Ao abordarmos o tema pós-humanismo e imortalidade neste trabalho: “A QUESTÃO DO FUTURISMO PÓS-HUMANO E DA VIDA ARTIFICIAL”, sabíamos perfeitamente da polêmica que esta questão traz à tona nesta entrada do século XXI.
O tradicionalismo, a postura conservadora e ética dos grandes pesquisadores das ciências da complexidade não deixam espaço para futurismos vanguardistas que os cientistas mais arrojados vêm pregando.
A imortalidade obtida através da inteligência artificial é um assunto que causa bastante discussão exatamente porque a capacidade de reconhecimento de padrões, a emoção, a criatividade e a surpreendente forma de fazer o inesperado, típica do ser humano, não condiz com um cérebro artificial programado e construído conforme padrões pré-estabelecidos.
Mesmo alguns movimentos de vanguarda como a “virada não humana”, que foi tema de um grande evento em maio de 2012, realizado no Center for 21st Century Studies da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, reunindo pesquisadores do nível de Manuel de Landa, Mark Hansen e Steven Shapiro para discutir questões diversas do que pode acontecer no futuro do século XXI, onde se inclui o pós-humanismo e o pós-humano, não abalam a sisudez dos pensadores tradicionais.
Ainda as correntes de pensamento classificadas por Lucia Santaella: O cético (como Manuel de Landa), o apocalíptico (como Paul Virilio, Peter Sloterdijik e Francis Fukuyama), o popular (como Hans Moravec, Willian Gibson, Ray Kurzweil, Marvin Minsk e Richard Dawkins) e o crítico (como Donna Haraway, Robert Peperell, Katherine Hayles, Eugene Thacker, Elaine Graham e Cary Wolfe) se confrontam cortesmente, sem que haja uma interpretação comum para a imortalidade.
Acreditamos que quando o tema deixar de ser controverso, estaremos a caminho de um novo paradigma intelectual.
Robert Pepperell afirma que “a máquina é nosso novo Deus, e que o humano não estará mais como entidade isolada e única, e sim integrado a elas” e que isso pode ocorrer “sem colapsos” e espera que esta “inteligência artificial” em processo
132 de criação possa sentir excitação, embora tenha claro que “fica para ser determinado em que grau isso tudo seria agradável”.
Toda a história do Pós-humanismo baseia-se no ciborgue, que foi o rato de Rockland, parte animal, parte máquina que tinha uma pequena bomba osmótica que injetava doses precisas e controladas de substâncias químicas que alteravam vários de seus parâmetros fisiológicos.
Este mesmo ciborgue, adotado por Donna Haraway, fez Hans Moravec prever a possível separação da mente em relação ao corpo humano obsoleto no qual se encarna, e o transporte do mental para suportes robóticos ou similares.
Ray Kurzweil, Marvin Minsky e Richard Dawkins também aderiram a essas ideias, cada uma a seu modo, mas o que une a todos é a crença de que o progresso tecnológico necessariamente acarreta progresso para o humano.
No caso de Kurzweil, a fusão homem-máquina é tida como inevitável e incontestável; e o resultado disto seria a imortalidade.
Imortalidade não é um sonho nada novo e já começou a sair dos planos esotéricos para os científicos. Já existem buscas pelos chamados genes do envelhecimento. Temos a Academia Americana de Antienvelhecimento desde 1992, diversas pesquisas na área também são feitas pelas universidades do mundo.
No intuito de se liberar de pré-conceitos arraigados em certos nichos de pesquisa, Kurzweil utilizou de uma estratégia diferente para financiar suas pesquisas e consequentemente sua liberdade. A popularização de suas pesquisas.
A trajetória de conquistas espetaculares de Ray Kurzweil, relatadas no capítulo 4, está servindo de modelo para os pesquisadores de vanguarda popularizarem suas pesquisas e consequentemente garantir a continuidade de seus trabalhos conseguindo patrocínios vultosos para seus, muitas vezes, dispendiosos projetos.
As verbas oficiais de pesquisa, liberadas por governos ou fundações de cunho científico são limitadas e a formalidade de se habilitar a consegui-las são extremamente dificultosas, burocráticas e conservadoras, além do fato principal, ligado à velocidade de obtenção de resultados, que como foi citado por Nicolelis, converteriam-se em “arqueologia do futuro”.
O modelo adotado por Kurzweil, de auto financiamento, no início dos seus trabalhos, funciona perfeitamente até um determinado limite. Este limite pode ser somente o econômico, e neste caso, pode se eliminar este óbice, desenvolvendo trabalhos em paralelo que possam
133 gerar recursos obtidos pela comercialização destes trabalhos paralelos. As invenções de Kurzweil, principalmente as que estão relacionadas à recuperação das capacidades humanas, relatadas no capítulo 4, tais como o scanner CCD, o reconhecimento óptico de omni-fonte de caracteres (OCR), a máquina de leitura labial para cegos, o sintetizador de voz para texto comercial, o sintetizador de música capaz de recriar o piano de cauda e outros instrumentos de orquestra, e o reconhecimento de voz com grande vocabulário, patrocinaram suas pesquisas.
