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COLETA E ANÁLISE DOS DADOS

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5. REFÊRENCIAS

2.3 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS

2.3.1 Chuva de sementes

Para a coleta da chuva de sementes nas áreas I e II foram instalados 50 coletores, sendo 25 coletores em cada área. Foi feito o acompanhamento mensal por um ano, entre os meses de novembro de 2014 e outubro de 2015. Os coletores foram construídos com tecido de filó, no formato circular, com área de 0,25 m2. Estes foram distribuídos de forma sistemática ao longo da margem do rio, distantes entre si 50 metros (Figura 5).

Figura 5 - Coletor da chuva de sementes instalado nas áreas da pesquisa (I e II) em Belém de São Francisco – PE.

Fonte: Gomes (2017)

O material recolhido pelos coletores mensalmente foi triado para a separação das frações folhas, galhos, material reprodutivo (frutos e sementes) e outros, com o auxílio de lupa estereomicroscópica. O número de frutos e sementes foi registrado e quantificado. Os frutos amostrados foram abertos para a retirada e contagem de sementes.

As sementes foram identificadas ou descritas em morfotipos pelas características morfológicas. A identificação deu-se através de comparação com

sementes e exsicatas férteis de plantas depositadas no herbário do IPA – Dárdano de Andrade-Lima e, também, por apoio de especialistas e uso de bibliografias especializadas. As sementes não identificadas pelos procedimentos acima descritos, foram plantadas em vasos na casa de vegetação da Estação (IPA), e acompanhada a sua germinação até o momento possível de identificação. Para todas as espécies identificadas na chuva de sementes foi elaborada uma lista com base no sistema APG III (APG, 2009). Os frutos e sementes foram avaliados quanto à morfologia externa e classificados quanto à síndrome de dispersão, de acordo com classificação de Pijl (1982).

Com base na abundância de sementes (número de sementes) coletadas e área total amostral dos coletores, foi calculada a densidade de sementes mensal e total (sementes/m2). Determinou-se a riqueza de espécies de sementes (número de espécies e morfoespécies de sementes) procedendo-se a análise da diversidade da chuva de sementes com o cálculo do número de espécies (S) e indivíduos (N), equitabilidade de Pielou (J’) e diversidade de Shannon-Wiener (H’) para as diferentes áreas. Para esta análise foi utilizada a variável de densidade de sementes obtida na chuva de sementes ao longo dos meses de observação. A similaridade entre a diversidade e densidade de sementes entre as estações do ano foi testada através do índice de Sorensen (KREBS, 1980).

A normalidade dos dados para as variáveis número e densidade de sementes foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk (ZAR, 1999). Como os resultados para o conjunto de dados não teve distribuição normal, mesmo com os dados transformados, realizou-se a comparação dos efeitos da área (I e II) e do período (seco e chuvoso) na chuva de sementes pelo teste não paramétrico de χ2 (qui-quadrado).

A correlação entre a densidade de sementes e as variações climáticas (precipitação, temperatura do ar, umidade relativa do ar e velocidade dos ventos) foi analisada pelo teste de correlação de Sperman, realizado com apoio do programa XLSTAT, versão 2016 – Free (ADDINSOFT. 2009).

2.3.2 Banco de sementes

O estudo do banco de sementes foi realizado nas mesmas áreas em que avaliou-se a chuva de sementes (áreas I e II), amostrando-se os mesmos 25 pontos

onde se instalaram os coletores da chuva de sementes a um metro de distância do coletor.

O banco de sementes do solo foi avaliado por meio da coleta de 50 amostras em cada período de coleta, totalizando 100 amostras, sendo 25 amostras em cada área (I e II) por período. As coletas foram realizadas no mês de outubro de 2014 (período seco) e em março de 2015 (período de chuvas). Coletou-se a serrapilheira acima do solo e logo abaixo desta camada, foi feita a coleta do solo à profundidade de 0 a 5 cm, com o auxílio de um gabarito de 0,25 m x 0,25 m (0,0625 m2) e de um enxadão e pá de jardinagem (Figura 6). Em seguida as amostras foram acondicionadas em sacos plásticos identificados e levados para a casa de vegetação da Estação Experimental do IPA em Belém de São Francisco.

