6. DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO DO ESTUDO DE CASO NO BRASIL
6.1. PREPARAÇÃO E PROTOCOLO DE COLETA DE DADOS
A busca de informações para pesquisas baseadas em prática tem que ocorrer diretamente com os stakeholders identificados no processo em análise, para que os mesmos possam divulgar, esclarecer e contribuir com suas experiências e aprendizagens. Deste modo, o método de pesquisa adotado nesta etapa de pesquisa é o estudo de caso que, segundo Yin (2015) trata-se da investigação empírica de um fenômeno contemporâneo num contexto de vida real, principalmente quando não existe uma clara separação entre o fenômeno e o contexto. Como técnica de coleta de dados foi escolhida a entrevista semiestruturada definida por Manzini (1991) como um conjunto de perguntas abertas direcionadas por um roteiro previamente elaborado, aonde se busca coletas de percepções.
Para isso, foram pré-definidos os questionários com as perguntas que seriam feitas a cada grupo de profissionais, sendo que basicamente os trabalhadores (com e sem deficiência) de produção falariam sobre seus postos de trabalho e arredores, os gestores sobre práticas de gestão cotidiana da produção e inclusão nos postos de trabalho e os Profissionais de Recursos Humanos de seleção, contratação e programas de inclusão.
A coleta de todas as respostas às questões foram orais, por meio de gravação em smartphone e transcritas parcialmente. A verificação das respostas coletadas foi realizada pelo método de análise de conteúdo (BARDIN, 2011) e o nome dos profissionais foram mantidos em sigilo, conforme TCLEs - Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 2) assinados pelos entrevistados previamente.
Assim, a organização do protocolo de coleta de dados seguiu as necessidades de coleta definidas na Figura 26, onde as quatro perguntas definidas para a pesquisa coletam dados diferentes, porém com relações diretas ao trabalho dos respondentes.
FIGURA 26 – FOCO DAS PERGUNTAS E NECESSIDADE DE COLETA NO ESTUDO DE CASO 1
FONTE: O autor (2018)
Deste modo, foram criados roteiros de entrevista com as suas respectivas perguntas, que constam nos Apêndices 4, 5, 6 e 7. As questões que foram definidas para cada grupo de entrevistados foram as seguintes:
x PROFISSIONAIS DE RH
1. Como é o processo de inclusão de pessoas com deficiência da sua indústria? Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
2. Quais são as maiores dificuldades de fazer a inclusão em sua indústria? Por quê?
3. Quais são as práticas de recrutamento e seleção mais importantes no processo de entrada e direcionamento da pessoa com deficiência na sua indústria? Por quê?
4. Sob o seu ponto de vista, como deveria ser o processo de inclusão ideal para um novo trabalhador com deficiência na indústria? Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
x GESTORES DE PRODUÇÃO
1. Como é o processo de inclusão de pessoas com deficiência na sua área de produção? Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
2. Quais as maiores dificuldades em realizar o processo de inclusão em sua área de produção? Porquê?
3. Quais são as práticas de produção industrial mais importantes no processo de adequação do trabalho para a pessoa com deficiência na sua área de produção? Por quê?
4. Sob o seu ponto de vista, como deveria ser o processo de inclusão ideal para um novo trabalhador com deficiência na área de produção? Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
RH 1 Verificação da situação atual Inclusão na indústria
Inclusão na
2 Dificuldades atuais Entrada e direcionamento Trabalho na
produção Posto de trabalho Posto de trabalho 3 Práticas mais importantes Recrutamento, seleção e
contratação
4 Contribuições e sugestões Inclusão na indústria
Inclusão na
x TRABALHADORES COM DEFICIÊNCIA
1. Como está a adequação de seu posto de trabalho para a execução de suas atividades de trabalho? Por quê?
2. Que tipos de atividades são necessárias executar em seu posto que você tem dificuldade ou incapacidade de realizar? Por quê?
