O PROPÓSITO REDENTOR E O REDENTOR
COMENTÁRIO A graça pode ser resumida da seguinte forma:
Primeiro: é um princípio de favor imerecido que é estendido aos homens como pecadores. Literalmente, tudo vem aos homens pecaminosos - crentes e descrentes - como uma questão de graça – o homem como pecador não merece nada além da condenação (Efésios 2:8-10);
Segundo: é uma personificação, ou seja, a graça é mediada pelo Senhor Jesus Cristo. Ele é a própria personificação da graça de Deus;
Terceiro: é um poder ou capacitação Divina na salvação e na experiência do crente. A graça capacita os crentes a acreditar, perseverar, sofrer e servir (Romanos 6:14; 1 Coríntios 15:10; 2 Coríntios 12:9; Filipenses 1:29). Finalmente, é uma prerrogativa, ou seja, a graça Divina é tanto livre quanto soberana – Deus concede tal graça a quem Ele quer.
“A salvação pela graça” significa que a salvação ou a libertação do pecado é completamente a obra de Deus e, portanto, totalmente imerecida pelo recipiente. Veja a Pergunta 20. É monergística (a obra de um Deus apenas) em sua iniciação, e não
138
humanista (a obra do homem , ou seja , a salvação pelas obras), nem sinérgica (a cooperação de Deus e do homem), ou seja, uma mistura de graça e obras. Além disso, esta salvação é mediante a Pessoa e Obra do Senhor Jesus, “o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30-31). Veja as Perguntas 70-71.
Em um contexto criativo-cultural, isto é, no que diz respeito ao homem como a realização do Mandamento Cultural e, apesar de ser um pecador, como uma criatura viva em um mundo criado e governado por Deus, a graça Divina é dada à humanidade caída. Ela é denominada “graça comum,” ou seja, a graça Divina comum a todos os homens separados da salvação. Tal graça é necessária para a preservação e manutenção da humanidade caída e pecaminosa, a restrição geral do mal e para a realização do Mandamento Cultural para subjugar e dominar a Terra.
Em um contexto redentor, ou seja, no que se refere à salvação de alguém do pecado, a graça é um favor imerecido (imérito, inapropriada) no lugar (posição) da ira merecida (apropriada). Esta graça salvadora existe e opera no contexto mais amplo da graça comum, como Deus, de acordo com o Seu eterno propósito redentor salva a Si próprio da humanidade caída. Enquanto a graça comum preserva e estabiliza a humanidade em geral, dentro deste contexto, frequentemente de pessoas e famílias não convertidas, os eleitos de Deus nascem, crescem, são evangelizados, convertidos, vivem a sua respectiva experiência cristã para a glória de Deus e eventualmente morrem na esperança da ressurreição.
A graça de Deus que traz a salvação está fundamentada no eterno decreto Divino ou o propósito de Deus. Ela tem uma base objetiva eterna. A primeira nota positiva do princípio da graça é encontrada na eleição Divina e eterna união do crente com Cristo (Efésios 1:3-7). Este princípio da graça salvadora permeia todos os aspectos da salvação como experiência - convicção de salvação do pecado, regeneração, conversão e santificação - e atinge o seu triunfo final na ressurreição e glória eterna do crente (Romanos 8:18-23). A graça salvadora de Deus é, portanto, eficaz e infalível - não pode ser anulada (Romanos 8:28-39).
As passagens do Novo Testamento que colocam a graça e a lei em justaposição são destinadas a contrastar o princípio da salvação pela graça com um princípio de lei-obras ou uma justiça-própria legalista - uma perversão do propósito da Lei. Qual é a relação entre a graça e a lei? A graça nos liberta do poder reinante do pecado (Romanos 6:14) e da maldição da Lei (Gálatas 3:13) - mas ela não nos liberta da Lei de Deus por si mesma. A ausência de lei não é graça, mas ilegalidade. É por isto que a graça sem lei tende para o antinomianismo - e não há graça antinomiana. A Graça por sua própria natureza nos coloca em conformidade com a Lei-Palavra de Deus (Romanos 8:3-4). O fracasso dos homens em cumprir a Antiga Aliança era que ela era meramente externa - escrita em tábuas de pedra. A Nova Aliança é interna – a Lei está escrita efetivamente sobre o coração (ser interior), e assim eficaz, pela graça do Espírito Santo, e não apenas
139
em tábuas de pedra (Jeremias 31:31-34; Ezequiel 36:25-27; Romanos 6:14; 8:1-4; 2 Coríntios 3:3). Veja as Perguntas 40-43.
A graça livre e soberana de Deus na salvação começa com a eleição eterna (Atos 13:48; Romanos 8:29-31; 9:11-14; 11:5-6; 1 Coríntios 1:27-31; Efésios 1:3-4; 1 Tessalonicenses 1:4-5; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:1-2 ). A escolha Divina dos pecadores totalmente indignos de serem resgatados pelo Senhor Jesus Cristo e salvos dos seus pecados no contexto do tempo, e ordenados para a glória eterna, começou na prerrogativa Divina antes dos tempos começarem. Veja a Pergunta 68.
O Senhor Jesus, na eternidade, livremente se entregou para tornar-se o redentor do povo de Deus - os objetos de seu gracioso amor (João 17:1-5; Gálatas 4:4-5; Filipenses 2:5-11; 1 Timóteo 2:5; 1 Pedro 1:18). Esta graça imutável do Filho eterno de Deus para consigo mesmo continua quando ele intercede como nosso Grande Sumo Sacerdote (Hebreus 4:14-16; 9:11-12,24). Veja as Perguntas 71, 74 e 76.
