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De Compasso em Compasso Vamos Construindo a Melodia 1 Improvisando acordes na busca de sons.

INTERLÚDIO.

2.4. De Compasso em Compasso Vamos Construindo a Melodia 1 Improvisando acordes na busca de sons.

O projeto “Aventurando-se no Conhecimento” foi implantado em 05 de Fevereiro de 1998. Iniciei a programação com uma fita de vídeo “A Questão dos Paradigmas”, depois discutimos as idéias apresentadas. Na seqüência falei da importância da pesquisa para a nossa formação, a formação do/a professor/a. A principal idéia focalizada foi o conceito de paradigmas, que na fita é explicado, conforme T. Kuhn. Mesmo sem a pretensão de realizar uma discussão profunda sobre o assunto naquele momento, levamos o livro “A estrutura das revoluções cientificas” de T. Kuhn, e discutimos o conceito conforme o autor explicita: “Considero “paradigmas” as realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.” (p. 13). O objetivo foi falar sobre a importância de nos quando trabalhou posturas diferentes de se construir História, usando textos sobre Tiradentes, que traziam olhares diferentes sobre o seu papel na História. Nos Cursos de Língua Portuguesa, Alfabetização, Geografia, Fundamentos da Educação, Educação Especial, Ciências, Matemática e na Oficina de Teatro, todos/as os/as ministrantes, trabalharam concepções sobre a sua área, quer dizer várias visões, maneiras diferentes de se olhar o conhecimento da sua área, assim como várias maneiras de mediá-los.

62 A Ivone tem uma História de vida peculiar, contudo ter cursado só até o 2º Grau, já participou de vários

projetos interessantes, trabalhou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Laranjeiras do Sul, foi uma das organizadoras do Livro “As plantas nossas amigas”, editado pelo Sindicato. No Sindicato também trabalhou com a “Comunidade dos Grupos de Mulheres Trabalhadoras Rurais” (Alto Paiquerê, Alto São João I, Alto São João II, Barra Mansa, Bugre Morto, Erval Grande, Fazenda Estrela, Paiquerê, Passo Liso, Pinhal Preto, Passo das Flores e Rio Verde). Participou de um projeto internacional, que discute questões de gênero e meio ambiente, para se construir um Diagnóstico Rural participativo, visando um planejamento de agricultura sustentável. Esse projeto é coordenado pelo Instituto Internacional do Meio Ambiente. Também é membro ativo do PT.

63 O Prefeito tem muita confiança no trabalho da Secretária e lhe dá espaço de atuação. Outra característica

interessante é que o município, não é rico, a sua economia é essencialmente agrícola, a maioria dos agricultores são mini proprietários rurais, mas há preocupação com a Educação.

mantermos abertos diante do mundo, que essa postura nos abre outras possibilidades de compreensões, de indagações. Queríamos enfatizar a possibilidade de formação de professores/as, fundamentada na pesquisa, na investigação. A idéia que defendíamos era a formação do professor/a pesquisador/a. O trabalho que realizei foi uma incentivação, introdução para explicarmos a nossa proposta.

Posteriormente a professora Regina começou explicar como desenvolveríamos os trabalhos, e passou a palavra para os/as professores/as das áreas específicas.

“A idéia é o seguinte: Agora a gente está pensando na formação de grupos. Teria um grupo formado com pessoas mais ligadas a direção de escolas, vereadores, secretária de educação, setores da comunidade e outros grupos mais ligados aos núcleos (escolas), para facilitar, porque vão ser utilizados os períodos de trabalho nas escolas. Então vamos formar grupos dentro das escolas, pensando já que área, mas que a a prioridade não seja a área, mas seja a indagação. O que nós gostaríamos de fazer, é dar uma assistência mais personalizada, até mais individualizada. Por quê? Porque no curso, o que acontece? Você vem e trabalha aqui com todos, não dá aquela orientação de pessoa para pessoa, falando da sua sala de aula, de seus casos, suas situações. Nesse caso, o professor que assume a orientação de um grupo, ele vai conversar mais demoradamente com esse grupo, mês a mês, trocam idéias, fazem tentativas naquela sala de aula, naquela escola, leituras. É um atendimento mais personalizado para o grupo. O que estou fazendo é falar dessa área geral e falando um pouquinho das outras áreas, nas quais serão desenvolvidos trabalhos. A dúvida vem de vocês. O que precisam? Mas o que nos dispomos é orientar, o que achamos que temos condições de orientar. Querem fazer pesquisas? Querem aventurar-se nessa linha?” (Porto Barreiro – 05/02/98 – RP – Fita nº 6, Di nº 4, p. 60)

