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4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS

4.5 Centro de Ciências da S aúde

4.5.3 Como o Professor de Medicina Aprendeu a Dirigir o CCS

O ingresso do Diretor do CCS na carreira administrativa foi influenciado pela Coordenadora do Curso de Pedagogia Médica, quando cursava o mestrado. Ela convidava pessoas especializadas para discutirem o tema de saúde no país e seu gerenciamento. Depois das palestras, fazia ponderações e dizia que eles seriam as lideranças médicas do país e, como tal, deveriam ter a preocupação de estar preparados para assumir cargos.

As recomendações da professora faziam sentido para ele, porque sempre gostou de atividades que exigiam liderança. Desse modo, em sua trajetória, participou do Diretório Acadêmico; foi um dos fundadores e o primeiro vice-presidente do primeiro Sindicato de Médicos no Estado; participou da direção da Associação de Medicina, foi presidente da Associação dos Médicos do Hospital.

Conciliava as atividades como professor na UFSC - com a participação em reuniões de departamento, colegiados de curso, colegiado da unidade etc. - e era Diretor do Hospital Florianópolis, quando foi indicado para se candidatar ao cargo de Coordenador do Curso de Medicina.

As noções teóricas sobre habilidades administrativas foram adquiridas no curso de especialização em administração hospitalar, feito na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Independentemente dessa formação, aponta que continua aprendendo, principalmente com as pessoas. Diz que passou a escutá-las, a ver o que elas têm para

dizer e a tomar decisões só depois disso.

Acredita que a especialização em cirurgia facilitou a aprendizagem de habilidades administrativas. Diz::

A cirurgia ensina, ela auxilia o processo inicial, por exemplo: uma cirurgia è feila em tempos (...) então ela é sistematizada, você aprende a ter organização, a ter método, a ter seqüência; são questões imprescindíveis para ò processo administrativo e para tomar decisões. Isso tem que ser feito agora, quer dizer, aprender a tomar decisões, aprender a importância de estar preparado para a tomada de decisão. Não pode adiar decisões, porque você tem que ver que o sujeito está sendo operado e tem que ser resolvida a situação dele. Então, nesse aspecto, a formação como cirurgião auxilia no processo administrativo, tanto dessa disciplina até dessa capacidade de metodizar as questões e essa coisa de você se preparar para a decisão, não fugir da decisão.

Apresentado a uma lista elaborada por Ahmad (1994) como sendo de atividades inerentes à aprendizagem, como as mais freqüentes, aponta: costuma fazer experimentos com diferentes abordagens de trabalho; receber conselhos; requisitar assistentes; consultar fontes de referência; ler periódicos técnicos; trabalhar com comitês para a tomada de decisões sobre projetos; se reunir com o grupo de diretores para trocar informações e idéias.

Considera que experimentos com diferentes abordagens de trabalho são características da administração universitária, porque existe a cultura da busca de opiniões para além das pessoas diretamente ligadas ao assunto. Aponta que a estrutura da universidade comporta “pareceres” que funcionam como decisão intermediária, pois que, nela, ninguém é dono da decisão definitiva, porque a decisão definitiva é uma decisão colegiada.

Segundo ele, a reunião com os diretores é informal. Foi criada pelo grupo atual e desenvolvida como prática. Reúnem-se uma vez por mês, cada vez em um Centro, em data previamente agendada, para discutir os problema da Universidade. Nela, discutem problemas comuns e tentam dar uma orientação, até mesmo para um encaminhamento conjunto de idéias.

experiência do conhecimento do outro e visão diferenciada sobre determinadas situações. Como exemplo de resultado dessas reuniões, aponta ser comum que os Diretores já conheçam e tenham posicionamento quando projetos são apresentados ao Conselho Universitário.

Ele diz que iniciaram as reuniões, porque ficaram à margem da administração. A partir

daí, não só passaram a ser reconhecidos, como também viraram agentes críticos da administração central. Nas reuniões, através da troca de experiências, articulam-se para

vencer as dificuldades; adquirindo o processo de entendimento, sem a burocracia do

processo de decisão

Pensa que adquiriram credibilidade pelo trabalho. Com o tempo, dependendo do assunto, passaram a convidar pessoas para participar das reuniões, ou mesmo receber ofertas de pessoas que queriam usar a reunião para conversar e esclarecer assuntos.

