3.4 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA HOSPITALAR
3.4.5 Distribuição de Medicamentos no Ambiente Hospitalar
O controle e a distribuição de medicamentos no ambiente hospitalar é uma responsabilidade institucional em que estão implicadas todas as instâncias assistências e de gestão (S.E.F.H.; 1997b). O serviço de farmácia, no entanto, é co- responsável pela utilização correta, segura e efetiva dos medicamentos utilizados no hospital. Isto implica sua participação nos processos de seleção e aquisição de medicamentos; bem como garantir sua conservação e qualidade e assumir sua dispensação e distribuição (CFF, 1997a; SANCHEZ, et al, 2002).
No ambiente hospitalar há basicamente dois tipos de distribuição de medicamentos claramente definidos; a distribuição intra-hospitalar e a distribuição extra-hospitalar ou ambulatorial. A distribuição intra-hospitalar é direcionada ao paciente internado (hospitalizado) e a outra é destinada aos pacientes que são atendidos nos ambulatórios do hospital (MOLERO; ACOSTA; 2002; OPAS/OMS, 1997c).
A dispensação de medicamentos é o ato farmacêutico associado à entrega e distribuição dos mesmos, mediante prescrição médica, no qual o profissional farmacêutico analisa a prescrição, repassa informações necessárias para o bom uso dos medicamentos e em alguns casos prepara as doses a serem administradas (ORTIZ, 2004).
A dispensação intra-hospitalar difere da dispensação ambulatorial e da dispensação realizada na farmácia comercial ou pública, pois apesar da prescrição também ser direcionada ao farmacêutico, o medicamento não é entregue diretamente ao paciente, mas à equipe de enfermagem, e esta é responsável pela administração ao paciente dos medicamentos prescritos pelo médico e aviado pelo farmacêutico (LUIZA; GONÇALVEZ, 2004).
As prescrições ou receituários médicos são documentos que contêm os dados do paciente, a evolução médica, a prescrição de medicamentos, informações e resultados sobre exames, os apontamentos da enfermagem sobre a evolução do paciente. As prescrições são, portanto, documentos oficiais que formalizam o pedido de medicamentos para a farmácia (ANDRADE DOS SANTOS; 2006).
Além disso, a prescrição hospitalar suscita alguns cuidados adicionais, voltados a prevenir erros inerentes a esta etapa. Como as expressões “se necessário” ou “quando necessário”; medicamentos em dias alternados, tratamento com antibióticos, entre outros. Nestes casos, o hospital deve adotar mecanismos que viabilizem a correta utilização destes medicamentos nestas situações e deixar orientações claras de como utilizar e quando usar estes medicamentos (LUIZA; GONÇALVEZ, 2004).
Cabe ao farmacêutico ao aviar a receita, observar seu correto preenchimento, legibilidade e interpretar o receituário quanto aos seus aspectos farmacológicos e farmacêuticos, sua adequação ao indivíduo, contra-indicações e interações. Havendo qualquer problema ou suspeita deve entrar em contato com o prescritor, a fim de esclarecer as dúvidas pendentes (CFF, 2001b). No ato da entrega, é preciso repassar à enfermagem as informações necessárias para o bom uso dos medicamentos. O farmacêutico e enfermeiro compartilham com o prescritor a responsabilidade de verificar se a prescrição atende aos quesitos técnicos e terapêuticos e ambos são responsáveis pela sua execução (LUIZA; GONÇALVEZ, 2004).
O farmacêutico, no momento do aviamento da receita e da dispensação do medicamento à enfermagem, tem a oportunidade ímpar de identificar, corrigir ou reduzir riscos associados à terapêutica medicamentosa. Sua função não se limita à entrega correta do que foi solicitado e aos aspectos farmacoterapêuticos avaliados, mas também, garantir que o medicamento entregue atenda aos quesitos técnicos e de qualidade (MARIN, et al, 2003).
A enfermagem por sua vez, possui a tarefa de receber os medicamentos, conferi-los e administrá-los ao paciente. No ambiente hospitalar a administração do medicamento é a última oportunidade de prevenir um erro na medicação que pode
ter surgido já na prescrição ou na dispensação dos medicamentos (SILVA; CASSIANI, 2004).