“Já tratamos alguma coisa naquele curso, o ano passado. (...) As questões que trataremos serão municipalização e centralização. Como o município poderá construir o seu sistema municipal de educação. Se conseguirmos conduzir nosso trabalho regularmente durante o ano, no final do ano, talvez possamos pensar em um Projeto Político Pedagógico para o Município. As políticas educacionais, seriam o norte da educação do município. (...) Nesse grupo a gente quer sair um pouquinho do âmbito da escola, só dos professores, nós queremos envolver um pouco a comunidade, a sociedade, nós estamos apenas sugerindo, daí

vocês vão organizar as temáticas que querem estudar. Então outros setores da comunidade, a APM, Sindicatos, Pais e Alunos que quiserem participar, seria ótimo.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – ES – Fita nº 6, Di nº 4, p. 59-65)

“A Secretária está fazendo reuniões com todas as comunidades numa metodologia de planejamento e aqui acho que vai sair muita liderança.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – SR – Fita nº 6, Di nº 4, p. 65)

“Estamos pensando na Educação, não só sobre a ótica do professor, mas da ótica do vereador, do sindicato, do pai do aluno. Isso é muito importante. Estamos sugerindo alguns temas, é mera sugestão. Só pra não ficar sem nenhuma sugestão, nenhum tema, mas os temas, nós vamos decidir juntos. Inclusive nós trouxemos um material para deixar, já para uma primeira leitura, pra próxima reunião do mês que vem.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – ES – Fita nº 6, Di nº 4, p. 65)

“Eu trabalho com Alfabetização. Hoje quando se fala em Alfabetização, você não está falando uma coisa estranha, um apêndice. Se eu pratico uma língua é porque é viva. Assim como a Alfabetização, a própria cultura. Não sei qual é o forte aqui da região das descendências. A italiana?” (Porto Barreiro – 05/02/98 – CL – Fita nº 6, Di nº 4, p. 65)

“Sim, a italiana..” (Porto Barreiro – 05/02/98 – uma professora – Fita nº 6, Di nº 4, p. 65)

“Então muitas pessoas pode ser que até falem em casa o italiano. (...) Na questão da Alfabetização, quem ensina o processo? Hoje nós sabemos que a Alfabetização é uma prática. Não é só para o primeiro ano, se eu fizesse um ditado aqui, acho que teríamos alguns termos que teríamos dúvidas. (...) O conceito de Alfabetização mudou. (...) Quem de vocês Alfabetiza? Como é que vocês se situariam? Dentro de uma prática dominante, um paradigma dominante, um Método de Alfabetização, que com certeza durante o tempo que vocês tem trabalhado tem dado certo ou vocês tem tentado trazer à sala de aula algumas inovações, entre aspas?” (CL, Ibidem, p. 68)

“Eu tenho inovado, mas não dá pra trabalhar com um método só, não existe um método pronto.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – IS – Fita nº 6, Di nº 4, p. 68)

“Você trabalha um método, mas nem sempre dá pra todos os alunos. Tem um aluno alí que não vai. Então não existe um método certo. Não tem como pegar um método, cada criança é um caso.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – outra professora64 – Fita nº 6, Di nº 4, p. 68)

“Tem professores que tem que desafiar o trabalho com a primeira série. Quando eu trabalhava com Alfabetização eu achei um jeito de explicar, eu desafiava a criança e através dos desafios, eu consegui o que esperava. Eu tinha um método, eles iam em busca, o que a criança trazia, a gente conversava, trabalhava com textos, tudo isso a gente aproveitava com a criança.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – IM – Fita nº 6, Di nº 4, p. 69)

“Bom, mas tudo isso resultou de uma prática, de uma experiência, provavelmente de algumas, algumas não, de muitas leituras, informações, cursos que você deve ter feito. Mas eu perguntaria: Como é que vocês se sentiram no início na sala de aula? Vocês conseguiram colocar algumas idéias, que são hoje idéias dominantes em relação a questão da Alfabetização, colocar isso em prática? O que temos observado é o seguinte: Tem pessoas que recebem uma gama de informações em cursos e quando chega na prática se distanciam delas e acham melhor ficar naquilo que é habitual. Eu faço essa pergunta.” (CL, Ibidem, p. 70)

