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ECONOMIA, CULTURA E DESENVOLVIMENTO

1.1 Com(partilhando) conceitos, contextos e congruências

Em um mundo cada vez mais globalizado, imperativos econômicos e culturais podem ser vistos como duas das mais poderosas forças para moldar o comportamento humano e o desenvolvimento, dando força a uma nova economia – da criatividade e cultura - na produção de bens e serviços.

Compreender inter-relações e conflitos que resultam das novas dinâmicas estabelecidas pela cultura com outras dimensões da sociedade, como economia e desenvolvimento, particularmente aquelas que se vinculam com as práticas econômicas, é, hoje, um dos maiores desafios para ações de governos, organizações, comunidades, acadêmicos, políticos, dentre outros

atores, que objetivam promover a ampliação do conhecimento teórico e prático sobre a relação entre cultura e desenvolvimento e sobre as possibilidades e os modos de intervenção que contribuam para potencializar seus resultados.

Pensar hoje a economia do setor cultural não constitui em nada uma derrota dos argumentos humanistas sobre a cultura que todos conhecemos e defendemos [...]; pensar a economia do setor cultural é uma arma para a cultura. Uma arma que o setor cultural deve se apossar para melhorar sua própria visão das coisas, defender suas escolhas e sua existência, participar de maneira ativa do seu desenvolvimento futuro (Revista observatório Itaú Cultural, n.2, 2007, p. 32-33).

Neste processo de (re)conhecimento da cultura e das indústrias criativas como fator de desenvolvimento regional, alguns dados, ações, aspectos e conceitos merecem destaque; outros necessitam ser desenvolvidos e considerados. Por isso, realizou-se uma contextualização sobre economia, cultura e desenvolvimento - um nicho de conhecimentos, uma seqüência de fatos e teorizações - que, nos últimos anos, vem mostrando que as artes e os produtos culturais, como qualquer outra atividade humana, podem – e devem - ser pensadas economicamente, e como fator de desenvolvimento. Já não se pode negar (CAETANO, 2007) que as chamadas indústrias culturais e criativas proporcionam cada vez mais trabalho e configuram uma realidade econômica bastante visível. Afinal, as indústrias criativas fazem parte do cotidiano: música, televisão, informática, vestuário, design, acessórios, arquitetura, livros, revistas, jornais, entre outros.

Isto significa tomar como equivalentes as manifestações da criação humana e os bens produzidos em série pela indústria. Significa aceitar e reconhecer que as práticas culturais e os bens e serviços que delas resultam são presididos por interesses diversos, inclusive e, sobretudo, o interesse econômico, para que possam ser fomentadas e promovidas com mais eqüidade e eficiência. O ponto de partida é econômico, mas seu horizonte é estratégico. Talvez por isso, a relação entre cultura, economia e desenvolvimento é um dos pontos centrais em vários debates. Para além do ambiente acadêmico, que tem assistido a alguns estudos e pesquisas dedicadas especificamente às indústrias criativas e economia criativa, já são significativas as experiências práticas que articulam cultura, economia e desenvolvimento, quer no âmbito das políticas públicas governamentais, quer no campo de ação de múltiplas agências e organizações da sociedade civil cujos recortes específicos inscrevem-se na perspectiva do desenvolvimento local sustentado12.

12 Sendo todo processo de desenvolvimento um processo localizado, por definição, se pode afirmar que o desenvolvimento local é um processo de mudança sócio-estrutural, mapeado sobre um território próximo, definido geograficamente pela própria escala do processo. Caracteriza-se esse processo pelo seu caráter endógeno (autonomia, reinvestimento, inovação, identidade), pelo papel dos recursos, em especial aqueles não materiais do lugar, pelos agentes e suas relações, tanto diretas quanto medidas, pela escala e funcionalidade das organizações, pela cultura local,

Assim, a área cultural se expande como atividade econômica e vem se consolidando em nosso tempo. Em um ritmo constante, aumenta a participação de organizações privadas, públicas e do terceiro setor na criação do bem público cultural. Cada vez mais ocorrem ações e investimentos, criam-se ONGs, fundações e instituições (anexo D), aportam-se recursos humanos no setor, o que implica (positivamente) em um aumento da participação relativa da cultura no PIB nacional e mundial, a partir da geração de emprego, renda, entre outras questões.

