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Como é que o processo se compara em todos os quatro

estados membros?

Portugal é o único país entre os quatro onde o registo de uma transferência de propriedade não requer a utilização de profissionais de direito, tais como advo- gados ou notários (figura 5.1). Os reque- rentes podem simplesmente ir ao balcão local da Casa Pronta e ter a sua escritura preparada ao balcão por um funcionário utilizando uma matriz, antes da transfe- rência de propriedade ser oficialmente registada pelo conservador do registo predial. Se os requerentes preferirem não usar a matriz de escritura, podem ter a mesma feita por um notário ou advogado e depois registá-la diretamente pelo conservador no Registo Predial. Mas esta opção é mais cara e demorada e por isso usualmente reservada para transações complexas. O imposto de transferência pode ser avaliado e pago diretamente tanto na conservatória do registo predial pu ao balcão da Casa Pronta.

Na Croácia um notário tem de reco- nhecer o contrato de compra e venda verificando a autenticidade da assinatura

DOING BUSINESS NA UNIÃO EUROPEIA 2018: CROÁCIA, REPÚBLICA CHECA, PORTUGAL E ESLOVÁQUIA 64

do vendedor. E na República Checa e Eslováquia os notários, na prática, são também usados para verificarem a assi- natura do vendedor. Mas isto pode ser feito também por um funcionário público – na República Checa, numa conservató- ria predial, no escritório de um conserva- dor (matrika) ou num dos Pontos Checos - centro de serviços situados nos postos de correio em todo o país; e na Eslováquia num escritório do conservador (matrika). Para se transferir uma propriedade na República Checa, um empreendedor tem de interagir com uma conservatória, pelo menos duas vezes – para verificar se a propriedade está livre de ónus e logo que a assinatura no contrato de compra e venda tenha sido reconhecida, requere o registo. O processo termina quando o empreendedor paga o imposto de transferência.

Na Eslováquia os empresários diligentes obterão um extrato do registo comercial no tribunal distrital antes de aporem a sua assinatura no contrato de compra e venda reconhecido pelo notário e

visitando o departamento cadastral distrital para registar a transferência de propriedade. Não é necessário qualquer outro procedimento na Eslováquia. O imposto de transferência de imóveis foi abolido em 2005, portanto já não é necessário a autoridade fiscal municipal avaliar o montante de imposto devido ou pagar o imposto.

Na Croácia o processo de registo é mais complexo. O processo requer duas interações separadas com os serviços de registo de terras local sob o tribunal municipal: primeiro para obter o extrato do registo predial como parte da devida diligência do processo e depois, logo que o contrato de compra e venda tenha sido reconhecido, registar o título de trans- ferência de propriedade antes de pagar o imposto de selo e a taxa de registo. Também se recomenda que o requerente apresente o contrato de venda à adminis- tração fiscal municipal (embora o notário seja obrigado por lei a fazer isto tam- bém), de modo a receber uma estimativa do imposto de transferência de imóveis e assim poder pagar este imposto.

Entre os quatro países, o Registo de propriedadess é mais fácil na Eslováquia, onde são necessários três procedimen- tos, leva 11.1 dias em média e custa 272 EUR – um valor mínimo em relação ao valor da propriedade no estudo de caso do Doing Business. Entre as 25 cidades estudadas, o processo é mais fácil em Trnava (Eslováquia) e mais difícil em Split (Croácia) (quadro 5.1). Há uma pequena variação entre todos eles exceto na Croácia, onde uma transferência de propriedade pode levar de 32 a 72 dias entre as cinco cidades estudadas. Dos quatro países, Portugal tem o pro- cesso menos complexo, necessitando apenas de um procedimento e é também o mais rápido, levando em média 3,8 dias. Mas também é de longe o mais caro, custando 7,3% do valor da proprie- dade. A transferência de propriedade é mais difícil e demorada na Croácia, onde são necessários cinco procedimentos e uma média de 47,4 dias, a um custo de 4,0% do valor da propriedade. O custo é semelhante na República Checa, mas o processo requer apenas quatro FIGURA 5.1 Portugal tem requisitos processuais mais simples para a transferência de propriedade do que Eslováquia, República Checa e Croácia

Fonte: base de dados do Doing Business.

Cada parte obtém extractos do registo comercial nos tribunais distritais Confirma a autenticidade da assinatura do vendedor antes de pedir o registo Comprador verifica se a

propriedade tem ónus Notário reconhece as assinaturas no contrato de transferência

Governo nacional Governo local Notário ou advogado Banco ou correio

Obter o extracto do registo da conservatória

Pré-registo Pré-registo Pré-registo

CROÁCIA REPÚBLICA CHECA ESLOVÁQUIA

Registo Registo Registo

Pós-registo Pós-registo Reconhecer no notário

o contrato de vend

Pedir o registo no gabinete cadastral Registar título de transferência

no registo predial Pedir o registo de transferência no departamento distrital de registo

cadastral

Apresentar o contrato de venda à administração fiscal municipal para receber estimativa do imposto de transferência de imóveis Pagar imposto de transferência de imóveis, imposto de selo e taxas de registo num banco comercial ou correios

Pagar imposto transferência imóveis

PORTUGAL

Registo

Registar a propriedade no balcão da Casa Pronta

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procedimentos e leva em média 25,5 dias nas sete cidades estudadas.