“Eu acho assim, eu sempre misturei, aquilo que a gente recebe nos cursos com aquilo que a gente já sabe e faz. Sempre se leva dos cursos coisas que são boas pra nossas práticas.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – outra professora – Fita nº 6, Di nº 4, p. 70)

“... O meu convite, na minha área é, não importa se a pessoa ainda esteja sob o paradigma dominante, se ainda esteja presa, porque muitos/as de nós, eu por exemplo lidei muito com métodos, cartilhas da abelhinha, etc, etc... Não importa, o que temos que fazer é avançar. Fazer e aproveitar que nossos alunos tenham oportunidade de sair da escola leitores. (...) Eu convido as pessoas que queiram pesquisar nessa área, eu diria até que um trabalho de pesquisa-ação. É a professora-alfabetizadora trabalhando com as propostas de hoje, que são faladas no campo de Alfabetização, daí depois a gente vai ver o que vai dar. Não tem nada pronto, nada delineado. (...) Eu entendo, vejo uma certa dificuldade de se trabalhar assim. Tem alguns encaminhamentos que se tornam difíceis quando você faz o aluno passar de um estágio para outro. Isso vai acontecer não só na 2º série, mas também na

3ª para a 4ª. O aluno que escreve e não lê, lê e não escreve. O aluno que ainda não tem o domínio ortográfico.” (CL, Ibidem, p. 76)

“Vocês lembram, todos os que estavam presentes nos cursos de História e Geografia? Vocês lembram que nós trabalhamos algumas concepções sobre o que é História. Em uma dessas concepções que nós chamamos de “positivismo”, nós observamos que o professor... Qual a função do professor, não só de História, mas de modo geral? Qual era a função do professor de História dentro do paradigma positivista? Lembram?” (Porto Barreiro – 05/02/98 – MT – Fita nº 6, Di nº 4, p. 78)

“Só apresentava os fatos, as datas, os dados históricos, memória.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – SR – Fita nº 6, Di nº 4, p. 77)

“Isso, fatos, datas, heróis. Alguém falou em questionários, que levavam a decoreba. Bom gente, o Positivismo, teoricamente é um paradigma que está ultrapassado. Por quê a gente diz que ele não serve mais para os nossos dias? Porque nessa visão a função do professor de História é de meramente repassador de conteúdos que prioriza datas, nomes de heróis, porque a História tem uma finalidade. Lembram que nós vimos isso? É a História Oficial que pegam para sustentar um determinado Sistema. Lembram a História do Tiradentes. Muita gente ficou indignada em verificar que Tiradentes não foi aquele herói que estudou a vida inteira. Né? Nós fizemos o que? Nós desmistificamos um herói. Isso significa que tudo aquilo que foi estudado sobre Tiradentes é mentira? A questão da verdade, da mentira é relativa. A visão que se passou de Tiradentes, era a visão positivista que servia os interesses do momento histórico. Não levava o aluno em momento algum a pensar, a questionar. Ele simplesmente fazia, o que? O professor reproduzia conteúdos e o aluno tentava decorar e acaba aí o processo. Ele não questionava realmente, se o fulano tinha sido um herói, qual foi o relacionamento dele com o momento, que ele estava vivendo, qual era a relação que ele tinha em determinado momento histórico, nada disso era questionado, mas isso propositalmente, era com esse objetivo. E hoje nós temos um paradigma ultrapassado. O que nós queremos dos nossos alunos?” (Porto Barreiro – 05/02/98 – MT – Fita nº 6, Di nº 4, p. 78)

“Queremos que eles sejam críticos.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – outra professora – Fita nº 6, Di nº 4, p. 79)

“O que significa ser crítico? É aquele aluno que é contra porque todo mundo é a favor?” (MT, Ibidem, p. 79)

“É aquele que busca o porquê e não ser contra.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – IS – Fita nº 6, Di nº 4, p. 79)

