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2 OS COMBUSTÍVEIS

6.2 COLETA E TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS

Uma etapa importante do presente trabalho foi a obtenção dos dados, bem como a sua tabulação e análise, que permitiram a interpretação dos resultados obtidos.

6.2.1 Coletas de dados do congestionamento

As informações relativas às extensões dos congestionamentos de tráfego foram obtidas junto à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), empresa pública, vinculada à Secretaria Municipal dos Transportes da Prefeitura de São Paulo, onde os dados, concernentes às ocorrências de congestionamentos de veículos na Cidade de São Paulo, registraram medições das lentidões realizadas diariamente, a cada meia hora, num período compreendido entre as 07h00 e 20h00, em 560 quilômetros das vias monitoradas e consideradas estratégicas para o sistema viário municipal, conforme ilustrado na figura 26 a seguir.

As principais vias do Município, com o seu traçado predominantemente radial, são monitoradas através das informações obtidas por meio de câmeras, agentes circulando com viaturas, ou a pé, e dos Postos Avançados de Campo (PAC).

Os PAC são agentes posicionados nos terraços de edifícios localizados em pontos estratégicos da cidade e com visibilidade privilegiada dos principais corredores de tráfego, informando periodicamente as condições de trânsito nessas vias.

Figura 26 – Visão da tela de monitoramento do Mapa de Fluidez do sistema viário,

apresentando as vias monitoradas e consideradas estratégicas para o sistema viário municipal, disponibilizada pela CET através do sítio: www.cetsp.com.br

Fonte: Companhia de Engenharia de Tráfego (2014c)

Devido ao menor volume de tráfego, em função da redução das atividades econômicas aos finais de semana e feriados, os dados da CET não continham informações relativas à existência de congestionamentos nessas datas e, portanto, elas não foram consideradas na tabulação dos dados na tabela. Desta forma, o estudo iniciou-se com 4994 dias e concluiu-se analisando as ocorrências em 3452 dias úteis.

6.2.2 Coletas de dados da concentração de poluentes na atmosfera

Já os dados pertinentes às concentrações dos poluentes são provenientes das estações de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, e foram coletados, diariamente, junto às estações da região metropolitana, distribuídas conforme pode ser observado na figura 27.

Estes dados, no presente trabalho, são apresentados na sua média diária, calculadas de forma distinta, de acordo com as características de cada poluente, e é representada por um valor incorporado à tabela utilizada neste trabalho.

Os poluentes aqui estudados são aqueles considerados, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como prejudiciais aos seres humanos, como Ozônio, Monóxido de Carbono, Dióxido de Nitrogênio, Dióxido de Enxofre e Material Particulado < 10µg/m3 (COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014b).

Também foram considerados dois dados climatológicos, a Temperatura Mínima e a Umidade Média, fatores que influenciam e sofrem a influência de alguns poluentes atmosféricos.

Figura 27 – Posicionamento das estações de monitoramento da CETESB, compreendendo a Capital e a região metropolitana

Fonte: Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (2014a)

6.2.3 Tabulação dos dados e consolidação da tabela

Na análise estatística foi estudado o máximo período possível, considerando os dados disponíveis por ambas as Companhias, desta forma, adotou-se o período compreendido entre 02 de maio de 1996 até 31 de dezembro de 2009.

De modo a reduzir um provável impacto em nível de distorção, como visto anteriormente, foram eliminadas da tabela as linhas que não possuíssem dados completos relacionados às lentidões ou aos poluentes, como finais de semana, feriados e outras datas que por qualquer motivo não possuíam as respectivas informações.

Para o processo de diagnóstico, foi elaborada uma tabela descritiva, conforme o quadro 8, onde se incluiu os dados diários, relativos aos congestionamentos, ou extensões de lentidões e àqueles referentes aos poluentes atmosféricos e dados climatológicos, dia a dia, durante todo o período do estudo.

Para essa tabela foi inicialmente concebida numa planilha eletrônica, onde foram formatados todos os vínculos entre os dados disponíveis e que atendessem ao objetivo de observar qual a possível relação entre a ocorrência de congestionamentos no Município de São Paulo e a concentração de determinados poluentes na atmosfera da cidade.

