5.6. AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS
5.6.1. Como ocorre o processo de compras pelo hospital? Fale um pouco sobre
Em resposta à primeira pergunta foram extraídas dos depoimentos as seguintes idéias centrais sintetizadas no Quadro 8.
Síntese das Idéias Centrais (IC) Freqüência
(n=25)
Percentuais
IC6A O hospital não compra diretamente, quem compra é à prefeitura, aí,
é licitação, é tipo assim, aquele que vender o produto mais barato ganha.
2 8%
IC6B As compras são por cotação, é feita a pesquisa de preços para uns
quatro a dez fornecedores.
16 64%
IC6C A compra é feita com os fornecedores por cotação e quando vem
recurso do governo é feita a licitação.
5 20%
IC6D A compra é direta aos fornecedores fixos. 2 8%
IC6A: O hospital não compra diretamente quem compra é à prefeitura, aí, é
licitação, é tipo assim, aquele que vender o produto mais barato ganha (relato de dois entrevistados ).
DSC6A: “O hospital não compra diretamente, quem compra é a prefeitura. A gente passa uma
listagem do que deve ser comprado e de tempos em tempos é feita uma licitação, aí, vários fornecedores entram, aí, a licitação é tipo assim, aquele que vender os produtos mais baratos ganha, né!!! Não interessa... até isso eu me questiono muito, assim, pois é ruim porque a firma vende pelo menor preço,mas depois não tem como te entregar a mercadoria[...] a qualidade dos produtos, essas e outras coisas [...], então neste ponto prejudica o trabalho da gente.”
IC6A: As compras são por cotação, é feita a pesquisa de preços para uns
quatro a dez fornecedores (relato de dezesseis entrevistados).
DSC6A: “As compras são por cotação via fax, telefone ou internet, é feita a pesquisa de preço para
uns 4 a 10 fornecedores, depende. Aí, faz a pesquisa, qual é laboratório mais em conta, qual distribuidora mais barata e tal. A gente olha, também, as facilidades oferecidas, aí, depois da avaliação fecha a cotação. Feita a cotação e depois de fechar o pedido a administração ou o setor de compras autoriza a compra e em 24 a 48 horas, aproximadamente, o medicamento já está aqui.”
IC6C: A compra é feita com os fornecedores por cotação e quando vem recurso
do governo é feita à licitação (relato de cinco entrevistados).
DSC6C: “A compra é feita com os fornecedores por cotação, aí, eu passo para uns três ou quatro
fornecedores, claro, dependendo da marca do medicamento, do material e do menor preço. A gente liga, passa um fax, passa um e-mail da relação de medicamentos e já no dia seguinte eles passam a cotação dos preços, e a gente confirma duas, três, quatro empresas, e monta um pedido. Às vezes para baratear a gente compra de duas ou três empresas, aí, eu vou olhando e vou montando o pedido. Às vezes tem que fazer pedido para uns três fornecedores para ganhar uns, R$ 200,00 na compra. A licitação é feita somente se a gente receber algum convênio, algum recurso do município, do estado, do governo federal ou do Ministério da Saúde, aí, a compra é feita por licitação, caso contrário é feito por cotação.”
IC6D: A compra é direta aos fornecedores fixos (relato de dois entrevistados).
DSC6D: “A compra é direta aos fornecedores fixos, quando chega naquele ponto de pedir eu já faço
a listagem, eu a envio para o setor de compras, aí eles negociam e fazem as compras.”
Comentários
Visando preservar as práticas relatadas e os profissionais das duas instituições públicas que participaram deste trabalho, optou-se em não explicitar os
códigos dos profissionais e das instituições (ex. F26), nesta questão. Os dados quantitativos serão apresentados em percentuais.
Em relação à aquisição de medicamento, situações bem diferenciadas foram observadas. Nos hospitais públicos, que corresponde a 8% da amostra, o processo de compras é por Licitação Pública, em vista de exigências legais. Essa licitação, nos casos em estudo, é realizada pelas prefeituras e, nesses casos, não foi observada a participação dos profissionais que atuam nas respectivas farmácias hospitalares no processo licitatório. Ou seja, nos caso em estudo, a sistemática observada foi de que o profissional ao ser comunicado de que será feita a licitação deve repassar a listagem dos medicamentos em falta e em cima desta listagem é realizado o processo licitatório.
Em um dos hospitais públicos foi mencionada a realização do processo licitatório de seis em seis meses na modalidade de registro de preços e, no outro, pela modalidade pregão. Neste não há um período específico para a realização das compras, o processo é realizado quando há recursos financeiros disponíveis. Adicionalmente, em ambos os casos foram citados as compras emergenciais em situações específicas, sendo realizadas por meio de compras diretas sem licitação.
A compra direta sem licitação é permitida no caso dos medicamentos, para aquisições com valores até R$ 8.000,00, porém se faz necessário ao menos três orçamentos com fornecedores distintos. Também se deve ter cautela na sua utilização, para que não configure fuga de licitação (BRASIL, 1993b; BRASIL, 2006b).
As compras por cotação são realizadas por dezesseis instituições hospitalares, sendo que em três instituições a farmácia hospitalar não participa do processo de compras, apenas repassa as faltas. Em outros dois hospitais o serviço de farmácia, na figura do farmacêutico, faz todo o processo de cotação, após esta etapa, a negociação das condições de pagamento é realizada pelo setor de compras. No restante dos onze hospitais o serviço de farmácia realiza na sua totalidade o processo de compras, sendo que em dois deles quem o faz é o farmacêutico e nos demais são os funcionários da farmácia.
Nas cinco instituições em que as compras acontecem por cotação e licitação pública, o serviço de farmácia hospitalar participa do processo de compras em uma instituição, nas demais o serviço de farmácia tem a função de passar a listagem do que deve ser adquirido, mas a escolha dos fornecedores e laboratórios é realizada pela administração ou pelo setor de compras do hospital.
Nos dois hospitais que realizam as compras diretamente com distribuidoras e laboratórios fixos, o setor de farmácia não participa do processo de compras, apenas repassa as faltas.
Tendo em vista o conjunto de resultados, é possível depreender que em 56% dos hospitais o serviço de farmácia participa do processo de compras. Em onze hospitais, as compras estão sob responsabilidade integral do serviço de farmácia. Já em outros três hospitais o serviço de farmácia encarrega-se do processo de cotação propriamente dito e apenas as negociações das condições de pagamento, não lhe cabem.
Relacionando os métodos de programação e a participação do serviço de farmácia no processo de compras, dos oito serviços de farmácia, citados na programação de medicamentos, que possuem registro da movimentação dos estoques (IC4D e IC4E), apenas um serviço de farmácia não participa nos processos de compra, os demais estão contemplados na descrição acima.