Infelizmente não são todos os pesquisadores que tem um currículum igual ao de Kurzweil:
O The Wall Street Journal o descreveu como “o gênio inquieto” e a Forbes Inc. de “a máquina do pensamento final”, classificando-o entre os 8 principais empreendedores nos Estados Unidos, chamando-o de “o herdeiro legítimo de Thomas Edison” e a PBS (rede de TV norte americana) escolheu Ray como um dos 16 “revolucionários que fez a América” juntamente com outros inventores dos últimos dois séculos. Teve em Stevie Wonder um divulgador ferrenho de seu trabalho, por causa da máquina leitora para cegos, e é conselheiro de Bill Gates e foi de Bill Clinton quando presidente dos EUA. Ganhou o prêmio Lemelson- MIT de 500.000 dólares, como o maior inovador do mundo, e foi laureado com a Medalha Nacional de Tecnologia, a honra da nação, em tecnologia. Foi conduzido ao “Inventors Hall” o hall da fama dos inventores, estabelecido pelo gabinete de patentes dos EUA. Ele recebeu 20 doutorados honorários e homenagem de três presidentes dos EUA. Foi também personagem de um documentário independente chamado Transcendent Man. Os cineastas Barry e Felicia Ptolemy o seguiram, documentando sua turnê global de palestras. E, em junho de 2010, foi lançado, no Festival de Breckenridge, um filme de autoria do próprio Ray Kurzweil, intitulado “The Singularity is Near: A True Story About the Future”, baseado em partes de seu livro de 2005 “The Singularity Is Near”. Foi um dos fundadores da Universidade da Singularidade (SU) e foi seu primeiro reitor.
Além de utilizar-se das redes sociais, mantem várias páginas no Facebook, tem também seu site www.kurzweilai.net e várias palestras na TED, e entrevistas no YOUTUBE. Viaja constantemente dando palestras em centros de ciência ao redor do mundo, e além deste nível de exposição que usa para divulgar seu trabalho, mantém um carisma pessoal ao medicar-se constantemente com vitaminas que o fazem manter-se jovem.
A popularização dos trabalhos de Kurzweil proporcionou-lhe uma renda enorme, com a comercialização de seus livros, palestras e filmes. Esta vertente pode e está sendo utilizada por muitos cientistas, como por exemplo Michio Kaku, um dos coautores da Teoria das
134 Cordas, que se popularizou na televisão e escreveu 19 livros. Além desta renda originada da literatura, existe a garantia de sempre ter acesso a verbas de pesquisa, mesmo para temas controversos.
Por outro lado, existe a limitação de tempo e recursos tecnológicos e, neste caso, a popularização das pesquisas na velocidade que estamos prescrevendo nesta tese auxilia na divulgação, de forma que elas possam ser acessadas por aqueles que tem estas limitações. Isto pode ser um fator determinante numa continuidade de trabalho, pois é possível identificar que determinados caminhos a serem trilhados já o foram por outros, sem resultados.
No caso de Kurzweil, sua pesquisa necessitava a criação de um enorme “Data Warehouse” para compilar os padrões humanos e permitir que os mesmos pudessem ser copiados artificialmente. Seu trabalho atual está descrito em seu mais recente livro “How to create a mind – the secret of human thought revealed” que antes de sua publicação foi divulgado como “How the Mind Works and How to Build One” (Como a mente trabalha e como construir uma).
Mesmo utilizando-se de sua capacidade de obtenção de verbas de pesquisa e de fortuna pessoal, estimada em mais de 60 milhões de dólares, mesmo que se utilizasse de um batalhão de assistentes, não haveria tempo suficiente para construir este gigantesco banco de dados. O maior banco de dados do planeta e que contém o que Kurzweil necessitava é o coração dos negócios do Google. Já havia uma aproximação entre Kurzweil e Larry Page (fundador do Google) no empreendimento de ambos, a Universidade da Singularidade.
A contratação de Kurzweil pelo Google para desenvolver um sistema de busca “natural” foi o ponto comum para a continuidade do seu trabalho em busca da criação de uma inteligência artificial baseada no nosso cérebro, que nos proporcionaria a imortalidade.
O Google, apesar de tudo, nunca tentou algo tão ambicioso como a imortalidade, aliás, nenhuma grande companhia o fez. Sendo assim, podemos nos perguntar por que a Google estaria investindo tanto esforço e dinheiro em algo assim? A resposta parece ser bem simples: Porque se ela não o fizer, quem o fará?
É certo que não são todos os cientistas que têm a capacidade de Kurzweil, mas esta inspiração e o modelo estão sendo seguidos pela maioria daqueles que dependem de verba para suas pesquisas.
Recentemente, em 07 de outubro de 2014, Stephen Hawking, criou um perfil no Facebook, e hoje se pesquisarmos, encontraremos uma grande quantidade de cientistas divulgando seus trabalhos nestes canais alternativos.
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A nova face da teoria das cordas – Michael J. Duff
Buracos Negros e o paradoxo da informação – Leonard Susskind Regras para um Mundo Quântico Complexo – Michael A. Nielsen No. 29 - Outubro/2004 - Legado da Relatividade – Gary Stix
Panorama da teoria das cordas – Raphael Bousso e Joseph Polchinsky No. 31- Dezembro/2004 – O horizonte da revolução da física das partículas – Chris Quigg
Possibilidade de Imortalidade – Gerd Kempermann
No. 56 - Janeiro/2007 - Em busca do código neural.- Miguel A. L. Nicolelis e Sidarta Ribeiro No. 100 - Setembro/2010 – Bem vindo ao futuro –Os redesenhos do homem – Beny Schmidt No. 102 - Novembro/2010 – A impossibilidade de uma teoria do tudo – Stephen Hawking e Leonard Mlodinov
Viver sem morrer - Acary Bulle Oliveira No. 111 - Agosto/2011 - Mente fora do corpo - Miguel A. L. Nicolelis No. 133 - Junho/2013 – Meu chefe o Robô – David Bourne
No. 141 - Fevereiro/2014 – Simulando uma célula viva – Markus W. Covert
No. 143 – Abril/2014 – O novo século do cérebro – Rafael Yuste e George M. Church No. 144 – Maio/2014 – A revolução do RNA – Christine Gorman e Dina Fine Maron Edição Especial no. 58 – maio/2014 – NEUROCIENCIA 2 –
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