Na classificação global do Doing Business para a facilidade no registo de proprieda- des, as economias são pontuadas pelo desempenho nas suas maiores cidades empresariais.7 Como é que estes quatro países se sairiam se a sua pontuação fosse baseada no desempenho médio das suas cidades estudadas? O forte desempenho médio da Eslováquia tanto na eficiência como na qualidade da admi- nistração fundiária colocaria o país entre os cinco lugares do topo dos estados

membros da UE e em sétimo lugar na classificação global das 190 economias. Portugal ficaria no 33º lugar apesar de resultados desiguais em todos os indica- dores de Registo de propriedadess, com o quinto custo mais alto na UE e a sexta pontuação mais baixa na qualidade do índice da administração fundiária. Mas lideraria a classificação global no número de procedimentos e perto dos 10 lugares do topo globalmente na velocidade do processo. A Croácia ficaria no 52º lugar na classificação, ligeiramente abaixo da média da UE de 51, mas acima da Alemanha e da França. A República

Checa, com um desempenho perto da média da UE em todos os indicadores incluídos, ficaria no 30º lugar na classifi- cação global (figura 5.2).

A pontuação no índice da qualidade da administração fundiária não varia nos quatro países. A Eslováquia tem uma pontuação 3 pontos mais baixos e a República Checa uma pontuação de 3,5 pontos mais baixos, do que os da Lituânia e dos Países Baixos, que são os mais altos entre os estados membros da UE. A Croácia pontua quase 1 ponto mais do que a média da UE de 22,7 pontos. E

QUADRO 5.1 Registo de propriedades na Croácia, República Checa, Portugal e Eslováquia – onde é mais fácil e onde é que o sistema de administração fundiária é mais acessível e fiável?

Cidade (País) Posição

Pontuação Distância até à

fronteira

(0–100) Procedimentos (número) Tempo(dias)

Custo (% do valor de propriedade) Índice da qualidade da administração fundiária (0–30) Trnava (Eslováquia) 1 91,48 3 5,5 0,0 25,5 Kosice (Eslováquia) 2 91,24 3 7,5 0,0 25,5 Zilina (Eslováquia) 3 91,00 3 9,5 0,0 25,5 Presov (Eslováquia) 4 90,17 3 16,5 0,0 25,5 Bratislava (Eslováquia) 4 90,17 3 16,5 0,0 25,5

Ostrava (República Checa) 6 80,22 4 23,5 4,0 25

Brno (República Checa) 7 80,10 4 24,5 4,0 25

Usti nad Labem (República Checa) 7 80,10 4 24,5 4,0 25

Liberec (República Checa) 9 79,98 4 25,5 4,0 25

Olomouc (República Checa) 9 79,98 4 25,5 4,0 25

Praga (República Checa) 11 79,74 4 27,5 4,0 25

Plzen (República Checa) 11 79,74 4 27,5 4,0 25

Funchal (Portugal) 13 79,43 1 1 7,3 20

Faro (Portugal) 13 79,43 1 1 7,3 20

Ponta Delgada (Portugal) 13 79,43 1 1 7,3 20

Braga (Portugal) 16 79,31 1 2 7,3 20 Évora (Portugal) 17 79,19 1 3 7,3 20 Coimbra (Portugal) 18 79,07 1 4 7,3 20 Porto (Portugal) 19 78,59 1 8 7,3 20 Lisboa (Portugal) 20 78,35 1 10 7,3 20 Osijek (Croácia) 21 75,86 5 32 4,0 23,5 Rijeka (Croácia) 22 75,02 5 39 4,0 23,5 Zagreb (Croácia) 23 74,07 5 47 4,0 23,5 Varazdin (Croácia) 23 74,07 5 47 4,0 23,5 Split (Croácia) 25 71,08 5 72 4,0 23,5

Fonte: base de dados do Doing Business.

Nota: As classificações baseiam-se na distância média até à pontuação limite para os procedimentos, tempo e custo associados ao Registo de propriedadess, bem como para o índice de qualidade da administração fundiária. A distância para a pontuação limite é normalizada para ir de 0 a 100 representando o limite das melhores práticas (quanto mais alta a pontuação, melhor). Para mais detalhes consulte o capítulo “Acerca de Doing Business e Doing Business na União Europeia 2018: Croácia, República Checa, Portugal e Eslováquia.” Os dados para Bratislava, Lisboa, Praga e Zagreb têm sido revistos desde a publicação do Doing Business 2018. O conjunto completo de dados pode ser encontrado no website do Doing Business em http://www.doingbusiness.org.

DOING BUSINESS NA UNIÃO EUROPEIA 2018: CROÁCIA, REPÚBLICA CHECA, PORTUGAL E ESLOVÁQUIA 66

Portugal fica no escalão de baixo entre os estados membros da UE, com uma pontuação de 5,5 pontos mais baixos do que a Eslováquia

Como é que o processo varia