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Comércio Tradicional versus Comércio Eletrónico

2.3 E-commerce nas PME

2.3.1 Comércio Tradicional versus Comércio Eletrónico

Com a globalização cada vez mais intensa das economias mundiais e o enorme desenvolvimento da internet, parecem não ter fim as oportunidades de mercado para a maioria das empresas. A internet tem tido um enorme impacto na maneira como as empresas são organizadas e geridas. Apesar da bolha das dot.com nos EUA em 2001, um número crescente de empresas em pleno ano de 2012 estão a utilizar a internet como uma ferramenta de comunicação fundamental para realizarem os seus negócios com os seus atuais e potenciais clientes, tornando a web num meio extremamente eficiente para aceder, organizar e comunicar.

Devido ao aparecimento da Internet, as empresas agora competem fisicamente num mundo de tijolo e argamassas, mas também num mundo virtual feito de tecnologia de informação (Amitrajit Sarkar, 2008). A web tem algumas características únicas e poderosas que a diferenciam do modelo convencional de comunicação. Neste ambiente as empresas são

capazes de considerar os consumidores individualmente, personalizar os seus serviços e produtos, e estabelecer uma comunicação bidirecional com os seus consumidores. A internet fornece diversas oportunidades para as empresas de menor dimensão, como o acesso a novos mercados com custos reduzidos e a diminuição da distância geográfica para com os seus clientes. Assim, realizar negócios através da Internet tornou-se uma necessidade competitiva para a maioria das empresas mais pequenas (McCollum, 1998). Com o crescimento exponencial dos utilizadores da internet e do rápido desenvolvimento das tecnologias de informação, o e-commerce foi uma das aplicações informáticas que mais suscitaram interesse de desenvolvimento. De acordo com Lee e Lin (2005), o e- commerce é um conceito que descreve o processo de compra, venda ou troca de produtos, serviços e informações através de redes informáticas, incluindo a internet. Desde o surgimento do e-commerce, o conceito de se realizar trocas comerciais através de uma rede revolucionou por completo a forma como se processam os negócios, as operações de compra e venda, a oferta de produtos e serviços. A revolução provocada é tão grande na nossa sociedade que o cenário revolucionário é idêntico, comparativamente a todas as seguintes invenções: telefone, televisão, fax e correio eletrónico, as quais de uma forma ou de outra alteraram a ligação entre consumidor e empresa.

O aparecimento do e-commerce promoveu uma comunicação mais interativa, virtualmente, entre clientes e fornecedores, permitindo uma maior troca de informações sobre produtos e serviços. Permitiu também a redução significativa de custos nas transações e fez com que as informações cheguem com mais facilidade ao destinatário sem sacrifício da riqueza dos conteúdos (Evans e Wurster ,1997). Sendo que o maior benefício que traz o e-commerce à nossa sociedade é o de melhorar a comunicação ao longo da cadeia de valor, oferecendo um modelo de negócio integrado pelo qual as empresas podem ser mais sensíveis e flexíveis à evolução dos mercados e exigências dos clientes (Lee e Lin, 2005).

Com o emergir do e-commerce, este trouxe consigo vários benefícios: de índole promocional, redução de custos, maior conhecimento às populações, encurtou distâncias geográficas, fez desenvolver os serviços ligados ao cliente, melhorou o relacionamento das empresas com os clientes (ex.: facebook), desenvolveu a vertente da personalização e fez as empresas ganharem novas vantagens competitivas (Gunasekaran e Ngai, 2005).

Com a generalização da Internet, novas formas de negócio e novas “indústrias” surgiram, como é o caso do Ebay, Amazon e Zappos. Contudo, o surgimento destas novas indústrias, umas delas puramente digitais e outras híbridas, permitiu uma reconfiguração de muitas das indústrias existentes. Com o surgir do comércio eletrónico, importa compreender que este difere do comércio tradicional, principalmente, pela forma como a informação é trocada e processada entre as partes intervenientes. No caso do comércio eletrónico, em vez de existir um contacto pessoal e direto entre ambas as partes, a informação é transmitida através de uma rede digital ou de outro qualquer canal eletrónico.

Várias são as interpretações que tentam caraterizar esta nova forma de fazer “comércio”, sendo um termo definido por uma variedade de pesquisadores das mais diversas maneiras. Laudon e Traver (2010) definem-no como a utilização da Internet e da World Wide Web para transações comerciais. Schneider e Perry (2000) definem e-commerce como as atividades empresariais que utilizam uma transmissão eletrónica de dados através da Internet e no mundo Web. De acordo com Turban et al. (2004), e-commerce é o processo de compra, venda ou troca de produtos, serviços e informações através de redes informáticas, incluindo a Internet. Gibbs et al. (2004) define e-commerce como o uso da Internet para comprar, vender, ou dar o apoio e suporte a produtos e serviços.

Uma das tendências mais significativas nos últimos 15 anos é o aumento do uso da Internet para as empresas realizarem negócios. A tendência decorre dos benefícios que as empresas observam existir com o uso deste meio (Hinson et al., 2008). As investigações académicas mostram que a adoção de e-commerce leva a uma variedade de benefícios, que incluem: redução dos custos, melhoria da qualidade geral dos produtos, novos clientes ou contacto de novos fornecedores, e a criação de novas formas de vender os produtos existentes. Existem porém investigadores como Gibbs et al. (2004) que vão mais longe e argumentam que o e-commerce foi e continua a ser um dos mais importantes impulsionadores do processo de globalização.

As características das tecnologias que permitem a realização de e-commerce estão na base do grande crescimento e da crescente influência que este tem vindo a assumir na nossa sociedade. Tomando como base uma análise realizada por Laudon e Traver (2010), existem oito características que transformam o e-commerce em algo único:

1. Ubiquidade - visto que a Internet está disponível em praticamente todos lugares e a qualquer hora, através de uma panóplia enorme de aparelhos móveis;

2. Alcance Global - não existem fronteiras, a tecnologia é acessível além-fronteiras; 3. Standards Universais - conjunto de padrões tecnológicos possíveis de serem

utilizados em qualquer país, desde que se utilize determinada tecnologia;

4. Interatividade - criando ligações com o utilizador através de ferramentas disponíveis nos sites;

5. Riqueza de conteúdos - é possível emitir informação através de vídeo, áudio e texto;

6. Densidade de Informação – apresenta-se como um meio de resposta eficiente para a maioria das perguntas dos consumidores;

7. Personalização - permite apresentar conteúdos customizados para indivíduos ou grupos;

8. Tecnologia social - geração de conteúdos passíveis de serem integrados nas redes sociais.