“Então essa História que eu acabei de colocar, é aquela História que não leva a nenhum tipo de questionamento. Se não há questionamento, não vai haver contradições, não vai haver pesquisa. E uma História que não mostra conflitos. É aquela História perfeita, sem nenhum problema. Quando não há contradição, não há conflitos, não há o que? Não há mudança. E é justamente esse objetivo que queremos hoje, que o aluno seja crítico. E o que significa ser crítico? Que ele saiba fazer uma leitura do mundo. Que saiba interpretar aquilo que está vendo. Que não aceite tudo que é imposto. A partir desse momento que ele souber fazer essa leitura do mundo, que ele saiba interpretar aquilo que está colocado diante dele. Ele vai ter condições de mudar uma determinada realidade. Nesse novo paradigma nós colocamos que somos sujeitos da História. Nós somos sujeitos, agentes, não foi só o Duque de Caxias que fez História. Eu como professora de História, faço História, a Wanda, a Glorinha, vocês, nossos alunos fazem História. Então nós priorizamos hoje em História as relações sociais. Nós podemos fazer essa relação não ficar presos ao passado e analisar como as coisas são estruturadas dessa forma e não naquela. E analisar o que? Qual o objetivo da História? Estudar o homem em sociedade, nas suas relações, na sua forma de organização política, econômica, social. É esse o nosso objetivo. (...) A gente hoje valoriza muito a História dos operários, do agricultor, justamente para mostrar essa tendência. E dentro desse contexto que nós nos colocamos como professores-pesquisadores, Nós não somos mais, mero reprodutores do conhecimento ou repassadores, nós somos obrigados a sermos professores pesquisadores também. Então é essa a proposta que queremos trazer para vocês. Quando se fala em pesquisa, a gente acaba com aquela visão estigmatizada que pesquisa é coisa da academia. Que só o professor da Universidade ou o acadêmico que devem fazer pesquisa. Não é essa imagem que temos. Seu eu disser que você é capaz de realizar uma pesquisa científica, o que você me diz? Você acha que é capaz? Todos nós somos capazes, principalmente o professor, é nossa obrigação sermos pesquisadores. Então é nesse sentido que nós queremos colocar para vocês. E antes de propormos alguma coisa, gostaríamos de

saber de vocês. Eu e a Wanda, porque nós sempre trabalhamos Geografia e História juntas, porque espaço e tempo estão constantemente associados. Se vocês forem realizar uma pesquisa na área de História, vocês vão ver que vai ser imprescindível, trabalharem junto com a Geografia. Antes de colocarmos o que pensamos, nós queríamos que as sugestões viessem de vocês. O que vocês tem vontade de pesquisar em História?” (Porto Barreiro – 05/02/98 – MT – Fita nº 6, Di nº 4, p. 82)

“Que as crianças comecem estudando a sua História.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – uma professora – Fita nº 6, Di nº 4, p. 82)

“É cada aluno tem uma História, partir da História do aluno, começa por aí.” (Ibidem, outra professora, p. 82)

“História do Município...” (Ibidem, outra professora, p. 82)

“Com relação à pesquisa, quando nós orientamos a pesquisa dos alunos, eu observei o problema de 5ª a 8ª. Eu sempre dei aula de 5ª a 8ª. Quando a gente pedia pesquisa para os alunos, ocorria o seguinte: Você dava determinado tema para os alunos pesquisar. Ele pegava só um livro, de preferência com letras garrafais e um mínimo de páginas. De preferência que esteja sublinhado para eles verem de que página devem copiar. E o que é a pesquisa deles? É copiar o parágrafo, pular outro, copiar o outro. Resumir é isso. Se resume nisso. A pesquisa é isso e o professor nem corrige, porque ele pede trabalho para o aluno, para dar nota, nem se dá ao trabalho de corrigir. E não muda nada e a situação fica assim, e o aluno chega na Universidade achando que pesquisa é isso. Ele leva o maior susto (...) quando percebe que pesquisar é totalmente diferente daquilo que fez a vida toda. E nós não precisamos chegar na Universidade para descobrir o que é pesquisa. Nós podemos conduzir nossos alunos desde a 1ª série, ensinando a pesquisar. (...) Nós queríamos ouvir as sugestões de vocês, na discussão do nosso Grupo, nós pensamos que um tema que seria interessante trabalhar, seria a Memória do Município, a História e a Geografia do Município de Porto Barreiro, por ser um município que está crescendo, surgiu agora, é emergente e que provavelmente tem pouca coisa produzida. Que essa pesquisa surja dos professores e dos alunos. (...) Às vezes vocês dizem: Eu não tenho material. Esse material vocês podem produzir. Eu acho que não cabe a Secretária de Educação preparar esses materiais e entregar prontinho para os professores. Seria muito mais interessante que os professores

produzissem esse material. Nós estávamos discutindo com a Wanda que depois como produto dessa pesquisa, poderíamos elaborar um livrinho com fotos, com toda a pesquisa dos professores e alunos a respeito do município, que poderia ser utilizado como material didático nas escolas e seria muito mais interessante, inclusive com os alunos, para eles perceberem que aquilo lá teve participação deles, eles perceberem que a História é concreta, é real. E é isso que torna o ensino interessante.” (Ibidem, MT, p. 87)

