3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.6 COLETA DE DADOS
A coleta de dados desse estudo se deu através de entrevista individual com os empreendedores integrantes da diretoria da Associação Comercial e Empresarial, com as integrantes do Conselho da Mulher Empresária e com os integrantes do Conselho do Jovem Empresário de Paranavaí. Inicialmente buscou contato no mês de maio de 2015 junto a ACIAP, apresentando o tema da tese e o interesse em realizar a pesquisa com os integrantes da diretoria da ACIAP e dos Conselhos que a compõe. Posteriormente, foi possível agendar a participação do pesquisador nas reuniões da ACIAP, como observador, no intuito de identificar comportamento empreendedor entre os integrantes. De posse de uma relação, cujas pessoas demonstraram requisitos para participarem da pesquisa, foram feito contatos com os integrantes convidando-os a participarem da pesquisa. Dando sequência a este procedimento, o objetivo da pesquisa foi apresentado àqueles que aceitaram participar, demonstrando grande reciprocidade, além de solicitarem a devolutiva ao final do estudo, como uma contribuição para a melhoria de seus negócios. Agendado o encontro, optou-se por horário e local que facilitasse a coleta de dados dos participantes a fim de não haver interferências.
A preparação da entrevista é uma das fases mais importantes da investigação que, segundo Valles (1997), demanda tempo e exige alguns cuidados, sobressaindo entre eles: o planejamento da entrevista, que deve ter em vista o objetivo a ser alcançado; a escolha do entrevistado, que deve ser alguém que tenha intimidade com o tema pesquisado; a oportunidade da entrevista, ou seja, a disponibilidade do entrevistado em fornecer a entrevista que deverá ser marcada com antecedência para que o investigador se certifique de que será recebido; as condições adequadas que possam garantir ao entrevistado o segredo das suas confidências e da sua identidade e, por fim, a elaboração específica que consiste em preparar o roteiro ou formulário com as questões importantes.
A coleta de dados se deu por meio de entrevista aberta, orientada por roteiro semiestruturado (apêndice A), tendo em visto que esta técnica pode ser utilizada com muita flexibilidade, ajustando-se as características dos mais diversos tipos de informantes, inclusive daqueles que têm dificuldade para se expressar por escrito. A prática de entrevista aberta na concepção de Alonso (1999) se destina à obtenção de informação de caráter pragmático, de como as diferentes pessoas atuam e reconstroem o sistema de representações sociais e suas práticas individuais. Corroborando este assunto, Minayo (2010) diz que a técnica de entrevistas abertas é a mais adequada para finalidades exploratórias, sendo bastante utilizada para o afinar
de questões e para uma formulação mais precisa dos conceitos relacionados. Para a sua estruturação, o entrevistador introduz o tema e ao entrevistado é dada a liberdade de discorrer sobre o tema sugerido. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. As questões são respondidas dentro de uma conversação informal. A postura do entrevistador deve ser a de ouvinte, intervindo apenas em caso de extrema necessidade, ou para evitar o término precoce da entrevista. A entrevista aberta é utilizada quando se pretende obter o maior número possível de informações sobre determinado tema, segundo o ponto de vista do entrevistado, e ainda para obter mais e melhores detalhes sobre o assunto em questão, o que convergiu com o objetivo dessa pesquisa que buscou informações sobre a trajetória empreendedora dos integrantes da diretoria da ACIAP, do CME e do COJEP.
A entrevista com roteiro semiestruturado permite segurança e flexibilidade ao pesquisador para que os assuntos de interesse da pesquisa sejam abordados, ao mesmo tempo em que dá liberdade ao entrevistado expressar suas vivências e experiências. Para o direcionamento da entrevista foi constituído uma pergunta norteadora, que serviu de abertura e de guia para o que se pretendeu investigar, como a pergunta central utilizada para conduzir esta entrevista:
“Conte-me quem você era, e como surgiu a ideia de empreender. Como você criou este negócio?” Contribuindo com esse pensamento Van Manen (1990) diz que na maioria das pesquisas constrói-se apenas uma pergunta orientadora, mas que pode ser subdividida em duas ou três, porém o autor argumenta que as mesmas devem voltar-se essencialmente para a compreensão do significado da experiência vivida a ser pesquisada, visto que esta constitui o ponto de partida da pesquisa fenomenológica.
Por meio da pergunta norteadora central que conduziu as entrevistas, os participantes puderam narrar sua trajetória empreendedora, resgatando lembranças e passagens do processo de constituição do negócio desde a primeira ideia de concepção. Nessa abordagem Seidman (1997) relata não existir um número de questões definida a priori, pois o objetivo da entrevista é levar as pessoas a descrever as suas trajetórias e a sua experiência no contexto de suas vidas e na das pessoas que a cercam. Patton (2002) considera que sem o contexto, as possibilidades de explorar os significados de uma experiência são pequenas.
Na condução do processo de investigação Silva (2005) salienta que o pesquisador deve deixar de lado o seu conhecimento prévio sobre o tema para permitir um encontro com o fenômeno de forma mais livre, sem pressupostos ou preconceitos, ficando atento ao discurso
do entrevistado dedicando toda a sua atenção ao que ele está relatando, procurando manter em sua mente a questão de pesquisa e situando o diálogo no contexto de experiência.
Todas as entrevistas foram gravadas com autorização dos participantes, para que não se perdesse nenhuma informação importante no processo de transcrição. Para Mills (1982) citado por Mann (1992), nenhum estudo na área das ciências sociais terá atingido seus objetivos intelectuais caso não tenha considerado as questões biográficas e históricas e suas intersecções no âmbito social.