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CAPÍTULO 3 _____________________________________________________________ 35

3.2 Panorama da Indústria Brasileira de Papel

O Brasil é o 11º produtor e consumidor mundial de papel, participando com cerca de 2,4 % da produção e consumo mundiais. O país é responsável por 1,5 % das exportações mundiais de papel, que correspondem aos excedentes de papéis de imprimir e escrever, de embalagem e de papel cartão, isto ao longo do ano de 2004. O consumo de papéis no Brasil, na década de 90, cresceu num ritmo de 5,0 % a.a., enquanto a mundial cresceu em torno de 3,2 % a.a. Entretanto, nos últimos anos, as taxas de crescimento estão reduzindo no Brasil, porém esta tendência é mundial.

No comércio internacional, o Brasil é um importante fornecedor de papéis de imprimir e escrever não revestidos e de embalagem, além das exportações de celulose de eucalipto. As exportações do setor papeleiro foram à ordem de US$ 2,8 bilhões, representando 3,9 % da balança comercial do país, no ano de 2004. Isto devido principalmente à melhoria dos preços internacionais, e o aumento dos volumes exportados, de 33 % para celulose e de 22 % para papel. Quanto às importações, a saída de divisas foi de US$ 561 milhões no ano de 2004.

Referindo ao comércio de papel, a movimentação internacional foi cerca de 100 milhões de toneladas no ano de 2004, sendo papéis de imprimir e escrever, papéis de embalagens, papel imprensa e papel cartão as principais categorias. A Tabela 3.1 mostra o ranking dos países produtores de papel (BRACELPA, 2004).

Tabela 3.1: Maiores produtores de papel (1000 toneladas por ano).

1º EUA 83401 7º Suécia 11589

2º China 49500 8º Coréia do Sul 10511

3º Japão 30889 9º França 10249

4º Canadá 20461 10º Itália 9665

5 º Alemanha 20392 11º Brasil 8452

6° Finlândia 14036

Fonte PPI Annual Review, 2004, apud BRACELPA, 2004.

O setor papeleiro nacional conta com 178 fábricas com diferentes portes, onde os grupo dos 11 maiores produtores concentram 63 % da produção total de papel. O Gráfico 3.2 indica o total do nicho de mercado destes itens em porcentagem (Valença et al., 2004).

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500

Imprimir e Escrever

Embalagem Imprensa Papel Cartão Tissue Especiais

Gráfico 3.2: Distribuição do mercado brasileiro de papéis (mil toneladas por ano)

Fonte Bracelpa, 2003, apud Valença et al., 2004.

3.2.1 Papéis de Embalagem

Os papéis de embalagens têm sua principal utilização para a produção de caixas de papelão. O Brasil é o 8º maior fabricante, contribuindo com 2,8 % da produção mundial, este representa 44 % do volume de papel fabricado e consumido no país no ano de 2004. As cinco maiores empresas são: Klabin, Rigesa, Orsa, Trombini e Irani, que concentram 53 % da produção brasileira (BRACELPA, 2004).

3.2.2 Papéis de Imprimir e Escrever

Os papéis de imprimir e escrever são a segunda categoria de papel mais produzido e consumido no mundo, participando com 29 % da produção total de papel e 25 % do volume consumido no ano de 2004. O país é o 13º maior fabricante mundial de papéis de imprimir e escrever, participando com 2,1 % da produção mundial. No Brasil os maiores fabricantes deste tipo de papel são: International Paper, Suzano, Votorantim e Ripasa, que concentram 91 % da produção. Os mais fabricados são os não-revestidos à base de celulose, que representa 77 % do volume do segmento, porém vem aumentando a produção de papéis revestidos à base de pasta.

As exportações brasileiras ficaram muito aquém do comércio internacional, principalmente devido à necessidade do consumo interno (BRACELPA, 2004).

3.2.3 Papéis Cartão

A categoria de papéis cartão tem seu uso final concentrado no atendimento da embalagem de produtos de limpeza, alimentos em geral, produtos farmacêuticos, cosméticos, produtos congelados, leite e produtos lácteos, sucos e bebidas em geral, etc. Em 2004, a produção de papel cartão representou cerca de 10,5 % do volume total de papel produzido. O Brasil é o 15º produtor mundial, com participação de 2,0 % na divisão de mercado, as cinco maiores empresas produtoras são: Klabin, Suzano, Ripasa, Papirus e Itapagé, que concentram 85 % da produção.

As indústrias gráficas são os maiores consumidores deste tipo de papel (BRACELPA, 2004).

