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2. VISÃO GERAL DA INCLUSÃO NO POSTO DE TRABALHO

2.2. ABORDAGENS E MÉTODOS DE INCLUSÃO

2.2.3. Comparação das demandas de trabalho com as capacidades das pessoas

Após a identificação de métodos de análise das capacidades dos trabalhadores e as demandas de trabalho, podem-se cruzar as informações para gerar resultados mais práticos de possibilidades de inclusão. Assim, alguns métodos ergonômicos já indicam formas de comparar dados coletados e podem ser referência para outros trabalhos. Cabral (2008) indica que os métodos de ajuste sujeito-trabalho compreendem somente ferramentas capazes de identificar situações conflitantes, mas não chegam a indicar por si só as soluções individuais para resolver os problemas. Cabe aos profissionais especialistas, os demais trabalhadores do local analisado e ao próprio trabalhador com deficiência encontrar soluções para cada caso particular.

Deste modo, destaca-se novamente a AET e a AMT que, apesar de não terem sido criados para pessoas com deficiência, já apresentam uma evolução e adaptações ao longo de uma literatura consistente. Assim, a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) pode ser representada no seu sentido amplo em cinco etapas: revisão bibliográfica, análise da demanda, análise da tarefa, análise das atividades e síntese (com situação ergonômica e recomendações) (TOMAZ et al, 2002). O resultado normalmente é a indicação das inadequações do posto de trabalho para um operador específico, compreendendo as condições ambientais e organizacionais relacionadas aos fatores manifestados pelo trabalhador, conforme trabalhos de Da Silva et al.

(2014), Custódio (2006) e Martin (2004).

A Análise Macroergonômica do Trabalho (AMT), por sua característica mais cooperativa, busca a geração de soluções a partir do conhecimento tácito dos usuários e do conhecimento formal dos pesquisadores (GUIMARÃES, 1999). Assim, todos os envolvidos participam do processo de eliminação de lacunas, sendo eles mesmos os agentes de modificação. De um modo geral, recomenda-se cumprir as cinco fases do projeto: levantamento ergonômico, diagnose ergonômica, proposta de soluções, validação das soluções e detalhamento ergonômico.

Outro método de análise é o EAM (Ertomis Assessment Method) desenvolvido pela Fundação Ertomis de Wuppertal, na Alemanha. Segundo Tortosa (1999), trata-se basicamente de dois formulários: um para o perfil dos requisitos do trabalho e outro para as capacidades do sujeito. Os formulários de aplicação são transparentes,

permitindo que possa se visualizar rapidamente as lacunas existentes simplesmente posicionando um sobre o outro. Ao final, aplica-se uma entrevista e outras informações são adicionadas a partir da percepção do avaliador, como necessidades de produtos de tecnologia assistiva para o posto.

O AMAS (Activity Matching Ability System) trata-se de um sistema desenvolvido no Institute for Consumer Ergonomics. Segundo Watson et al.(1998), o objetivo é avaliar a demanda de trabalho e as capacidades dos empregados para facilitar o recrutamento de trabalhadores com deficiência. Assim, as avaliações são realizadas sob os mesmos itens e níveis, permitindo comparações com respostas rápidas.

Na mesma linha de critérios está o Adaptaempleo, desenvolvido a partir do trabalho de Ferreras et al. (2014) com ênfase no recrutamento e seleção de pessoas com deficiência. Apresentado no formato de um site traz várias indicações de como preparar os postos de trabalho para receber os trabalhadores com deficiência. Além disso, permite o cadastro de vagas de empregos e de profissionais com deficiência disponíveis. Como adicional ainda indica empresas fornecedoras de produtos especiais para adaptação e um quadro de compatibilidade de funções profissionais em relação aos tipos de deficiência, conforme Figura 10.

FIGURA 10 – MAPA DE INSERÇÃO

FONTE: Adaptado de www.adaptaempleo.es (2015)

Therriault e Lavoie (2004) apresentam o MAECES (Método de Análise Ergonômica das Capacidades de um Trabalhador e das Exigências de uma Situação de Trabalho) que objetiva facilitar a inclusão de pessoas com deficiência mais complexa, como a deficiência mental. Também baseado em comparação demanda-capacidade, possui quatro formulários que auxiliam na pontuação dos critérios, porém Barbosa (2007) verificou que o método não contempla profissionais de psicologia ou terapia ocupacional no processo de análise. Isso acaba dificultando uma avaliação mais fidedigna do trabalhador, considerando a deficiência mental como um fator de maior complexidade. Os critérios são apresentados na Figura 11.

FIGURA 11 – MÉTODO MAECES

FONTE: Therrialt e Lavoie (2004)

Já o método ErgoDis desenvolvido pelo Instituto de Biomecánica de València (IBV), é apresentado no formato de software para a comparação de demandas de trabalho e capacidade dos trabalhadores. Segundo Ferreras et al. (2006), a diferença

está em considerar também os riscos em que o trabalhador está exposto, que podem ser mais graves que a própria relação demanda-capacidade. Sua aplicação está baseada em três passos: aplicação de formulários padronizados para os trabalhadores, coleta de dados (observação direta, filmagem e entrevistas com os envolvidos) com análise dos riscos, e comparação de dados e tomada de decisão. O processamento dos dados ocorre no software que gera os desajustes e riscos da aplicação, indicando necessidades de mudanças e a adequação das condições gerais de trabalho, conforme Figura 12. Ao final, o sistema consegue gerar recomendações relacionadas ao ambiente, arquitetura, organização e comunicação. Atualmente tal sistema está desabilitado e não está disponível devido à revisão para um nova versão com o uso de aplicativo móvel.

FIGURA 12 – COMPARAÇÃO EXIGÊNCIAS DO TRABALHO X CAPACIDADES DO SUJEITO

FONTE: Ferreras et al. (2006)

O método ANACT (Agence Nationale Pour L’Amelioration des Conditions de Travail) utilizado por Tomaz et al. (2004) a partir do trabalho de Velázquez et al.

(1995), utiliza como base que os stakeholders do processo são os trabalhadores e seus chefes diretos. Assim, com enfoque em pessoas com deficiência física, avalia

condições como a organização do trabalho e perfil do profissional, aplicando dois formulários para o trabalhador, o responsável pelo processo de trabalho e o gerente do posto.

Já o Método de Perfis (BATUAK, 2014) foi a base do trabalho desenvolvido no Centro Especial de Emprego Lantegi Batuak com mais de 2500 trabalhadores com deficiência que compara o perfil do posto de trabalho e o perfil da pessoa na busca de correlações e pontos para se adequar. Está baseado numa referência de avaliação inicial dos postos que são utilizados como base para a verificação das capacidades dos trabalhadores em um formulário gráfico (Figura 13). É composto por uma manual e um protocolo de avaliação com anexos explicando cada passo para a sua aplicação.

FIGURA 13 – EXEMPLO DE PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO DO MÉTODO DE PERFIS

FONTE: Batuak (2014)