Se o mundo está globalizado e todas as atividades se integram cada vez mais, esta mesma globalização e a crescente interdependência das economias nacionais e mundiais têm aberto caminhos para novas oportunidades de desenvolvimento. As medidas a serem adotadas pelo setor público e privado destacam a criatividade e a incorporação das indústrias criativas na agenda de desenvolvimento regional, reforçando a competitividade na economia local e global. Importante ressaltar que

A globalização não é uma megatendência redutível à economia. Sua compreensão não se confina ao aumento dos fluxos comerciais e de capitais, e mesmo aos de tecnologia.

Tampouco à sua promoção de super acumulação de capitais e de riquezas, e o empobrecimento dos excluídos. Mas abarca também uma intensa mercantilização do mundo, uma exigência de negociações contínuas, um confronto entre valores e crenças. No entanto, a globalização não seria compreensível sem uma economia global (MULLER, 1996, p. 78).

Neste contexto, cabe uma questão: cultura da economia ou economia da cultura? A cultura da economia estuda valores, crenças e hábitos culturais de uma sociedade em suas diversas relações que, em alguns momentos, pode servir de resistência ao desenvolvimento. A economia da cultura, ao restituir à cultura (produto cultural) o seu valor econômico, lhe garante um lugar de peso na mesa de negociações multilaterais, nos debates sobre alocação de orçamentos públicos e promove o envolvimento do setor corporativo nas questões culturais – não apenas como marketing ou responsabilidade social, mas como estratégia de negócios (REIS, 2007A).

Desfazendo estereótipos, a economia da cultura é estratégia de políticas públicas em diversos países13. As oportunidades são imensas. Para tanto, é preciso uma visão global e

cujo produto é uma Sinergia que causa um progresso sistemático do território - até atingir a condição de sujeito coletivo, do tecido social - até atingir a condição de comunidade imaginada e de cada um dos seres humanos que o habita - até atingir a condição de pessoa. O desenvolvimento local é um resultado que se encontra no cruzamento de dois emergentes sistêmicos: um que resulta da interação do território com sua vizinhança, e outro que resulta da interação interna do sistema (BOISER citado por Siedenberg, 2006).

13 Nos Estados Unidos, desde 1936, as empresas beneficiam-se de deduções fiscais de verbas destinadas a organizações sem fins lucrativos (inclusive culturais). No Brasil, há uma miríade de leis de incentivo à cultura, nos âmbitos unicipal, estadual e federal – Lei de Incentivo á Cultura da Bahia, Lei do audiovisual, Lei Rouanet. No Reino Unido, foi aventado o uso de recursos da loteria nacional para as consideradas boas causas, entre elas, a cultura. Dez

integrada das diversas facetas do universo da cultura, entrelaçando relações econômicas e valores simbólicos, instrumentos nacionais e de intervenção, turismo e patrimônio cultural, economia criativa, políticas públicas de desenvolvimento.

Estas relações econômicas das atividades culturais vistas numa perspectiva histórica, possuem fortes laços com o Estado, a igreja e o mecenato. Esta perspectiva é apresentada por VALIATI; FLORISSI (2007, p.7).

Até o final da Idade média, o know-how era o elemento motivador da profissão de arte e o valor de uso era o objetivo final da realização. Com o início do período do Renascimento, houve um processo de independização da arte, a partir de um movimento de emancipação de seus financiadores e controladores, e migração para um ambiente privatizado e de mercado, em que a legitimação da arte passa a depender também do equilíbrio entre oferta e demanda. Ou seja, o fim maior da arte passa a ser ela mesma, a partir do acúmulo de capital simbólico ou o atendimento de necessidades de mercado. A condição peculiar do bem cultural apresenta-se a partir da dissociação entre seu preço de mercado e seu custo de produção, quando há capital simbólico acumulado antes da acumulação econômica, sendo que, ao final deste ciclo, é o consumidor quem legitima a realização de mercado.

É fundamental reconhecer a cultura14 em suas forma mais ampla, multifacetada e insubstituível, pois é essa riqueza de traços que faz dela o centro do desenvolvimento. E desenvolvimento só se faz por meio da integração de agentes (públicos, privados, terceiro setor) e setores (cultura, economia, turismo, etc). Ou seja, para que haja desenvolvimento é preciso que haja valorização das potencialidades regionais, da diversidade cultural, visando eliminar as diferenças sócio-econômicas, realizando mudanças.