3.2.4 Papéis Tissue

Papel tissue ou papéis para fins sanitários são tipos de papéis que abrangem os papéis higiênicos, as toalhas absorventes, guardanapos e lenços, e a linha institucional, para atendimentos a grandes consumidores, como redes de fast food, hospitais, escritórios, indústrias, etc. O Brasil contribui com 3,1 % da produção mundial sendo, o 8º produtor de papel sanitário, no ano de 2004. As cinco maiores empresas produtoras do setor no Brasil são: Klabin Kimberly, Santher, Melhoramentos, Manikraft e Mili, que concentram 53 % do volume total produzido (BRACELPA, 2004). O Gráfico 3.3 mostra a distribuição de papéis para fins sanitários.

78

16

2 4

Higiênicos Toalhas

Guardanapo / Lenços Institucionais

Gráfico 3.3: Distribuição de papéis para fins sanitários, mercado brasileiro (%).

Fonte Bracelpa, 2003, apud Valença et al., 2004.

3.2.5 Papéis de Imprensa

Papéis de imprensa é um tipo de papel utilizado para a impressão de jornais e periódicos, fabricado principalmente com pasta mecânica ou mecano-química, com 45 a 56 g/m2, com ou sem linhas d'água no padrão fiscal, com ou sem colagem superficial. O papel imprensa é, na verdade, um produto da categoria de papéis para imprimir, porém com resistência mecânica menor e com uma alvura menor. No Brasil o papel imprensa é produzido apenas por uma empresa Norske Skog, antiga Pira, que atende a menos de um terço do consumo nacional. O Brasil é o 15 º entre os maiores consumidores deste tipo de papel. É o tipo de papel que apresenta o maior volume de importações (BRACELPA, 2004).

3.2.6 Papéis Especiais

Papéis especiais são tipos de papel que se caracterizam por produtos de maior valor agregado e ninchos específicos de mercado, englobando diferentes tipos de papéis, como termocopiativos, papéis para fax, papéis de segurança, papéis para filtros, para cigarros, etc. A produção e o consumo não são expressivos, tendo duas empresas Votorantim e MD Papéis que concentram 23 % na produção deste segmento no ano de 2004 (Valença et al., 2004).

3.2.7 Mercado de Celulose

O mercado de celulose tanto interno como o externo vem num crescimento nos últimos anos, principalmente, pela restrição de oferta e pela lenta recuperação da atividade das economias norte-americana e européia e pelo maior crescimento da economia asiática. A Europa

e a Ásia são regiões importadoras e as que mais demandam celulose de mercado, representando mais de 80 % de volume. América Latina e América do Norte são as principais zonas exportadoras. O comércio internacional de celulose tem uma dimensão de 34 milhões de toneladas, sendo seis milhões de fibra de eucalipto, e o Brasil detendo 55 % do mercado de fibra curta no ano de 2004.

Em relação à celulose, o Brasil ocupa a 8ª colocação de consumidor e a 7ª colocação no âmbito de produtor mundial de fibras, contribuindo com 4 % da produção global se tornando o maior produtor mundial de celulose de fibra eucalipto. O Brasil atualmente ocupa a 7ª posição no ranking mundial de produção de celulose com 9.620.000 toneladas produzidas no ano de 2004. A Tabela 3.2 mostra este ranking.

Tabela 3.2: Maiores produtores de celulose (1.000 toneladas por ano).

1º EUA 53.585 5º Suécia 12.106

2º Canadá 26.406 6° Japão 10.720

3º China 14.180 7º Brasil 9.620

4º Finlândia 12.619

Fonte PPI Annual Review, 2004, apud BRACELPA, 2004

O Brasil apresentou um crescimento anual de 4,4 % de consumo, no período de 1993/2003, enquanto o volume de exportações alcançou 4.570 mil toneladas. O volume de celulose de fibra curta respondeu por 78 % do volume de celulose produzido, sendo 64 % deste montante destinado ao mercado externo. Em 2004, cerca de 17 % da produção de fibras foram reservados para fibras longas (pinus) que não foi suficiente para abastecer o mercado nacional sendo, necessário complementar com importações. O restante foi produzido por celulose de alto rendimento para produções de papel jornal. A celulose de fibra curta é produzida por fábricas integradas à produção de papel e por fábricas independentes que destinam ao mercado externo a maior parte de sua produção. Cinco fábricas detêm a maioria da produção brasileira: Aracruz, Cenibra, VCP, Bahia Sul e Jarí concentram 93 % da produção de celulose de mercado. As exportações brasileiras de celulose são destinadas, principalmente para a Europa, Ásia e América do Norte. O gráfico 3.4 mostra o market shared da produção de celulose (Valença et al., 2004).

339 449

1533

7123 Fibra Curta Fibra Longa Pastas de Alto rendimento Importações

Gráfico 3.4: Distribuição de celulose, mercado brasileiro (mil toneladas por ano).

Fonte BNDS, 2003, apud Valença et al., 2004.

3.3 PROJEÇÃO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE PAPEL E