2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.2 Como os Professores Aprendem a Dirigir Unidades Universitárias?
Verificou-se até o término do levantamento bibliográfico (janeiro de 1999), a ausência de literatura nacional específica sobre a aprendizagem de professores universitários para se tornarem dirigentes.
abrangência internacional, quando explorou sobre os caminhos da carreira administrativa, de padrões de aprendizagem escolhidos por “chefes acadêmicos” e de como eles aprendem sobre administração universitária.
Para o autor, o professor no papel de “chefe acadêmico” é um aprendiz adulto e a compreensão dessa aprendizagem exige a análise de significativo número de teorias e principios sobre o assunto.
Ahmad (1994) indica que uma habilidade geral adquirida ou o doutorado em determinado conhecimento não prepara alguém para ser dirigente. Assim, muitos acadêmicos administradores adquirem a arte por erros e acertos, pois não existe faculdade que prepare um administrador acadêmico ou um professor, com conhecimentos específicos em disciplinas que o auxiliem na transição.
Após assumirem o cargo, os dirigentes acadêmicos participam de atividades de aprendizagem formal e informal. O padrão de aprendizagem é inerente a cada um dos indivíduos, com padrões de carreira acadêmica e administrativa únicos. Eles geralmente participam de diversas atividades de aprendizado. Dentre elas, a que predomina é a aprendizagem auto-direcionada. (Ahmad, 1994)
O auto-direcionamento acontece porque a maioria dos professores que passam a atuar como administradores não possui a formação universitária necessária para a função. Algumas vezes têm experiências em cargos como o de chefe de departamento (Reesor, 1995).
Para a autora em referência, os professores assumem postos administrativos principalmente por indicação de departamentos ou comitês universitários. Em geral, sem que eles próprios tenham planejado vir a ser um administrador e, freqüentemente, nem ao menos estando atentos para as oportunidades ou posições disponíveis na administração.
O desafio para muitos daqueles administradores é que, com freqüência, eles vêm de graduação não ligadas à Administração e com pequena ou nenhuma experiência em áreas administrativas.
A maioria dos professores que se tomam administradores universitários aprendem a ser dirigentes já exercendo a função e com auío-aprendizado. Alguns participam de
nenhum treinamento organizado pela própria instituição. (Reesor, 1995)
Para facilitar o processo de auto-aprendizado visando aprender a dirigir a instituição, quando possível buscam administradores profissionais para seu treinamento. Então, os administradores profissionais auxiliam os professores (administradores) a incorporar novas prioridades, valores e suposições. Ao interagir mais com outros administradores que com os professores da sua própria universidade, chegam inclusive a formar ou a buscar grupos para "conselhos administrativos".
Além de se associarem, os administradores universitários procuram também investigar organizações institucionais nacionais e internacionais. A união em conselhos ou com instituições estimula o desenvolvimento de uma identidade profissional (Kuh e Whitt,
1988).
Ao procurar consultores, participar de programas de educação, programas de desenvolvimento, de conselhos administrativos etc. os administradores universitários passam a ter vivências diferentes daquelas da universidade.
Na nova fase, mudança de professor para administrador, o indivíduo não atua exclusivamente na profissão acadêmica. As novas atribuições também não permitem a ele fazer do trabalho universitário sua identidade mais central. Ele continua sendo um “homem acadêmico” mas com uma nova identidade profissional. Para o desempenho do novo papel, ele pode necessitar de novos aprendizados.
Ao buscar novos aprendizados o “chefe acadêmico” passa a ser um aprendiz adulto que deve desenvolver ou adquirir habilidades, conhecimentos, competências e atitudes, interpessoais, contextuais ou técnicas. Deve também identificar diferentes caminhos para o próprio desenvolvimento (Ahmad, 1994).
De acordo com Reesor (1995) no processo de auto-desen volvi mento para aprender a dirigir as instituições universitárias os professores aprendem: no trabalho, com o auxílio de outros administradores ou de comitês de trabalho; no trabalho, com treinamento informal com colegas administradores; através de observação direta; participando de programas de treinamento formal; em Universidades ou Instituições de Ensino, bem como em Associações Profissionais ou Nacionais; por tentativa e erro.
direcionada e envolve aprendizagem no trabalho, aprendizagem através de experiência; ouvir colegas e outras pessoas, leitura selecionada, conversar com outras pessoas de outras instituições; workshops e seminários e ainda atividades de aprendizagem formal e informal.
