6.1. INÍCIO DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO
A competência do juízo da execução inicia-se com o trânsito em julgado da sentença condenatória ou absolutória imprópria.
6.2. COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO JUÍZO DA EXECUÇÃO
A competência na LEP não é ditada pelo local ou natureza da vara criminal em que transitou em julgado o processo de conhecimento, mas sim pelo local do estabelecimento onde o réu estiver preso ou internado.
A pena privativa de liberdade será executada no local onde o condenado estiver preso. A execução penal sempre vai atrás de onde está preso/internado o sentenciado. Exemplo: A execução do Fernandinho beira-mar já passou por diversas comarcas brasileiras.
6.3. COMPETÊNCIA EM “RAZÃO DA MATÉRIA” (EM RAZÃO DO PRESÍDIO)
Se o sentenciado tiver sido condenado pela JF, porém estiver preso em estabelecimento estadual, a execução correrá em Vara Estadual. Quem dita a competência é o estabelecimento prisional (Súmula 192 do STJ). Se o presídio for Federal, a competência é da Vara da Execução Federal.
STJ Súmula: 192 Compete ao juízo das execuções penais do estado a execução das penas impostas a sentenciados pela justiça federal, militar ou eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a administração estadual.
Salienta-se que, de acordo com o entendimento do STJ, mesmo que a condenação não tenha transitado em julgado (condenado provisório), se o réu estiver preso em unidade prisional, a competência para decidir sobre os incidentes da execução, por exemplo, a antecipação da progressão de regime, será da Justiça Estadual.
Essa regra pode ser extraída dos arts. 2º e 3º da Lei 11.671/08, que trata das transferências para presídios federais.
Lei 11.671/08 Art. 2o A atividade jurisdicional de execução penal nos estabelecimentos penais federais será desenvolvida pelo juízo federal da
seção ou subseção judiciária em que estiver localizado o estabelecimento penal federal de segurança máxima ao qual for recolhido o preso.
Art. 3o Serão recolhidos em estabelecimentos penais federais de segurança máxima aqueles cuja medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio preso, condenado ou provisório.
6.4. COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO DE SURSIS E PRD
Em se tratando de execução de ‘sursis’ e pena restritiva de direitos, a comarca competente é do domicílio do sentenciado.
6.5. COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO DE SENTENCIADO COM FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO
No caso do sentenciado com foro por prerrogativa de função (e que não perdeu o cargo com a condenação), a execução será da competência do próprio tribunal que o processou e julgou.
6.6. COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO DE PENA DE MULTA
Na redação original, após o trânsito em julgado o condenado possuía o prazo de 10 dias para pagar a multa. Caso não adimplisse a obrigação, a pena de multa era convertida em pena de detenção.
1984 - Art. 51 - A multa converte-se em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa de pagá-la ou frustra a sua execução.
Em 1996, a Lei 9.268/96 alterou a redação do art. 51 do CP para prever que a pena de multa não paga deveria ser convertida em dívida de valor, sendo cobrada por meio de execução. Prevalecia que a competência para a cobrança seria da Procuradoria da Fazenda (Estadual ou Federal), perante a Vara das Execuções Fiscais, havia, inclusive, entendimento sumulado do STJ acerca do assunto.
1996 - Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.
Súmula 521 - STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública. Superada.
No final de 2018, o STF (ADI 3.150) alterou o entendimento, passando a prever que a legitimidade para a cobrança da multa seria do Ministério Público, perante a Vara das Execuções Penais, durante o prazo de 90 dias, tendo em vista que a multa possui natureza jurídica de pena. Caso o Ministério Público não promovesse a execução no prazo de 90 dias, surgiria a legitimidade concorrente da Fazenda Pública.
Em 2019, com as alterações promovidas pelo Pacote Anticrime, a redação do art. 51 do CP foi alterada, passando a prever que a multa será executada pelo juízo da execução penal, sendo considerada dívida de valor, pois não poderá ser convertida em prisão.
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Portanto, a partir de agora a competência para a execução da pena de multa será da Vara das Execuções Penais, sendo a legitimidade exclusiva do Ministério Público, observando-se o rito da Lei de Execuções Penais.
Perceba que o entendimento do STF também se encontra superado, não mais há legitimidade concorrente após 90 dias.
6.7. COMPETÊNCIA PARA UNIFICAÇÃO DE PENAS
É competente o juiz da execução para unificar as penas todas, uma vez que há prolação de diversas sentenças separadamente, burlando as regras de concurso.
UNIFICAÇÃO SOMA
- Concurso formal próprio; - Crime continuado;
- Erro na execução (aberratio ictus);
- Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis);
- Art. 75, CP: o tempo de pena não pode ultrapassar 40 anos.
- Concurso formal impróprio;
- Concurso material.
Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)