Alguns dos possíveis erros que podem ocorrer na administração dos medicamentos aos pacientes hospitalizados estão intimamente relacionados ao Sistema de Distribuição de Medicamentos (SDM) escolhido ou praticado pelo hospital. Quanto maior a eficácia e eficiência do Sistema de Distribuição de Medicamentos praticado, maior será a qualidade do serviço prestado e o sucesso da terapia será alcançado com maior precisão (CIPRIANO, 2001).
Quanto aos erros de medicação, a instituição como um todo e os profissionais da área da saúde devem trabalhar no intuito de diminuí-los e a sua abordagem na instituição não deve ser punitiva, mas sim educativa, aprender com o erro e em cima dele elaborar estratégias para evitá-lo. A capacitação, a conscientização e a profissionalização dos serviços e profissionais da área da saúde é elemento crucial, para diminuir os erros de medicação nos ambientes hospitalares (FIP, 1999).
Os sistemas de distribuição de medicamentos no ambiente hospitalar revelaram-se uma importante ferramenta frente à incidência dos erros de medicação e a farmácia, bem como o farmacêutico hospitalar, assumem papel fundamental neste processo. O farmacêutico deve buscar estabelecer um sistema de dispensação eficiente, eficaz e seguro para os pacientes ambulatoriais e internados, de acordo com as condições técnicas e financeiras do hospital em que ele se efetive (ANDRADE DOS SANTOS; 2006; CFF, 1997a).
Teoricamente, com a implantação e a efetivação de um sistema de distribuição de medicamentos ideal, seriam alcançados os seguintes objetivos: racionalização da distribuição de medicamentos; garantia do cumprimento da prescrição médica 24 horas por dia; diminuição dos erros de medicação; estabelecer um seguimento dos tratamentos farmacológicos; potencializar o papel do farmacêutico na equipe assistencial; promover a atenção farmacêutica; reduzir o tempo da enfermagem dedicado às tarefas administrativas e de manipulação de medicamentos; evitar custos por deterioração e vencimento dos medicamentos e conhecer o custo do processo (SÁNCHES, et al, 2002).
A Farmácia Hospitalar e a instituição hospitalar devem almejar estes objetivos e convergir seus esforços no intuito de materializá-los. A implantação de sistemas apropriados de distribuição de medicamentos deve ser prioridade da instituição e também do profissional farmacêutico que lá atua (CAVALLINI; BISSON, 2002; LIMA; SILVA; REIS, 2001).
Os sistemas de distribuição de medicamentos intra-hospitalar podem ser classificados em dois amplos sistemas; o sistema de medicamentos tradicional, que envolve o Coletivo, o Individual e o Misto e o Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária2 (CFF, 1997b).
Dentre esses, o Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária é o único que permite alcançar os objetivos expostos acima e é reconhecido como o mais eficaz dos sistemas (SÁNCHES, et al, 2002). No entanto, por maiores que sejam as vantagens apresentadas por qualquer um dos sistemas é necessário o planejamento para a sua implantação e a escolha do sistema de distribuição deve adequar-se ao perfil da instituição hospitalar e dependerá do setor e do tipo de paciente aos quais se destina a medicação (ANDRADE DOS SANTOS, 2006; CAVALLINI; BISSON, 2002).
A Farmácia Hospitalar deve estar preparada para realizar, com eficiência, qualquer um dos sistemas de dispensação, independente de sua complexidade, por mais simples que um sistema possa ser, requisitos mínimos são exigidos para que o mesmo possa operar com segurança. Não bastam sistemas avançados e modernos, se a farmácia não possuir estrutura e capacidade para exercê-los (ANDRADE DOS SANTOS, 2006).
Andrade dos Santos (2006) considera quesitos obrigatórios para a sustentação de qualquer sistema de dispensação a padronização e o estabelecimento dos horários de administração dos medicamentos; preparo dos kits
2 Para uma descrição mais detalhada sobre os Sistemas de Distribuição de Medicamentos no
ambiente hospitalar, vantagens e desvantagens, consultar, OPAS/OMS, 1997b; LIMA; SILVA; REIS, 2001; CAVALLINI; BISSON, 2002, SÁNCHE et al, 2002, GOMES; REIS, 2001; MAIA NETO; SILVA, 2005; ANDRADES DOS SANTOS, 2006).
de procedimentos; espaço físico e recursos humanos compatíveis com as atividades desenvolvidas e a uniformidade dos procedimentos.