Ele aprende mais através da experiência do que por intermédio de aprendizagem formal. Sua aprendizagem é mais auto-direcionada que por direcionamento de outras pessoas. Como tem pouca preparação formal para o cargo, busca aprender com grupos de administradores acadêmicos, através de experiência e executando o trabalho.
De qualquer modo, a aprendizagem desses professores poderia ser agrupada em atividades de aprendizagem formal e atividades de aprendizagem informal como segue:
1. atividades de aprendizagem formal: créditos em cursos universitários voltados para educação continuada; cursos em Institutos para Educação Gerencial; cursos voltados para programas de computação; workshops e seminários com atividades de aprendizagem formal e informal; programas de auto-estudo.
2. atividades de aprendizagem informal: diálogos informais com colegas de associações profissionais;, participação em reuniões e seminários; apresentação de trabalhos em conferências; leitura de jornais profissionais; grupos de trabalho; consultores internos e externos.
Para Ahmad (1994) existe um sentimento geral de que o acadêmico administrador tem carência de preparação adequada, bem como de treinamento, que o auxilie na aquisição de habilidades, conhecimentos e competência para o papel gerencial. Isto ocorre independentemente da transição de docente para administrador acadêmico.
A seguir discute-se um levantamento feito pelo mesmo autor, apontando o que os professores aprendem quando passam a administrar suas instituições de ensino.
2.3 O Que os Professores Aprendem para Dirigir Unidades Universitárias?
Ahmad (1994) buscou o apoio de vários autores para indicar que alguns acadêmicos são relutantes em reconhecer que os componentes gerenciais da administração da educação superior é algo necessário e que, embora a experiência imediata pareça ser o melhor caminho para aprender administração, o método da tentativa e erro, sozinho, pode ser oneroso e ineficiente para o administrador e para a organização.
Para ele, ainda que algumas funções administrativas no ensino superior sejam muito similares às funções gerenciais do setor de negócios, tem sido constatado que administradores e líderes de universidades possuem limitado aprendizado administrativo, limitada experiência gerencial e carência de preparação formal para suas responsabilidades administrativas.
Assim, exatamente porque recebem pouca preparação para os novos papéis, esses administradores têm pouco preparo para liderar, formular políticas administrativas e exercer funções gerenciais.
Dentre os requisitos que os professores não têm quando assumem o papel de administradores e que deveriam aprender, Ahmad (1994) destaca:
habilidades, conhecimentos, competências e atitudes que facilitem suas interações com outras pessoas (interpessoais);
estar atentos em relação à instituição e ao ambiente (conhecimento, competência e atitude contextuai);
conduzir com competência as suas responsabilidades como administrador (conhecimentos e habilidades técnicas).
De acordo com Ahmad (1994) pesquisas deveriam ser feitas para investigar o relacionamento entre habilidades, conhecimentos, competências e atitudes com certas culturas.
Ressaltando não haver provas concretas que comprovem que certas culturas atraiam certos tipos de administradores, Ahmad (1994) aponta que o contexto cultural pode influenciar em termos das habilidades, conhecimentos, competências e atitudes que o administrador possa necessitar para diferentes culturas acadêmicas.
Para Reesor (1995), além dos fatores culturais que influenciam para que professores resistam à idéia de aceitar papéis administrativos, a diferença de valores entre professores e administradores dificulta o entendimento e a convivência. Assim, a cultura da instituição pode ter impacto negativo no sucesso e desenvolvimento de administradores universitários.
Tanto para Ahmad (1994) quanto para Reesor (1995) a cultura da instituição exerce influência na aprendizagem do professor. Como as instituições podem adotar diversos modelos organizacionais, também permeadas por diversas culturas, estes assuntos são apresentados nos itens 3.4.1 e 3.4.2.