CAPÍTULO 5 _____________________________________________________________ 68
5.2 Combustíveis Utilizados no Processo Produtivo
A base energética, atualmente utilizada na Suzano Papel e Celulose consistem de 52 % da queima do licor negro, 32 % da queima de gás natural e 12% da queima de cavacos de eucalipto e 4 % da queima de óleo combustível, conforme gráfico 5.1.
12
32
4 52
licor negro gás natural óleo combustível cavacos de eucalipto
Gráfico 5.1: Divisão da Produção de Energia por Combustível na Suzano Papel e Celulose (%) Estas porcentagens variam de acordo com a disponibilidade destes combustíveis no parque fabril e a situação econômica de combustíveis fósseis no mercado.
5.2.1 Licor Negro
O licor negro gerado é um subproduto da fabricação de polpa celulósica, formado por 67 % de matéria orgânica, principalmente lignina separada da celulose no processo de digestão da madeira, e 33 % de matéria inorgânica (carbonatos e sulfatos de sódio).
O licor negro, por ser um subproduto, está disponível de acordo com o tipo de madeira que entra no processo de cozimento, e também da própria estabilidade operacional da fabricação de celulose, ou seja, a sua disponibilidade é sazonal, quando se tem uma mistura de madeiras com alta concentração de lignina se obtém alta quantidade de licor negro, porém diminui-se o rendimento na fabricação de celulose, se tornando inviável o processo. Atualmente a mistura de madeiras contempla o máximo possível de tipos de madeiras (eucalipto) com alta porcentagem de fibras celulósicas, diminuindo assim a geração de licor negro.
5.2.2 Gás Natural
O gás natural é comprado da COMGAS, e abastecido através do gasoduto Brasil-Bolívia, formado por hidrocarbonetos de cadeia inferior, principalmente gás metano. Combustível fóssil, bastante utilizado em indústrias, termoelétricas e abastecimento público, atualmente estão obtendo espaço substituindo a gasolina como combustível veicular. Possui queima mais limpa, gerando quantidades menores de poluentes. Maior rendimento, devido a ter perdas térmicas menores. Ausência de compostos ácidos em seus gases de combustão, garantido menores custos de manutenção.
O consumo de gás natural vem crescendo a cada ano no Brasil, para manter a demanda é necessário ter disponibilidade de fornecimento, porém com oscilações políticas do principal fornecedor a Bolívia, acaba não tendo garantias de produção e também de preço, como o ocorrido em junho de 2005 com a revolta civil boliviana, onde acabou aumentando o preço do m3 de gás, contrariando o contrato firmado com a Petrobrás. O outro grave problema é a disponibilidade de gás natural somente aonde se encontra o gasoduto, assim sendo nas regiões norte, nordeste e centro-oeste (alguns estados) não há fornecimento deste produto (COMGAS, 2006). A figura 5.1 mostra a chama de queima de gás natural.
Figura 5.1: Chama de Queimador de Gás.
Fonte Teir, 2002.
5.2.3 Óleo Combustível
O óleo de baixo ponto de fulgor é outro combustível utilizado nas indústrias de celulose e papel, vem sendo substituído nos últimos por alternativas mais baratas e limpas no âmbito ecológico. O óleo combustível é uma fração da refinação do petróleo, um produto fóssil, não renovável, possui alto teor de enxofre, produzindo produtos poluentes em sua queima e também ácidos, aumentando o custo com manutenção e o custo com equipamentos de controle ambiental (PETROBRAS, 2006). Necessitam de grande logística de transporte, estocagem e manuseio. Se tornou a opção mais cara no processo fabril, apesar de possuir poder calorífico maior comparado ao gás natural. A figura 5.2 demonstra a chama de queima de óleo combustível.
Figura 5.2: Chama de Queimador de Óleo.
Fonte Teir, 2002.
5.2.4 Cavacos de Madeira
O cavaco de madeira de eucalipto ou madeira de energia vem tomando espaço dos combustíveis fósseis, primeiramente ao seu custo ser bem menor do que o do gás natural e do óleo combustível, e por outro lado como é um combustível renovável tem-se garantia de fornecimento. Na indústria de celulose e papel a madeira energética é um subproduto formado por galhos e madeiras menos nobres, do corte da árvore de eucalipto. Se não for utilizada na caldeira de biomassa, estaria ocupando espaço de plantio nas fazendas de cultivo.
A geração de energia por cavacos torna a queima mais limpa, pois não possuem compostos formadores de poluentes como enxofre e nitrogênio, e ainda as suas cinzas geradas são reaproveitadas como adubo nas próprias fazendas, então o maior equipamento de controle de poluentes é aquele que retém particulados. Não necessita de tratamento prévio e a logística necessária é somente a de transporte das fazendas para o pátio de estocagem da fábrica. Como desvantagens o cavaco de eucalipto possui um teor de umidade mediano, cerca de 50 %, possuindo um poder calorífico bem menor quando relacionado com os combustíveis fósseis.
Outro problema que vem se acentuando nos últimos tempos é a disponibilidade de cavacos de energia, isto devido às melhorias genéticas efetuadas nas mudas de eucalipto, as árvores originadas destas apresentam pouca formação de galhos e nós, aumentando o rendimento da polpação, porém diminuindo o fornecimento de material para queima na caldeira, a saída encontrada pelas grandes e pequenas indústrias é comprar madeira energética (restos de pallets, madeira de construção, cavacos de pinus, briquetes, etc.), mesmo continuando a ser bem mais barato que o gás natural e o óleo combustível, acaba onerando o custo do produto final. O aumento da demanda e variações no clima (por exemplo, quando se tem período de chuva forte, há diminuição no fornecimento, devido à falta de condições de transporte) determina em alguns meses a falta do produto no mercado, afetando a disponibilidade do combustível.
5.2.5 Resíduo Primário da Estação de Tratamento de Efluentes
Uma opção estudada neste trabalho é a utilização do resíduo da estação de tratamento de efluentes da fabricação de celulose e papel, este combustível é constituído basicamente de fibras celulósicas (perdas do processo). A grande contribuição seria a introdução deste material no
lugar dos combustíveis fósseis. Ocorrendo mudanças no sentido econômico, pois é um subproduto do próprio parque fabril, bem como da disposição deste em aterros sanitários. Além disto geraria menos produtos poluentes, pois é material renovável (biomassa).
Sua logística é simples, necessitando apenas de transporte da estação de tratamento de efluentes até o pátio de estocagem de biomassa da caldeira, isto tudo ocorrendo na própria fábrica. Alguns pontos adversos são: alta concentração de umidade 55 %, conseqüentemente, possui baixo poder calorífico. Outro ponto adverso é a baixa demanda deste resíduo no tratamento de efluentes, pois a produção do resíduo não consegue abastecer o consumo de energia da caldeira. Ainda há a venda deste produto em substituição as aparas de papel para fábricas de reciclagem.