.1, 2014.2, 2015.1, 2015.2, 2016.1, 2016.2); Nome do Componente (EMPREEN)

2ª etapa Foram eliminadas as disciplinas que eram de estudo individualizado e os alunos que encontravam-se em duplicidade.

Fonte: Elaboração Própria

Ao realizar a primeira etapa foram coletadas 133 turmas que dispusessem do empreendedorismo como seu componente principal. Nestas turmas, 3.401 alunos matriculados, porém, partindo para a segunda etapa, após a eliminação das turmas de estudo individualizado e os alunos em duplicidade, obteve-se o valor de 128 turmas e 3.173 alunos matriculados, concluindo-se a coleta do banco de dados.

Tabela 9 - Quantitativo de Turmas que envolvem Empreendedorismo na UFRN por semestre.

Ano/Semestre Turmas Estudo Individualizado Turmas com a restrição

2016.1 21 2 19 2015.2 22 0 22 2015.1 24 0 24 2014.2 19 0 19 2014.1 26 2 24 Total 133 5 128

Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados obtidos por meio do SIGAA (UFRN, 2016).

Tabela 10 - Quantitativo de alunos matriculados nas turmas que envolvem empreendedorismo na UFRN por semestre.

Ano/Semestre

Alunos

Matriculados Alunos em Duplicidade Alunos com a restrição

2016.2 655 55 600 2016.1 469 25 444 2015.2 595 37 558 2015.1 569 42 527 2014.2 515 28 487 2014.1 598 41 557 Total 3401 228 3173

Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados obtidos por meio do SIGAA (UFRN, 2016).

4.5.1.2 Questionário

A elaboração de um questionário neste estudo tem por objetivo coletar informações sobre o perfil empreendedor dos alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e verificar se os métodos aplicados em sala de aula pelos professores estão sendo bem aproveitados. O questionário conta com 46 afirmações divididas em 5 dimensões. A primeira parte tem como objetivo identificar o aluno de uma forma geral e possui 18 afirmações; a segunda parte procura analisar as motivações para empreender e conta com 3 afirmações; a terceira parte busca mensurar a consciência sobre as dificuldades do mercado de trabalho e possui 4 afirmações; a quarta e quinta partes têm como finalidade avaliar os métodos de ensino aplicados em sala de aulas e os meios de empreender no ambiente universitário e consiste em 22 afirmações. Para elaboração das afirmações foi utilizado o referencial teórico disposto nos capítulos 2 e 3, para serem avaliadas por meio da escala de Likert de 5 pontos

Quadro 10 – Variáveis alocadas ao questionário

Caracterização e Tipologia de Empreendedores V1 Proatividade

V2 Organização

V3 Independência

V4 Dedicação ao negócio

V5 Competência em relações humanas

V6 Capacidade de trabalho e energia

V7 Responsabilidade

V8 Motivação para resultados positivos

V9 Saber lidar com erros

V10 Confiança

V11 Confiança

V12 Responsabilidade

V13 Saber lidar com erros

V14 Criatividade e inovação

V15 Inteligência na execução

V16 Empreendedor

V17 Familiaridade com o empreendedorismo

V18 Apoio Familiar para empreender

Base de autores

DOLABELLA, (1999); FERREIRA et al, (2010); (HISRICH E PETERS, (2004); MCCLELLAND, (1971); NAZIR E

RAMZAM,( 2012); DUARTE E ESPERANÇA,( 2012); RAPOSO, PAÇO E FERREIRA, (2008); SARAIVA,( 2011); BULUT E SAYIN,(2010); SHAPERO, (1974); MINER (1998).

Motivações V19 Políticas Públicas e tributárias

V20 Empreendedorismo por necessidade

V21 Empreendedorismo por oportunidade

Base de autores

SARAIVA (2011); FERREIRA, SANTOS E SERRA (2010); VIVARELLI, (2013); SHANE (2000); VENKATARAMAN (2000); ANTONCIC (2001); HISRICH, (2001); DAVIDSSON, (2003); HONIG, (2003); IACOBUCCI, (2012); MICOZZI, (2012); BOROZAN, (2014); PFEIFER, (2014); KELLEY et al., (2012); SARKAR, (2010). Obstáculos V22 Preparação universitária V23 Economia V24 Preparação universitária V25 Financiamento e Recursos Base de autores

CHIAVENATO, (2007); FERREIRA, SANTOS E SERRA, (2010); REIS NETO, (2010).

