aumentar a responsabilização das
autoridades emissoras de licenças
PORTUGALNas oito cidades comparadas em Portugal, obter a autorização para planos de construção da câmara municipal leva mais tempo do que os 30 dias exigidos por lei e os empresários não dispõem de um mecanismo eficaz para reclamar atrasos injustificados. Como passo para simplificar para efeitos de maior transpa- rência e responsabilização dos processos de licenciamento de construção, os municípios podiam introduzir um sistema online de rastreamento de candidaturas. Este sistema podia ser incorporado no website da câmara municipal, evitando a necessidade de uma plataforma elec- trónica de licenciamento completamente funcional.
Inicialmente, o sistema poderia ser utili- zado para registar a data da apresentação da candidatura e gerar relatórios do esta- do do processo de revisão. Desta forma, a autoridade de licenciamento poderia
dispor de uma referência objectiva para identificar e gerir casos que estejam atrasados no sistema. Além disso, per- mitiria também aos requerentes rastrear o estado das suas submissoes online, e tomar decisões mais bem informadas (incluindo acerca de possíveis acções correctivas) em resposta ao prazo do projecto. Os dados deste tipo de sistema de rastreamento poderiam também ser utilizados por observadores oficiais independentes, tais como as Ordens dos arquitectos ou câmaras de comércio locais, para proteger os interesses dos investidores e fomentar a competitivida- de da administração pública local. Além disso, Portugal pode melhorar a conformidade das autoridades emissoras de licenças com os prazos oficiais adop- tando regras de aprovação tácita (silên- cio implica consentimento). Portugal tinha, anteriormente, essas regras para a regulamentação do licenciamento de construção mas estas foram revogadas em 1999 pela actual regulamentação.30 A nova regulamentação prevê que se os organismos públicos responsáveis pela aprovação dos projectos de construção não procederem à emissão das suas decisões dentro dos prazos legais, os empresário têm o direito de recorrer a um tribunal administrativo.31 Mas o recurso a um tribunal é um processo moroso e dispendioso e, por isso, raramente utiliza- do, na prática. Portugal podia considerar a reintrodução das cláusulas de autori- zação tácita automática no processo de licenciamento de construção. Por forma a garantir prazos realistas para a auto- rização dos projectos, este passo devia ser dado em consulta com um conjunto alargado de partes interessadas.
NOTAS
1. The European Construction Sector: A Global
Partner, European Commission, Internal
Market, Industry, Entrepreneurship and SMEs Directorate General, Energy Directorate General and Joint Research Centre (2016), https://ec.europa.eu/growth/content /european-construction-sector-global -partner-0_en.
2. Dados anuais acerca da produção em construção da base de dados do Eurostat, acedido a 10 de Fevereiro 2018, http:// ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/ index.php?title=File:EU-28_Construction, _annual_rate_of_change_2005_-_2017, _calendar_adjusted_data.png. Alteração percentual em cada ano calculada através da comparação com o período homólogo no ano anterior.
3. Base de dados do Doing Business. 4. Em Portugal, além das administrações
municipais, há as administrações regionais para as Regiões Autónomas dos Açores e Madeira.
5. Uma licença de localização (ou licença de zoneamento) é uma autorização de planeamento que atribui o direito de utilizar uma parcela de terreno para um projecto de desenvolvimento específico de acordo com a regulamentação relativa à afectação do solo. Mas não autoriza a construção.
6. Official Gazette of the City of Varazdin 23, no. 1 (Fevereiro 25, 2016), http://www.glasila.hr/svgv. 7. “Uredbu o izmjeni uredbe o visini vodnoga
doprinosa” [Regulamentação acerca da alteração de regulamentos sobre a participação na contribuição para a água], Narodne Novine, Julho 23, 2015, https:// narodne-novine.nn.hr/clanci/sluzbeni /2015_07_83_1588.html.
8. De acordo com o Decreto-Lei 555/99, Artigos 5.1, 5.2 e 5.3, a licença de construção, autorização ou pedido de informação prévia são da responsabilidade do presidente da câmara podendo ser delegado nos vereadores, com a opção de subdelegação, ou nos directores dos serviços municipais s. 9. Regulamento Municipal de Urbanização
e Edificação (Taxas e Compensações Urbanísticas de Coimbra) (381/2017). Disponível em https://dre.pt/application /conteúdo/107720445.