3. Quais são as atividades que você possui mais facilidade de realizar em seu posto de trabalho? Por quê?
4. Sob o seu ponto de vista, como deveria ser o posto de trabalho ideal para as atividades profissionais? Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
x TRABALHADORES SEM DEFICIÊNCIA
1. Como está a adequação de seu posto de trabalho para a inclusão de pessoas com deficiência? Por quê?
2. Que tipos de atividades são necessárias executar em seu posto de trabalho que uma pessoa com deficiência teria dificuldade ou incapacidade de realizar? Por quê?
3. Se uma pessoa com deficiência tivesse que trabalhar em seu posto de trabalho, quais deveriam ser as adequações mais importantes para realizar? Por quê?
4. Sob o seu ponto de vista, como deveria ser o processo de adequação ideal de um posto de trabalho para um novo trabalhador com deficiência?
Explique citando etapas e profissionais envolvidos.
Uma aplicação-piloto foi realizada com cada um dos profissionais (Recursos Humanos, Gestores de produção, Trabalhadores com deficiência e Trabalhadores sem deficiência) de uma fábrica de pequeno porte da cidade de Joinville-SC, que aceitou participar de modo espontâneo. Neste piloto, verificou-se que apesar das questões estarem criando limites, as respostas nem sempre eram restritas às perguntas. Em vários momentos o respondente acabava respondendo outra questão na mesma pergunta. Assim, contribuições eram realizadas a todo instante, mesmo que as perguntas tentassem limitar. Tal situação foi considerada normal para o tipo de questionário aplicado, semiestruturado, entretanto exige uma forma específica de análise de respostas. Assim, foi possível gerar condições de agrupamento de conteúdo das respostas dos questionários, conforme indicado por Bardin (2011).
Todas as coletas foram avaliadas considerando basicamente dois tipos de análises: 1-práticas e 2-highlights. As práticas possuem relação com condições ou rotinas que já foram experimentadas e possuem um valor, seja positivo ou negativo.
Assim, os entrevistados podem indicar que realizaram determinado ajuste ou organização e se a mesma obteve sucesso ou não. Já os highlights são sugestões,
contribuições ou orientações de como deveriam ser as práticas ou aplicações para as melhores condições de inclusão. As coletas de dificuldades e problemas também aparecem ao longo de todas as respostas, assim são avaliados como highlights negativos que devem ser reduzidos ou não implementados. Mesmo com um padrão de perguntas ajustado a cada segmento de stakeholder e as análises com critérios iguais para todas, sabe-se que algumas perguntas trazem mais ou menos contribuições. Por exemplo, mesmo sabendo que os maiores highlights deveriam acontecer na última pergunta, as anteriores também foram avaliadas neste tipo de análise, principalmente pelas coletas serem orais com perguntas abertas.
Considerando o critério de inovação definido para esta pesquisa, foi dada atenção especial para informações pontuais, isto é, expressões que se destacam das restantes e da literatura estudada, por representarem aspectos inovadores no conjunto de respostas. Além disso, não levou-se em conta se as variações de expressões utilizadas pelos respondentes estavam adequadas, principalmente por ser uma coleta de dados oral. Assim, por exemplo, pessoas com deficiência, deficientes, com necessidades especiais, PCDs, etc, foram considerados como a mesma expressão dentro do contexto da pesquisa. Esta interpretação foi aplicada também a outros conjuntos de expressões coletadas.
Em relação à organização das respostas, todos os participantes foram identificados por um código. Este se deu por seu segmento como stakeholder na pesquisa, onde Profissionais de Recursos Humanos receberam o código RH, Gestores de Produção, código GP, Trabalhadores com Deficiência, TC e Trabalhadores sem Deficiência, TS. Assim, práticas e highlights são apresentados pelo código de identificação do profissional, seu número sequencial e individual (1, 2, 3,...) e o código da resposta (R1, R2, R3, R4). Como exemplo, GP3R4 é um destaque coletado na resposta da questão 4 do Gestor de Produção número 3.