Na opinião do Diretor do CCS, a reunião dos diretores passou a ter credibilidade e aceitação porque :

passa pelo trabalho de cada um que tenha feito no seu Centro, de trabalhar para a comunidade em si. Não há estrelas, não há vaidade pessoal de querer aparecer (...) nenhum de nós está usando isso como uma plataforma para um cargo (...).Então(...) esse desapego ao pódium, eu acho que foi extremamente na união do grupo e talvez seja o motivo do seu sucesso. Aconteceu naturalmente, sem que algo fosse planejado, isso eu acho que pelo caráter das pessoas. E, realmente, todos os atuais diretores são pessoas que por sermos únicos, todos eles são muito dedicados à universidade, todos eles são muito dedicados com esse objetivo e passam a traçar o que nos u m e deixando de lado o que nos afasta. Esse, eu acho que é o grande método da articulação.

Para ele, a reunião dos diretores não foi a sua fonte principal de aprendizagem. No entanto, ressalta que ela trouxe um mecanismo de facilitação gerencial, de troca de

informações e complementa:

Eu acho que é uma ferramenta importante de facilitação do processo gerencial, muito mais do que aprendizagem gerencial, é facilitação do processo gerencial.

Você íroca experiências, porque cada um tem particularidades também. As vezes a resolução que um deu ao seu problema eu não posso resolver o meu, porque não me sen>e por causa de minha peculiaridade. Mas essa fonte de consulta informal ó uma fonte importante de aprendizagem sim, porque também houve linha direta entre nós e as coisas funcionaram bem.

Apresentado a uma lista, elaborada por Ahmad (1994), com formas de aprendizagem utilizadas por professores para dirigir unidades universitárias, aponta ter aprendido: no trabalho; com o auxílio de outros administradores ou de comitês de trabalho; através de observação direta; por intermédio de “workshops” e seminários com atividades de aprendizagem formal e informal; por diálogos informais com colegas de associações profissionais; por leitura de jornais profissionais; com consultores externos para fazer consultoria sobre processo de ensino nos diversos cursos e participando de programas de treinamento formal, para a elaboração do planejamento estratégico da Universidade.

A participação no processo de fazer o planejamento estratégico da Universidade e a implementação do planejamento estratégico em sua unidade, provocaram novas aprendizagens e mudanças. Passou a acreditar que o planejamento não é uma coisa estática, que ele precisa ser feito periodicamente e que é um instrumento de avaliação do processo gestor.

Através do processo de planejamento, pode aprender que, sendo membro de um comitê, é possível aprender com o outro e que se aprende continuamente. Em suas palavras, participando das reuniões: ao ver a discussão entre eles, você aprende, gera valores com

aquele processo de discussão (...) esse é um processo contínuo, você aprende com o outro (...)

Diz que seu projeto para ser eleito tinha como visão estratégica criar núcleos de

pesquisas comuns onde, desde a graduação, grupos dos diversos cursos passassem a

trabalhar em conjunto, para aprender a respeitar as funções e, conseqüentemente, a se respeitar profissionalmente, no futuro. Tinha também em mente, que o Centro possuía uma visão clara do quanto era forte em graduação e que precisava buscar rapidamente a pós-graduação.

Desse modo, era seu objetivo e grande desafio, a criação de pesquisas multidepartamentais que possibilitassem não só a articulação do Centro, mas também o

seu crescimento na área de pós-graduação. Crê estar conseguindo atingir os objetivos propostos e, como realizações de sua gestão apresenta:

a) ter conseguido que fosse aberta a licitação para a construção do prédio de laboratórios, após dois anos de trabalho e pressões políticas junto à administração central;

b) iniciaram cinco e estão aguardando aprovação para o sexto curso de pós-graduação;

c) a criação de um Distrito de Ceniro Assistência], onde, em convênio com a Prefeitura, coloca diversos profissionais nos postos de saúde trabalhando juntos, cada um deles, fazendo um planejamento integral de seu serviço de segunda a sexta-feira;

d) a mudança do currículo dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia, Nutrição etc., para viabilizar a criação do distrito assistencial. Para tanto, a Medicina Já

modificou seu currículo, a Enfermagem está se adaptando, a Farmácia está começando a modificar. Os cursos levam algum tempo para se adaptar a essa nova realidade; essas mudanças não são feitas como num passe de mágica;

e) com a criação do núcleo de pesquisas comuns; a criação das pesquisas

multidisciplinares e a conseqüente mudança do currículo dos cursos, pensa que o Centro já está estruturado para um atendimento à comunidade, cora o, que diz ser uma

verdadeira equipe de saúde. Portanto, a partir daí, será possível realizar o objetivo

maior de sua gestão, que é o de trabalhar em equipe. Dados os -primeiros passos, quando descobrir como a equipe multidisciplinar funciona e qual a sua demanda, poderá realizar o seu sonho maior que é : nós vamos reinventar■ o setor a partir das

unidades primárias, nos postos de saúde.

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