Abordagens de Ensino V26 Plano de Negócio

V27 Método Canvas

V28 Teoria aplicada à prática

V30 Professor busca empresas para sala de aula

V31 Aprendizagem baseada em problemas – PBL

V32 Aprendizagem baseada em problemas – PBL

V33 Atividades em grupo

V34 Empresa Junior

V35 Propriedade Intelectual (Patentes)

V36 Captação de recursos e investimentos.

V37 Incentivo pelo professor

V38 Satisfação do aluno pela metodologia aplicada em sala

V39 Importância da disciplina

V40 Formação acadêmica de possível sócio

V41 Metodologia de ensino satisfatório.

Base de autores

KYRO, (1997); HYTTI, (2002); GIBB, (2005); CURTH (2011).

Meios de Empreender V42 Ambientes de incentivo na universidade

V43 Conhecimento acerca Startups

V44 Incubadoras na universidade

V45 Acompanhamento de trabalhos das incubadores

V46 Parques Tecnológicos

Base de autores

ACS, DESSAI E HESSELS, (2008); DAHLSTRAND, (2007); ALVAREZ E BUSENITZ, (2001).

Fonte: Elaboração Própria.

Os valores atribuídos na escala de Likert vão de 1 a 5, no qual o valor 1 significa “discordar totalmente da afirmação” e o valor 5 “concordar totalmente com a afirmação”.

Para o estudo em questão, quanto maior o número de respostas afirmativas, melhor está a situação da instituição no que diz respeito aos meios pelos quais estão sendo abordados assuntos acerca do empreendedorismo.

Quadro 11 – Descrição dos valores atribuídos na escala Likert

Itens da escala de Likert Descrição

Valor 1 Discordo Totalmente da afirmação Valor 2 Discordo em partes da afirmação Valor 3 Nem discordo nem concordo com a afirmação Valor 4 Concordo em partes com a afirmação Valor 5 Concordo totalmente com a afirmação

As afirmações foram agrupadas em 5 categorias com o objetivo de trazer maior facilidade para preenchimento do questionário pelos entrevistados e posterior análise dos dados pelo pesquisador.

Para avaliação do questionário foi utilizado o Coeficiente Alfa de Cronbach (a). O Coeficiente Alfa de Cronbach é uma medida de confiabilidade ou consistência interna dos questionários utilizada normalmente para um conjunto de dois ou mais indicadores de construto (MATTHIENSEN, 2011).

Os valores do a variam de 0 a 1,0; quanto mais próximo de 1, maior confiabilidade entre os indicadores. O uso de medidas de confiabilidade, como o a de Cronbach, não garante unidimensionalidade ao questionário, mas assume que ela existe (MATTHIENSEN, 2011). O Coeficiente Alfa de Cronbach foi de aproximadamente 0,93803 (ver Tabela 11), número bastante expressivo, visto que a literatura já considera um bom índice acima de 0,70.

Equação 1 - Cálculo do Alfa de Cronbach

Fonte: Matthiensen (2011)

Tabela 11 – Resultado do Alfa de Cronbach

Soma da variância das variáveis - Σvi 74,52222

Variância total - Σvt 904,9

Número de variáveis - K 46

Alfa de Cronbach - α 0,93803

Fonte: Elaboração Própria

4.5.1.3 Delimitação da amostra para pesquisa

O tamanho da amostra da pesquisa foi definido a partir da população determinada na seção anterior (ver Tabela 10). Por não se conhecer (Desvio Padrão) da população, foi utilizada a distribuição t de Student ao invés da distribuição Normal.

Como o tamanho da amostra é pequeno, 10 entrevistados, o desvio padrão incorpora outra fonte de erro e para manter o grau de confiança desejado e compensar a variabilidade

mencionada, o intervalo de confiança é ampliado com a utilização do t crítico da distribuição t de Student. Nesse contexto, a amostra do estudo de caso foi estabelecida em 96 alunos, conforme demonstrado na equação 2.

N = 3173 (População) n0 = 10 (Amostra piloto)

σx = 2,578 (Desvio padrão calculado na amostra)

t = 1,83 (O valor é encontrado na tabela da distribuição T de Student) α = 5% = 0,05 (95% de confiança – valor comumente utilizado)

E = 15% = 0,15 (Erro amostral – diferença entre o resultado amostral e o verdadeiro resultado populacional).

S = St = = = 0,81 (Desvio Padrão)

Equação 2 - Cálculo do tamanho da amostra

= = 96

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