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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.3 COLETA DE DADOS

De acordo com Creswell (2010), os passos para a coleta de dados incluem o estabelecimento dos limites para o estudo; a coleta de informações por meio de observações e entrevistas não estruturadas ou semiestruturadas, de documentos e de materiais visuais; assim como o estabelecimento do protocolo para o registro das informações.

Apoiando-se nesta ideia, ratifica-se o local selecionado para a pesquisa – a Associação para o Desenvolvimento da Comunidade da Chã de Jardim – a partir da noção de seleção intencional do objeto de estudo, dos sujeitos e dos materiais considerados para análise que subjazem a metodologia qualitativa, de forma a auxiliar o pesquisador a compreender o problema e a questão de pesquisa (CRESWELL, 2010).

Para investigar o processo de formação de estratégia da ADESCO, foram observados e entrevistados os seus membros; examinados os eventos, ou seja, as ações, atitudes e comportamentos destes atores; e lançou-se um olhar sobre o processo, que consistiu na natureza evolutiva dos eventos realizados pelos atores no local, corroborando o que Minayo e Sanches (1993) alegam sobre o pesquisador: este deve sempre conferir o que é dito com o que é efetivamente feito, celebrado e/ou encontra-se cristalizado.

É com base nesta abordagem multidimensional que as limitações do estudo podem ser mitigadas e atinge-se a profundidade almejada da compreensão de um fenômeno social, que é o cerne da pesquisa qualitativa (RICHARDSON, 1999).

Assim, para a coleta de dados, foram selecionadas as técnicas de estudo de campo, observação direta não participativa, entrevista e análise documental.

Em relação ao estudo de campo, caracteriza-se principalmente por abranger e analisar situações corriqueiras, que são, precisamente por esta razão, autênticas e capazes de retratar a realidade das interações sociais genuinamente (MARC; PICARD, 1992). Por meio dele o pesquisador logra examinar as relações que envolvem os vários sujeitos sociais, aspectos comportamentais destes, e idiossincrasias referentes à personalidade, valores e crenças de cada um (MARC; PICARD, 1992).

Sobre o método de observação direta, pode ser definido como a reunião de impressões do mundo que rodeia o indivíduo, neste caso, o pesquisador, através de todas as faculdades humanas relevantes (ADLER; ADLER, 1994), possuindo um caráter naturalista, dado a organicidade da conjuntura em que ocorre, fugindo da ideia de um simulacro ou situação artificialmente criada e aproximando-se mais da vida cotidiana das pessoas. Demanda, portanto, a análise de diversas interações em momentos distintos, a fim de encontrar padrões que poderão ser, posteriormente, sintetizados em uma narrativa (ROSENFELD; GIACALONE; RIORDAN, 2002).

Segundo Patton (2002), apresenta as vantagens de possibilitar ao pesquisador assimilar o contexto no qual as interações ocorrem e examinar mais efetivamente os indivíduos que fazem parte deste, além de perceber nuances ou detalhes que poderiam passar despercebidos pelas demais pessoas e/ou não serem mencionados por elas nas entrevistas.

Nos momentos de imersão no ambiente, o papel do pesquisador será de observador não participante, uma vez que buscará não ter qualquer interferência nos processos de tomada de decisão no local, e apenas investigará este e outros aspectos concernentes à formação de estratégia na associação com a maior neutralidade possível, embora Patton (2002) ressalte que o nível e intensidade da participação pode se alterar no decorrer da pesquisa e que a separação completa do ambiente é impossível quando se trata das ciências sociais, conforme salienta Weber (1973).

No tocante às entrevistas, foram semiestruturadas, feitas com representantes da associação, tendo sido realizadas em profundidade. No momento dos encontros, houve uma conversa mais ampla sobre o cotidiano da organização, relações entre os indivíduos, liderança e processos no interior da ADESCO, para, a posteriori, tratar-se com os entrevistados do objetivo do tema, buscando-se concatená-lo ao máximo à prática cotidiana da associação. Considerações pormenorizadas a respeito do conteúdo abordado são feitas a posteriori.

Quanto ao roteiro, foi aberto e composto por perguntas pré-definidas. Após a realização das entrevistas, realizou-se a transcrição literal das mesmas e, posteriormente, intuindo adjuvar a captação e exposição do conteúdo, elaborou-se uma síntese com os aspectos mais relevantes acerca de cada unidade de análise, levantados pelos entrevistados e abordados na etapa subsequente do estudo.

Em relação à análise documental, torna-se possível averiguar determinados aspectos objetivados na pesquisa, bem como corroborar outros mencionados pelos entrevistados, por meio de materiais coletados via internet e publicações que tratem pormenorizadamente do case Comunidade Chã de Jardim, diretamente conectado com o propósito do trabalho. Ademais,

foram consultadas atas, lavradas pelos associados, das reuniões mensais no período de três meses, cujo conteúdo consiste em uma síntese de tudo o que foi discutido e deliberado nas mesmas. Tais atas são redigidas pelo Primeiro Secretário da ADESCO – cargo que, no atual mandato, é desempenhado por Daniel Ribeiro – após o término de cada encontro, lidas e lavradas no seguinte, para que os associados que não puderam comparecer tomem ciência de seu conteúdo e os que estiveram presentes o rememorem e anuam-no.

No que se refere ao material coletado, inclui-se tanto o primário, tais como informações diretamente extraídas da pessoa ou da situação que está sendo estudada (CRESWELL, 2010), uma vez que os próprios associados foram entrevistados e que o pesquisador visitou a ADESCO e a Comunidade Chã de Jardim em seis ocasiões; como o secundário – matérias jornalísticas e artigos sobre o local, de razoável confiabilidade e valor, uma vez que são fruto de entrevistas pessoais com os próprios componentes da associação e investigações científicas, respectivamente.

Busca-se, assim, a utilização de uma variedade de evidências oriundas de duas ou mais fontes, mas que convergem em relação ao mesmo conjunto de fatos ou descobertas; além do uso de um banco de dados para o estudo, e a aplicação de uma concatenação daquelas, ou seja, ligações explícitas entre as questões feitas, os dados colecionados e as conclusões a que se pretende chegar – princípios apontados como fundamentais por Yin (2005) durante os procedimentos para a realização do estudo.

3.4 PROCEDIMENTOS NA ELABORAÇÃO DO ROTEIRO E APLICAÇÃO DAS