Furtado (1984) foi um dos primeiros pensadores a colocar em discussão aspectos culturais ligadas ao tema do desenvolvimento econômico. Para ele, a cultura (o conjunto de características, suas interações sociais, suas instituições, seus valores, a maneira como se constrói e se transmite conhecimentos e a forma como os representa) é o que define a visão de desenvolvimento de uma

anos depoi a loteria contabilizava cerca de US$ 3,6 bilhões de investimentos só no setor cultural, concedidos a pessoas e organizações (REIS, 2007A)

14 Tem a cultura como produto material (como livros, filmes, artesanato) e a que nos indentifica como um grupo de pessoas com valores compartilhados (alagoanos, corintianos, seres humanos). As atividades culturais têm um profundo efeito no bem-estar, na organização social e no funcionamento da sociedade. Ou seja, a cultura, além de riquezas, contribui para a construção da auto-estima, da coesão social e da confiança na sociedade. Também interage com setores como o turismo, a economia, a sociedade, o meio ambiente. Como relata Reis (2007A), com o meio ambiente, porque entender-se como parte de um mundo maior e respeitá-lo por isso é uma questão de valores e consciência, o que também se apóia na cultura. Com a área social, porque um povo que se entende como tal, que acredita em si e nos outros, que trabalha em conjunto com os outros e que tem formação é a cultura um excelente fator de união e expressão desses sentimentos. Com a economia, porque as atividades culturais também são atividades econômicas – gerando renda, empregos, tributos, investimentos em infra-estrutura e desenvolvimento.

Sendo assim, a cultura permeia o que se é, o que se faz. Como o ser humano o que se vê, o que produz, o que come, como se comporta, o que se exporta. É por isso que se deve restituir à cultura o papel de centro de desenvolvimento sustentável que é seu por direito.

sociedade e a condiciona na sua consecução, positiva ou negativamente. Por outro lado, ao menos do ponto de vista semântico, cultura pode ser entendida como o próprio desenvolvimento social de uma comunidade, independentemente da sua escala ou dos seus conteúdos.

O termo cultura vem do latim, colere, que significa cultivar. Cultura é o modo de vida, padrões de comportamento, crenças e valores de cada sociedade. Simplificando, é tudo aquilo que é produzido (cultivado) e transformado pelos grupos humanos (SERGIPE CULTURA, 2009, p.1).

Manet (1984) diz que cultura é a informação, conhecimento e exercício de valores sociais dominantes ou desejáveis, hábitos e normas consagrados por práticas que identificam o modo de vida de uma comunidade. Pode-se dizer que, cultura é um conjunto de conhecimentos que uma geração passa para a outra, evitando que a humanidade tenha que recomeçar do zero a cada geração (Muylaert, 2000). Cultura se traduz nas formas de agir, sentir e pensar de uma coletividade que aprende, inova e renova o seu próprio modo de criar e fazer as coisas, numa dinâmica de constantes transformações (Malagodi e Cesnik 1999).

Esta concepção parte do princípio de que todos os povos ou grupos possuem cultura e que nenhuma cultura é superior a outra, colocando em foco as questões da diversidade cultural e da igualdade de direitos para as diferentes culturas.

Coelho (1989) defende que cultura é o que move o indivíduo, o grupo, para longe da indiferença; é uma construção que só pode acontecer pela diferenciação. Seu oposto é a diluição. São exatamente as diferenças, os pontos incomuns, que determinam a preservação de uma cultura específica. Quando, numa sociedade, predomina o comum, a cultura e as diferenças se extinguirão.

Segundo a Unesco (2003), cultura pode ser entendida como um conjunto de características distintas, (espirituais, materiais, intelectuais e afetivas) que caracterizam uma sociedade ou um grupo social. Abarca, além das artes e das letras, os modos de vida, os sistemas de valores, as tradições e as crenças. Em resumo, cultura é um complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade, produtos e serviços culturais.

Como lembra Sigrist, citada por Morigi, Binotto e Semensatto (2004B, p.4 -5), “a cultura é a expressão da forma de ser, viver em sociedade. Este conceito vai além, considerando os valores e concepções que são implementadas socialmente, através de idéias. Elas são transmitidas através das escolas, das igrejas e dos meios de comunicação”.

Nesta visão a cultura pode, portanto, ser entendida como manifestações espontâneas de um determinado grupo social que, uma vez incorporadas ao seu modus vivendi, o caracteriza e o distingue dos demais.