Quadro 8 – Tabela principal, utilizada para a análise dos dados

Fonte: Elaborado pelo autor

Assim, para cada dia do período analisado, têm-se as extensões das lentidões de tráfego a cada meia hora e também as médias dos poluentes estudados, como o Ozônio (O³), o Gás Carbônico (CO), o Dióxido de Nitrogênio (NO²), o Dióxido de Enxofre (SO²) e o Material Particulado menor que 10 µm (PM10), bem como os dados climáticos como a Temperatura Mínima (Tmpmin) e a Umidade Média (hméd).

Após a formatação inicial da tabela geral dos dados, utilizou-se um programa específico para tratamento estatístico dos dados, de modo a trabalhar todas as informações obtidas. Assim, foram efetuados diversos cálculos e gerados vários gráficos, considerando várias composições envolvendo todos os dados, tanto individualmente como os relacionando com os demais, de acordo com os objetivos perseguidos.

Para observar o comportamento dos poluentes e a sua interrelação com a extensão dos congestionamentos foi utilizada a análise estatística descritiva.

Finalmente, no tratamento dos dados, procurando concluir o grau dessa possível relação entre congestionamentos e poluentes, utilizou-se um teste não-paramétrico, a correlação de Spearman (rho), entre os poluentes, e estes com a extensão dos congestionamentos, de modo a obter-se, matematicamente, o nível de relação entre todas as variáveis envolvidas.

7 RESULTADOS

A partir da utilização das informações e ferramentas descritas, foram consideradas várias possibilidades de análise, através das quais se obtiveram os resultados em forma de tabelas e gráficos, que auxiliaram no entendimento das relações que foram estabelecidas para os dados disponíveis.

Iniciando a análise, procurou-se verificar o comportamento de cada um dos dados de forma independente, ou seja, ao longo do período estudado, qual foi o comportamento da extensão dos congestionamentos e da concentração dos poluentes e dados climatológicos, isoladamente. Desta forma, foram obtidos os Gráficos a seguir.

7.1 OS CONGESTIONAMENTOS

Na figura 28 observamos a linha de ajuste da curva indicando um crescimento do congestionamento ao longo do período.

Figura 28 - Comportamento da fila de congestionamento, ao longo do período

7.2 OS POLUENTES

Os poluentes foram analisados ao longo do período do estudo, considerando-se o seu comportamento e os níveis da sua concentração na atmosfera, considerando-se os parâmetros estabelecidos pela CETESB.

7.2.1 Ozônio

Na figura 29, observa-se que o comportamento do Ozônio, ao longo do período registrou um aumento da sua concentração, além de, em várias oportunidades, ter ultrapassado o limite do estado de atenção declarado pela CETESB, de 200 µg/m3, com base na legislação estadual, mais restritiva que a resolução CONAMA nº 003 de 28/06/90 (BRASIL, 1990), que estabelece um limite maior, de 400 µg/m3. O estado de alerta, porém, não foi atingido.

Figura 29 - Comportamento do Ozônio ao longo do período do estudo

7.2.2 Monóxido de carbono

Na figura 30, relativa às emissões do Monóxido de Carbono, a linha de ajuste da curva indica uma queda desse poluente ao longo do período, além de não ter sido observada nenhuma ocorrência de ultrapassagem do limite do estado de atenção.

Figura 30 – Comportamento do Monóxido de Carbono ao longo do período do estudo

Fonte: Elaborada pelo autor

7.2.3 Dióxido nitroso

O Dióxido Nitroso, conforme a figura 31 a seguir, também apresentou redução durante o período do estudo, porém menos acentuada se comparada ao Monóxido de Carbono.

Figura 31 - Comportamento do Dióxido Nitroso ao longo do período do estudo

Fonte: Elaborada pelo autor

7.2.4 Dióxido de enxofre

O comportamento do Dióxido de Enxofre, ao longo do período do estudo, também apresentou a linha de tendência indicando uma forte redução na concentração desse poluente, de acordo com a figura 32 a seguir, semelhante à redução do Monóxido de Carbono, no entanto menos acentuada.

Figura 32 - Comportamento do Dióxido de Enxofre ao longo do período do estudo

Fonte: Elaborada pelo autor

7.2.5 Material Particulado < 10µm

A figura 33 a seguir apresenta a concentração para as partículas inaláveis, inferior a 10 µm, igualmente apresenta uma linha denotando uma diminuição na sua concentração ao longo do período estudado, sendo essa redução inferior às observadas na concentração do Monóxido de Carbono e do Dióxido de Enxofre e superior à verificada na concentração do Dióxido Nitroso.

Figura 33 - Comportamento do Material Particulado < 10 µm, ao longo do estudo

Fonte: Elaborada pelo autor

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