No tempo e na história, a graça salvadora é feita ativa e eficaz na experiência pessoal de cada um dos objetos de amor e do propósito redentor de Deus. Os pecadores eleitos são vivificados para a vida espiritual (João 3:3,5-8; Efésios 2:1,4-5), e eficazmente chamados ou atraídos para o Senhor Jesus Cristo em fé para perdão dos pecados e a reconciliação com Deus (João 6:44,47; Atos 13:48; Romanos 8:29-31; Efésios 1:3-14; 2 Tessalonicenses 2:13). Embora o chamado geral por meio da pregação possa ser e muitas vezes resistido, este chamado eficaz não é. Trata-se, na realidade de uma doação de vida, uma obra capacitante do Espírito de Deus trazendo um despertamento espiritual necessário, a convicção do pecado, um desejo por libertação do poder reinante do pecado, e uma compreensão do Evangelho. Deus ordenou os meios, bem como o fim. A mensagem do evangelho deve ser pregada completamente e sem restrições a todos os homens. Não há esperança, nem realidade para qualquer um que não se aproxime de Cristo pela fé por intermédio do evangelho. Veja as Perguntas 134-135, 138-140.
A graça renovadora descreve o amor livre e soberano e a graça de Deus na obra efetivamente na regeneração ou “novo nascimento.” É a vivificação do pecador para a vida espiritual, a transmissão da vida divina, a obra transformadora da graça de Deus dentro da personalidade espiritual, moral e intelectualmente (João 3:3,5-8; 1 Coríntios 2:9-14; Efésios 2:5; 4:22-24; Colossenses 3:9-10; 1João 3:9). A regeneração ocorre no contexto da pregação do evangelho. Veja a Pergunta 83.
A graça capacitadora de Deus é eficaz e transformadora evidenciada na conversão. Tanto a fé salvadora quanto o arrependimento salvador são os dons de Deus concedidos na graça regeneradora. Estes não são meramente obras ou esforços do pecador sozinho. Esta obra da graça Divina dá um caráter salvador tanto para a fé quanto para o arrependimento, distinguindo a fé da mera confiança humana e o arrependimento da mera reforma humana ou um de indivíduo querendo voltar-se, pela sua própria força, ao legalismo de pecados considerados mais graves por ele, uma conversão superficial e
140
aparente (Efésios 2:8-10; Atos 11: 18). Uma consciência ferida e a convicção podem ser muito fortes, contudo não levam à salvação (João 8:9). Veja as Perguntas 83-84, 87, 90-91.
Nossa justificação – sermos pronunciados justos diante de Deus por meio da fé apenas, aquela fé dada por Deus, repousando na justiça imputada de nosso Senhor Jesus Cristo - é imputada aos pecadores que creem (Romanos 3:21-26; Tito 3:4-7). Veja a Pergunta 92.
É dito que cada crente é “adotado” na família de Deus, isto é, torna-se filho de Deus, ou “filho” na conversão (João 1:12-13; Romanos 8:12-14; Gálatas 4:4-5; Efésios 1:5). Esta é uma obra da graça Divina na qual Deus toma os pecadores para Si Mesmo como Seus filhos, dá-lhes o Espírito de adoção, uma prova antecipada da adoção final deles na glória da ressurreição (Romanos 8:23). Veja a Pergunta 93.
A santificação, em seu sentido mais inclusivo, é a doutrina mais abrangente nas Escrituras. É um processo tanto de separação quanto de purificação, e assim, inicia-se com a eleição Divina e termina com a glorificação. Como a salvação é pela graça, assim a santificação, ou a santidade é pela graça. Na experiência prática, a obra da graça de Deus pelo Espírito Santo e da Palavra é a dinâmica para a santificação (João 17:17; Romanos 8:11-14; 1 Tessalonisenses 4:3; Hebreus 12:14). Ninguém pode viver a vida cristã em sua própria força, por sua própria determinação, ou separado do Espírito e das Escrituras. Veja as Perguntas 94-96.
A salvação é inteiramente da graça, incluindo a futura ressurreição do crentes. Aqueles sobre os quais Deus colocou o Seu amor, são ultimamente destinados à ressurreição para a glória eterna (Romanos 8:18-23,28-31). Todo aquele que é justificado (Romanos 3:21-5:21) deve inevitavelmente ser santificado (Romanos 5:12-8:16 ), e todo aquele que é santificado deve, de forma inevitável, ser glorificado (Romanos 8:17-39). A graça livre e soberana de Deus consumada na glorificação do crente. A adoção deste será plenamente realizada (Romanos 8:18-23), sua conformidade à imagem do Filho de Deus será levada à consumação (Romanos 8:29; 2 Coríntios 3:17-18), e sua redenção será completa (Filipenses 3:20-21; Tito 2:11-15; 1João 3:1-4). Sua experiência coincidirá então com sua posição (Efésios 2:4-7). Veja as Perguntas 165, 167 e 169. Você pode pela fé, experiência e esperança ter a mão lançada, isto é, ser alcançado(a) destas abençoadas verdades?
79ª Pergunta - Por que é vital considerar tanto os aspectos objetivos ou eternos, quanto os subjetivos ou temporais e experienciais da salvação?
Resposta - A salvação deve ser vista tanto nos aspectos objetivos ou eternos quanto nos aspectos subjetivos ou temporais e experienciais para entender corretamente a verdade bíblica da salvação, a fim de evitar erros e heresias, e de possuir uma garantia bíblica da fé.
141
Romanos 8:28-31. 28”E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para