“Então no caso dá para pesquisar moradores antigos e tal.” (Porto Barreiro – 05/02/98 – outra professora – Fita nº 6, Di nº 4, p. 87)

“É seria uma 1ª etapa da pesquisa, seria esse resgate oral da História, entrevistando os antigos moradores. Nós temos que lembrar que toda pesquisa tem que ter uma base teórica. E essa base teórica nós relacionamos com a prática. Pra saber que linha nós devemos seguir ao realizar a pesquisa. O nosso objetivo ao levantar a História do município, foge de saber quem foi o fundador somente, em que dia, mês e ano ele chegou aqui no município. (...) O nosso objetivo é saber, quem construiu essa realidade, analisando a forma de organização como começou, como se deram as relações humanas no município de Porto Barreiro. Esse é nosso objetivo. (...) Devemos na pesquisa analisar a mentalidade naquele momento histórico concreto. Essa memória oral é muito importante sobre a prática. Muitas vezes não é dada a importância, mas o relato daquele agricultor que mora aqui é importantíssimo para a construção de História da cidade. É importante utilizar materiais antigos, por exemplo aquele livro que vocês me mostraram de 1910 e fazer uma leitura, uma interpretação em cima desse material. Vocês devem ter visto que na TV passa todo dia um programa falando da importância da memória. O arquivo Histórico é importante porque tem a memória de uma comunidade. Então, é necessário que Porto Barreiro construa esse memorial, um museu, alguma coisa assim, pode ser criada a partir dessa pesquisa. (...) Quando nós começarmos a pesquisar, nós vamos fazer um projeto de pesquisa. Por que a necessidade? Se não tivermos um projeto de pesquisa, vai chegar um determinado momento que vamos nos perder. O projeto de pesquisa, vem em função do mapeamento, caminho a ser seguido na investigação científica. E ele tem determinadas etapas, o que pesquisar. Por que pesquisar? É a problematização. Para que pesquisar, a justificativa. Para que eu preciso estudar, pesquisar a História do município de Porto Barreiro? Para quem? Com que

objetivo? Para que vai sair essa minha pesquisa? Quanto tempo preciso para fazer minha pesquisa? Isso é só para uma explanação geral, depois conversamos melhor, discutimos como funciona o projeto. O projeto dá as dimensões e uma delas é a dimensão ideológica. Quando nós decidimos o que pesquisar, com que base teórica, já estamos imbuídos de suas dimensões ideológicas. A questão da neutralidade científica é um mito. Isso faz parte do paradigma Positivista, que o pesquisador é neutro em relação ao objeto de pesquisa, que ele não poderia se posicionar em relação aquilo que está pesquisando...” (Porto Barreiro – 05/02/98 – MT – Fita nº 6, Di nº 4, p. 95-96)

“Olha a gente tem uma experiência, estou passando agora por ela, mas eu acho que vai poder nos auxiliar aqui. Não sei se vocês conhecem, é um professor de Laranjeiras que é nosso aluno da Especialização e ele é meu orientando. A proposta dele, do curso que fez conosco é a produção de um material didático para os professores da rede, de Laranjeiras. Eu até trouxe o trabalho dele, para dar uma olhada porque temos que conversar amanhã. A proposta dele, parte da Monografia dele, vai ser o material didático da História, da Geografia do Município. Ele fez o levantamento e a gente quer transformar num livro didático para os professores da rede. Só que estamos tendo alguns cuidados porque o material que está sendo produzido, não vai ser simplesmente usado pelos professores, porque é preciso trabalhar esse material. Então a proposta dele é que depois do material pronto, que ele ministre um curso para os professores, para trabalhar com esse material, porque você pode ter o livro, mas pode trabalhar de diferentes formas. (...) Ele fez um levantamento com os moradores antigos, aqui tem mapas, gráficos porque é História e Geografia, tudo muito relacionado. Se a gente quer que o nosso aluno seja crítico, não é só ir atrás da História do Município, enfatizando datas e fatos. (...) Aqui tem uma parte que trata do hino, da bandeira, do brasão, mas isso precisa ser questionado. Não é só colocar isso aqui e passar para os