Sobre cultura Bourdieu (2005, p.8) afirma:

De um lado, a problemática kantiana que encontra seus herdeiros em Cassier, Sapir, inclusive Durkheim e Lévi-Strauss, considera a cultura – e por extensão todos os sistemas simbólicos, como a arte, o mito, a linguagem, etc. – em sua qualidade de instrumento de comunicação e conhecimento responsável pela forma nodal de consenso, qual seja o acordo quanto ao significado do mundo. De outro lado, tende-se a considerar a cultura e os sistemas simbólicos em geral como um instrumento de poder, isto é, de legitimação da ordem vigente.

Enfim, a cultura (e seus conceitos) é muito ampla. A cultura é mutável e mutante. A cultura, segundo define a Agenda 21 (MACHADO, 2007A, p. 18), “retrata, além de influências, o estado da arte em um território, por determinado tempo. Resulta de contribuições, sintetiza momentos, induz a todo instante os princípios das políticas públicas”.

Podemos dizer que cultura é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferentes especificidades, mas sua dimensão é relevante na promoção do desenvolvimento, como meio e processo, que constrói e modifica sistemas simbólicos

De André Villas-Boas, citado por Prestes Filho (s.d., p.1)

A cultura envolve da mesma maneira domínios materiais quanto simbólicos, portanto, reúne o arco conceitual das práticas culturais (sistemas de pensamento, construções simbólicas, paradigmas estéticos e institucionais, assim como representações não formalizadas, atitudes, linguagens e estruturas de poder) quanto às práticas culturais em si mesmas (abarcando toda uma gama que vai das peças culturais formalmente enunciadas – literatura, arquitetura etc. – até cânones, mercadorias produzidas em massa, fenômenos de mídia, construções simbólicas do senso comum). Portanto, a cultura poderia ser entendida como todo discurso de auto-referência de uma sociedade historicamente determinada, seja ele construído ou apresentado da forma que for, e abarcando qual aspecto seja, enquanto representação coletiva das práticas sociais e de suas estruturas de poder.

Sabe-se que os conceitos de cultura sofrem influências de diferentes correntes de pensamento. Assim, estará sempre em evolução, pois se trata de um fenômeno ligado à vida humana em sociedade, aos aspectos psicológicos e cognitivos do homem; sendo assim, estabelecer um conceito exato de cultura seria o equivalente a compreendermos a natureza humana em sua totalidade, tarefa que tem sido tema permanente de reflexão da humanidade. Conforme Zallo (1988, p. 23),

el concepto de cultura no tiene um estatuto único, válido para cualquier país, filosofia y momento histórico. El problema nos es casual, la cultura no tiene uma existência autônoma, sino que es parte del conjunto de las condiciones del funcionamento y desarrollo de uma sociedad y de sus indivíduos. Al mismo tiempo que constituye uma variable activa, actuando sobre la realidad inmediata [...] analizando algunos de dichos conceptos, puede verse como giram alredor de elementos distintos, sean de ordem espiritual, material o estructural.

Para Muylaert a definição corrente para o termo cultura refere-se

às atividades nos campos da arte, da literatura, da música, do teatro, da dança ou qualquer outra que expresse uma forma de organização social, mas só como manifestação original e de característica exclusiva de um determinado povo, mas também de outros, num intercâmbio permanente de experiências e realizações, isto é, o conceito primitivo de cultura, regional e caracterizante, passa a ter um sentido universal e pleno (Muylaert, 2000, p. 18).

Tal pressuposto nos leva a considerar a existência de uma indústria e esta, como instrumento de acesso ao conhecimento e à informação. A cultura é, hoje, uma indústria, um dos setores da economia de maior crescimento, por isso

conhecer o seu funcionamento, além de ampliar o seu desempenho como um fator de ingresso para a economia nos permitirá associar a melhoria de condições de vida como parte da mesma estratégia, favorecendo a criação endógena, melhor organização do processo de produção e acesso aos bens culturais [...] se é um setor que tem como matérias-primas a inovação e a criatividade, é também peça-chave da economia do conhecimento e pode significar um estímulo permanente para outros setores. (UNESCO, 2003, p. 9-17).

Nesse contexto, entende-se por cultura a matriz, em constante transformação, dos sentimentos e das maneiras de perceber as coisas que caracterizam todas as comunidades, em um dado momento. É importante pensar a cultura de forma mais abrangente, uma vez que ela não está acima ou ao lado das relações econômicas e sociais e não existem práticas que não estejam calcadas em representações sobre quais os indivíduos constróem o sentido de suas existências, um sentido inscrito nas palavras, nos gestos, nos ritos, no artesanato.