Figura 6 - Coleta do banco de sementes na área I, próximo ao coletor da chuva de sementes: (a) camada de serrapilheira e camada de solo (0-5 cm), (b) amostras acondicionadas em sacos plásticos ao lado dos instrumentos de coleta. Belém de São Francisco – PE.

Fonte: Gomes (2017)

A coleta das amostras do banco de sementes na área (III), em processo de restauração ecológica, foi realizada para os dois trechos, considerando o trecho 1- parte da área com influência de alagamento temporário com textura do solo média argilosa e o trecho 2 – parte da área sem influência de alagamento com textura mais arenosa. Em cada trecho foram coletadas 25 amostras em parcelas sorteadas aleatoriamente. A coleta das amostras nas camadas de serrapilheira e solo (0 a 5 cm

de profundidade) foi realizado no mês de março de 2015, durante o período de chuvas na região.

Cada amostra de serrapilheira e solo foi distribuída individualmente em bandeja de isopor (36 x 25 x 5 cm), previamente preenchidas com uma fina camada de areia lavada e esterilizada como recomendado por Dalling et al. (1999). As bandejas foram dispostas aleatoriamente em bancadas, acondicionadas em casa de vegetação coberta com sombrite (50%) sob temperatura ambiente e regadas diariamente, de acordo com a necessidade (Figura 7). As amostras foram monitoradas diariamente no período de seis meses. De forma a verificar se ocorreria contaminação com sementes externas, outras bandejas com areia lavada e esterilizada foram distribuídas entre as amostras.

Figura 7 - Disposição das bandejas com a colocação da camada de solo e serrapilheira para estudo do banco de sementes em casa de vegetação. (a) coleta do período de chuva e (b) plântulas emergidas nas bandejas da coleta do período seco. Belém de São Francisco – PE.

Fonte: Gomes (2017)

A análise e determinação da densidade do Banco de Sementes do solo foi realizada pelo método da emergência de plântulas (SWAINE, 2001), que consiste na identificação das plântulas que germinaram das sementes presentes nas amostras de serrapilheira e solo. A identificação florística das espécies estabelecidas nas amostras coletadas foi realizada por meio de consulta a bibliografias e comparações com exsicatas depositadas no herbário do IPA Dárdano de Andrade-Lima. As plântulas as quais não foi possível a identificação foram transplantadas para sacos de polietileno e mantidas até o momento em que fosse possível sua identificação. Para todas as espécies identificadas no banco de sementes, foi elaborada uma lista com base no

sistema APG III (APG, 2009). A nomenclatura das espécies foi verificada na Lista de Espécies da Flora do Brasil (FLORA DO BRASIL, 2017)

De posse dos dados de número de plantas emergidas e o esforço amostral calculou-se a densidade de sementes, expressa em sementes por metro quadrado para cada espécie ou morfotipo. Com base na densidade, calcularam-se os índices de diversidade de Shanonn (H’) e de equabilidade (J), conforme Mueller-Dombois e Ellenberg (1974). Diferenças no número de sementes entre o período de chuva e seco, para cada tipo de amostra (serrapilheira e solo a 0-5 cm), áreas I e II (com e sem dominância de Algaroba) foram testadas quanto à normalidade, para posterior realização de análise de variância (ANOVA). Para os dados que não atendiam ao pressuposto da normalidade, mesmo após transformados, foi utilizado o teste de χ2 (qui-quadrado) a 1 e 5% de probabilidade.

2.3.3. Avaliação das rebrotas dos tocos e regeneração de Algaroba na área em restauração

No momento de intervenção com ações de restauração na área III foram suprimidos 59 indivíduos com circunferência a altura da base (CAB) maior que 10 cm. Todas as cepas (tocos) dos indivíduos suprimidos foram avaliadas visualmente nos anos de 2015 e 2016 quanto à emissão de rebrotas. Para cada toco foi quantificado o número, circunferência e altura das rebrotas. As regenerações de novos indivíduos de Algaroba foram arrancadas e contabilizadas em todas as parcelas da área.

Com estes dados, avaliou-se a capacidade de rebrota e regeneração de P. juliflora na área em restauração. A comparação da sobrevivência e do número de rebrotas e regenerantes entre os anos foi avaliada pelo teste de χ2 (qui-quadrado) a 1 e 5% de probabilidade.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

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