10. Dados para 2007–16 sobre licenças de construção por localização geográfica das Estatísticas de Portugal, acedido a 17 de Fevereiro de 2018, https://www.ine.pt /xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine _indic adores&indOcorrCod=0000086 &contexto=b d&selTab=tab2.
11. Dados da base de dados do Eurostat (2011 dados de recenseamento), acedido a 17 de Fevereiro, 2018, https://ec.europa.eu /CensusHub2/intermédiate.do?&method =forwardResult.
12. Comissão Europeia, eGovernment Benchmark
2016: A Turning Point for eGovernment Development in Europe? (Luxembourg:
47 OBTENÇÃO DE ALVARÁS DE CONSTRUÇÃO
Publications Office of the European Union, 2016).
13. World Bank, Doing Business in the European
Union 2017: Bulgaria, Hungary and Romania
(Washington, DC: World Bank, 2017). 14. Dados de 2016 sobre trabalhos de construção
concluídos do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, acedido a 17 de Fevereiro, 2018, https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE &xpgid=ine_indicadores&i ndOcorrCod =0000086&contexto=bd&selT ab=tab2. 15. New York City Business Portal, https://www1
.nyc.gov/nycbusiness/description /construction-permits.
16. Porto, Direcção Municipal do Urbanismo, Departamento Municipal de Gestão Urbanística, “Manual de recomendações e boas práticas: elaboração de projectos,” https://balcaovirtual.cm-porto.pt/Conteúdo /Documentos/Manual 20 Recomendações %20e%20Boas%20Práticas_urbanismo.pdf. 17. “Simuladores de taxas,” Faro (Portugal)
website da câmara municipal, http://www.cm-faro.pt/pt/menu/894 /simuladores-de-taxas.aspx.
18. World Bank, Doing Business 2016: Measuring
Regulatory Quality and Efficiency (Washington,
DC: World Bank, 2015).
19. Excepto os referidos no artigo L243-1-1 de Código de Seguros.
20. República da Sérvia, Alteração da Lei do Planeamento e Construção de Dezembro, 2015, Official Gazette 145/2015.
21. World Bank, Doing Business 2016: Measuring
Regulatory Quality and Efficiency (Washington,
DC: World Bank, 2015).
22. Copenhagen (Denmark) municipality website, https://www.bygogmiljoe.dk/.
23. Base de dados do Doing Business. 24. Base de dados do Doing Business; Thomas
Moullier, Building Regulatory Capacity
Assessment: Level 2—Detailed Exploration
(Washington, DC: World Bank, 2017). 25. Base de dados do Doing Business.
26. Gregory S. Burge, “The Effects of Development Impact Fees on Local Fiscal Conditions,” in
Municipal Revenues and Land Policies, edited
by Gregory K. Ingram and Yu-Hung Hong (Cambridge, MA: Lincoln Institute of Land Policy, 2010).
27. A Lei sobre Imposto Predial de 3 de Julho, 2014, eliminou as taxas para utilização de terrenos para construção.
28. Auckland (New Zealand) Council, “Development Contributions Policy 2015,” https://www.aucklandcouncil.govt.nz /plans-projects-policies-reports-bylaws/our -policies/docsdevelopmentcontributionspolicy /contributions-policy.pdf.
29. Lei 128/2000, parágrafo 31a, prevê que para uma nova construção que requer uma licença de construção, o gabinete de construção envia um requerimento escrito à câmara municipal para um número de prova. Na Lei 183/2006, o parágrafo 121, secções 2 e 41b, prevê que se a construção for nova, o gabinete de construção requer a emissão de um número de prova para o novo edifício.
30. O Decreto-Lei 448/91 de 29 de Novembro, 1991, artigo 67 foi substituído pelo Decreto-Lei 555/99 de 16 de Dezembro, com a redacção
que lhe foi dada pelo Decreto-Lei 26/2010 de 30 Março, 2010, artigos 111 (Silêncio da Administração) e 112 (Intimação judicial para a prática de ato legalmente devido). 31. Decreto-Lei 555/99 de 16 de Dezembro,
1999, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei 26/2010 de 30 de Março, 2010, artigos 111 (Silêncio da Administração) e 112 (Intimação judicial para a prática de ato legalmente devido).