Pensar a cultura desta forma facilita o trabalho dos atores do desenvolvimento. Por isso, eles não podem deixar de levar em conta a cultura na execução de seus projetos.

Gil (2003), em carta de apresentação ao Relatório de Políticas Culturais para o Desenvolvimento, já afirmava que a relação entre cultura e desenvolvimento vem assumindo, aceleradamente, um lugar de destaque na agenda contemporânea, sendo a cultura eixo construtor de identidades, espaço privilegiado de realização da cidadania, de inclusão social e também fator econômico gerador de riquezas.

Para Costa (2007), as identidades culturais se reconfiguram em função do novo momento histórico no qual as comunidades populares tentam retomar sua cultura, enquanto que, para Yúdice (2004, p.25), representam “recurso para a melhoria sociopolítica e econômica”, para a sustentabilidade em tempo de globalização. Assim, pode-se entender que os patrimônios imateriais das comunidades (ético e cultural) podem constituir o pilar sobre o qual se apoie o chamado desenvolvimento sustentável.

Antes, porém, de apresentar uma rápida idéia de desenvolvimento sustentável, é preciso rever o termo desenvolvimento regional que também está em pauta nas mais diferentes esferas sociais e acadêmicas e tem suscitado várias divergências.

A noção de desenvolvimento regional tem como premissas importantes as questões sociais, políticas, econômicas, ambientais e culturais que representem uma melhoria na qualidade de vida, superando a idéia de crescimento apenas – aumento da capacidade produtiva, ou seja, da produção de bens e serviços - e percebido pelo PIB. Para que haja desenvolvimento, ambos devem estar associados. Já a noção de desenvolvimento sustentável, representa a garantia, no presente e no futuro, da sobrevivência da sociedade e da natureza, transformando as relações entre cultura e desenvolvimento, com a cultura se tornando um elemento importante nas estratégias de desenvolvimento.

Na opinião de Boisier (1994), o tema desenvolvimento regional passou por mudanças significativas a partir do processo de globalização e deixou de se relacionar apenas com as ações decorrentes de incentivos proporcionados pelos governos centrais, passando a incorporar a articulação de agentes oriundos dos mais diversos segmentos da sociedade civil. Neste sentido, desenvolvimento regional pode ser definido como um processo localizado de mudança sustentável e que tem como propósito a transformação qualitativa de uma comunidade e de seus respectivos membros que vivem num determinado espaço regional. É um bem para todos os lugares (ALMEIDA, 1996), pensado e aplicado de maneira uniformizante.

A discussão em torno do plano de desenvolvimento regional ou estratégias de desenvolvimento regional que visam criar e estimular processos de crescimento de forma regional, necessita, primeiramente, de um entendimento mais claro do que vem a ser desenvolvimento (BOISIER, 1994).

Neste contexto pode-se dizer que

desenvolvimento é entendido como a obtenção de um contexto, meio, momento, situação, âmbito, ou como se prefira chamá-lo, que possibilite a potenciação do ser humano para que ele se transforme em pessoa humana, na sua dupla dimensão biológica e espiritual, capaz, nesta última condição, de conhecer e amar. Isso significa recolocar o conceito de desenvolvimento num quadro construtivista, subjetivo e intersubjetivo, valorativo ou axiológico e, com certeza, endógeno, ou seja, diretamente dependente da autoconfiança coletiva na capacidade para inventar recursos, movimentar aqueles já existentes e agir em forma cooperativa e solidária, desde o próprio território (BOISER citado por

desenvolvimento é entendido como a obtenção de um contexto, meio, momento, situação, âmbito, ou como se prefira chamá-lo, que possibilite a potenciação do ser humano para que ele se transforme em pessoa humana, na sua dupla dimensão biológica e espiritual, capaz, nesta última condição, de conhecer e amar. Isso significa recolocar o conceito de desenvolvimento num quadro construtivista, subjetivo e intersubjetivo, valorativo ou axiológico e, com certeza, endógeno, ou seja, diretamente dependente da autoconfiança coletiva na capacidade para inventar recursos, movimentar aqueles já existentes e agir em forma cooperativa e solidária, desde o próprio território (BOISER citado por